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E NERGIABSORPSJON S TRØMNES , UTSKRIFT FRA REGNEARK

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VEDLEGG 4 E NERGIABSORPSJON S TRØMNES , UTSKRIFT FRA REGNEARK

Uma abordagem bastante diferenciada na qual aparecem outros sujeitos históricos foi apresentada por Miceli. Para o autor, a descrição do palco da chamada romanização se deu nos seguintes termos:

O processo de ‘construção institucional’ da Igreja Católica brasileira (...) se prende, de um lado, às novas diretrizes e empreendimentos da Santa Sé durante a segunda metade do século XIX e, de outro lado, os desafios organizacionais e condicionantes políticos que teve de enfrentar no interior da sociedade brasileira. (Miceli, 1988, p.11)

Miceli, ao analisar a “construção institucional” da Igreja, alerta sobre a existência de dois lados nesse processo: “... um lado, às novas diretrizes e empreendimentos da Santa Sé...” e, de outro, os “... condicionantes políticos que teve de enfrentar no interior da sociedade brasileira...” Ele não nega a existência de novas diretrizes na Igreja e uma busca de reformulação da Instituição, o que há de novo em sua análise é que a ação da Igreja se dá em um contexto que, nem sempre foi o escolhido pelos membros da hierarquia católica.

Durante a Primeira República, para Miceli

... os rumos do relacionamento Igreja-Estado naquela conjuntura dependeram fortemente dos tipos de aliança com os grupos e partidos dominantes, envolvendo um espectro diversificado de coalizões junto a diversos setores da elite. (Miceli, 1988, p. 15)

A Igreja em seu processo de “consolidação como instituição burocrática” (Miceli, 1988) fez “... aliança com os grupos...” conforme a necessidade de cada região.

No lugar de uma Instituição centralizadora que impõe seu projeto, o que se forma na Primeira República é outro modelo de funcionamento - de atuação externa - da Igreja que

... ao invés de restringir o processo decisório aos principais escalões da hierarquia interna, os dignitários eclesiásticos buscaram ampliar o círculo de interlocutores leigos, logrando com isso barganhar em melhores condições a concessão de subsídios de toda ordem por parte das autoridades públicas do novo regime. (Miceli, 1988, p. 20)

Houve, em alguns aspectos, uma “estadualização” de algumas ações da Igreja

As tendências descentralizadoras do regime republicano, ou melhor, os padrões de controle político associados a vigência da ‘política dos governadores’, a montagem dos partidos republicanos nos diversos estados, e a autonomia considerável de que passaram a dispor os clãs oligárquicos em âmbito local e regional favoreceram sem dúvida o processo de ‘estadualização’ das políticas implementadas pelos detentores do poder eclesiástico... (Miceli, 1988, p. 20-21)

O que sugere Miceli, em seu estudo sobre o processo de “constituição institucional” da Igreja no Brasil, é que este processo se dá, não por cima apenas, mas no ajuste, na relação dentro de condições determinadas, variáveis de local para local.

A Igreja brasileira pós-separação teve de lidar com dois interlocutores sociais cujas demandas por vezes se revelavam contraditórias. De um lado, o Vaticano empenhado na imposição às Igrejas da periferia de um modelo extremado de ‘romanização’ e, de outro, os benfeitores abastados, os clãs oligárquicos, os governos e lideranças estaduais desejosos de cercear a influência eclesiástica sobre negócios temporais e, ao mesmo tempo, abrindo espaços à presença da Igreja em domínios de atividade como o sistema de ensino... (Miceli, 1988, p. 26)

A Igreja Católica, apesar de todo seu poder de influência, era uma das forças na disputa pelo controle das políticas do Estado brasileiro. Tinha maior ou menor poder, de acordo com cada realidade e conjuntura política. E seu poderio de

convencer pelas idéias, era proporcional a sua capacidade de mobilizar multidões, ou de fazer conchavos. Nos locais em que não havia essas multidões mobilizadas e dispostas a sustentar as posições da cúpula eclesiástica, a relação elite x cúpula da Igreja podia se inverter, me parece que era este o caso de Mogi das Cruzes, no início dos anos de 1930. A Igreja tinha sim seu projeto, mas não era o único interlocutor na disputa.

Trabalho com a hipótese de que a Igreja realizava um duplo movimento: buscava se viabilizar como “instituição burocrática”, disputava externamente espaços e posições de poder na sociedade; era também uma Igreja que travava disputas locais, fazia conchavos, alianças, se juntava ao movimento operário, aos integralistas...

A implantação de escolas católicas se insere num contexto de ofensiva da “Igreja-hieráquica”, e nesse sentido, é parte de um projeto restaurador, no entanto, as relações em cada localidade impõem certa particularidade a cada estabelecimento de ensino, pois há um movimento que vai do local para o geral ajudando a dar forma às escolas católicas. O projeto da Igreja, muitas vezes, é apropriado pelos grupos locais que, aderem, ou não, ao projeto restaurador, mas de qualquer modo, atuam e influenciam no andamento da instituição. Parece-me ser esse o caso do Instituo Dona Placidina, em Mogi das Cruzes. A exploração das relações e a compreensão dos diferentes projetos é o tema que passo a explorar.

2.2. As diversas experiências que compuseram o Instituto

O Instituto Dona Placidina resulta inicialmente de uma dupla condição (conforme apontado no capítulo anterior), do testamento do Padre João Lourenço de Siqueira que deixa seus bens para a fundação do asilo de meninas órfãs pobres; e do Externato Sant’Anna que abrigou o Instituto.

Em 1931 passa a fazer parte do trajeto do Instituto, a Arquidiocese, na figura de Dom Duarte Leopoldo e Silva; o vigário da cidade; a Irmandade do Santíssimo Sacramento; a Ordem Terceira do Carmo; os leigos; e a Congregação das Irmãs

Vicentinas23. São estas diversas forças que conformarão o Instituto no trajeto que vai do projeto de asilo para a infância pobre, passando pelo período de ampliação do Instituto com a presença majoritária de um público pagante até a retirada da infância desvalida da Instituição.