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Dyrevelferd

O resultado de comportamentos sociais será confirmado por dados estatísticos tanto no que concerne em maioria, ou minoria ou significativamente na média dos comportamentos sociais, não podendo haver por parte do sociólogo uma inversão na interpretação dos dados. O sentido da análise deve ser do resultado numérico para o social, estes como determinados por daquele, buscando assim suas causas. Uma postura aparentemente simples, mas em muitos

casos ocorre a inversão, principalmente por parte da imprensa, que especula nas constatações básicas dos números – “ta morrendo muitos jovens”- e generaliza dando ênfase, à visibilidade destes números sendo os resultados numéricos os representantes do local de onde saíram, a conclusão portanto, seria “é um bairro perigoso para jovens” . Os dados numéricos de um problema social devem ser apenas um patamar, e não o último ponto. É inegável que a construção de dados seguros sobre a realidade social estudada é de fundamental importância

para o entendimento da “realidade” que se busca apreender, mas não podemos perder de vista

que mudada a estrutura social, muda-se os números:

Tabela referente a se o entrevistado teve a chance de ter bons estudos

Teve a chance de bons estudos

Total

Sim Não

Qual a religião Católico 107 54 161

Evangélico (a) 53 13 66 Protestante 4 2 6 Ubandista 2 0 2 Ateu/ atéia 5 0 5 Espírita 1 0 1 Outra 7 1 8 Total 179 70 249 Fonte: PVNS2011

Apenas 20% dos declarados evangélicos afirmaram que não tiveram a chance de terem bons estudos. Esse número sobe para 33%, em relação aos que se declararam católicos. Weber (2005) demonstrou uma ampla gama de aspectos religiosos e educacionais vinculados a religião, sucesso profissional e cultura protestante.

Aspectos fáceis de serem confundidos como meramente individuais já foram demonstrados como variantes sociais, a taxa de suicídio varia conforme as sociedades, e

dentro destas mesmas sociedades, também variam, mediante a religião, época, crise econômica, tempos de paz e guerra... (DURKHEIM, 2008).

Esse reducionismo aos números torna-se perigoso quando se abarcam problemas sociais ligados à violência, principalmente os homicídios, determinando e comprovando, através de

dados numéricos “tratados estatisticamente”, os discursos genéricos sobre problemas com

causas mais profundas:

As estatísticas das mortes em Natal revelam que os jovens são as principais vítimas dos homicídios e execuções da capital. Só no ano passado, foram 169 assassinatos de pessoas com idade entre 21 e 29 anos. Se a faixa etária for diminuída para os 14 anos, o número de mortes sobe para 259. Os números são da Coordenadoria de Direitos humanos e revelam que cada vez mais os jovens estão à mercê da criminalidade, principalmente, do tráfico de drogas. Este fator, aliás, é o principal motivador das constantes execuções registradas pela polícia em Natal e na Grande Natal. Neste mês de fevereiro, foram pelo menos 23 casos com características desse tipo de crime, no qual os bandidos vão em busca das vítimas para “acertar contas” 11

A constatação de que os Jovens são as maiores vítimas dos homicídios e estes, por sua vez, relacionados ao tráfico de drogas, é um discurso generalizador, contribuindo para a discussão permanecer na superfície amparada por dados que “comprovam” estas afirmações.

Existindo uma semelhança entre resultados relacionados à faixa etária e ao comportamento violento, não podemos apenas ficar repercutindo que os jovens são as maiores

vítimas de violências diversas. Há de se sair dos discursos generalizantes, “envolvimento com drogas”, “passagem pela polícia”, “era viciado” este tipo de discurso se faz presente todos os

dias na imprensa, no cotidiano e nas análises apresadas, e até agora pouco têm contribuído para uma compreensão do problema no sentido de ações que não sejam apenas paliativas.

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Gráfico referente ao entrevistado conhecer alguém que cometeu homicídio e faixa etária.

Fonte: PVNS2011.

Gráfico referente ao entrevistado conhecer alguém que foi ameaçado de morte e faixa etária

Gráfico referente a testemunhar alguém ser assassinado e faixa etária

Fonte: PVNS2011.

A constatação numérica serve de base para a busca da solução do problema social, pode aparecer no início, detectando o problema, no meio da pesquisa como acompanhamento do problema, e no fim, para a verificação de resultados, mas permanecer apenas em uma análise qualitativa de problemas sociais e determinar possíveis soluções com base neste método, é estar correndo o risco de apenas está desviando o foco de problemas mais profundos que necessitam de investigação não apenas numérica, ou de um foco puramente qualitativo, e sim de uma postura para a utilização das ferramentas científicas investigativas com o fim de buscar um maior entendimento, e não apenas como aplicação aleatória e cega de posturas matemáticas que “traduzem a verdade”, ou discursos generalistas que ignoram a correspondência entre dados estatísticos e comportamentos sociais.

Portanto, se os gráficos sobre faixa etária e violências apresentam semelhanças entre si, como nos três últimos que exibimos, apontam para uma relação entre idade e vitimização,

deve-se, a partir destes números, iniciar a investigação pelas determinações sociais que ligariam os indivíduos das idades mais vulneráveis a problemas com as violências, não bastando especulações simplesmente nas observações dos dados, devemos observar qual o problema que a análise estatística nos traz e traçar através do problema identificado estratégias para a investigação de cunho sociológico.

CAPÍTULO III: UM ENFOQUE SOCIOLÓGICO DOS