• No results found

Duration of the full interview: 57 min

A) Os recursos auxiliares para o professor são apresentados como parte da edição do professor?

B) São fornecidos separadamente?

C) As atividades sugeridas são práticas e estimulantes?

D) O manual do professor reforça a apresentação do material do texto? E) Fornece uma bibliografia útil para professores?

F) São fornecidos programas de avaliação? (Ficha para avaliação do livro-texto, s/d.)

O guia de avaliação dos livros para os professores priorizava a análise da estrutura dos livros didáticos, na apresentação - que deveria enquadrar conteúdos e outros elementos auxiliares - e, na qualidade material, com os aspectos gráficos.

Seguindo os critérios, os livros foram inicialmente indicados pelos professores primários, que responderam os questionários. As indicações dos professores foram organizadas pelos técnicos estaduais que encaminharam ao MEC a relação de livros didáticos considerados mais adequados aos estados. Em seguida, o Grupo de Trabalho da Colted analisou tecnicamente os livros e forneceu um relatório sobre a avaliação, seus critérios, a lista dos livros aprovados e recomendados para compra da Colted e a lista dos não recomendados. O relatório final foi encaminhado ao Diretor Executivo Ruy Baldaque, em 13 de novembro de 1968. Até aquele ano, 443 livros didáticos haviam sido avaliados na soma total das áreas.

O Grupo de Trabalho da Colted estava dividido pelas áreas de ensino, sob coordenação da professora Elza Nascimento Alves, do Inep, do professor Marcílio

Augusto Dias Velloso, técnico do DNE158 e da professora Lúcia Marques Pinheiro159. As áreas foram compostas pelos seguintes professores:

Linguagem - Maria Lúcia de Freitas Kohn, professora de educação primária do

Instituto de Educação da Guanabara e da Cadeira de Pedagogia da Faculdade de Filosofia da Universidade Estadual da Guanabara (UEG)160, ex-coordenadora de curso da Campanha Nacional da Criança161 e ex-professora da Fundação João Batista do Amaral162.

- Marina de Souza Lima Campelo, formada no curso Normal do Instituto de Educação

da Guanabara. Era professora primária, auxiliar de técnico de Educação da Secretaria da Educação da Guanabara, coordenadora das Cadeiras de Didática de Linguagem e Prática de Ensino, professora de Português e coordenadora geral na Escola Normal Júlia Kubitschek. No Inep era professora de Didática da Linguagem e de Português do curso de Formação de Supervisores. Era professora em cursos de Extensão e Aperfeiçoamento do Instituto de Educação da Guanabara.

- Eunice da Conceição Macedo Rosa, formada no curso Normal do Instituto de

Educação de Belo Horizonte e no curso de Letras Neoclássicas da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade de Minas Gerais, professora primária e de Português no ensino médio.

Estudos Sociais - Ignes da Silva Oliveira, formada no curso Normal, no curso

de Administração Escolar e no curso de Formação de Orientadores Pedagógicos do Instituto de Educação da Guanabara. Era professora primária, coordenadora de série primária, técnica de Educação primária do MEC.

- Leny Werneck Dornelles, formada no curso Normal e no curso para Diretores de Estabelecimentos de nível Médio do Instituto de Educação da Guanabara. Era professora primária, professora do curso Normal de Metodologia de História e 158 Marcílio Augusto Dias Velloso era bacharel em Sociologia e Política. Era técnico de educação do MEC, coordenador do Programa de Aperfeiçoamento do Magistério Primário do DNE e coordenador do Setor de treinamento de professores da Colted.

159 A professora Lúcia Marques não chegou a participar dos trabalhos da Colted por ter sido designada para coordenação da “Operação Escola”.

160 Em 1975 a UEG tornou-se a Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ).

161 A Campanha Nacional da Criança foi criada em 1953, com o objetivo de conscientizar o povo para “a importância da saúde e educação da criança no Brasil e cooperar com os governos da União, dos Estados e Territórios e com as instituições particulares de amparo à maternidade e à infância que mantêm obras especificamente ligadas ao combate à mortalidade infantil e à infância” (Objetivos imediatos da Campanha Nacional da Criança, 1953). A Campanha foi organizada no âmbito do Departamento Nacional da Criança.

162 A Fundação João Batista do Amaral foi fundada em 1961 com o objetivo de ministrar curso de alfabetização de adultos e de aperfeiçoamento de professores primários por meio da televisão.

Geografia, do Instituto de Educação da Guanabara, coordenadora Geral da Cadeira de Prática de Ensino do Instituto de Educação da Guanabara e professora do curso de formação de professores e supervisores do Inep.

- Maria da Glória Correa Lemos, formada no curso Normal do Instituto de Educação

da Guanabara e no curso de Pedagogia da Faculdade de Filosofia da Universidade do Estado da Guanabara. Era professora da escola experimental Guatemala163 - do Inep, diretora de escola primária estadual, professora de ensino médio no estado da Guanabara, foi colaboradora no livro Estudos Sociais na Escola Primária, de 1962, do Inep/CBPE;

Matemática - Madalena Pinho del Valle, licenciada em Pedagogia e advogada.

Era professora da Escola Normal Carmela Dutra164, do ginásio Estadual Orsina da Fonseca, da Faculdade de Filosofia Santa Ursula e da Sociedade Pestalozzi. Foi colaboradora do livro Ensinando Matemática a Crianças, de 1961, do Inep/CBPE. - Maria Luiza Barbosa, formada no curso Normal do Instituto de Educação da Guanabara e no curso de Pedagogia da Faculdade de Filosofia da Universidade do Estado da Guanabara. Era professora de Didática da Matemática do Instituto de Educação da Guanabara, coordenadora do Curso Normal do Colégio Imaculada Conceição, professora do Ensino Supletivo da Guanabara.

- Elvira Pinho del Valle, licenciada em Pedagogia. Era professora do Instituto de

Educação, da Escola Normal Carmela Dutra e do curso de Formação de professores de Prática de Ensino do CBPE/Inep.

Ciências - Newton Dias dos Santos formado pela antiga Escola de Ciências da

Universidade do Distrito Federal e Doutor em História Natural pela Faculdade Nacional de Filosofia. Estudou com Oswaldo Frota Pessoa e participou com esse professor da publicação do suplemento Ciência para todos, do jornal A Manhã, de 1948 a 1953. Escrevia na seção Como ensinar Ciências, que oferecia sugestões práticas para professores. Era professor de História Natural, ex-professor de Ciências do Colégio Pedro II, professor de Biologia e Metodologia das Ciências da Escola Normal Carmela Dutra, professor de Metodologia das Ciências em cursos de aperfeiçoamento do Inep e 163 Segundo Xavier (1999, pp. 83-84), a Escola Experimental Guatemala, criada em 1954, foi uma escola laboratório de experimentação pedagógica, vinculada ao Departamento de Aperfeiçoamento do Magistério (DAM), do CBPE. Xavier afirma que a Escola Guatemala foi “um celeiro de onde se escolheram inúmeros profissionais para, por exemplo, lecionar no curso de formação de professores – antigo curso normal – do Instituto de Educação, bem como para exercer funções de destaque em órgãos da Secretaria de Educação” (1999, p. 84).

164 A Escola Normal Carmela Dutra foi criada em 1946. Era escola anexa do Instituto de Educação da Guanabara.

da Secretaria de Educação de Minas Gerais. Autor de livros sobre prática da Ciências para o ensino elementar. Foi um dos criadores do Centro de Ciências da Guanabara (CECIGUA)165. Foi diretor do Museu Nacional de 1961 a 1963.

- Edna Ricake de Souza, formada pelo Instituto de Educação da Guanabara e em História pela Universidade do Estado da Guanabara (1964). Era professora primária, professora de Ensino Supletivo do Estado da Guanabara, professora de Ciências e Biologia da Secretaria da Educação, professora do Centro de Ciências da Guanabara (CECIGUA).

- Yvonne Fernandes Tempone, formada pela Escola Normal Carmela Dutra e pela

Faculdade Nacional de Filosofia (1964). Era professora primária da Guanabara, professora de História Natural, ex-professora da Escola Experimental Guatemala - do Inep, professora de Metodologia das Ciências da Escola Normal Heitor Lira, professora de Ciências do Instituto de Educação da Guanabara.

Os avaliadores eram professores primários, professores de escolas normais e faculdades de formação de professores, técnicos do MEC, Inep/CBPE ou da Secretaria de Educação da Guanabara.

Os representantes das Secretarias de Educação dos estados colaboraram com a Colted, na análise dos questionários apurados, indicando os livros recomendados e não adequados ao estado, e fornecendo sugestões para solucionar os casos das escolas que encaminharam os questionários sem a indicação de livros didáticos.

O relatório final apresentou as avaliações individuais dos manuais, mas também uma apreciação global dos livros nas diversas áreas, com o objetivo de identificar as deficiências mais freqüentes e indicar medidas para o aperfeiçoamento dos livros-texto. A avaliação dos manuais foi feita por meio de uma ficha padrão que serviu para todas as áreas. Os livros foram enquadrados em três categorias: insuficiente, regular e bom.

A ficha de avaliação dos livros-texto compreendia os seguintes itens:

165 O Centro de Ciências da Guanabara (CECIGUA) foi criado no Rio de Janeiro, em 1965, por Fritz de Lauro, Newton Dias dos Santos, Oswaldo Frota-Pessoa e Ayrton Gonçalves da Silva. Segundo Silva (2007, p. 14), na década de 1960, buscando melhorar o ensino de Ciências, a Diretoria de Ensino Secundário do MEC promoveu a instalação de Centros de Treinamentos para Professores de Ciências em vários estados. Além do CECIGUA, foram criados Centros em “São Paulo (CECISP), Minas Gerais CECIMIG), Rio Grande do Sul (CECIRS), Bahia (PROTAP) e do Nordestes (CECINE)” (Silva, 2007, p. 14).

I – Linguagem – peso 3

1) Estilo

2) Estrutura

3) Vocabulário

II – Apresentação Material – peso 2 III – Conteúdo – peso 3

1) Filosofia básica 2) Organização 3) Autenticidade 4) Desenvolvimento 5) Atividades 6) Elementos auxiliares

IV – Manual do professor – peso 2

Cada item da ficha de avaliação deveria ser preenchido com pontos de 1 a 10. O máximo de pontos alcançados por um livro seria 100. De acordo com o número total de pontos obtidos, o livro didático era enquadrado em uma das três categorias:

Escalas:

1. mais baixo ou pior; 0 a 29 – categoria 1 2. media; 30 a 69 – categoria 2 3. mais elevada ou melhor 70 a 100 – categoria 3

Para o livro se enquadrar na categoria 2, o total de pontos obtidos deveria ser, no mínimo de doze na área de Linguagem, doze na área de Conteúdo e seis na Apresentação Material. Para se obter um “perfil” do livro, dentro de cada aspecto haveria um enquadramento: Linguagem e Conteúdo Pontos Categoria 0 e 11 1 12 a 23 2 24 a 30 3

Apresentação Material e Manual para Professor

Pontos Categoria

0 a 5 1

6 a 14 2

15 a 20 3

A inclusão do manual do professor no processo de avaliação deve ser destacada, pois era uma novidade no período. A necessidade do manual foi destacada em vários momentos, nas recomendações da XXII Conferência Internacional de Instrução Pública,

na Primeira e Segunda Semanas de Estudos da Colted. Até então, a inserção do manual do professor nos livros didáticos não era obrigatória.

As avaliações por áreas

Cada área do conhecimento elaborou uma apreciação geral dos livros didáticos avaliados. Somente foram encontradas as avaliações detalhadas nas áreas de Matemática, Linguagem e Ciências, dos livros da Editora do Brasil. Ao que tudo indica, após divulgação do relatório do Grupo de Avaliação da Colted, essa editora, em janeiro de 1969, solicitou o acesso aos pareceres específicos dos seus manuais, para que pudesse corrigi-los.

Matemática

Nas apreciações gerais, os avaliadores dos livros de Matemática destacaram que, apesar de os recentes livros publicados se preocuparem em fazer uma abordagem mais moderna da matemática, a maioria dos autores não conseguiu atingir os objetivos. Grande parte dos autores desconhecia o verdadeiro sentido da Matemática Moderna. No entanto, consideraram a apresentação dos livros melhores, pois despertavam na criança maior interesse pela Matemática e pela realização das atividades.

Nos aspectos positivos, os avaliadores apontaram a diminuição do livro único com todas as matérias e o surgimento de livros específicos para o ensino da Matemática, que ultrapassavam a informação e preocupavam-se em formar conceitos e desenvolver hábitos, habilidades e valores. Nos aspectos negativos, encontraram deficiências em relação ao conteúdo, linguagem e adequação (Apreciação final sobre os livros avaliados de Matemática, 4/11/1968).

No relatório de avaliação dos livros da Editora do Brasil, alguns argumentos contrários à aprovação foram:

Brasil, 2º livro – João Barbosa de Moraes.

O autor, embora se aproveite de situações, às vezes, interessantes, baseadas na vida, não disfarça sua orientação de simplesmente informar, apresentando regras prontas ao aluno, e que não permite o desenvolvimento de conceitos e impede que a criança cresça na matéria. Isto pode ser observado nas páginas 126 e 127 onde o autor, ao apresentar as dezenas até 90 e ainda a centena, já na pág. 128, se confunde e não alcança seu objetivo.

O vocabulário matemático é impreciso. Por exemplo, na pág. 139 confunde adição, que é operação, com soma, que é resultado da operação adição. Na pág. 143 usa “casa” em vez de ordem.

As definições apresentadas são muitas vezes incompletas, como por exemplo a definição de multiplicação na pág. 145, divisão, pág. 151, etc.

Nordeste, 1º, 2º, 3º, 4º anos – Maria Cecília R. A. Pessoa.

A coleção Nordeste foi rejeitada pela Comissão de Matemática pelos seguintes aspectos negativos, em grau que a inutiliza:

- vocabulário matemático impreciso, como por exemplo: conta por operação, soma por adição, etc.

- não permite o desenvolvimento de hábitos e habilidades de estudo, iniciativa da criança ou criatividade, uma vez que oferece regras prontas e definições;

- além da orientação deixar a desejar, o conteúdo apresentado sacrifica alguns conceitos importantes que são sugeridos, às vezes isolados, como por exemplo o conceito de múltiplo de um número na pág. 28, livro 4, onde a autora se refere a número múltiplo ao invés de múltiplo de um número. Outro exemplo é a definição de multiplicação na pág. 25 do livro 3: “multiplicar é repetir um número quantas vezes o outro indica”;

- os recursos visuais apresentados não alcançam os objetivos visados (...). Infância Brasileira, 2º livro – Olga P. Metting, etc.

Vocabulário inadequado para as crianças a que se destina. Apresentação de conceitos errados (págs. 107, 110, 111).

Não há preocupação em conduzir a criança a tirar conclusões e formar conceitos.

Vocabulário matemático falho (págs. 107, 109, 100).

Em geral os avaliadores criticavam os textos informativos, que apresentavam regras prontas e definições incompletas, sem a preocupação com o desenvolvimento e formação de conceitos; o vocabulário matemático impreciso; a falta de atividades para o desenvolvimento de hábitos e habilidades de estudo e criatividade; falta de exercícios variados e significativos; má distribuição dos conteúdos; má qualidade dos recursos visuais.

A avaliação permite observar algumas questões que vinham sendo debatidas desde os anos 1950 em outros países (principalmente Estados Unidos)166 e a partir de 1960, no Brasil, sobre a necessidade da renovação da metodologia do ensino da Matemática, que ficou conhecido como Movimento da Matemática Moderna (MMM). Segundo Valente, essa nova matemática era considerada uma “matemática para os tempos da nova era tecnológica” (2003, p. 249), em período de desenvolvimento industrial, que não iria mais priorizar o exagerado ensino de cálculos e de problemas. 166 Nos Estados Unidos da América o movimento de renovação do ensino da matemática foi impulsionado pela preocupação dos estadunidenses com o avanço tecnológico russo, após o lançamento do Sputnik, em 1957. Em 1958 foi fundado o School Mathematics Study Group (SMSG), que produziu textos que tiveram aceitação em grande parte da América Latina (França, 2007, p. 37).

Esse movimento buscava fundamentação em novas áreas da educação, como a psicologia da aprendizagem e a didática (França, 2007, pp. 35-38). Segundo França, os defensores do MMM pretendiam “unificar o ensino da matemática por meio da Teoria de Conjuntos, das Estruturas Fundamentais e a introdução de novos conteúdos” (2007, p. 39). Propunham um ensino da matemática por métodos ativos e adequados as fases de desenvolvimento da criança.

Vale lembrar que Osvaldo Sangiorgi, um dos grandes defensores da Matemática Moderna no Brasil, que lançou em 1964 o livro Matemática: curso moderno, pela Companhia Editora Nacional, foi um dos educadores que discutiu a avaliação e o uso de livros didáticos no ensino médio, na II Semana de Estudos da Colted.

Ciências

Na área de Ciências, a avaliação buscou analisar se os livros consideravam os aspectos metodológicos modernos do ensino de ciências, abordando os temas de modo a estimular os alunos a “refletir, analisar, criticar, concluir, participar, tomar iniciativas, realizar experiências, observações, etc.” Observaram-se a linguagem, a apresentação, a natureza do conteúdo, a correção científica e a presença ou ausência de orientação ou instrução para alunos e professores.

A primeira crítica do relatório dizia respeito aos livros de todas as matérias, considerados deficientes. Os avaliadores destacaram que apenas dois livros acompanhavam manual do professor. De modo geral, afirmavam que a maioria dos livros mantinha um estilo usado “há vinte anos”, com excesso de matéria, exagero de nomes técnicos, tipo “pontos”, úteis somente para a memorização, sem contribuir com a construção da idéia de conhecimento científico. Apontavam que os autores tinham pouco conhecimento de metodologia das ciências e da escassa bibliografia sobre o assunto. Ressaltavam, por fim, que os autores de Minas Gerais “revelaram-se dotados do espírito apropriado ao ensino das ciências e a escrever livros da matéria” (Apreciação final sobre os livros avaliados de Ciências, 5/11/1968).

Em relação à avaliação específica dos livros da Editora do Brasil, os argumentos de exclusão foram:

Ciências Naturais, 3º ano – Olga P. Metting, etc.

No caso do presente livro não foram atendidas as condições do item a), incluindo-se o mesmo no item b), embora com menos exageros que outros do mesmo estilo.

Na parte de botânica, por exemplo, constata-se maior número de minúcias desnecessárias que nas demais partes, com exagero de noções morfológicas tais como tipos de caules, posição de folhas no caule, partes do fruto, etc., sem nenhum sentido formativo. As ilustrações são apenas regulares e há repetições de figuras seculares como a da página 34, polinização direta, de planta inteiramente desconhecida entre nós. O livro deve levar o aluno a participar na aquisição do conhecimento científico e do método de trabalho; se o assunto é polinização, ele deve conduzir a criança à descoberta do pólen, do seu papel e dos agentes polinizadores mediante contato com a natureza, observações e experiências. Não há em todo o livro uma sugestão de experiências ou observação a ser realizada. Há também algumas impropriedades cientificas. Nada deixa entrever que seus autores tenham sido bafejados por conhecimentos modernos de didática das ciências e os tenham aplicado na feitura do livro.

Ciências Naturais. 4º ano – Lucília Paixão Passos.

Livro que não atende as condições do item a). Em estilo antiquado, sem nenhuma orientação moderna, sem experiências ou observações, pouca ilustração, exclusivamente expositivo, conteúdo inadequado.

Páginas Brasileiras, 3º e 4º livros – Ester Nunes Ribas.

Livros de conjunto de todas as matérias, com muita redução em ciências, o 4º livro apenas com uma figura. Estilo superado, tipo “pontos” próprios para decoração.

Na análise dos manuais percebeu-se que os avaliadores destacaram a presença de minúcias desnecessárias, sem sentido para a formação dos alunos; ilustrações pouco atraentes; falta de desenvolvimento para aquisição do conhecimento cientifico; livros somente descritivos, para memorização; falta de sugestões de experiências e observações; impropriedades científicas; utilização de didática e estilo ultrapassados; excesso de nomes técnicos, conteúdo muito reduzido e, principalmente, não conheciam as metodologias modernas do ensino de Ciências.

Para compreender o significado das críticas aos livros didáticos de Ciências é preciso prestar atenção ao fato de que participavam da Comissão de Avaliação, professores que estavam vinculados aos centros de formação de professores e a dois projetos, o CECIGUA e a Escola Guatemala do Inep, que pensavam propostas de renovação do ensino no Brasil. Além disso, o professor Newton Dias dos Santos, autor do livro Práticas de Ciências (Guia de Ensino Elementar), pela Gráfica Olímpica, discutia o ensino de Ciências com outros professores importantes da área desde o fim da década de 1940, como Oswaldo Frota-Pessoa que escreveu um livro pela Caldeme, como verificou-se no capítulo anterior, adotando novas propostas metodológicas para o ensino de Biologia, com o ensino baseado na indução, na observação e nas experiências.

O ensino partiria do real, com as experimentações, para o abstrato; desse modo, os alunos construiriam seu conhecimento.

Linguagem

Em Linguagem, a avaliação diferenciou as cartilhas e os livros dos demais níveis. O manual do professor era praticamente inexistente, os que existiam eram pobres