No quadro 8 podemos observar, que o discurso sobre a formação proporcionada, até ao momento do diagnóstico, organiza-se em torno da relação entre a teoria e a prática e dos saberes e competências que sentem como adquiridas. Contudo, também se observa que muitos mais estudantes refletem sobre a primeira dimensão do que aqueles que o fazem sobre a segunda, o que nos parece ser natural, uma vez que nesta fase da formação é um exercício complicado para estes futuros professores discorrer sobre as suas competências.
Quadro 8
Perspetivas Acerca da Formação Anterior
Categorias Indicadores Estagiários
Relação teoria-prática.
Peso excessivo da teoria. E6, E12, E13
Importância das estratégias de observação e cooperação. E1, E2, E6, E8, E11,
E12, E13, E15, E16
Destaque de algumas disciplinas. E1, E10, E14
Diversidade de experiências. E4, E5, E6
Saberes e Competências Adquiridas.
Os saberes teóricos. E1, E3, E8
Saberes contextuais. E6, E7
Competências de diagnóstico. E2
Competências pessoais e sociais. E1, E8
Relação teoria/prática
Na apreciação que fazem sobre esta dimensão da formação, o aspeto mais sublinhado é a Importância das Estratégias de Observação e Cooperação, indicador que nove professores- estagiários referem (9/18).
Na opinião dos professores-estagiários existe um peso excessivo da teoria, como podemos ilustrar nestes fragmentos de discurso: (…) Foram proporcionados [conhecimentos]
a nível mais teórico porque a prática é muito pouca (…) (E12); A formação que tenho recebido ao longo do curso foi mais ao nível teórico, a nível da prática temos muito pouco tempo (E13).
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Merece ainda destaque, a relevância que três destes formandos dão a algumas disciplinas para a sua formação: as disciplinas de metodologia e, sem dúvida, o acompanhamento na Prática
Pedagógica (E10), bem como a referência à ideia de desenvolver competências na [sua] formação académica a nível da Pedagogia e Psicologia (E1), e para a disciplina de matemática foram as mais pertinentes (E14).
Esta passagem de aluno a professor implica assim um outro desempenho que se inicia com a observação e, progressivamente, leva o professor-estagiário a assumir o papel de professor. A observação encontra-se inserida num conjunto de sistemas que correspondem a diferentes estruturações de estratégias, consoante o objeto em análise. Inicia-se por uma observação naturalista realizada em contexto, sala de aula e recreio, pretendendo-se um conhecimento do aluno, em diferentes contextos, uma observação da ação educativa do professor cooperante e um conhecimento real do funcionamento dos contextos educativos. De acordo com um professor-estagiário os trabalhos observados e feitos no terreno são os mais
construtivos (E2) mas também a observação de aulas …e cooperação com a professora titular
(E6), facto também reforçado, pela seguinte afirmação Observar numa escola do 1.º Ciclo e
ter estado a interagir com os alunos (E12). Pretende-se que esta observação, integrada ao longo
do curso, venha a permitir uma prática pedagógica contextualizada, no momento de assumir a turma como professor estagiário.
A Importância das Estratégias de Observação e Cooperação levará o professor- estagiário a (...) ter a noção do que consiste a observação, intervenção (…) (E11). Isto porque
as aulas teóricas complementadas com o estágio nas escolas são muito importantes para a formação do futuro estagiário (E1) sendo que (…) os trabalhos observados e feitos no “terreno” são os mais construtivos (E2). Um dos formandos sublinha o desenvolvimento de
competências linguísticas competências linguísticas, mas muito teóricas, pouco práticas (E6). A ação em contexto escolar, pela análise dos discursos, resultantes da observação e cooperação, embora em modo exploratório, dizem-nos que todo o processo foi importante principalmente,
as aulas de estágio de observação que foram o primeiro impacto com a realidade que será a minha futura profissão (E16) sublinhando que o mais importante foi (…) conviver com os alunos porque é no “terreno” e na ação que nos surgem as dúvidas (E15).
A diversidade de experiências, já o referenciámos, na metodologia, enriquece a formação, facto evidenciado nos seguintes relatos: ter estagiado em contextos diferentes (E5);
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diferentes situações que ocorrem na sala de aula (E6). Embora nos seus relatos os formandos
falem em “ter estagiado” e “estagiar”, os formandos apenas fizeram cooperação/intervenção em colaboração com o professor cooperante. Os formandos assumem a turma apenas no 4.º ano do curso de licenciatura. Este plano de formação, de progressiva aproximação à prática profissional, procura não desligar a teoria da prática e introduz progressivamente o professor estagiário no ambiente das aulas, pois sabemos que num determinado momento é necessário trocar o laboratório de aprendizagem, na escola de formação inicial pelo contacto real com as salas de aula do 1.º CEB.
Saberes e competências adquiridas
O desenvolvimento de competências profissionais, nesta fase, momento que antecede o estágio, está presente no discurso dos professores-estagiários, mas não com muita ênfase (apenas 7 dos 18 membros do grupo se lhe referem), pois as preocupações e a procura de soluções evidencia-se, em ação, fase crucial para o desenvolvimento de competências.
Assim, a referência aos saberes teóricos surge desta forma no discurso de E1:
competências a nível dos conteúdos a lecionar em todas as áreas disciplinares (E1). Enquanto
outros, dois membros do grupo de formação sublinham os saberes contextuais: o contacto com
as crianças do 1.º Ciclo foi importante (E6), bem como o conhecimento do espaço escolar
(E7). Para E2, são de realçar as Competências de Diagnóstico, ao referir como é importante para si o conhecimento prévio dos alunos: com baixo rendimento escolar, alto rendimento
escolar, alunos de diferentes estratos sociais, alunos com diferentes motivações para aprender.
Se bem que tenhamos incluído esta informação neste tema, dada a sua unidade de contexto, este discurso levanta-nos alguns problemas, dado que o formando não estava claramente a referir-se ao uso de processos de diagnóstico. Aspetos como este foram mobilizados nas fases de formação seguinte, neste caso, para uma reflexão sobre as expectativas acerca dos alunos e a importância dos meios de diagnóstico e de uma visão reflexiva, crítica e mutável sobre as representações acerca dos alunos.
Dois destes formandos parecem estar algo conscientes do reflexo da formação inicial, no desenvolvimento de competências pessoais e sociais, tão importantes para o desempenho profissional do professor, quando um deles refere a formação despertou em mim alguma
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sensibilidade para com os alunos (E1), e outro o professor tem de conseguir lidar com cada aluno em particular porque cada aluno é um aluno/pessoa (E8).
Em síntese os estudantes, em relação à formação anterior valorizam as estratégias de observação e cooperação, que concretizam, respetivamente, no 2.º e 3.º ano da licenciatura. Valorizam a relação teoria prática e algumas unidades curriculares do currículo de formação, tais como matemática, as metodologias, pedagogia e psicologia.
Nesta fase, início de um ano letivo, em que a Prática Pedagógica III (estágio) assume grande preocupação para os professores-estagiários, quisemos conhecer os sentimentos dos estagiários em relação ao estágio.