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Draft plan for WGPBI

In document CM_2004_C_03.pdf (560.1Kb) (sider 23-27)

E como dividir analiticamente uma viola? Pois bem, a opção em cindi-la a partir da composição fabril-artesanal não necessariamente se ata a outras exógenas à Viola Xadrez. Isto é, essa deĄnição de viola não é generalizável para outras violas em outras ocasiões e ambientes de construção e manutenção; trata-se de um truque gráĄco provisório. Seria ingrato de minha parte que este texto avançasse sem expor uma deĄnição mais generosa de viola, já que ao longo do texto será ela referenciada apenas por meio de processos parciais e unidades menos coesas. O truque gráĄco se trata de uma viola considerada por suas superfícies externas Ű entendida em geral como uma instância visual mais imediata

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A estratégia de obliteração assumida ao longo deste texto perante algumas bibliograĄas antropoló- gicas é de natureza puramente metodológica. Não estão aqui presentes muitas das discussões antro- pológicas dos objetos, das ontologias e tantas outras a essas conectadas. E não surgem no texto por dois motivos: I) porque assumi o risco de que este documento fosse o efeito estrito de um experimento material-funcionalista, evitando em sua feitura muitos desvios; II) porque optei pelo investimento de tempo produtivo naquilo que era apenas fundamental e inevitável ao documento: à descrição das circunstâncias técnicas da fabril-artesania.

de apreensão de suas dimensão e seu aspecto total. Uma viola, mesmo essa de um truque gráĄco, é uma questão de cisão: de como unir e desatar suas partes de modo que não seja comprometida sua constituição como efeito unitário da ressonância entre várias e locais zonas funcionais. Constituída como uma unidade densa Ű a oferecer objeções por suas rígidas superfícies Ű uma viola apesar de mais fracionada e complexa do que sugere esse truque gráĄco, pode por tal truque melhro explicitar os movimentos de decomposição e composição do objeto que virão no texto.

Reitero e alerto: que se entenda acerca da viola, através desse truque gráĄco pro- visório, uma tentativa de deĄnição mais explícita (e caricata) na visualização de suas superfícies externas e de um diagnóstico algumas zonas funcionais.

Figura 2 Ű Aspecto frontal de uma viola.

O aspecto talvez mais caraterístico ou mais corriqueiramente ilustrado de uma viola seja aquele de sua prospecção frontal. Exibem-se em tal prospecção duas grandes ci- sões mais imediatamente reconhecíveis: sua caixa (ou seu corpo) e seu braço, devidamente identiĄcados no desenho vetorial. Por que tão típica tal prospecção? Por dois grandes mo- tivos: pela demarcação da peculiaridade de seu tamanho (comprimento e largura) e da quantidade de cordas. Não passa a viola dos 590cm Ű do cavalete até o apoio do Ąm do braço Ű e tampouco possui 6 cordas alinhadas unitariamente, como acontece com o violão em quase todos seus casos. Dispõem-se sobre o tampo, presas pelo cavalete e pelas tarraxas, esticando-se longitudinalmente sobre a viola, dez cordas arranjadas em cinco

pares. Tem-se então cinco ordens de cordas, cada uma com duas cordas. Cordas, sempre, metálicas e de calibres distintos; as mais Ąnas se agrupam na porção inferior do objeto e as mais grossas na porção superior. É também na prospecção frontal que se pode visua- lizar algumas zonas fundamentais para o funcionamento essencial do objeto, isto é, para sua produção mais instantânea: para a produção sonora. Estão na prospecção frontal o cavalete e o rastilho, responsáveis pela tração das cordas e pela transformação de energias distintas da vibração das cordas para a vibração das madeiras, isto é, responsáveis pela transdução; o tampo, responsável pela ampliĄcação mais signiĄcativa da vibração, pela caracterização majoritária do timbre da viola e pela resistência superĄcial para que todos os apoios frontais da caixa não se rompam.

Além dessas zonas fundamentais, são também visíveis os detalhes de Ąna intercala- ção decorativa, composta por pequenos fragmentos de madeira conĄgurados em motivos, contornando a boca da viola, o buraco localizado no porção central do tampo. Embora não sejam fundamentais ao funcionamento essencial, são inscrições bastante importan- tes na constituição textural da superfície frontal da viola; o orifício da boca e o mosaico que lhe contorna assentam uma demarcação isomórĄca, um padrão, entre as violas que perpassam a fabril-artesania.

Figura 3 Ű Aspecto posterior de uma viola

Seu aspecto posterior é talvez o menos exibido; e por quê? Porque teria ele pouco a exibir; mas como não esteve a pesquisa junto de violeiros enunciadores dessa máxima, pois

sim em uma oĄcina intensamente preocupada com todos os aspectos deste objeto viola, discordo quanto a isso; suas ńcostasż revelam muito da matéria-em-obra do objeto. Uma linha longitudinal divide o braço, unido à mão, em dois: é este o tensor. Um elemento estrutural comprometido com a resistência mecânica da junção dos materiais: impede, o tensor, que o braço e a caixa enverguem um em direção ao outro. AĄnal, a tensão das cordas sobre o cavalete, o tampo, a pestana e a mão promove uma torção do braço para que este desalinhe de sua posição ótima. O tensor, feito e implantado de maneira muito peculiar pela fabril-artesania da Viola Xadrez, é um caso intrigante de compensação mecânica dos materiais envolvidos e suas respostas à torção sobre eles exercida. O braço é então exibido como uma junção de outras partes; expondo um abaulamento regular para a palma da mão do violeiro que tece uma diferenciação de espessura do braço; expõe ainda a junção uma cuidadosa e imprevisível atadura do braço com a caixa.

O aspecto posterior da viola promove um relevo de muitas ocultações de suas re- sistências: sua estrutura, suas nervuras de sustentação adquirem uma curiosa importância que não evidencia o detalhe, o acabamento, mas sim a continuidade daquilo que se opõe angularmente à exposição exclusiva do detalhe, do acabamento. Um aspecto quase que como um excesso, um precipitado visível dos ajustes dimensionais e estruturais do objeto viola.

Figura 4 Ű Aspecto lateral de uma viola

Seu aspecto lateral é aquele dos exageros; e o desenho vetorial não é ainda um exagero de detalhes, embora consideravelmente mais detalhado em relação aos anteriores. E nada melhor que os detalhes para esse aspecto; aĄnal, é pelo aspecto lateral que se pode evidenciar a pluralidade dos níveis de superfície da viola: o braço é enĄm revelado como uma atadura de uma base inferior, dividida em duas metades unidas pelo tensor, com um largo Ąlete de madeira maciça, a escala sobreposta ao tampo quase a tocar a abertura, a boca da viola. O braço se revela então também como uma estrutura internalizada da caixa, esta salientando as laterais como superfícies intermediárias e independentes do tampo e do fundo. As laterais, enquanto duas porções, duas metades simétricas, unem-se nas extremidades longitudinais da caixa, uma na zona perpendicular ao cavalete e outra naquela perpendicular à junção do braço com a caixa.

A gradação das superfícies: eis a crucial contribuição do aspecto lateral do objeto viola. Através dele os materiais intermediários do objeto são sutilmente desvelados. E é

também esse aspecto no qual se pode atentar com maior precisão à delicada junção das quinas das Ąnas superfícies da caixa: como se encontram e se mantêm o tampo e as laterais, como se encontram e se mantêm o fundo e as laterais. Não raramente o responsável por tal união de continuidade tão bem feita, que só não é imperceptível devido à mudança angular brusca de uma superfície em relação à outra, é o Ąletamento Ű a colocação de Ąnas e compridas tiras de madeira. Como uma árdua e primorosa encrustação tangencial de quinas e possíveis rupturas de superfície, o Ąletamento ocorre sem que sejam tais transições entre superfícies plenamente dissolvidas em uma continuidade material. Um ornamento como o Ąletamento cumpre a preciosa função de reforço da junção, além de impulsionar uma resistência de importância plástica: a aplicação de resinas protetoras das superfícies do objeto. É também através do aspecto lateral que o verniz, bem como a seladora, são melhor exibidos que não pelos seus reĆexos: a Ąna camada aplicada sobre o tampo, a Ąna camada aplicada sobre o fundo, a Ąna camada aplicada em toda superfície externa do objeto viola. Tais resinas têm o singelo compromisso de vitralizar a aparência externa do objeto, diĄcultando arranhões e riscos diretos na madeira, bruscas absorções de líquidos bem como a atenuação da dilatação térmica dos materiais. Selam, de alguma maneira, o trabalho essencial no objeto e o promovem ao estatuto de Ąnalizado Ű até que volte à manutenção, cedo ou tarde.

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