10.1 The pilot plant
10.1.1 DuraMem®300
A1: Não. Eu sempre fico escrevendo. Mais uma vez. Eu já tinha anotado
mas eu fico escrevendo de uma forma mais limpa pra lembrar.
Ainda referente à carência de visualizar a forma escrita de novas palavras, observamos em sala de aula que, na maioria das vezes em que tópicos de discussão eram propostos – e P1 registrava palavras no quadro –, A1 as anotava. Ressaltamos que esta observação se repetiu não somente para vocábulos escritos no quadro, mas também para outros tipos de anotações feitas por P1 no quadro, como, por exemplo, a forma da língua portuguesa.
Por outro lado, podemos verificar uma relação entre o resultado do segundo questionário aplicado (Butler, 2000), segundo o qual A1 apresentou um padrão holístico- divergente de pensamento, e um trecho da entrevista com esse participante da pesquisa. Butler (2000), citando Harrison & Bramson (1981), mencionou que pessoas com o estilo divergente se incomodam com situações estabelecidas. Em dado momento da entrevista, P interrogou A1 quanto a sua preferência entre ouvir programas de televisão ou escutar música, já que os dois acessam o canal auditivo de percepção. A1 optou pela música, “porque a
música eu posso escolher. E na televisão tem muita coisa chata que eu não preciso assistir, que eu não quero assistir.”
3.6.3 ALUNO 2 – A2
Durante a verificação dos dados coletados, observamos algumas semelhanças e algumas dissemelhanças dentre as informações obtidas através dos diferentes instrumentos de coleta.
Dentre as semelhanças, podemos citar menções feitas por A2, referentes à organização de listas temáticas – vocabulário, expressões e/ou conjugações, dependendo de sua necessidade, apreciação de filmes e programas de televisão, além da audição de músicas, às vezes acompanhada da leitura das letras. Essas menções foram registradas no primeiro questionário aplicado, no diário dialogado e na entrevista. No primeiro questionário aplicado, encontramos a seguinte resposta para os tipos de atividades que A2 executa para melhorar o aprendizado da L-alvo: “Eu gosto de ouvir música e ler as letras, assistir films e televisão. Eu gosto de escrever listas de vocabúlario e repetir as conjugacões dos verbos (regulares e irregulares).”. No DDia, A2 não faz referência à música, como vemos a seguir: “No início de aprender uma idioma, eu normalmente faço listas de vocabulario, dos conjugações dos verbos e de expressões ídiomaticas.” Em outro momento, A2 também mencionou: “(...) eu falo com meu marido e eu leo jornais e assisto o televisão também para aprender vocabulário.” Na entrevista, por sua vez, para a mesma pergunta feita no DDia, A2 relatou:
A2: É... na verdade eu tentei mais assistir televisão, é... e música e conversar
com as pessoas. Eu tentei ler um jornal mas assim, eu não me sentiu muito bem em... em ler o jornal e... tinha muita... muitos assuntos que eu não entendi, muita história do Brasil, política, não sei o quê... então eu fiquei mais assim... desanimada com aquela... que... me lembra alguns condições individuais, né, jornal e tudo mais. Tentei e não entendi. Eu acho muito... muito legal assistir filmes, música, conversar com Marcos39... e... é isso mesmo.
Observamos que há uma discrepância nos depoimentos de A2 apresentados no diário dialogado e na entrevista. No primeiro, A2 mencionou a leitura de jornais, enquanto no segundo, A2 já nos revelou que a prática de leitura de jornais deixou-a desanimada, por conta
das dificuldades de compreensão de vocabulário, revelando, portanto, não ser uma prática freqüente para o aprendizado da L-alvo.
Outra correspondência de aspectos revelados diz respeito a um registro no diário dialogado e o resultado apresentado no segundo questionário aplicado sobre perfil de estilos (Butler, 2000). Na verdade, em seu registro no DDia, A2 justificou o porquê de suas escolhas profissionais com base no resultados obtido através do questionário de Butler (op.cit.) – estilos dominantes holístico-pessoal e dual-pragmático, tendo o padrão linear- analítico como estilo de apoio. De acordo com A2:
A2: Eu achava interessante que eu tenho os dois estilos dominantes: pessoal e
pragmático. Eu sou pragmático e as vezes analitico (claro é sou uma engenhera!). Mas também meu dejeso e “de tornar o mundo mais humano e compassivo” por isso eu decidi de fazer o mestrado em desenvolvimento sustentável (que leva em conta os aspectos humanos, sociais ambientais etc) em busca de soluções!
Com relação aos estilos de aprendizagem propostos por Reid (1984), em seu Perceptual Learning-Style Preference Questionnaire – PLSPQ, a única alteração feita por A2, quando questionada sobre a sua ordem de classificação de preferências de aprendizagem, disse respeito ao estilo grupal. Pelos resultados obtidos através do PLSPQ, A2 apresentou o estilo grupal em quarta posição. Pela sua classificação pessoal, o mesmo estilo mudaria para a segunda posição devido à importância dada à comunicação com as pessoas falantes da L- alvo. Os demais estilos permaneceram na mesma ordem. Dessa forma, a classificação de estilos de A2 ficou assim determinada: 1º) tátil; 2º) grupal; 3º) cinestésico; 4º) auditivo; 5º) visual, e 6º) individual.
A preferência pelo estilo tátil ficou nítida através das freqüentes menções às listas organizadas por A2, ou até mesmo em alguns outros trechos da entrevista em que A2 disse: “É, depois de escrever, talvez eu não... eu olhe dois, três vezes depois ou leio de novo... não sei, eu acho que só isso... o... a ação de organizar já me ajuda, sabe?! (...)” ou, então, quando A2 justificou a origem de seu estilo tátil: “É porque [xxx] eu gosto de mexer com as listas, de escrever, eu gosto de organizar assim, de maneira escrita, com meus mãos. (...)”. No diário dialogado, em determinado momento, A2 revelou que “queria re-escrever os lições”.
3.6.4 ALUNO 3 – A3
Ao analisarmos, comparativamente, os resultados verificados nos vários instrumentos de coleta de dados, observamos que no Perceptual Learning-Style Preference Questionnaire (Reid, 1984) A3 obteve a quarta e a quinta posições para os estilos de aprendizagem auditivo e visual, respectivamente. Quando A3 forneceu a sua própria ordem para os estilos de aprendizagem, o estilo auditivo foi colocado em segundo lugar e o visual, em terceiro lugar. Chamou nossa atenção a contradição presente na própria entrevista, quando P questiona:
P: (...) E se você tivesse a chance de ler um texto e escutar o mesmo texto, o que
que você escolheria?
A3: Eu compreendo mais... logicamente, eu compreendo mais quando eu leio,
mas eu acho que é muito bom ‘tambien’ ouvir, ainda que não compreende, que não consiga saber que palavra que foi dita.
Apesar de, em ambas as classificações, o estilo visual encontrar-se após o auditivo, na prática, A3 revelou preferir o visual ao auditivo, caso haja necessidade de escolha. No entanto, com freqüência, A3 citou esses dois estilos em diferentes instrumentos de coleta de dados. No DDia, por exemplo, A3 registrou:
A3: A semana retrasada fizemos duas atividades distintas das quais gostei e
aprendi; uma foi a troca entre nós os alunos de nossos escritos (...)
A atividade de ouvir uma música foi muito boa; pra mim uma das coisas dificies em português e comprender a letra de uma peça de música; as vezes eu estou ouvindo uma palavra quando é outra.
Já no primeiro questionário aplicado, A3, respondendo à pergunta sobre atividades que realiza para aprender uma L-alvo, declarou: “(...) Gosto muito de ler, todos os dias o jornal; leio mais o menos um livro por mês; assisto TV, filmes e peças de teâtro; (...)”
Ao final da entrevista A3 exteriorizou toda sua disponibilidade com relação à sua participação na pesquisa.