2. THEORETICAL PERSPECTIVE
2.1 E CONOMIC T HEORY : R ATIONAL AND E FFICIENT F UNCTIONING
O desenvolvimento de novos produtos ou serviços requer uma inovação tecnológica, de modo que a manutenção do crescimento de uma nação ou empresa tem que tê-la como ingrediente fundamental. Para inovar, as empresas necessitam realizar uma série de atividades em determinado período de tempo e, como resultado, introduzir com êxito uma ideia no mercado, sob a forma de produtos (novos ou melhorados), de processo, serviços ou técnicas de gestão (RUIZ; MANDADO, 1989).
Os países com sistemas de ciência e tecnologia avançados são os que possuem as empresas líderes de mercado, sendo fornecedores de tecnologia para
outras nações. Estes últimos, chamados “seguidores”, têm dificuldade em diminuir essa vantagem, pois copiar um sistema científico-tecnológico significa investir grande quantidade de fundos para liderar e tornar rentável um mercado tecnológico propriamente dito, a exemplo dos Estados Unidos (ARBONIÉS, 2008).
De acordo com a COTEC (2010), a busca pela competitividade no mercado exige que as empresas, cada vez mais, impulsionem, identifiquem e instrumentalizem mudanças em seus processos e produtos ou serviços − que resultem em uma oferta mais atrativa para os clientes atuais e potenciais. Empresas inovadoras geram, adquirem e aplicam conhecimentos muito distintos para produzir alterações em seus processos e em seus produtos ou serviços, com o objetivo de aumentar sua rentabilidade e reduzir custos, promovendo, assim, melhoria na produtividade e na competitividade no mercado global.
A criação de um ambiente inovador é importante para qualquer empresa que queira verdadeiramente gerar inovação. O reconhecimento do ambiente na estruturação das organizações é um dos elementos fundamentais de sucesso na elaboração e implementação de planejamentos estratégicos sustentáveis, sobretudo aqueles que desejam desenhar estruturas inovadoras (BAUTZER, 2009).
Viñuela (2004) considera que a profunda transformação que estão experimentando as economias nas sociedades mais avançadas, onde as “chaves” da competitividade estão na inovação e na existência de ativos intangíveis ou de capital intelectual, estão alterando, de forma considerável, as políticas econômicas dos diferentes países em direção à chamada economia do conhecimento.
A empresa inovadora é aquela que muda, evolui, faz coisas novas, oferece novos produtos e adota novos processos de fabricação. Para sobreviver no mercado atual, uma empresa necessita inovar. Se não inova, rapidamente será superada pelos concorrentes. A pressão é forte, já que os produtos e processos têm, geralmente, um ciclo de vida cada vez mais curto (ESCORSA; VALLS, 2003).
As empresas necessitam redesenhar suas estratégias de negócios, enfocar a medição e a obtenção de resultados, reorganizar e flexibilizar seus processos produtivos, desenvolver novas habilidades e capacidades, gerir o conhecimento, melhorar a qualidade de seus produtos, aprimorar seus processos de aprendizagem,
proteger seus ativos intangíveis e seu capital intelectual, e, especialmente, fomentar a inovação como elemento-chave da competitividade.
Tornar-se uma empresa inovadora é um desafio que requer mudanças profundas na estrutura operacional. Dessa forma, o Quadro 4 apresenta as diferenças entre as empresas operacionais e as consideradas inovadoras.
Quadro 4 - Características das empresas operacionais e das inovadoras
Empresa operacional Empresa inovadora
Estrutura Burocrática, especialização e divisão do trabalho. Controle hierárquico.
Ausência de controle hierárquico. Trabalho em equipe.
Processos
Unidades de operação controladas e coordenadas pela alta gestão, que se compromete com o planejamento estratégico, alocação de capital e planejamento operacional.
Processos voltados para a geração,
seleção, financiamento e
desenvolvimento de ideias.
Planejamento estratégico, controles financeiros e operacionais flexíveis.
Sistemas de recompensas
Compensação financeira, promoção na hierarquia, poder e status.
Autonomia, reconhecimento,
participação no capital de novos empreendimentos.
Pessoas
Recrutamento e seleção com base nas
necessidades da estrutura de
organização para as competências específicas.
O fator-chave são os “geradores de ideias ”, que combinam o conhecimento técnico necessário, com traços da personalidade criativa. Os gestores devem atuar como patrocinadores e orquestradores
Fonte: Adaptado de Grant (2005)
Dentre os processos utilizados para a geração, seleção e desenvolvimento de ideias, a Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) surge como uma atividade diretamente relacionada ao processo criativo dentro das organizações. Sua estrutura e atividades irão coordenar e subsidiar a implementação de novos produtos e processos.
A cooperação também surge como uma atividade de suporte à inovação, a partir do momento que configura uma rede de intercâmbio de ideias e tecnologias. Pode ser estabelecida tanto interempresas quanto entre empresas e instituições. 2.5.1 Pesquisa e desenvolvimento (P&D)
A invenção é um ato de criatividade − e exige conhecimento e imaginação. As empresas só não inovam − nem melhoram seus desempenhos − pela compreensão limitada da natureza da criatividade e pela falta de reconhecimento
das características individuais e das condições organizacionais que a geram (GRANT, 2005).
A importância das fontes externas de conhecimento como determinantes da inovação tem sido enfatizada na literatura recente e desde uma ampla variedade de aproximações teóricas (VEGA; GUTIÉRREZ; FERNÁNDEZ, 2003). O processo de P&D foi criado para ordenar a forma como as descobertas científicas se convertem em produtos e serviços para os consumidores. Foi utilizado, pela primeira vez, na General Electric e é um dos procedimentos mais importantes para a gestão empresarial de certos negócios e indústrias (ARBONIÉS, 2008).
Peña (2010) afirma que as atividades de P&D têm uma estreita relação com a inovação e se não é sua única variável explicativa, constitui-se em variável fundamental nos modelos que aproximam a produção à inovação das empresas.
A internacionalização do P&D e da inovação constituem um desafio e uma grande oportunidade para as empresas em geral e, particularmente para as pequenas, de base tecnológica (SCHACHTER et al., 2008).
As atividades de P&D têm um objetivo múltiplo: contribuir para o progresso geral do conhecimento, produzir conhecimentos que deem origem a novos processos e produtos, participar da solução de problemas sociais e econômicos e apoiar a melhoria do ensino (CASTRO; FERNÁNDEZ, 2006).
2.5.2 Cooperação para a inovação
Um dos fenômenos, segundo HIGALDO, LEÓN e PAVÓN (2008), mais importantes que caracterizam a inovação é o derivado do fenômeno de globalização. Esse evento, que afeta diversos aspectos da empresa e sua interação com outras instituições, está provocando mudanças profundas na forma em que as organizações abordam seus processos. Uma das consequências é a impossibilidade de conceber uma organização isoladamente, sem contato com outras entidades.
A cooperação entre empresas pode orientar-se por múltiplas dimensões da atividade de uma organização. Assim, a capacidade de gerir adequadamente os recursos tecnológicos não depende tanto das capacidades internas de uma organização, mas de sua capacidade de interação com outros agentes externos para cumprir seus objetivos (HIGALDO; LEÓN; PAVÓN, 2008).
Cooperação para inovação significa a participação ativa em projetos conjuntos de P&D e de inovação com outra organização (empresa ou instituição). Isto não implica, necessariamente, que as partes envolvidas obtenham benefícios comerciais imediatos. A simples contratação de serviços de outra organização, sem a sua colaboração ativa, não é considerada cooperação. Parceiros efetivos compartilham recursos para o desenvolvimento do projeto (PINTEC, 2008).
Portanto, as empresas podem gerar vantagem competitiva através da inovação, estabelecendo atividades relacionadas ao processo criativo. Também são capazes de desenvolver novas tecnologias para suas atividades e produtos. A demanda por inovação varia em cada setor da economia, conforme a necessidade por algo novo.
2.6 ESTRATÉGIAS DIFERENCIADORAS DE INOVAÇÃO EM NÍVEL SETORIAL