2.4 Bruk av biokull og marked
2.4.1 Dyrefôr
A partir, portanto, dos estudos de Marx sobre a ideologia, seus seguidores (Lukács e Barthes), como pudemos destacar antes, apropriaram-se dessas ideias e as deslocaram para fazerem, por sua vez, proposições em torno do conceito. Consideramos importante dar um destaque às propostas de Marx, uma vez que são consideradas, como vai se percebendo até este ponto, referenciais para os estudos da ideologia. Contudo, como nossa intenção, conforme explicado antes, não é a de nos estendermos ou esgotar a discussão, mas a de apresentar conceitos de ideologia, relacionando-os entre si para, principalmente, localizar o adotado neste trabalho; uma vez destacados tanto o aspecto histórico, como os referenciais marxistas sobre o assunto, passaremos a sumarizar a seguir, alguns deles. Dividi-los-emos por autor, para facilitar a leitura. Ao largo dessa exposição, discutiremos cada um dos conceitos, relacionando-os com o adotado por nós, ou seja, de van Dijk (2003), de modo a alcançar o objetivo delineado neste item. Cabe explicar, ainda, que tanto os conceitos como os autores aqui elencados foram escolhidos pelo critério de que suas propostas sobre ideologia são aquelas presentes nos livros dos três autores citados anteriormente (ŽIŽEK, 1996; EAGLETON, 1997 e THOMPSOM, 2009) e que consideramos referenciais sobre o assunto. Conceito 01:
Theodor Adorno
Conceito: “a ideologia é uma forma de “pensamento de identidade” – um estilo veladamente paranoico de racionalidade, que transmuta inexoravelmente a singularidade e a pluralidade das coisas em mero simulacro de si ou que as expulsa para além de suas fronteiras, em um ato
de exclusão dominado pelo pânico” (Eagleton, 1996, p. 116).
Considerações: Nesse caso, ideologia se confunde com a própria identidade do sujeito. Conforme esse posicionamento, se opõe entre o eu e o familiar, que é valorizado positivamente, e a alteridade, o não-eu ou o alheio. Assim, podemos afirmar que se aproxima de alguma forma com o proposto por van Dijk (2003), embora seja distinto obviamente, no
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que se refere ao caráter individual e constitutivo do ponto de vista da identidade do sujeito e ao posicionamento de crenças, que sustentarão a constituição e oposição de grupos sociais. Conceito 02:
Louis Althusser
Conceito: “1. Não existe prática, a não ser através de uma ideologia, e dentro dela; 2. Não existe ideologia, exceto pelo sujeito e para sujeito [...] só existe a ideologia, exceto pelo sujeito e para sujeitos. O que significa: não existe ideologia a não ser para sujeitos concretos, e essa destinação da ideologia só é possível pelo sujeito, ou seja, pela categoria de sujeito e
seu funcionamento (ALTHUSSER, 1996, p. 131).”
Considerações: Parafraseando Eagleton (1997), Althusser, filósofo marxista francês, compreende a ideologia como uma representação da relação imaginária dos indivíduos como suas condições reais de existência e que tem uma existência natural, ou seja, não estão no campo espiritual ou das ideias. Para ele, ao descrever a natureza da ideologia, é realmente necessário considerar que ela tenha uma existência material. Dessa forma, formula as duas teses descritas anteriormente, que, segundo ele, são conjuntas. A ideologia, para Althusser (1996), é, portanto, uma organização específica de práticas significantes que vão constituir os seres humanos como sujeitos sociais. Algo que pode se aproximar de algum modo com o que propõe van Dijk (2003) – que fala de crenças que sustentam práticas – mas que segue ainda distinto das propostas do autor holandês, uma vez que a ideologia para Althusser (1996) refere-se principalmente a nossas relações afetivas inconscientes com o mundo, aos modos pelos quais, de maneira pré-reflexiva, estamos vinculados à realidade social (EAGLETON, 1997, p. 30). A diferença entre os autores se verá, igualmente, no que diz respeito aos conceitos de ideologia dominante e de aparelhos ideológicos de estado, usado pelo francês, que os desenvolverá para descrever a vinculação dos indivíduos às questões de produção do mundo real, que não serão abordados da mesma forma por van Dijk (2003), no sentido que este, como mostram seus estudos mais recentes sobre contexto, não em ideologias dominantes, mas nos mecanismos de poder que fazem parte da cognição social, nas quais inclui a prática discursiva, de comunicação de massa e de mídia, por exemplo. Essas sim, usadas para a manutenção de grupo dominantes.
Conceito 03: Jürgen Habermas
Conceito: “A consciência positivista comum põe fora de ação o sistema de referencia da interação mediante a linguagem ordinária, no qual a dominação e a ideologia surgem sob as condições de uma comunicação distorcida8 e no qual também podem ser penetrados pela reflexão. [...] O núcleo ideológico desta consciência é a eliminação da diferença entre práxis e técnica [...] A nova ideologia viola assim um interesse que é inerente a uma das duas condições fundamentais da nossa existência cultural: a linguagem ou, mais exatamente, a forma da socialização e individualização determinada pela comunicação ao mediante a linguagem comum. [...] A reflexão que a nova ideologia desafia deve, pois, remontar atrás de um interesse de classes historicamente determinado e trazer a luz o complexo de interesses que como tal caracteriza uma espécie, que a si mesma se constitui (HABERMAS, 2015. p. 81).
Considerações: Conforme observa Eagleton (1997), Habermas se vale dos recursos da linguagem comunicativa, para definir a ideologia. Nesse caso, ela é em si mesma uma de forma de comunicação modificada pelo poder tanto quanto se faça necessário. Ou seja, segundo Eagleton (1997), Habermas (2015) propõe que a ideologia seja um discurso que se tornou um meio de dominação e que serve para legitimar relações de força. Vista assim, a ideologia passa a marcar o lugar em que a linguagem tem sua forma comunicativa modificada pelos interesses de poder impostos a ela. Porém, destaca-se ainda que essa modificação da linguagem pelo poder, segundo essa visão, não é um processo externo: essa articulação, segundo essa visão, se insere no interior da linguagem, de modo que a ideologia se torna um conjunto de efeitos internos aos próprios discursos particulares (EAGLETON, 1997, p. 118). Diferente de van Dijk (2003), segundo o qual, a ideologia dá base ao discurso (ver esquema da figura 1) e não se torna o próprio discurso em si confundindo-se com ele. Ainda que proponha exatamente que o discurso sofra a influência das ideologias, porque são essas crenças partilhadas pelos indivíduos de um grupo, elas não se confundem com o discurso em si mesmo, mas estão presentes nele, detectadas através dos elementos linguísticos que compõem o discurso.
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Conceito 03: Slavoj Žižek
Conceito: Em sentido não muito diferente dos seguidores de Marx, mas com uma intenção de
resgate das bases hegelianas de ideologia, Žižek (2013, p. 87), afirma que: “A forma mais
elevada de ideologia não envolve ser preso na espectralidade ideológica, deixando para trás as relações e as pessoas reais, mas precisamente ignorar esse Real da espectralidade e fingir abordar de maneira direta as pessoas reais e seus problemas reais”.
Considerações: Ou seja, nesta visão de ideologia de Žižek (2013), o conceito se afasta (como
na origem, ao ser criticada por Marx) ao mesmo tempo em que se aproxima da realidade, ou pelo menos do real conforme a definição lacaniana, de realidade social das pessoas envolvidas na interação e nos processos sociais (que incluem o produtivo – e por conseguinte das lutas de
classe). Porém, tanto as definições marxistas trazidas por Thompsom (2009), como a de Žižek
(2013) trazem em comum o aspecto de coerção sobre os indivíduos, numa espécie de assujeitamento do mesmo, de modo quase que inexorável. A questão do assujeitamento afasta essa concepção da adotada por van Dijk (2003, 2008a), uma vez que para este autor os mecanismos de legitimação das ideologias não assujeitam o indivíduo, mas sim ajudam a constituir sua identidade e orientam suas práticas sociais, não como manifestação do subconsciente, mas de uma cognição social, partilhada pelos sujeitos no interior de grupos sociais.
Finda essa sumarização e no intuito de concluir o item, podemos considerar que, o que distinguirão esses conceitos de ideologia do apresentado por van Dijk (2003) e que o próprio Thompsom (2009) parece aproximar-se em seu trabalho, é o fato de avançar, se assim podemos afirmar, a proposta de van Dijk (2003), em direção a uma cognição social, conforme já descrito anteriormente e relacionar-se com as estruturas de poder estabelecidas pela sociedade e no interior das práticas discursivas, para além de um universo de luta de classes (sem exclui-las, importante frisar) ou de materialização de uma historicidade individual. Nesse sentido, as práticas sociais, que incluem as de linguagem e de discurso, assumem papel fundamental na construção desse conjunto de crenças coletivas partilhado, chamado de ideologia por van Dijk (2003), que serve de base fundamental para a construção do discurso consumido, divulgado e legitimado no interior dos grupos sociais, em articulação com os elementos linguísticos disponíveis.
Anotadas essas considerações, passaremos ao próximo item do capítulo que relaciona as ideologias com as RS, no que se refere ao discurso sobre a FPLE.
2.3 Ideologias e Representações Sociais no Discurso sobre FPLE: A Macro Categoria do