4.3 Calculations based on conduction and convection
4.3.2 dT from Fourier’s law: power density and thermal resistance
Como já foi referido anteriormente com a criação das escolas de referência para a educação bilingue do aluno surdo (EREBAS) pela lei 3/2008 é possível encontrar EREBAS com turmas inte-
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gradas onde alunos surdos e ouvintes partilham não só a sua aprendizagem bem como o seu dia-a-dia. E este reforço da inclusão de alunos diferentes no mesmo espaço escolar é tido em conta no decreto-lei n.º 54/2018. Deste modo, este projeto nasceu da vontade de fomentar a consciência das crianças, em idade escolar, para as diferenças. Consideramos que o respeito e conhecimento por tudo o que é diferente da maioria é fundamental que seja promovido desde tenra idade. Assim, no âmbito do projeto PROLEARN4ALL, financiado pela Fundação para a Ciên- cia e Tecnologia (FCT), as ‘Maletas Pedagógicas para Todos’ visam promover a inclusão de vários materiais didáticos que proporcionem momentos lúdicos a crianças ouvintes das escolas do 1º ciclo do ensino básico, do Município de Leiria. Este projeto conta com a participação de dois Institutos Politécnicos - Instituto Politécnico de Leiria (IPL) e o Instituto Politécnico de Coimbra (IPC). Ambos os institutos são especializados em áreas distintas, o que promove a partilha de saberes. O projeto é realizado por alunos dos dois institutos e supervisionado pelos docentes respetivos.
Sendo o ensino integrado uma realidade, pressupõe-se que a Maleta possa abranger as várias diferenças, desde a motora, à intelectual, à cegueira e à surdez. Sendo a Surdez a área de espe- cialização do IPC (Escola Superior de Educação de Coimbra - ESEC), foi neste eixo que desenvol- vemos e estamos a desenvolver o nosso trabalho. Deste modo, no que à surdez diz respeito, a Maleta contará com ‘Valentim Visão’ para introduzir à turma de crianças ouvintes e/ou surdas. Este é um personagem que possui superpoderes: tem uma visão e uma memória fantásticas! Ele é apresentado através de uma carta em língua portuguesa. Depois de toda a turma conhecer a sua apresentação, pode assim, ser introduzida à língua de sinais. Os objetivos da Maleta, tendo em conta esta temática, passam por sensibilizar as crianças para a existência de surdos e da língua de sinais, fomentar a aprendizagem de uma nova língua, incutindo o respeito pela dife- rença. Da Maleta farão parte dois jogos e vídeos em língua de sinais para que os alunos possam explorar a personagem e recontar a sua história através dos gestos que o vídeo contém. Este material criado no âmbito deste projeto será testado em turmas reais de alunos do 1º ciclo do ensino básico. Destas turmas poderão fazer parte alunos com ou sem necessidades educativas especiais, pelo que consideramos que os materiais didáticos ao dispor do professor “cria(m) uma
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ponte entre a teoria (palavra) com a prática (realidade) na execução de suas aulas” (Bordi- nhão, J. P.; Silva, E. N., 2015) o que será importantíssimo para qualquer profissional de educa- ção poder contar com a Maleta para abordar a temática em causa.
Uma vez que a Maleta pretende chegar a todos os meninos, independentemente da sua diferen- ça, é possível que os materiais didáticos que nela constarão possam estar ao alcance de crianças surdas. Assim, a promoção do Deafhood (Ladd, 2005) e do Deafgain (Bauman & Murray, 2016) são conteúdos que, implicitamente, nela podemos encontrar e que o professor poderá trabalhar tendo por base este ‘surdo-super-herói’. Sabendo que o Deafhood é a atitude positiva pelo facto de se nascer surdo e ver nessa diferença um lugar de pertença a um povo que vive em diferen- tes espaços geográficos porém com uma identidade coletiva cumulativamente com o Deafgain, que se poderá definir como sendo uma mais-valia para o surdo e para a sociedade a existência de pessoas naturalmente com uma acuidade visual mais apurada, as crianças surdas poderão explorar a positividade de se ser surdo no mundo atual e numa sociedade feita de tanta diferen- ças e tantas riquezas (Laborit, 1998). Os materiais didáticos que constarão na Maleta pretendem ser, também eles, lúdicos e pedagógicos tendo como objetivo o de aprender a pensar e refletir na sua língua de sinais, e será uma forma interessante e produtiva de aprender (Bordinhão, J. P.; Silva, E. N., 2015).
2.1- O Valentim Visão: Descrição do processo
Para chegar ao personagem Valentim Visão, o processo foi realizado por etapas. Todas elas fo- ram desenvolvidas por alunos, com a nossa supervisão. No nosso caso, os alunos da Licenciatura de Língua Gestual Portuguesa, da ESEC. Tendo em conta o propósito das Maletas, considerámos que os alunos mais indicados para a participação neste projeto deveriam ser os alunos que fre- quentavam a Unidade Curricular de Didática do Ensino da LGP II, alunos estes a frequentarem o 3.º ano da Licenciatura, por se tratar de planear, projetar e criar um ou mais materiais lúdico- didáticos para a aprendizagem da LSP. Porém, considerámos que seria importante a participação de um aluno surdo para poder ser o rosto das nossas atividades, pois assim, não só estaríamos a respeitar a sua língua, bem como estaríamos a dar a conhecer um jovem surdo a todos aqueles
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que viessem a desfrutar da atividade ‘Vem aprender com o Valentim’ e contribuir de forma im- plícita para o Deafgain e o empowerent que outros alunos surdos viessem a adquirir ao contatar com este material didático.
Assim, os alunos iniciaram por apresentar o estado da arte no que concerne a existência de ma- teriais didáticos em língua de sinais portuguesa, ou acessíveis a surdos, em Portugal. Depois da recolha feita e análise de conteúdo dos mesmos, foram tidos em conta os materiais adequados para o nosso projeto. Posteriormente a esta fase, reunimos com os alunos para um brainstor- ming sobre quais as atividades a desenvolver bem como os materiais a criar tendo em conta o objetivo do projeto. Foram selecionadas duas atividades, uma roleta gestual e o puzzle. Deste modo, pensámos em que medida estas atividades poderiam ser não só didáticas mas atrativas para as crianças do 1.º ciclo. Todavia, uma das atividades implicará o contacto com a persona- gem Valentim Visão, desta feita, o puzzle. A outra atividade trata-se de uma Roleta gestual que tem como objetivo o de reforçar a aprendizagem dos sinais aprendidos pelas crianças, através de um vídeo que a irá acompanhar. Apesar destas duas atividades terem sido desenvolvidas com o intuito de integrarem o projeto, após algumas reuniões com os parceiros do projeto, foi enten- dido que deveria, nesta fase, incluir na Maleta, apenas o puzzle. Desta forma, as crianças pode- rão fazer um puzzle com peças confortavelmente grande mas de fácil manuseamento, podendo aprender e consolidar alguns vocábulos da Língua de Sinais. Para que esta atividade atinja o seu objetivo primordial, junto do puzzle irá um dvd com vocabulário em língua de sinais, realizado pelo estudante surdo. Estes pequenos vídeos contêm palavras-chave que serão fundamentais para a construção do puzzle. Estas palavras-chave encontram-se de forma implícita ou explicita na carta de apresentação do Valentim Visão. Esta carta será uma das cinco cartas de apresenta- ção das personagens que compõem a Maleta. Decidimos, após várias propostas em levar o Va- lentim Visão até às salas de aula de uma forma positiva e sem preconceitos.
2.2- O Valentim Visão em sala de aula: sentido, atividades e estratégias
Ao longo de diversos anos enquanto orientadoras de estágio na licenciatura em Língua Gestual Portuguesa, na Escola Superior de Educação de Coimbra, tivemos a oportunidade de visitar di-
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versas EREBAS e aí começamos a ver o interesse crescente de meninos e meninas ouvintes que, frequentando essa escola, queriam aprender a língua dos colegas surdos. Registamos aqui uma das explicações mais recorrentes ao longo dos anos que justificam essa vontade: “para nos po- dermos perceber e brincarmos juntos”. Esta resposta, que se repetiu em várias das escolas por onde passámos, parece ser a mais plena concretização dos desideratos da Educação Especial, plasmados no já referido decreto-lei 3/2008:
A educação especial tem por objetivos a inclusão educativa e social, o acesso e o sucesso educativo, a autonomia, a estabilidade emocional, bem como a promoção da igualdade de oportunidades, a preparação para o prosseguimento de estudos ou para uma adequada preparação para a vida profissional e para uma transição da escola para o emprego das crianças e dos jovens com necessidades educativas especiais nas condições acima descritas”. (decreto-lei n.º3/2008 de 7 de janeiro, artigo 23º).
Não é apenas nas EREBAS que cresce o interesse de todos em aprender a Língua de Sinais Por- tuguesa. Aquando a publicação de duas histórias bilingues, A Princesa da Terra, do Mar e do Céu (Cardoso & Correia, 2014) e O Bebé Perfeito (Correia, 2016) fomos a diversas escolas do ensino regular apresentar estas obras. O entusiasmo das crianças levou-nos a criar um projeto de ensino da Língua de Sinais Portuguesa no Agrupamento de Escolas Eugénio de Castro, que hoje tem um clube de LSP como oferta de escola. Sublinhe-se que a maioria das crianças que frequenta este clube não conhece, nem convive com surdos, porém, referem, “é uma língua interessante e nunca se sabe quando vou encontrar uma pessoa surda, por isso, quero aprender”.
Em todos estes contextos acima descritos faz sentido que o docente esteja munido de recursos didáticos que lhe permitam abordar de forma lúdico-significativa a questão da surdez, ou outras diferenças, de uma maneira positiva. Por isso, procurando chegar mais perto do público-alvo, as crianças do 1º ciclo, a idealização de super-heróis pareceu ser um bom caminho para incluir pela positiva.
Como já foi descrito acima, o Valentim Visão é uma das personagens do trilho dos super-heróis que estão dispostos a ensinar e aprender muitas coisas. A escolha do superpoder não foi, como possivelmente já compreenderam, ao acaso. A visão é o centro sensorial da pessoa surda: é por
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ela que entende o mundo e é através dela que o descodifica. A Língua de Sinais é uma língua de canal visuo-espacial, logo, é significativo que o herói surdo tenha a qualidade de ver, obser- var, memorizar. O docente que estiver a conduzir esta atividade pode aproveitar, através de um diálogo prévio com as crianças, desconstruir a ideia de que “o surdo é aquele que não ouve”, modificando-a para “o surdo é aquele que vê ao pormenor”. Assim se começa a incutir uma imagem positiva da diferença e, cremos, o interesse em aprender mais sobre este super poder. Segue-se, então, a breve descrição do Valentim, o seu “cartão de cidadão”:
Olá eu sou o Valentim. Este é o meu primeiro dia na escola e estou um bocadinho nervo- so. Também cheguei há pouco tempo a esta cidade e conheço poucas pessoas, mas estou ansioso para fazer novos amigos e novas amigas! A minha língua é a língua gestual por- tuguesa pois eu nasci em Portugal. Desde pequenino que sou um tagarela pois lá em casa toda a família comunica com as mãos. A minha grande qualidade é a visão. Os meus olhos são como uma bússola pois graças a eles e à minha memória visual oriento-me com muita facilidade. Sou muito observador e reparo em todas as características de todos os rostos! Tudo o que vejo fica guardado no meu cérebro, pronto para ser usado no mo- mento mais oportuno. Para além desta minha visão raio-x, também sou muito sensível a todos os movimentos. Se estiver de costas, consigo sentir que te aproximas! Estou muito contente por estar numa escola nova e aprender coisas sobre todos vocês! Juntos, vamos aprender a minha língua e eu vou também conhecer os vossos superpoderes! Vamos?
Esta lúdica apresentação, acompanhada pela imagem do herói, pode suscitar diversas atividades desde as clássicas pergunta/resposta entre professor e alunos até a momentos de expressão artística/visual em que a turma pode desenhar o Valentim (sem ver a imagem ou seguindo-a, depende do ano de escolaridade) ou até construir um pequeno teatro entre, por exemplo, o Valentim e outra(s) personagens que fazem perta das Maletas Pedagógicas.
Para além de diversos momentos que o titular de turma pode incluir na sua prática, apresenta- mos abaixo o jogo que acompanha o Valentim e que tem como principal objetivo seguir o seu repto: aprender a sua língua.
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Assim, propomos um Puzzle que tem os seguintes objetivos e estratégias:
Objetivos: sensibilizar as crianças para a existência de surdos e de línguas de sinais;
Fomentar o gosto por aprender outra língua;
Incutir o respeito pela diferença e pela cidadania inclusiva;
Aprender vocabulário simples em Língua de Sinais Portuguesa;
2.3 - Descrição da Atividade
Os alunos vão construir um puzzle com vocábulos significativos no âmbito de uma sensibilização à LSP e que também estimulem o seu interesse por aprender a língua de forma lúdica. O puzzle é bilingue sendo que a palavra em português encaixa na peça que contém o sinal equivalente.
As faces em branco do puzzle terão fotografias do sinal correspondente à palavra. As peças têm de ter tamanho suficiente para conter duas fotografias, porém, é essencial que o sinal da foto seja visto também em vídeo para uma perceção clara do movimento e da expressão não manual. O objetivo final é encaixar as peças e executar o sinal correspondente.
Este puzzle dever ser feito num material resistente e ter dimensões que permitam a boa visuali- zação da imagem. Cremos ser mais interessante se ele tiver dimensões suficientes para ser cola- do num quadro (velcro ou outro material) do que de mesa. A ser de mesa, tem de ser visível.
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Descrição da Imagem: A imagem apresenta um desenho de várias peças de um puzzle, peças estas dentadas com diferentes formas. Apresenta quatro linhas na horizontal e quatro linhas na vertical, que se cruzam, tentando representar um puzzle que poderá ser visto de cima, tendo a configuração final de um jogo de dominó. Na maioria das peças ‘par’ existe uma palavra escrita sendo a sua leitura (da esquerda para a direita e de cima para baixo) a seguinte: Escola, Pai, Professor, Amor, Família, Mãe, Língua Gestual Portuguesa, Aprender, Filho, Nome Gestual, Feliz, Surdo, Amigo, Irmão, Igual, Comunicar.
As palavras escolhidas para este puzzle procuraram ir ao encontro de léxico ativo e significativo para crianças do primeiro ciclo do Ensino Básico, entre os 6 e os 10 anos de idade. Assim, esco- lhemos vocabulário da família, da escola, mas também palavras que se relacionem com esta diferença: surdo, língua de sinais portuguesa, entre outros. O professor pode, dependendo das atividades, ritmo e ano de escolaridade, usar outros recursos para aprofundar alguns conheci- mentos, como por exemplo, a noção de nome gestual, presente quer na internet, quer na litera- tura para a infância, na obra Sou Asas de Marta Morgado.