XIV. Penger og kreditt
70. Drukkenskapsforseelser69. Anmeldte
GOUGH & JUEL (1991), apud MARTINS (1996), fa zem referência a dois estudos laboratoriais efectuados por GOUGH (1991), cujo contributo é a confirmação da existência da etapa logográfica. No primeiro estudo, a criança aprendia quatro palavras escritas em cartões, tendo um deles também uma impressão digital do polegar e no segundo, as crianças tinham de reconhecer palavras já aprendidas com apenas metade da palavra visível. No primeiro estudo, verificou-se que a presença de uma marca visual muito saliente, como era a impressão digital, fazia com que as crianças associassem a palavra a esse traço distintivo, ignorando todas as outras possíveis pistas.
A maior parte das palavras que a criança aprende, no contexto da sala de aulas, não é acompanhada de marcas tão distintivas como a utilizada nesta experiênc ia. Para confirmar a sua
hipótese em situação mais próxima do real, GOUGH (1992) realizou o segundo estudo, em que, após terem aprendido quatro palavras, as crianças tinham de as reconhecer a partir da apresentação da primeira ou da segunda metade da palavra. A hipótese da associação selectiva não nos informa sobre que pista poderá escolher a criança, mas prevê que, se a pista for seleccionada na primeira metade, ela não reconhecerá a segunda e vice-versa. Os resultados confirmaram a hipótese de que existia uma correlação negativa entre o reconhecimento das duas metades das palavras. Esta técnica de associação selectiva permite a aprendizagem de algumas palavras, mas à medida que o número de palavras aumenta, torna-se difícil encontrar pistas distintivas que sejam únicas.
SPEAR-SWERLING & STERNBERG (1998) afirmam que a dificuldade de aprendizagem da leitura logográfica de palavras está bem demonstrada no estudo de MASON (1980) que considera que “poucas palavras são aprendidas e o esquecimento é muito rápido”. Neste mesmo estudo demonstrou-se que o conhecimento de algumas correspondências entre letra-som aumentava o número de palavras que as crianças conseguiam aprender, bem como a persistência desta aprendizagem. Alguns autores, como SEYMOUR et al. (1994); FRITH (1985); EHRI et al. (1985) e HARRIS et al. (1996), apud MARTINS (1996: 69), consideram a existência de uma fase intermédia entre a logográfica e a alfabética, que se caracterizaria pela utilização de pistas fonéticas. Esta fase representaria um passo fundamental para o “insight” alfabético26.
GOUGH & JUEL (1991) consideram que os leitores logográficos, apesar de poderem reconhecer algumas letras na linguagem escrita, caracterizam-se por não possuírem a habilidade de utilizar este conhecimento para recordar a leitura de palavras, fixando-se apenas nos traços visualmente distintivos.
A técnica de associação selectiva, segundo GOUGH & JUEL (1991), permite reconhecer palavras conhecidas, mas não pode ser aplicada ao reconhecimento de palavras que são vistas pela primeira vez. A possibilidade de recorrer ao contexto para a predição sobre as palavras novas, como pretendem alguns autores, é extremamente limitada, uma vez que as hipóteses de acerto são de 1/10 em relação às palavras de conteúdo, as mais importantes para a compreensão. A criança precisa de aprender estratégias mais eficazes. Num sistema alfabético, a forma mais eficaz é o conhecimento das correspondências entre as letras e os sons da linguagem, ou seja, o “cipher”27 ortográfico.
26 Insight alfabético é o sinal ou reconhecimento da letra. 27 Chave para decifra r a escrita.
As regras do “cipher” ortográfico distinguem-se das regras fónicas de várias formas: são implícitas, aparentemente rápidas e não exigem esforço. As regras do cipher não são ensinadas, mas descobertas e internalizadas por um processo de criptoanálise. A natureza do “cipher” é ainda uma questão teórica pouco definida, pois tanto pode consistir num conjunto de regras como num sistema analógico. Apesar de não se saber exactamente o que é, ele pode ser medido através da habilidade de ler pseudo-palavras.
GOUGH & JUEL (1991) afirmam que para que a criança comece a realizar este processo de criptoanálise, precisa de perceber que existe um sistema de correspondências do qual as letras fazem parte, que as palavras são formadas por letras e que as palavras faladas são decomponíveis em fonemas. Este último passo é o mais difícil e é a chave para a transição para o estágio seguinte. A consciência fonémica é uma condição necessária mas não suficiente porque a criança precisa de saber que letras, e de que forma, tais letras correspondem a fonemas.
A criança que domina o “cipher” já não utiliza processos de associação selectiva para reconhecer as palavras e a diferença entre a sua leitura e a do estágio anterior é bem patente na precisão com que lê oralmente tanto palavras frequentes como outras de menor frequência, e até na qualidade dos erros que comete (maior proporção de erros que resultam em pseudo- palavras).
GOUGH & JUEL (1991), consideram que a distinção entre crianças que dominam ou não o “cipher” também permite predizer diferentes padrões de escrita, nomeadamente:
a) enquanto os erros ortográficos dos leitores selectivos não apresentam semelhança fonética com a palavra, o leitor “cipher” atenderá aos fonemas e tentará representá-los em letras;
b) os erros que resultam em homófonas são dez vezes mais frequentes em crianças que lêem pseudo-palavras (leitores “cipher”) que nas outras (leitores selectivos);
c) a proporção de letras incluídas na escrita sem pertencerem à palavra, diminui à medida que aumenta o conhecimento do “cipher”;
d) os leitores selectivos incluem na sua escrita um número dez vezes superior de números ou outros símbolos não alfabéticos que os leitores “cipher”.
GOUGH & JUEL (1991) consideram que o processamento fonológico é a principal conquista da fase alfabética. Tal processamento é, inicialmente, apenas sequencial, isto é, utiliza estratégias de correspondência termo a termo e somente mais tarde, o processamento
fonológico passa a integrar também regras condicionais, que têm em conta a sequência das letras, passando a ser hierárquico.
Para os mesmos autores, o domínio do “cipher”, durante o primeiro ano de escolaridade, resulta em leitores mais eficientes no 4º ano, enquanto que as crianças que não dominaram o “cipher” tão cedo mantêm-se maus leitores três anos mais tarde. A aquisição do “cipher” representa o primeiro passo do reconhecimento de palavras, sendo portanto um ponto fundamental para a aquisição da leitura.