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Defini¸c˜ao 2.2.1. Seja A∈ A. Definimos o primeiro pior caso de A por ppc(A) = min{n ∈ N; o(n, A) = o(A)}.

Exemplo 2.2.2. ppc(N2) = 7, ppc(N3) = 23 e ppc(A) = 0 se, e s´o se, A =N.

Note que n˜ao existe A∈ A tal que ppc(A) = 1.

Lema 2.2.3. Seja A∈ A. Se B ⊇ A e o(A) = o(B), ent˜ao ppc(B) ≥ ppc(A). Demonstra¸c˜ao: Se ppc(B) < ppc(A), ent˜ao

o(A) = o(B) = o(ppc(B), B)≤ o(ppc(B), A) < o(A), absurdo.

2.2. PRIMEIRO PIOR CASO E PSEUDOCONTINUIDADE 23 Proposi¸c˜ao 2.2.4. O ´unico ponto isolado de A ´e N.

Demonstra¸c˜ao: N ´e um ponto isolado de A porque B(N, 1) = {N}. De fato, se d(A,N) < 1, ent˜ao

o(A) = o(N) = 1,

o que implica A = N. Agora seja A ∈ A, A 6= N. Ent˜ao o(A) ≥ 2. Seja ε > 0. Mostraremos que A ´e um ponto de acumula¸c˜ao deA. Para isso, seja n0 ∈ N tal que

X

α>n0

1 α2 < ε.

SeN − A for infinito, seja

n1 = max{n0, ppc(A)}.

ComoN − A ´e infinito, existe x ∈ N − A tal que x > n1. Ent˜ao

B = A∪ {x}

´e tal que B 6= A e o(B) = o(A), pois x > n1 ≥ ppc(A). Al´em disso,

d(A, B) = 1 x2 < X α>n1 1 α2 ≤ X α>n0 1 α2 < ε.

SeN − A for finito, seja n2 ∈ N tal que se n ≥ n2, ent˜ao n∈ A. Se

x = max{n0, n2, ppc(A)},

ent˜ao

B = A− {x + 1}

´e tal que B 6= A e o(B) = o(A), pois x ∈ A e, portanto, o(x + 1, B) = 2 ≤ o(A). Logo d(A, B) = 1 (x + 1)2 < X α>x 1 α2 ≤ X α>n0 1 α2 < ε. Proposi¸c˜ao 2.2.5. O conjunto E ={A ∈ A; N − A ´e finito}

´e enumer´avel e denso em A. Em particular, A ´e um espa¸co m´etrico separ´avel. Demonstra¸c˜ao: ´E claro que E ´e enumer´avel. Vamos mostrar que E ´e denso em A. Para isto, sejam A∈ A e ε > 0, e seja n0 ∈ N tal que

X

α>n0

1 α2 < ε.

Seja

x = max{n0, ppc(A)} + 1.

Se

B = A∪ {y ∈ N; y ≥ x}, ent˜ao B∈ E, o(B) = o(A) (pois x > ppc(A)), e

d(A, B) = X α∈A△B 1 α2 ≤ ∞ X α≥x 1 α2 ≤ ∞ X α>n0 1 α2 < ε.

Logo E ´e denso emA.

Proposi¸c˜ao 2.2.6. A fun¸c˜ao

ppc : A → N

A 7→ ppc(A)

´e cont´ınua em A, mas n˜ao ´e uniformemente cont´ınua em A.

Demonstra¸c˜ao: Seja A∈ A, A 6= N para evitar o caso trivial. Dado ε > 0, seja

δ = 1

ppc(A)2 > 0.

Se

d(A, B) < δ ≤ 1, ent˜ao o(A) = o(B) e

A←−−−−ppc(A) = B←−−−−ppc(A).

Isto implica ppc(A) = ppc(B), ou seja | ppc(A) − ppc(B)| = 0 < ε. Logo ppc ´e cont´ınua emA.

Se ppc fosse uniformemente cont´ınua em A, dado ε = 1

2 existiria δ > 0 tal que se d(A, B) < δ, ent˜ao

| ppc(A) − ppc(B)| < 1

2, ∀ A, B ∈ A.

Em particular, isto implicaria ppc(A) = ppc(B), ∀ A, B ∈ A tais que d(A, B) < δ. Seja x∈ N − {0, 1} tal que

1 x2 +

1

(x + 1)2 < δ.

Se A =N − {x} e B = N − {x + 1}, ent˜ao o(A) = o(B) = 2, d(A, B) = 1

x2 +

1

(x + 1)2 < δ

2.2. PRIMEIRO PIOR CASO E PSEUDOCONTINUIDADE 25 Corol´ario 2.2.7. Seja X ⊆ A. Se existir M > 0 tal que

ppc(A)≤ M, ∀ A ∈ X, ent˜ao ppc(A)≤ M, ∀ A ∈ X.

Demonstra¸c˜ao: Seja A∈ X. Ent˜ao existe {An}n∈N ⊆ X tal que An → A. Como a

fun¸c˜ao ppc ´e cont´ınua emA,

ppc(An)→ ppc(A).

Como todos os pontos deN s˜ao isolados, existe n0 ∈ N tal que

ppc(An) = ppc(A), ∀ n ≥ n0.

Logo ppc(A) = ppc(An0)≤ M.

Definamos agora o conceito de pseudoconvergˆencia para sequˆencias em A. Defini¸c˜ao 2.2.8. Seja {An}n∈N uma sequˆencia em A. Dizemos que {An}n∈N pseu-

doconverge para A∈ A se dado ε > 0 existe n0 ∈ N tal que se n ≥ n0, ent˜ao

X

α∈An△A

1 α2 < ε.

Denotamos isto por An p

→ A.

Segue diretamente do lema 2.1.4 que se{An}n∈N for uma sequˆencia emA tal

que An p → A ∈ A, ent˜ao A = ∞ [ j=0 ∞ \ m=j Am.

Em particular, o limite de uma pseudoconvergˆencia, quando existe, ´e ´unico. Deixe- mos isto registrado.

Proposi¸c˜ao 2.2.9. Seja {An}n∈N uma sequˆencia em A. Se An → A ∈ A, ent˜ao

An p → A. Em particular, A = ∞ [ j=1 ∞ \ m=j Am.

Demonstra¸c˜ao: Se An → A, dado ε > 0 existe n0 ∈ N tal que se n ≥ n0, ent˜ao

d(A, An) < ε. Assim, se n≥ n0, ent˜ao

X α∈An△A 1 α2 ≤ d(An, A) < ε. Logo An p → A.

A rec´ıproca da proposi¸c˜ao anterior ´e falsa. De fato, considere a sequˆencia de bases aditivas

An=N − {n}, ∀ n ∈ N − {0, 1}.

´

E claro que {An}n∈N−{0,1} diverge. Entretanto, An p

→ N. Com efeito, dado ε > 0, seja n0 ∈ N − {0, 1} tal que

1 n 2 0 < ε. Assim, se n≥ n0, ent˜ao X α∈An△N 1 α2 = 1 n2 ≤ 1 n 2 0 < ε⇒ An p → N. Lema 2.2.10. Seja {An}n∈N uma sequˆencia em A. Se An

p

→ A ∈ A, ent˜ao existe n0 ∈ N tal que o(An)≥ o(A), ∀ n ≥ n0.

Demonstra¸c˜ao: Seja x = ppc(A) + 1. Como An p

→ A, dado ε = 1

x2

existe n0 ∈ N tal que se n ≥ n0, ent˜ao

X α∈An△A 1 α2 < 1 x2. Em particular, An∩ ←−x = A∩ ←−x , ∀ n ≥ n0. Assim, se n≥ n0, ent˜ao

o(ppc(A), An) = o(ppc(A), A) = o(A),

o que implica o(An)≥ o(A), ∀ n ≥ n0.

Teorema 2.2.11. Seja {An}n∈N uma sequˆencia emA. Se An p

→ A ∈ A e se existir M > 0 tal que ppc(An)≤ M, ∀ n ∈ N, ent˜ao An→ A.

Demonstra¸c˜ao: Afirmo que ´e suficiente mostrar que existe n1 ∈ N tal que se n ≥ n1,

ent˜ao o(A) = o(An). De fato, mostrado isto, como An p

→ A, ent˜ao dado ε > 0 existe n0 ∈ N tal que se n ≥ n0, ent˜ao

X α∈An△A 1 α2 < ε. Se n2 = max{n0, n1} e se n ≥ n2, ent˜ao d(An, A) = X α∈An△A 1 α2 < ε, o que implica An → A.

2.2. PRIMEIRO PIOR CASO E PSEUDOCONTINUIDADE 27 Pelo lema anterior, existe n3 ∈ N tal que se n ≥ n3, ent˜ao o(An) ≥ o(A).

Suponha por absurdo que n˜ao exista n1 ∈ N tal que se n ≥ n1, ent˜ao o(A) = o(An).

Ent˜ao existir´a uma subsequˆencia{Am}m∈N de {An}n∈N tal que

o(Am) > o(A), ∀ m ∈ N.

Agora seja y ∈ Z+. Como An p

→ A, dado ε = 1

y2

existe n4 ∈ N tal que se n ≥ n4, ent˜ao

X α∈An△A 1 α2 < 1 y2. Em particular, An∩ ←−y = A∩ ←−y , ∀ n ≥ n4.

Se m∈ N for tal que m ≥ n4, ent˜ao

A∩ ←−y = Am∩ ←−y .

Se z ∈ N e z ≤ y, ent˜ao o(z, Am) = o(z, A) ≤ o(A). Como o(Am) > o(A), ent˜ao

ppc(Am) > y. Como y ´e arbitr´ario, n˜ao existe M > 0 tal que

ppc(An)≤ M, ∀ n ∈ N,

absurdo.

Teorema 2.2.12. Toda sequˆencia de Cauchy em A pseudoconverge. Mais especifi- camente, se {An}n∈N for uma sequˆencia de Cauchy em A e

A = ∞ [ m=0 ∞ \ n=m An, ent˜ao A∈ A, An p → A e o(A) ≤ lim n→∞o(An).

Demonstra¸c˜ao: Como{An}n∈N ´e uma sequˆencia de Cauchy, dado

ε = 1 2 existe n0 ∈ N tal que se n, m ≥ n0, ent˜ao

d(An, Am) <

1 2. Em particular,

o(An) = o(Am), ∀ n, m ≥ n0.

Assim existe lim

n→∞o(An). Seja

L = lim

Para mostrar que A∈ A ´e suficiente mostrar que o(x, A)≤ L, ∀ x ∈ N.

Para isto, seja x ∈ N, x ≥ 2, uma vez que {0, 1} ⊆ A. Como {An}n∈N ´e uma

sequˆencia de Cauchy, dado

ε = 1 x2

existe n1 ∈ N tal que se n, m ≥ n1, ent˜ao

d(An, Am) <

1 x2.

Em particular,

An∩ ←−x = Am∩ ←−x , ∀ n, m ≥ n1.

Seja n2 = max{n0, n1}. Afirmo que

An2 ∩ ←−x = A∩ ←−x .

De fato:

(⊆) Seja y ∈ An2, y≤ x. Sabemos que

∞ \ m=n2 Am ⊆ A. Como n2 ≥ n1, ent˜ao An2∩ ←−x = Am∩ ←−x , ∀ m ≥ n2.

Em particular, y∈ Am, ∀ m ≥ n2, o que implica y ∈ A.

(⊇) Seja y ∈ A, y ≤ x. Como y ∈ A, existe m ∈ N tal que y

\

n=m

An.

Seja n3 = max{n2, m}. Como n3 ≥ m, ent˜ao y ∈ An3. Como n3 ≥ n2 e y ≤ x, ent˜ao

y∈ An2. Portanto

o(x, A) = o(x, An2)≤ o(An2) = L.

Em particular, A∈ A e o(A) ≤ L. Agora vamos mostrar que An

p

→ A. Para isto, seja ε > 0 e seja z ∈ Z+ tal

que

X

α>z

1 α2 < ε.

Como{An}n∈N ´e uma sequˆencia de Cauchy, dado

ε′ = 1 z2

2.2. PRIMEIRO PIOR CASO E PSEUDOCONTINUIDADE 29 existe n4 ∈ N tal que se n, m ≥ n4, ent˜ao

d(An, Am) <

1 z2.

Em particular,

An∩ ←−z = Am∩ ←−z , ∀ n, m ≥ n4.

Da mesma forma que antes,

An4 ∩ ←−z = A∩ ←−z . Isto implica A∩ ←−z = An∩ ←−z , ∀ n ≥ n4. Assim, se n≥ n4, ent˜ao X α∈An△A 1 α2 ≤ X α>z 1 α2 < ε. Logo An p → A.

A rec´ıproca do teorema anterior n˜ao vale. Por exemplo, a sequˆencia{An}n∈Z+

dada por

An ={0, 1, . . . , n, n2+ 1, . . .}

´e tal que An p → N, pois X α∈An△N 1 α2 = n2 X α=n+1 1 α2 ≤ Z n2 n 1 x2dx−−−→n→∞ 0,

mas {An}n∈Z+ n˜ao ´e uma sequˆencia de Cauchy, pois

o(An) = n, ∀ n ∈ Z+.

O lema abaixo permitir-nos-´a dar uma caracteriza¸c˜ao simples dos subconjun- tos compactos deA:

Lema 2.2.13. Seja X ⊆ A. Se existir M > 0 tal que ppc(A) ≤ M, ∀ A ∈ X, ent˜ao X ser´a completo.

Demonstra¸c˜ao: Seja{An}n∈N uma sequˆencia de Cauchy em X. Pelo teorema 2.2.12,

existe A∈ A tal que An p

→ A. Como existe M > 0 tal que ppc(A)≤ M, ∀ A ∈ X, o corol´ario 2.2.7 implica que

ppc(An)≤ M, ∀ n ∈ N.

Pelo teorema 2.2.11,

An→ A.

A rec´ıproca do lema anterior n˜ao vale. De fato, considere a sequˆencia An=N − {2, . . . , n}, n ≥ 2

e seja X ={An}n≥2. Ent˜ao

o(An) = n = ppc(An).

Segue que X ´e completo, pois d(An, Am) > 1 se n 6= m, mas n˜ao existe M > 0 tal

que ppc(A)≤ M, ∀ A ∈ X.

Note tamb´em que n´os n˜ao podemos concluir que X ´e completo no lema 2.2.13. De fato, seja

An =N − {2, n}, n ≥ 2,

e seja X ={An}n≥2. Ent˜ao

An → N − {2} 6∈ X.

Claramente, o que acontece aqui ´e que a base aditiva A, limite da sequˆencia{An}n≥2,

pode n˜ao pertencer a X.

Teorema 2.2.14 (Teorema da caracteriza¸c˜ao dos subconjuntos compactos de A). Seja X ⊆ A. As seguintes afirma¸c˜oes s˜ao equivalentes.

1. X ´e compacto.

2. X ´e fechado, limitado, e existe M > 0 tal que ppc(A)≤ M, ∀ A ∈ X.

Demonstra¸c˜ao: (1. ⇒ 2.) Se X for compacto, claramente X deve ser fechado e limitado. Como a fun¸c˜ao ppc ´e cont´ınua em A, o conjunto

ppc(X) ={ppc(A); A ∈ X}

´e compacto em N. Em particular, existe M > 0 tal que ppc(A) ≤ M, ∀ A ∈ X. (2.⇒ 1.) Como X limitado, o corol´ario 2.1.6 implica que X ´e totalmente limitado. Como existe M > 0 tal que

ppc(A)≤ M, ∀ A ∈ X,

segue do lema 2.2.13 que X ´e completo. Mas ent˜ao X = X, o que implica X ´e completo. Logo X ´e compacto.

Corol´ario 2.2.15. Seja A∈ A, A 6= N. Se 0 < r 1

ppc(A)2,

ent˜ao B[A, r] ´e um subconjunto compacto de A. Em particular, A ´e um espa¸co m´etrico localmente compacto.

2.2. PRIMEIRO PIOR CASO E PSEUDOCONTINUIDADE 31 Demonstra¸c˜ao: ´E suficiente mostrar que

B 

A, 1

ppc(A)2



´e um subconjunto compacto de A. Como B



A, 1

ppc(A)2



´e um subconjunto limitado e fechado deA, pelo teorema anterior ´e suficiente mostrar que existe M > 0 tal que

ppc(A)≤ M, ∀ A ∈ B  A, 1 ppc(A)2  . Pelo corol´ario 2.2.7, ´e suficiente mostrar que existe M > 0 tal que

ppc(A)≤ M, ∀ A ∈ B  A, 1 ppc(A)2  . Para isto, seja

B ∈ B  A, 1 ppc(A)2  . Ent˜ao d(A, B) < 1 ppc(A)2 ≤ 1 4. Em particular, o(A) = o(B) e

A←−−−−ppc(A) = B←−−−−ppc(A), o que implica ppc(A) = ppc(B).

Note que, no espa¸co (A, d), bolas pequenas s˜ao compactas. Note tamb´em que bolas abertas tamb´em podem ser compactas, bastando para isto uma pequena condi¸c˜ao extra. De fato, seja A∈ A, A 6= N. Se

0 < r 1 ppc(A)2

eS(A, r) = ∅, ent˜ao B(A, r) ´e um subconjunto compacto de A, uma vez que B(A, r) = B[A, r] − S(A, r).

A pr´oxima se¸c˜ao deste cap´ıtulo se encarregar´a de dar uma caracteriza¸c˜ao topol´ogica de (A, d).