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Dugnad – inkluderende eller ekskluderende for fellesskapet?

3.5 Dugnad

3.5.3 Dugnad – inkluderende eller ekskluderende for fellesskapet?

O possível movimento dialético na Totalidade é essencialmente degradante e pernicioso. Isto porque na degradação de um dos diferidos na condição de domina- do, requererá da libertação um movimento inverso. A inversão é exemplificada nas figuras opostas do burguês e o proletariado, os diferidos: cada um destes diferidos ocupam papéis sociais, de um lado o que domina e exerce ação opressora “é o mes- mo diferido” denominado de “burguês” e do outro o oprimido, “o outro” diferido “o proletário”. A libertação do oprimido possui um caráter bipolar que advenientemen-

266MÉSZÁROS, István. A teoria da alienação em Marx. Rio de Janeiro: Zahar Editores, 1981, p.36.

267DUSSEL, Enrique. Filosofia na América Latina: 1º Filosofia da Libertação. 2ª ed. Trad. Luiz João

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te concretizará na supressão do opressor no conflito dos opostos, ou seja, sua morte como burguês. É referente a este aspecto que Dussel afirma, “temos aqui um redemo-

inho de sombras enganosas”.268 Na afirmação de Marx que nega o Outro absoluto,

exige pensar tudo a partir da Totalidade e consequentemente afirma a natureza e a

história como o todo natural e eterno.269 Para Dussel, uma vez totalizada a Totalida-

de, a libertação é restringida ao movimento de ascensão que inverte o jogo conflitivo dos diferidos. Para que isto aconteça é necessária à luta, a violência de dominadores e dominados. Contudo, o pensamento de Marx pretende uma libertação na qual não existe esta divisão classista. É neste processo da supressão antagônica que

[...] o trabalho, segundo Marx, é a essência subjetiva da propriedade privada. Esta é resultado do trabalho humano que produziu conseqüentemente o processo da alienação do próprio homem. A propriedade privada dos meios de produção precisa ser abolida para se chegar à redenção humana, a uma sociedade baseada na coletividade positiva, através da práxis humana (teoria mais práxis) pela classe operária (força histórica auto-transcendente), che- gando-se à superação da alienação. O comunismo é a expressão da proprie- dade geral e a superação das alienações, constituindo a superação positiva da propriedade privada, enquanto auto-alienação do homem, e por isso co- mo apropriação efetiva da essência humana através do homem e para ele; por isso, como retorno do homem a si mesmo enquanto homem social, isto é, humano; retorno acabado, consciente e que veio a ser no interior de toda ri- queza do desenvolvimento até o presente. Este comunismo é como acabado naturalismo = humanismo, como acabado humanismo = naturalismo; é a verdadeira solução do antagonismo entre o homem e a natureza, entre o homem e o homem. 270

Pergunta-se então: Como é possível evitar o ciclo vicioso, em um cenário sem garantias, que o dominado ao libertar-se não se torne novamente um opressor? A angustia dusseliana se forma de elementos possíveis que propõe evitar cisões ou con- tradições internas, isto, porque, não existe exterioridade o (tudo-o-mesmo é divino),

não existe possibilidade fora da esfera Totalizante.271 Sua proposta é de uma Totali-

dade sem divisões o que seria contrapor-se a ideia de “paraíso do proletariado”, de uma “sociedade perfeita” como uma realidade intra-histórica o comunismo, a possi-

268DUSSEL, Enrique. Para una ética da Liberación latinoamericana, Tomo II: Buenos Aires: Siglo XXI, 1973,

pp. 56.

269Ibidem, 1973, pp. 56-57.

270MARX, Karl. Os Manuscritos econômico-filosóficos: O terceiro manuscrito. Filosóficos e outros tex-

tos escolhidos. (Col. Os Pensadores) São Paulo: Abril Cultural, 1978, p.8.

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bilidade segundo a argumentação dusseliana é que isto se torne um totalitarismo, pois, suprimindo-se a possibilidade do horizonte crítico, elimina consequentemente a

ação des-totalizadora da Totalidade totalitariamente totalizada. 272

Para Ames o pensamento dusseliano evolui acerca de Marx. De Ontólogo da Totalidade à Metafísico da Alteridade. Na análise de Ames, Dussel é contrário a um processo que garanta uma unidade originária, na qual todas as determinações que diferenciam são supressas, e que necessariamente se recorra à luta armada. A ótica

dusseliana não vê espaço para novicidade no âmbito da Totalidade, 273 tudo se move

no interior da mesma, impossibilitando transcender.274 Porém, Ames, pergunta se a

garantia libertadora pode existir em Outro Divino?275 Existe uma liberdade absoluta?

Seria possível tal destotalização da Totalidade em nível concreto de uma práxis?276

Pode-se pensar que o axioma de “algo novo” é sempre uma tentativa de destotaliza-

ção insuficiente, uma forma insuficientemente concreta. A errância ontológica mer-

gulhou em um excesso desmedido de deixar-se perder, ocasionada pela vontade de

poder que desfigura o humano, luta e discórdia no próprio ser. 277

Para Mészaros, não existe outra forma de liberdade que não a humana. A li- berdade humana é natural e socialmente finita, não se pode negar a contradição ine- rente de acordo com as questões circunstanciais que predominantemente sejam ego-

ísticas ou não.278 Porém, poderia a humanidade encontrar algum refúgio para esta

contradição inerente? Na perspectiva do pensamento levinasiano, responde que a alienação é o mal-de-ser:

O caso limite em que a necessidade se impõe para além da fruição, a condi- ção proletária, que condena ao trabalho maldito e onde a indigência da exis-

272 Ibidem.

273AMES, José Luiz. Liberdade e Libertação na Ética de Dussel. 1987. 205f. Dissertação (Mestrado em

Filosofia) – Instituto de Filosofia e Ciências Humanas, Curso de Pós Graduação em Filosofia, Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande Sul. Porto Alegre, p.72.

274 Ibidem. 275 Ibidem. 276 Ibidem.

277BRET, W. Davis. Heidegger and the Wil, p. 282 apud ZIZEK, Slavoj. Em defesa das causas perdidas.

Trad. Maria Beatriz de Medina. São Paulo: Boitempo, 2011, p.157.

278MÉSZAROS, ISTIVAN. A teoria da alienação em Marx. Trad. Isa Tavares. São Paulo: Boitempo,

103 tência corporal não encontra nem refúgio nem lazer junto a si, eis o mundo absurdo da Geworfenheit. 279

A pergunta levinasiana adentra nas transferências egóicas e do fascínio no drama humano é: reconheceria a consciência seu próprio enfeitiçamento? Se está perdida num labirinto de incerteza e sem grande escrúpulo sua segurança asseme-

lha-se ao embrutecimento.280 É-ser estranho para si e para outrem (Du Sacré au

Saint).281 Para pensar a alienação em Lévinas é procedimento tal, que o destino dos que, à maneira da “loucura de Dom Quixote”, não encontra o caminho para o desen- feitiçamento mesmo da ambigüidade em que se desdobra a aparição do ser enquanto ser. Seria certo afirmar que a quixotesca forma de pensar dusseliana, talvez nunca encontre o caminho para libertação?