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Antes de procedermos à apresentação do método e das técnicas que utilizamos para levar a cabo a investigação, cremos ser fundamental realizar uma diferenciação entre método e técnica. Longe de serem expressões sinónimas, os métodos “constituem

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o caminho para chegar ao conhecimento científico, (sendo) o conjunto de procedimentos que servem de instrumentos para alcançar os fins da investigação” (Bisquerra, 1989, p. 55 in Coutinho, 2011, p. 22). Logo, método é o caminho a percorrer para chegar ao conhecimento. Por outro lado, as técnicas são “procedimentos de atuação concretos e particulares, meios auxiliares do método, porque dentro do método, que é sempre mais geral, podem utilizar-se diversas técnicas” (Bisquerra, 1989, p. 55, in Coutinho, 2011, p. 22). Por outras palavras, as técnicas são o modo de percorrer o caminho delineado pelos métodos.

Tendo em conta que estudamos uma organização e procuramos compreender de que modo se concebe o plano de formação, bem como, as motivações e o grau de satisfação de um grupo de profissionais face a um processo de formação, o método que elegemos para a realização da investigação será o estudo de caso. Podemos considerar este método como sendo uma estratégia de investigação para “(…) contribuir com o conhecimento que temos dos fenómenos individuais, organizacionais, sociais, políticos e de grupo, além de outros fenómenos relacionados (…)” (Yin, 2005, p. 20). O mesmo autor considera que os estudos de caso “(…) representam a estratégia preferida quando se colocam questões do tipo “como” e “porque”, quando o pesquisador tem pouco controle sobre os acontecimentos e quando o foco se encontra em fenómenos contemporâneos inseridos em algum contexto real.” (Yin, 2005, p.19); “(…) consiste na observação detalhada de um contexto, ou indivíduo, de uma única fonte de documentos ou de um acontecimento específico” (Bodgan & Biklen, 1994, p.89). E como podemos definir “caso”? “(…) quase tudo pode ser um caso: um individuo, uma personagem, um pequeno grupo, uma organização (…)” (Coutinho, 2011, p.293). Através destas duas definições, podemos olhar para o estudo de caso como sendo uma metodologia que permite a compreensão de um determinado fenómeno presente num dado contexto, o caso de um indivíduo, o caso de uma organização, o caso de uma população, ou até de um país.

Para a realização da investigação optamos por várias técnicas de recolha de informação, procurando não fugir aos princípios propostos por Yin, que são: “(…) a utilização de várias fontes de evidências, e não apenas uma; (…) a criação de um banco de dados para o estudo de caso; (…) a manutenção de um encadeamento de evidências.” (Yin, 2005, p.111).

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As técnicas que utilizamos para recolher informação e sua posterior análise foram: análise de conteúdo de documentos e de entrevista; entrevista semiestruturada a grupos de referência/grupo focal e inquérito por questionário. Antes de proceder à justificação da utilização destas técnicas, primeiramente vamos efetuar um enquadramento teórico das mesmas. No que respeita à análise documental, esta afigura- se “(…) como um método de recolha e de verificação de dados: visa o acesso às fontes pertinentes escritas ou não.” (Luc Albarello et al., 1997, p. 30). Na perspetiva de Ludke e André (1986) os documentos são todos os materiais escritos que podem ser utilizados como fonte de informação sobre o comportamento humano; segundo Bell (1997, p.91) “é uma impressão deixada por um ser humano num objeto físico”. Através da análise documental, foi possível obter informação importantíssima do ponto de vista organizacional e produtivo, e que se revelou fundamental para obter respostas a questões levantadas pela investigação. A respeito do grupo focal, este “(…) consiste em envolver um grupo de representantes de uma determinada população na discussão de um tema previamente fixado, sob o controlo de um moderador que estimulará a interação e assegurará que a discussão não extravase do tema em ‘foco’” (Amado, 2013, p. 226). Portanto, estamos perante uma técnica que se pode equiparar a uma entrevista estruturada/diretiva, na qual o entrevistador se comporta, tanto quanto possível, como um elemento de regulação, embora com elevado sentido de flexibilidade; “centra-se, geralmente, num tema determinado e restrito” (Amado, 2013, p.208), pois, existe um tema em discussão e um moderador (entrevistador) que procurará estimular a discussão de modo a obter o máximo de informação possível a respeito do tema em questão, assim como não permitirá que o grupo fuja do mesmo. A discussão gerada no seio do grupo pretende-se que seja uma fonte essencial de informação para o desenvolvimento da investigação e mesmo para as conclusões do estudo. Por fim, uma referência aos inquéritos por questionário.

Segundo Ghiglione e Matalon (1997) realizar um inquérito é questionar uma determinada quantidade de indivíduos tendo em vista uma generalização. Procura distinguir-se de outros métodos sociológicos, distanciando-se da observação e da experimentação, uma vez que o investigador cria e controla a situação de que necessita. Na perspetiva de Hoz (1985, p. 58), o inquérito é “Um instrumento para recolha de dados constituído por um conjunto mais ou menos amplo de perguntas e questões que se consideram relevantes de acordo com as características e dimensão do que se deseja

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observar”. Assim, esta técnica é uma ferramenta de investigação que visa recolher informações apoiando-se, usualmente, na inquisição de um grupo representativo da população em estudo. Para tal, coloca-se uma série de questões que abrangem um tema de interesse para os investigadores. Conforme indica Magalhães, H. (2002) um inquérito por questionário poderá apresentar-se com a seguinte estrutura: perguntas abertas, fechadas ou então com ambas (misto). As perguntas abertas requerem da parte do respondente uma resposta escrita, ou seja, ele responde pelas suas próprias palavras; nas perguntas fechadas, o respondente fica limitado apenas às opções apresentadas pelo investigador; no inquérito misto, este, tal como o próprio nome indica, é uma mistura de perguntas abertas e fechadas, sendo que limita as respostas dadas pelo inquirido e simultaneamente confere-lhe liberdade para construir as suas próprias respostas, através das perguntas abertas. No caso deste estudo a opção foi por elaborar questões tomando como base uma tipologia de Likert, uma escala de atitudes em que fornecíamos aos informantes um conjunto de afirmações perante as quais teriam de se posicionar. A escala que utilizamos foi a clássica, de 1 a 5.

Feito o enquadramento metodológico geral, passamos agora a justificar a escolha destas técnicas para a investigação. Primeiramente, procedemos à análise documental. Para além da documentação relativa à temática em estudo, analisamos todos os documentos com informação acerca da organização com o intuito de a compreender, estudar o seu organograma, perceber como está estruturada (departamentos) e também para compreender quais os objetivos da organização a curto, médio e longo prazo. Procedemos também à análise de documentos relacionados com o processo na formação na organização. Deste modo, foi possível compreender como funciona a empresa a nível interno, qual a sua dinâmica e qual a influência de cada posto de trabalho, bem como a importância atribuída à formação, considerando que esta se revela como um fator fundamental para o bom funcionamento da organização e dos processos de trabalho.

Em segundo lugar, os inquéritos por questionário, que foram dirigidos aos enfermeiros que participaram no processo de formação. Realizamos dois inquéritos, um no início do processo, mais centrado nas motivações e expectativas, e outro no final, muito centrado na avaliação do processo de formação e dos seus possíveis efeitos nas vidas profissionais de quem a frequentou. Posteriormente, comparáramos as respostas obtidas em cada um e realizamos um balanço das perceções de cada inquirido. Ao nível

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da estrutura, foi através de uma escala de Likert, de modo a obter uma opinião clara, no que respeita à perspetiva de cada enfermeiro (formando) sobre o modo como é concebido o plano de formação, bem como uma avaliação acerca das perceções, motivações e grau de satisfação relativos a um processo de formação. É uma técnica fundamental, na medida que permite obter uma informação quantitativa acerca das variáveis em estudo e realizar uma análise estatística das mesmas, assim como permite complementar e validar informações anteriores e obter novas informações.

No que concerne ao grupo de referência/grupo focal serviu para estar em privado apenas com uma amostra reduzida dos enfermeiros que participaram no processo de formação. Foi importante na medida em que permitiu ouvir o que é que eles afirmam pensar a respeito da problemática em estudo, sem receio de sofrerem represálias, assim como permitiu recolher novas informações. Foi um momento fundamental, na medida em que permitiu retirar muitos apontamentos importantíssimos para análise e orientar posteriores conclusões.

Através da análise da informação contida nos inquéritos, juntamente com as análises provenientes dos outros instrumentos de recolha de informação, conseguimos obter as conclusões finais e a resposta às questões orientadoras.