4.2 Perioden fra 1915 til 1985
4.2.2 Drivere for kvikksølvavsetning
A presente pesquisa foi orientada pela busca em compreender como se evidencia a práxis pastoral solidária em uma Igreja Protestante de vertente histórica, no caso específico, a Igreja Metodista, nestes tempos de globalização econômica. Contexto em que se observa o aumento da miséria e exclusão social em escala mundial. Como a análise das práxis solidárias dos pastores e pastoras metodistas em âmbito nacional se demonstrava inviável à pesquisa, dado a amplitude que tal intento comportaria, optou-se metodologicamente por investigar, através de um estudo de caso, a práxis solidária dos pastores metodistas do Distrito Eclesiástico de Piracicaba. Portanto, os resultados socializados na atual pesquisa compreendem estritamente o referido perímetro de atuação do pastores investigados. Vale relembrar ainda, que o universo de líderes religiosos pesquisados contou com o número de seis (06) pastores.
A pesquisa não contemplou o ministério pastoral feminino metodista, tendo em vista que no Distrito Eclesiástico de Piracicaba não possui pastoras
no exercício do ministério pastoral ativo junto às igrejas locais, apenas em instituições metodistas, por isso, a razão da omissão do termo práxis solidária das pastoras metodistas, na apresentação, análise e interpretação dos dados, no capítulo dedicado ao estudo de caso.
Entende-se que se fosse possível integrar na pesquisa a contribuição da práxis pastoral solidária das pastoras metodistas, certamente isto traria riqueza à pesquisa, já que como indica Pinto o “carisma social” parecer ser uma das marcas do ministério pastoral feminino metodista desde sua gênese.208 Eis aí um desafio que fica aos futuros/as pesquisadores/as da área de práxis religiosa e sociedade, investigar em outro momento em um dos Distritos Eclesiásticos da Igreja Metodista, em conjunto com os clérigos masculinos ou especificamente entre o corpo pastoral feminino, a práxis pastoral das pastoras metodistas no que tange a seu comprometimento com a solidariedade. Todavia, o pesquisador considera que ausência das pastoras entre os pesquisados não prejudica ou comprometa substancialmente a presente pesquisa.
Socializando os resultados da investigação da práxis dos pastores metodistas pesquisados, observa -se que de modo geral esses líderes religiosos possuem uma compreensão teórica do que seja práxis pastoral solidária, isto é, um esforço de ordem pastoral no sentido de integrar ações na expressão do ministério individual e comunitário no cotidiano com vistas a atenuar os dramas e os sofrimentos que assolam o ser humano nestes tempos de cultura e sociedade globalizada.
208 PINTO, Elena Alves Silva. O Carisma Social nas Pastoras Metodistas. Dissertação de
Um fator determinante para isto parece ser a formação pastoral oferecida pela Igreja Metodista, que como visto, privilegia uma leitura teológica contextualizada e libertadora, integrada à realidade social. Diferentemente de certos segmentos protestantes ou evangélicos209 mais fundamentalistas ou
conservadores, defensores de uma teologia escapista e a-histórica, em que envolvimento social não é contemplado.
Ademais, observa-se, que além de uma formação teológica libertadora, a igreja coloca à disposição de seus pastores e pastoras uma diversidade de subsídios literários, documentos, livros e literaturas que ofereçam suporte teórico para uma presença e ação pastoral solidária na sociedade. Entre estes materiais literários citados pelos pastores produzidos pela igreja aparecem os seguintes:
1. Cânones da Igreja Metodista; 2. O Credo Social;
3. Pastorais Episcopais; 4. Pastoral Indígena,
5. Plano para a Vida e Missão da Igreja; 6. Plano Nacional Missionário,
7. Revista de Escola Dominical.
Um segundo resultado indicado pela pesquisa é que os pastores pesquisados demonstram desenvolver atividades com alguma conexão com aquilo que se denominou ser práxis pastoral solidária. Logicamente que determinadas ações desses líderes religiosos passam por interpretações e motivações práticas de cunho privado, isto é, voltadas ao âmbito de suas
209 Termo polissêmico, bastante popular, que abarca, assim como um grande guarda chuva, os
vários seguimentos protestantes no Brasil: protestantes históricos, pentecostais, neo- pentecostais.
comunidades religiosas. Todavia de um modo geral observa-se a abertura e/ou esforços em fazer pontes com ações que promovam interação entre a igreja e a sociedade, na busca por responder determinados dramas e sofrimentos que afetam as pessoas menos favorecidas e problemas mundiais. Tomando como exemplo, os temas indicados pelos pastores, a partir de uma lista oferecida a eles, aparecem as seguintes ações incentivadas em âmbito comunitário:
a) Ecologia e Meio Ambiente; b) Educação Popular;
c) Movimento pela Paz e Outros;
d) Projetos Sociais - Creche/orfanato etc; e) Visita a hospitais.
Considerando a resposta dos pastores pesquisados sobre a atividade que mais lhe agrada no ministério pastoral, parece que o instrumento privilegiado de promoção em âmbito comunitário ou eclesial de suas práxis solidárias é o “ensino”. O fundamento de tal conclusão por parte do pesquisador encontra seu embasamento na afirmação de muitos pastores de que entre as atividades que mais lhe satisfazem no ministério pastoral estava o “ensino”, essa opção foi indicada por ampla maioria dos pastores, como se pode constatar na pesquisa.
Sem entrar no mérito da escolha dos pastores pelo “ensino” como atividade que mais preferem no ministério, deve-se afirmar que considerando que os pastores pesquisados privilegiam o ensino como atividades onde fomentam entre seus fiéis os esforços por desenvolverem práxis solidária, os pastores têm ao seu favor um importante aliado, pois a educação é um meio
“poderoso” de promoção da libertação e autonomia humana, bem como meio eficiente para levar os indivíduos a se tornarem sujeitos sociais engajados na história, como muito bem demonstrou o educador brasileiro Paulo Freire210.
Os espaços de celebrações, isto é, os momentos litúrgicos parece ser outro ambiente em que os clérigos pesquisados encontram para fomentar em âmbito eclesial o engajamento de seus fiéis com uma práxis solidária. Afirma- se isto, porque muitos pastores indicaram estes espaços como ambientes onde desenvolvem sua práxis pedagógica junto à igreja em relação ao tema proposto: solidariedade.
Refletindo sobre esta questão, é preciso afirmar que apesar da privatização do culto na contemporaneidade, do ponto de vista da teologia prática (práxis religiosa e sociedade), o momento cúltico constitui um espaço privilegiado para o desenvolvimento de ações pedagógicas com vistas a fomentar nos fiéis uma práxis transformadora e libertadora, como as ações solidárias. Os pastores têm razão na escolha deste espaço para promover a aprendizagem de práxis solidária, já que o espaço cúltico ou litúrgico conjuga vários elementos que permitem a construção de uma ação pedagógica que gere “compromisso cristão”, por exemplo:
a) Escolha no momento cúltico de músicas religiosas com letras que levem a reflexão sobre os temas sociais211;
210 FREIRE possui várias obras em que demonstra o poder da educação como instrumento de
autonomia e libertação, entre estas destacamos: FREIRE, Paulo. Educação como Prática da
Liberdade. 11ª Edição. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1990. FREIRE, Paulo. Pedagogia da Autonomia: saberes necessários à prática educativa. 4 Ed. São Paulo: Paz e Terra, 1997.
211 Apesar da cultura Gospel, termo utilizado para classificar no Brasil um gênero musical que
abarca todas as tendências, não privilegiar letras musicais que despertem para o envolvimento cristão, é possível ainda encontrar no contexto brasileiro músicas que falam de compromisso social cristão.
b) Uso de materiais “audiovisuais”, “slides”, “transparências”, isto é, tecnologias que oportunizem a reflexão pessoal e coletiva dos fiéis sobre problemas sociais, sofrimento humano, realidades locais, nacionais e mundiais que dizem respeito ao bem comum. Um espaço privilegiado para isso pode ser, no caso do culto cristão, o momento da confissão;
c) Prédica ou sermões que abordem a preocupação com os dramas que tocam a sociedade.
d) Uso de dramatizações, como teatro, jograis, esquetes que reproduzam textos bíblicos que reportem a questão do envolvimento social cristão ou chamem a atenção para problemas sociais atuais.
Estes são apenas alguns exemplos, em âmbito cristão, de como é possível à partir de uma ação pastoral docente, construir uma práxis litúrgica libertadora, ou seja, ações que oportunizem o fortalecimento de uma piedade e espiritualidade engajada entre os fiéis de determinada denominação cristã, com vistas a desenvolverem uma práxis solidária na sociedade.
Um terceiro resultado apontado pela pesquisa é que entre as diversas situações de práxis solidária desenvolvida pelos pastores, está o incentivo do envolvimento dos fiéis com instituições de “Ação Social” da própria denominação. Este é um destaque importante do ponto de vista da práxis religiosa e sociedade, pois demonstra que as comunidades às quais estes líderes pastoreiam, souberam integrar suas estruturas – ou outras propriedades dessas denominações –, no sentido de promover o benefício social na cidade onde está inserida.
Além disso, esse exemplo apontado acima é uma demonstração de possibilidades de ações pastorais na contemporaneidade, que podem ser assumidas pelos líderes religiosos no incentivo de suas comunidades em relação ao exercício da práxis solidária, ou seja, o pastor pode ser agente motivador da igreja que pastoreia na criação de uma Instituição de Ação Social no bairro onde sua comunidade está inserida, com o propósito de atender os desafios da localidade ou cidade.
Refletindo sobre os fatores positivos para a implementação dessa iniciativa, isto é, criação de uma instituição de Ação Social pelas igrejas, motivadas pelo pastor, é preciso lembrar que as igrejas protestantes geralmente possuem estruturas privilegiadas, que são pouco utilizadas. Em sua maioria essas comunidades religiosas usam suas estruturas apenas no final de semana, o restante dos dias ficam ociosas, isto indica que os demais dias da semana podem ser utilizados para cumprir um papel social junto a sociedade. Ademais, outro ponto a favor é que muitas igrejas protestantes ou evangélicas, estão em localizações carentes, ou no máximo próximo de alguma área onde tal iniciativa traria benefícios enormes à sociedade local que vive em volta dessa comunidade religiosa.
Urge afirmar ainda, que os governos e/ou instituições não- governamentais possuem normalmente certo interesse em estabelecer parcerias com instituições religiosas visando firmar convênios para empreendimentos em ações que possibilitem a promoção da vida humana e/ou
diminuição dos problemas que assolam a sociedade, como pobreza, violência, analfabetismo, desemprego, combate ao racismo, etc.212
Um quarto e último resultado indicado pela pesquisa, igualmente importante para o estudo da área de práxis religiosa e sociedade, refere-se a constatação da ausência, na práxis pastoral solidárias desses líderes religiosos incentivados em âmbito eclesial, de ações que motivem os fiéis dessas comunidades religiosas à participação em esferas públicas ou políticas de decisão, entre eles, associação de bairros, fóruns populares, programas municipais de orçamento participativo, etc., como meios ou caminhos para efetivação de ações solidárias na sociedade.
Não há como determinar as causas de tal modalidade indicada acima, isto é, o envolvimento da igreja em esferas públicas ou políticas de decisão não figurar entre as ações motivadas em âmbito eclesial pelos pastores a seus fiéis com vista à construção de políticas públicas que propiciem a promoção de uma sociedade solidária. Todavia, é preciso frisar que tal modalidade é um meio eficiente que podem ser integrado por qualquer pastor ou pastora entre as ações pastorais pedagógicas de incentivo aos integrantes de suas comunidades religiosas, com vista a construir uma práxis solidária na cidade, pois como afirma Castro, “o futuro do país está sendo determinado, cada vez mais, pelo futuro das cidades”, já que nelas estão as instâncias de poder, os organismos de decisão. 213
212 Quanto às ações entre igreja e instituições não-governamentais, vale a pena consultar:
LOPES, Nicanor. Responsabilidade Social e Terceiro Setor: Uma análise critica da Associação
Beneficente Campineira da Igreja Metodista à Luz da Teologia Prática. Dissertação de
Mestrado. São Bernardo do Campo, UMESP, 2003.
213 CASTRO, Clovis Pinto de. Por uma Fé Cidadã: A Dimensão Pública da Igreja. São Bernardo
Concluindo estas reflexões relacionadas à pesquisa, é preciso afirmar, que apesar de se fazer a constatação de que no Distrito Eclesiástico de Piracicaba os pastores metodistas possuem uma compreensão conceitual do termo práxis pastoral solidária e certo desenvolvimento de uma práxis solidária, tal constatação não pode ser estendida a todos os pastores e pastoras metodistas em nível nacional, tendo em vista que na contemporaneidade se observa muitos pastores e pastoras metodistas seduzidos/as por outros modelos pastorais que não o defendido pela igreja, que como visto, encontra conexão com o que se procurou delinear nesta pesquisa ser práxis pastoral solidária.