Percebemos alguns desafios comuns que caracterizam o primeiro contato com a carreira docente. Dentre eles, aparece a necessidade de superar o nervosismo, a timidez e o medo da exposição em público.
No começo, o maior desafio talvez fosse lidar com o "frio na barriga" ao entrar em sala de aula no primeiro dia, devido ao fato da ansiedade em querer saber o que os alunos achariam de mim e (depois) das minhas aulas, do aprendizado, etc.
Lutar para vencer a timidez de se expor em público e aprimorar no conhecimento da matéria e na forma como expor os assuntos que facilite o aprendizado.
Nas primeiras aulas pensava em controlar o nervosismo e conseguir me expressar de forma a me fazer entender.
Outra fonte de preocupação manifestada no início da carreira é com o tipo de relação a ser estabelecida com os alunos. Preocupavam-se com o fato de não terem experiência e tinham medo de que isso interferisse no desempenho da função.
A relação professor-aluno. Era muito jovem para lidar com a realidade em sala de aula. Não sabia me impor como professora e era coagida pelos alunos.
No início, vencer as dificuldades de falar em público e superar a desconfiança das turmas por ser um professor novato.
Vemos que os desafios no início da carreira revelam-se, em sua maioria, bastante pessoais, pois dizem respeito ao comportamento, à atitude e à atuação do eu- professor33. O fato de assumir um papel em um contexto diferente daquele a que está acostumado e não ter experiência de como ensinar parece constituir os principais desafios no início do magistério. Pacheco (1995) define este momento como interesse de sobrevivência
pessoal que passa pelo controle dos estudantes, a preocupação em obter êxito e em ser afável
aos alunos. Parte desse sentimento se deve à inexperiência e à falta de preparo para desempenhar a função, uma vez que a formação para o magistério não é considerada nos cursos de bacharelado, tampouco nos de Pós-Graduação.
Os professores também se sentiam desafiados a mostrar domínio do conteúdo e a transmiti-los com clareza; a utilizar uma linguagem acessível. Preocupavam-se com a maneira de abarcar assuntos que não fazem parte da realidade dos estudantes, além de
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Adotamos o termo eu-professor para nos referirmos às atitudes, comportamentos e atuação específicos do sujeito professor em sala de aula: nervosismos, timidez, medo, angústia etc.
mensurar o tempo médio de aula e responder satisfatoriamente às perguntas dos alunos. Vejamos alguns discursos:
Meu maior desafio nas minhas primeiras aulas foi mostrar aos alunos que eu sabia o que eu estava falando (conteúdo).
Conseguir fazer avaliação do "repertório de entrada" e adaptação à linguagem usada por mim e a linguagem usada pelos alunos (muitas vezes me expressava, usava conceitos que estavam com complexidade muito acima da compreensível (inteligibilidade) pelos alunos).
Como professora me sinto desafiada a todo o momento. Antigamente meu maior desafio era me entender como professora, perceber que o que era fácil para mim, era difícil para meus alunos e eu deveria procurar alternativas para melhorar essa relação.
Romper com o modelo que tinha e encontrar meu próprio estilo, isso só foi conseguido com o passar do tempo, com a segurança.
O foco em saber passar o conteúdo específico de ensino de modo compreensivo revela a busca pela segurança profissional, pelo seu estilo próprio. Muitas vezes precisam retomar os materiais que estudaram na graduação ou na pós-graduação, relembrar alguns conceitos para garantir que realmente possuem o domínio do conteúdo. Tais características parecem próprias de professores iniciantes. Percebemos que com a experiência essa preocupação minimiza e eles passam a buscar variações de metodologias de ensino e mudanças em suas práticas avaliativas.
Atualmente o foco maior é para a busca de aprimoramento nas técnicas para ensino e da melhora no desempenho do aluno.
Hoje procuro diversificar as formas de explicar a mesma coisa tentando atingir as diferentes formas de aprendizagem.
Agora o desafio está mais voltado para elaborar aulas realmente contextualizadas e que levem a uma aprendizagem significativa.
Hoje me preocupo com os métodos de ensino e avaliação.
Atualmente o maior desafio que tenho ainda é o de passar o conteúdo aos alunos de forma adequada. Com o intuito de ter a certeza que eles realmente aprenderam o conteúdo da disciplina!
Percebemos que, vencidos os desafios do eu-professor, eles passam a pensar nos conhecimentos necessários para melhor ensinar, focando seu ensino mais no processo de aprendizagem e na relação professor-aluno.
Acredito que o maior desafio hoje é o relacionamento com os estudantes. Cada nível e modalidade de ensino requer determinada linguagem, metodologia apropriada, cada turma tem suas características próprias e um bom resultado no processo de aprendizagem necessita um bom relacionamento, em todos esses aspectos.
Perceber e ajustar as relações com a turma, em termos coletivos e individuais, enquanto ordeno e procuro transmitir conhecimentos específicos.
Entretanto, muitos professores necessitam do envolvimento do aluno nesse processo e dizem que o principal desafio passa a ser com a motivação discente para os estudos.
Hoje, trabalhando na Licenciatura em Matemática, meu maior desafio é motivar os alunos a se dedicarem efetivamente ao curso.
Motivar alunos do ensino médio noturno que chegam cansados e desestimulados, por isso penso diariamente na forma como tornar o conteúdo o mais próximo do universo do aluno e fazer com que aprender tenha mais sentido e, consequentemente, seja mais proveitoso.
Hoje: Evasão e falta de interesse dos alunos.
Como lidar com os alunos que não querem fazer o curso que estão matriculados e não tem motivação. Se o aluno não tem base mas quer aprender, isso é possível de ser tratado. Se o aluno não quer aprender é muito difícil.
Hoje, no Estado de São Paulo, os alunos da rede pública não valorizam a aprendizagem, valorizam apenas o passar do tempo, que os levará a uma "aprovação" mítica. Os alunos da rede privada estão condicionados pelos materiais didáticos pré-resolvidos dos "sistemas de educação". São criativos, mas não conseguem organizar-se para converter criatividade em inovação.
Essa gama de desafios encontrados pelo professor referente ao envolvimento estudantil pode se tornar um pouco preocupante, pois, em caso do insucesso na aprendizagem, os professores podem tender a transferir a responsabilidade do resultado negativo ao aluno, sob a justificativa de que ele não demonstrou interesse, não se esforçou e não teve motivação suficiente para levar os estudos adiante.
Como outro desafio, alguns docentes focalizam a dimensão social da educação como desafio profissional.
Atualmente a dificuldade é fazer com que os alunos busquem usar seu raciocínio e não somente sejam repetidores do que ouvem.
Hoje é ter a certeza que o aluno compreenda a importância de seu papel para uma sociedade mais justa e dinâmica.
Fazer o aluno refletir e não acreditar em conhecimento pronto.
Hoje, creio ser o maior desafio, tirar seres humanos do "ostracismo". Transformá-los em pessoas atuantes num determinado mercado de trabalho. Em alguns casos parece que muitos dos alunos que temos vivem num estado de letargia mental difícil de ser rompido.
Percebemos certo comprometimento desses docentes com um projeto de educação que visa a superar as condições de exclusão, miséria e pobreza social, trilhando,
assim, a perspectiva de uma formação integral que articula conhecimentos científicos e valores éticos, com responsabilidade humana e social (MONTEIRO, 2007).
Os professores também se referem a algumas condições institucionais que tornam o fazer docente bastante desafiador.
Hoje a dificuldade é conseguir manter a qualidade do ensino que ofereço tendo que trabalhar com turmas muito grandes (40 ou mais), poucas aulas por semana em cada turma, porém muitas disciplinas diferentes ao mesmo tempo (4 ou 5!!) como preparar aulas, atividades alternativas e fazer trabalho interdisciplinar sem ter tempo para isso? Além disso, hoje eu estou achando muito difícil manter as atividades de pesquisa pela pressão em aumentar o número de aulas (e de diferentes disciplinas concomitantes) e também por pressão da gerência acadêmica, que se posiciona contra essa atividade dizendo ser necessário "escolher o que é mais importante" ignorando que professor que realiza pesquisa pode dar aula muito mais rica que aquele que só tem o conhecimento de livros.
O maior desafio está em conciliar a função administrativa e a atuação como docente.
Vemos também que os professores concebem sua prática de forma interativa, quer seja com o aluno, quer seja com a instituição. Poucos foram os professores que afirmaram que, depois de algum tempo de experiência docente, ainda se sentem desafiados em relação a si mesmos:
O preparo de uma boa aula requer bastante tempo. Tenho como desafio diminuir o tempo de preparação de aulas sem perder a qualidade.
Atualmente, acompanhar a evolução da tecnologia/informação.
Lidar com um nível abaixo de Ensino (passagem do Ensino Superior, onde comecei, para o Ensino Médio - IFSP), que demanda novos procedimentos, ou ao menos uma revisão daqueles que considerava eficazes em outro nível de ensino. Mudar uma prática pedagógica muito voltada à teoria (disciplinas de História da Arquitetura) dos cursos de arquitetura, para uma mais prática (tecnológica), dos cursos do IFSP.
E quando se sentem desafiados com relação a si mesmos, é porque se depararam com uma nova situação pedagógica: a evolução tecnológica, trabalhar com outro perfil discente, ou seja, situações que exigem alterações na rotina que vinham desenvolvendo ao longo da carreira.
No decorrer do desenvolvimento docente, eles reconhecem a importância da experiência para o aprimoramento de seu fazer.
No início não ter nenhuma experiência ou formação de como ensinar me deixava em situações que eu não tinha ideia de como proceder. Hoje, devido à experiência e não a formação, acredito ter superado plenamente este desafio.
O maior desafio é adequar às realidades dos alunos, que eram diferentes da minha realidade. As primeiras provas eram longas e cansativas, pois eram semelhantes às que eu tive como aluno. Não vejo muitas diferenças em termos de desafios. Cada turma nova é um desafio, todas têm suas peculiaridades. O que diferencia é a experiência de já ter passado por situações semelhantes e saber o que fazer e o que não fazer.
Em síntese, os desafios vivenciados no momento inicial da carreira são: vencer o nervosismo, a timidez e o medo de exposição em público; transmitir com clareza os conteúdos, usar uma linguagem acessível, ser mais jovem do que os alunos; mostrar domínio do conteúdo; mensurar o tempo médio de aulas; não ter experiência de como ensinar; conhecer assuntos que não fazem parte da realidade dos alunos; não responder a contento às perguntas dos alunos e enfrentar um ambiente diferente do mercado de trabalho. No princípio da carreira, são desafios relacionados às suas próprias limitações pessoais que precisam ser superadas.
Conforme vão adquirindo mais experiência, ainda que estejam em uma fase de início ou meio de carreira, novos desafios surgem e eles passam a considerar como fator condicionante do desenvolvimento da docência a interação com os sujeitos envolvidos no processo educativo, como: motivar os alunos, conter a evasão e desinteresse discente, lidar com a indisciplina, garantir que os alunos aprendam, formar alunos ativos, lidar com a heterogeneidade da sala, preparar aulas contextualizadas e significativas, acompanhar inovações tecnológicas/manter-se atualizado, trabalhar com muitas disciplinas, ter tempo disponível para novas leituras, conciliar atividade administrativa com docência, entender as novas gerações, trabalhar com alunos do EJA e com os cursos técnicos.