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3. LINGO-PLATTFORMEN

4.1 DYBDEINTERVJU MED STUDENTER

No Ceará, entre 1914 a 1930, a política local era dominada pelos Partido Republicano Democrata e Partido Republicano Conservador120 reunindo as forças surgidas após a queda da oligarquia acciolina121. No Partido Democrata, cujos membros se auto denominavam “rabelistas”, por conta da liderança de Franco Rabelo122, reunia a classe média urbana mercantil, os latifundiários e os coronéis anti-accioly. Já no Partido Conservador aglutinariam-se os proprietários de terras com interesses agrários.

Em janeiro de 1912, a classe média, o povo de Fortaleza e comerciantes aliados a opositores derrubaram a oligarquia de Nogueira Accioly que dominava o Ceará durante dezesseis anos. Em contrapartida, no mês de abril, Franco Rabelo venceu com ampla vantagem de votos o candidato de Nogueira Accioly, José Bezerril Fontenele.

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FARIAS, Airton. In História da Sociedade Cearense, p. 303

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Antônio Pinto Nogueira Accioly nasceu em Icó no dia 11 de outubro de 1840 e faleceu no Rio de Janeiro no dia 14 de abril de 1921. A oligarquia acciolina era o grupo político cearense liderado pelo Comendador Nogueira Accioly no período de 1896 a 1912. Era filho de influente família local envolvida com a agropecuária e o comércio. Bacharelou-se em Recife e de volta ao Cearáingressou na burocracia jurídica da Província, casando-se com Maria Tereza de Sousa Brasil, filha do poderoso chefe liberal Thomaz Pompeu de Sousa Brasil. Cuidando dos negócios do sogro que foi escolhido senador do império. Nogueira Accioly foi eleito para o cargo de deputado provincial e 1865 e logo após a morte de Thomaz Pompeu em 1877, assumiu a liderança do Partido Liberal. Protegido pelo ministro do império Sinimbu, foi indicado para Presidente do Ceará, em 1878. Apesar de toda a sua força política, Nogueira Accioly não conseguiu manter a unidade do Partido Liberal que fragmentou- se em duas correntes: os Pompeus, chefiado por Thomaz Pompeu e os Paula Pessoa, liderados pelo Conselheiro Antonio Rodrigues Júnior. Em 1880 elegeu-se para a Câmara dos Deputados Gerais tendo, contudo, renuciado, para quatro anos depois ocupar o cargo de segundo Vice-Presidente da Província do Ceará. No ano de 1889 obteve um mandado de Senador do Império, não tendo sido empossado por causa do golpe da república. Aderindo ao repubicanismo, Nogueira Accioly fundou, juntamente com os florianistas (seguidores de Floriano Peixoto) o Partido Republicano Federal, depois Partido Republicano Cearense. Com a renúncia do então Presidente da República, Deodoro da Fonseca, e deposição do Governador do Ceará, Clarindo de Queiroz, conduziram o seu correligionário JoséFreire Bezerril Fontenele ao comando do Estado. Em 1892 Nogueira Accioly elegeu-se Presidente da Assembléia Legislativa e 1º Vice-Presidente Estadual. No ano de 1894 foi eleito senador e dois anos depois tornou-se, no advento República, o primeiro Governador civil do Ceará. Foi maçom pertencente àloja “Fraternidade Cearense”. A primeira fase da oligarquia acciolina foi de 1896 a 1900, a segunda de 1900 a 1904, a terceira de 1904 a 1908 e a quarta de 1908 a 1912. A oligarquia Acciolina findou com uma revolta popular em 1912.

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O Tenente-Coronel Marcos Franco Rabelo nasceu em Fortaleza no dia 25 de abril de 1851 e faleceu em Salvador no dia 29 de abril de 1940. Foi Governador do Cearáno período de 14 de julho de 1912 a 14 de março de 1914.

O contexto deste período era complexo: a economia foi atingida pela grande seca de 1915, pela decadência do ciclo da borracha na Amazônia (fazendo estancar o envio de imigrantes cearenses), pela paralisação do comércio como conseqüência da Primeira Guerra Mundial (1914-1918) e, enfim, pela repressão das explosões de violência na região provocadas pelas disputas entre os latifundiários – que romperam com a trégua do pacto dos coronéis de 1911 - e os grupos de cangaceiros.123

Vitoriosa a Sedição de Juazeiro, foi imposto no Cearápelo Presidente Hermes da Fonseca, o regime de intervenção federal que permaneceu atéo dia 24 de junho de 1914, sob o comando do General Setembrino de Carvalho, assumindo a Presidência do Estado o coronel Benjamim Liberato Barroso.

Durante o mandato de Liberato Barroso a Assembléia dividiu-se em duas partes iguais, de um lado quinze deputados apoiadores de Floro Bartolomeu, João Brígido e Nogueira Accioly –estes formando o Partido Unionista - e de outro lado, os outros quinze deputados vinculados aos “Marretas”e ao governo.

Diante deste equilíbrio de poder, Liberato Barroso tentou romper com o imobilismo no qual se encontrava e aproximou-se dos Paula Pessoa e dos setores urbanos dissidentes dos “rabelistas” organizando assim, em 1916, o Partido Republicano Democrata.

Isso fica evidente na escolha do sucessor de Liberato Barroso, fazendo com que democratas, “marretas”e “unionistas”acabaram por firmar um acordo, indicando um nome sem vínculo a nenhum dos grupos políticos, o engenheiro e rico empresário e fazendeiro sobralense João Tomé Saboia e Silva que elegeu-se Governador do Cearáde 1916 a 1920.

A unidade entre as várias facções partidárias em torno do governo de João Toméacabou em 1919, quando começaram as articulações para a escolha do nome do seu sucessor. Entrou em cena então o Presidente da República Epitácio Pessoa, indicado para a cabeça de chapa o nome do maçom e Deputado Federal pelo Estado do Pará(embora nascido em Aquiraz) Justiniano de Serpa, em oposição ao nome de Belisário Fernandes Távora, apoiado pelos “marretas”.

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Justiniano de Serpa governou o Ceará de 1920 a 1923 quando renunciou transferindo o poder para o vice Ildefonso Albano que completou o mandato de quatro anos. O então Presidente da República Artur Bernardes que governou o Brasil de 1922 a 1926, indicou para Governador do Ceará, o Desembargador José Moreira da Rocha, do Partido Conservador sendo o vice o democrata Manoelito Moreira ficando para o senado o ex-Governador João Tomé.

Moreira da Rocha governou o Cearáde 1924 a 1928 quando em maio deste ano renunciou por motivos de saúde assumindo interinamente o cargo por dois meses, o Presidente da Assembléia Legislativa, Eduardo Henrique Girão, conseguindo reaproximar os Partidos Democrata e Conservador que uma vez coligados, elegeram o jurista e advogado JoséCarlos de Matos Peixoto que deveria governar até1932, mas foi deposto pela “Revolução de 1930”.

A situação do Ceará durante a República Velha era vexatória: a maioria das terras pertenciam a latifundiários, o crescimento industrial foi tímido (destaque apenas para as indústrias de têxteis e óleos vegetais), a agricultura e o comércio exportador e importador continuava sendo a renda dos cearenses, a economia foi atingida pelas secas de 1915 e 1919 e pelas enchentes de 1917, a instabilidade das gestões administrativas por conta da deposição de governantes (queda de Accioly), a revolta armada (Sedição de Juazeiro), a Primeira Guerra Mundial (dificultando as vendas externas e encarecendo os produtos importados), a decadência do ciclo da borracha na Amazônia (quando o Cearámantinha uma estreita relação com aquela região), o apogeu do cangaceirismo dos estados do Nordeste (forçando um acordo em 1922 entre as elites de vários estados para combater o banditismo),as sucessivas greves e agitações operárias anarquistas e comunistas, a inexistência de um porto para o escoamento da produção, a escassez de energia e a crise econômica do Brasil nos 1910 e 1920.

Antes, no final do século IX, a Igreja Católica lançara a política de romanização objetivando fortalecer a sua estrutura hierárquica e enfrentar a grave crise de que estava acometida combatendo as ideias secularizantes do iluminismo, do liberalismo, do positivismo, do evolucionismo, do cientificismo, do marxismo, do socialismo e da maçonaria.

Foi quando no ano de 1854 foi criada a primeira Diocese do Ceará, sendo os seus primeiros Bispos Dom Luis Antonio de Almeida e Silva e Dom Joaquim José Vieira. Fruto da administração de ambos foram fundados o Seminário da Prainha (1864), o Colégio Imaculada Conceição (1865), o Colégio São José na Serra do Estevãos em Quixadáe a Escola Jesuítica na Serra do Baturité.

A Igreja no Ceará, assim como de resto do Brasil, contribuiu para a formação de uma elite intelectual eclesiástica opondo-se a onda secularizante de ideias.

A maioria dos colégios de Fortaleza foram criados por ex-seminaristas, com destaque para o Panteão Cearense (1870); o Colégio Cearense dos irmãos maristas (1872); o Colégio São José, o Instituto de Humanidades, o Colégio Universal e o Ginásio Cearense (1875).

Na época, dos líderes formados pela Igreja, talvez o mais destacado tenha sido Guilherme Studart, chegando a receber em 1900 do Papa Leão XIII o título de Barão de Studart. Foi um dos intelectuais católicos de primeira linha, tendo participado da campanha antiescravista criando o Centro Abolicionista, foi um dos fundadores do Instituto do Ceará (1887), do Centro Médico Cearense (1913), dos Círculos Operários de Fortaleza (1915), participando de entidades assistencialistas tais como as Conferências Vicentinas, Conferência do Sagrado Coração de Jesus tendo sido representante do governo inglês da Cruz Vermelha no Ceará.

Para o historiador cearense Airton de Farias para a Igreja Católica era muito mais lógico evitar conflitos, colaborando com o poder republicano com a manutenção da ordem social e política restrigindo a oposição aos aspectos da laicização, tanto é que o Bispo Dom Joaquim mantinha boas relações com as oligarquias dirigentes como a de Antonio Accioly.

Depois, em 1912, assumiu o episcopado Dom Manoel da Silva Gomes que logo no ano de 1913 funda um grupo de intelectuais para pensar as ações da Igreja no Ceará criando o Círculo Católico de Fortaleza. Em 1915 criou o Círculo de Operários e Trabalhadores São José em oposição ao Centro Artístico Cearense ligado aos maçons.

No mesmo ano conseguiu com o Papa Bento XV a criação de dois bispados no Ceará: o de Crato nomeando Dom Quintino Vieira e de Sobral entregue a Dom JoséTupinambáda Frota.

Em 1922 criaria o jornal impresso “O Nordeste”, sob a direção de Andrade Furtado e José Maria Rodrigues (ver Oscar de Figueiredo ) e em 1925 fundou a Federação Operária Cearense precursora da Legião Cearense do Trabalho. Dois anos depois instituiu a Confederação das Sociedades Católicas da Arquidiocese.

Ainda segundo o historiador Aírton de Farias

Percebe-se como a Igreja dinâmica e influente no Estado durante a República Velha, organizando a sociedade civil e ocupando espaços políticos de uma elite fragilizada – as esquerdas, compostas na maioria por elementos vindos da classe média e tidas como ‘inimigas irreconciliáveis’, só passaram a concorrer com mais afinco a Igreja na segunda metade da década de 1920. O poderio da Igreja, com sua elite local, homogeneizada e ligada ao catolicismo, seria fundamental para os anos 1930 surgir um verdadeiro partido religioso, a LEC (Liga Eleitoral Católica), que por sua vez, teria vínculos fortes com as idéias direitistas em voga no mundo (SOARES, 2004, p.312)