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7. Drøfting

7.2 Drøfting av resultatene

do Acquario Ceará

Traçar a história da internet nos levaria, em linha contínua, dos avanços tecnológicos iniciais da microeletrônica aos atuais chips e seu altíssimo poder computacional. Fazer essa reconstituição, no entanto, só vai nos interessar à medida em que puder revelar os principais elementos, históricos e culturais, que moldaram a internet, bem como seus usos e a influência que exerceu na constituição de novas práticas sociais.

Concordamos com Castells (2003) quando ele afirma que ―a produção histórica de uma dada tecnologia molda seu contexto e seus usos de modos que subsistem além de sua

origem, e a Internet não é uma exceção a essa regra‖ (p. 13). Castels (2003) vai destacar que a

internet como a conhecemos hoje é fruto de uma mistura muito improvável entre big

science39, pesquisa militar e cultura da liberdade. Seguindo, portanto essa proposta teórica, e

apoiado em Rheingold (1993), destacaremos os principais eventos e direcionamentos que acabaram por determinar essa tecnologia.

Em 1950, alguns visionários como Douglas Englebart já vislumbravam nos computadores a possibilidade de expandir a capacidade humana de processamento da informação (RHEINGOLD, 1993). A princípio, houve grande dificuldade para convencer as pessoas, especialmente possíveis financiadores, da validade dessas ideias e da importância dos computadores, vistos até então como equipamentos com aplicação limitada e custo bastante

elevado. Foi preciso a ajuda do contexto externo – a Guerra Fria – para que o governo

americano decidisse investir no desenvolvimento de novas tecnologias via Arpa (Advanced

Research Projects Agency), divisão do Departamento de Defesa dos Estados Unidos formada

em 1958, que tinha a finalidade de financiar pesquisas pouco ortodoxas em tecnologias de aplicação militar.

Depois de criados os computadores que os engenheiros da Arpa haviam idealizado, o próximo passo foi explorar suas possibilidades como dispositivos comunicacionais.

Em 1975, o controle da rede Arpanet foi transferido para a Defense

Communication Agency (DCA), a qual, pretendendo tornar a comunicação por computadores

disponível para as forças armadas, estabeleceu conexão entre várias redes sob seu controle.

39

Termo usado por cientistas e historiadores da ciência para descrever uma série de mudanças na ciência que ocorreram nas nações industriais durante e depois da Segunda Guerra Mundial, quando o progresso científico começou a depender crescentemente de projetos de larga escala financiados por governos nacionais ou grupos de governos (Disponível em: http://en.wikipedia.org/wiki/Big_Science. Acesso em 16 de março de 2015, tradução nossa).

Em 1983, por questões de segurança e por pressões da comunidade científica para popularizar o acesso à internet, o Departamento de Defesa Americano decidiu criar uma rede independente para fins militares, a Milnet. A partir daí, a Arpanet virou Arpa-internet e passou a se dedicar apenas à pesquisa. Em 1988, ela teve sua estrutura física incorporada à rede NSFNET, implementada previamente pela National Science Foundation (NSF), e, em 1990, foi finalmente retirada de operação por se ter tornado obsoleta (CASTELLS, 2003). O controle da NSF sobre a internet durou pouco, e sua privatização foi logo encaminhada. No início dos anos 90, uma grande quantidade de provedores de internet havia montado suas próprias redes com a finalidade de comercializar a conexão por computadores. Em 1995, a NSF foi finalmente extinta, possibilitando a operação privada da internet e a difusão global da conexão entre redes (CASTELLS, 2003).

Castells (2003) é enfático ao afirmar que a configuração atual da internet deve muito ao projeto original da Arpanet, ―baseado numa arquitetura em múltiplas camadas,

descentralizada, e protocolos de comunicação abertos‖ (p. 15). Isso tornou possível a

expansão da internet pela adição de novos nós, característica que lhe dá a capacidade de reconfiguração contínua e de adequação às crescentes demandas de comunicação. O autor ressalta, porém, que seu formato é resultado de uma tradição de formação de redes de computadores.

A partir da interconexão das primeiras redes de computadores pessoais na década

de 1970, nasce o movimento Bulletim Board Systems (BBS)40, o qual teve papel destacado na

formação do ―espírito‖ de liberdade que orienta a internet ainda hoje. Segundo Rheingold: Se o BBS (Sistema de Quadros de Avisos) não é uma tecnologia democrática, não existe algo que seja. Por menos do que o custo de uma espingarda, um BBS transforma uma pessoa comum, em qualquer lugar do mundo, em um editor, em um repórter, em um organizador, testemunha ou professor, e potencial participante em um amplo mundo de conversação de cidadão para cidadão. A tecnologia de telecomunicações pessoais e a rica e diversa cultura BBS que está crescendo em todo continente hoje foram criadas por cidadãos, não por designers de armas apocalípticas ou cientistas corporativos (p. 131, 1993, tradução nossa)41.

40 Servidor de computador que roda softwares personalizados, permitindo aos usuários conectarem-se ao sistema por meio de um programa terminal. Uma vez ―logado‖, o usuário pode executar funções como envio e recebimento de arquivos, leitura de notícias e boletins, além de troca de mensagens com outros usuários por e-

mails, quadros públicos de mensagem e também via chat. (Disponível em:

http://en.wikipedia.org/wiki/Bulletin_board_system. Acesso em 18 de março de 2015, tradução nossa).

41If a BBS (computer Bulletim Board System) isn‘t a democratizing technology, there is no such thing. For less

than a cost of a shotgun, a BBS turns an ordinary person anywhere in the world into a publisher, an eyewitness reporter, an advocate, an organizer, student or teacher, and potential partipant in a world wide citzen-to-citzen conversation. The technology of personal telecommunications and the rich, diverse BBS culture that is growing on every continente today were created by citzens, not doomsday weapon designers or corporate researchers.

Essa citação de Rheingold reforça o que diz Castells (2003) quando aborda a cultura da internet. Ao destacar que a internet é uma produção social estruturada culturalmente, afirma que a cultura dos produtores da internet foi o que moldou o meio. E, quando fala desses produtores, Castells (2003) tampouco está se referindo aos cientistas coorporativos ou aos designers de armas mencionados por Rheingold, mas sim aos primeiros usuários da Rede, aquelas pessoas cuja prática foi instantaneamente absorvida pelos demais usuários.

Embora as BBSs correspondam a uma pequena fatia do uso da internet (CASTELLS, 2003), sua prática e a cultura que emergiu a partir da criação da Fidonet ―foram fatores influentes na configuração da Internet global‖ (p. 16). Além das razões já citadas para isso, há também o fato de que um BBS é uma espécie de caixa de ferramentas para a criação

de diferentes subculturas. Por meio de um BBS é possível ―organizar um movimento, gerir

um negócio, coordenar uma campanha política, encontrar um público para sua arte ou discursos políticos inflamados ou sermões religiosos e se juntar com almas afins para discutir

assuntos de interesse mútuo‖ (RHEINGOLD, 1993, p. 132, tradução nossa)42.

Podemos ver uma herança clara dessa prática em plataformas de redes sociais como o Facebook e, com a expansão da telefonia e da internet móveis, também nos aparelhos celulares, a partir da proliferação de grupos de discussão e afinidade em diversas pequenas redes, possibilitados por aplicativos como o Whatsapp e o Telegram.

A arquitetura flexível da internet, a qual promove a colaboração e o estabelecimento de conexões e nós entre seus diversos usuários, foi o que possibilitou, no fim das contas, que o Quem dera ser um peixe conseguisse furar a ―blindagem‖ feita pela mídia empresarial cearense sobre as ilegalidades do Acquario Ceará e mobilizasse as pessoas em torno do embate contra a obra.

Para isso, o QDSP fez uso de todo um ―arsenal‖ de redes sociais gratuitas disponíveis na internet. No primeiro capítulo, dissemos que o grupo fez uso do Twitter, do Facebook, do Youtube, do Soundcloud, Storify, Prezi, além de um blog para fazer com que a pauta do oceanário chegasse a um maior número de pessoas possível. Sobre o uso dessas

―novas mídias‖, ou como prefere chamar, ―mídias baratas‖, B.L.43 afirma sua importância

dentro do Quem dera ser um peixe por permitirem que a informação fosse passada adiante, tornando o fazer comunicacional algo próximo das pessoas: ―Eu encaro as novas mídias como

42 (...) to organize a movement, run a business, coordinate a political campaign, find an audience for your art or political rants or religious sermons, and assemble with like-minded souls to discuss matters of mutual interest. 43 Entrevista realizada no dia 15 de junho de 2015.

mídias baratas. É uma coisa que é acessível. Todo mundo tem um celular e consegue fazer um vídeo. Você está numa audiência pública, faz um vídeo e sobe. Você não pensa na qualidade da imagem‖.

No Quem dera ser um peixe, observamos que, especialmente no começo, a comunicação não ficava a cargo somente dos jornalistas que faziam parte dele. Todos se sentiam à vontade para fazer um vídeo, gravar uma entrevista, produzir conteúdos mesmo que não tivessem conhecimento técnico adequado. Havia inclusive oficinas ministradas por integrantes com mais domínio das ferramentas de comunicação para fazer com que o conhecimento fosse democratizado com os demais participantes e assim a informação ganhasse mais capilaridade e rapidez. Uma das oficinas que possuía mais demanda era a oficina de memes, usados à exaustão pelo QDSP como forma de ridicularizar o

empreendimento do governo e levantar críticas a ele. Sobre isso, A.S.44afirma: ―Nós fizemos

oficinas para nivelarmos o conhecimento nessa área e entendermos a importância das TIC‘s,

de manipulação de imagem, da Lei de Acesso à Informação, de como pesquisar e buscar dados. Criamos toda uma campanha de internet‖.

No entanto, por causa do constante afastamento e aproximação de pessoas do Quem dera ser um peixe, o conhecimento passado nas oficinas não teve a continuidade e a reprodução esperadas. Se antes havia uma vontade compartilhada por todos de se valerem das ferramentas de comunicação, depois houve uma remodelagem na prática comunicacional do QDSP. Começou a ser demandado dos jornalistas que compunham o grupo que tomassem à frente da comunicação como uma tarefa especializada, o que gerou uma série de críticas internas a essa postura. Assim a autocomunicação foi se enfraquecendo gradativamente. A

respeito disso, R.V.45 afirma:

Acho que se enfraqueceu, mas não por uma vontade consciente. A postura do movimento só se dá pelo coletivo de pessoas. Se esse coletivo está enfraquecido, a posição do movimento vai se enfraquecer. Acho que mudou um pouco, mas o movimento nunca deixou de perceber que era importante produzir um discurso, fazer um enfrentamento com a opinião pública. Mas a forma como isso se enfraqueceu não foi uma coisa pensada.

Sobre a mudança no perfil da utilização da autocomunicação pelo QDSP, B.L.46

afirma:

Nesses últimos momentos do Quem dera ser um peixe com denúncias maiores, foram momentos que a gente estava muito desmobilizado e não sabia o que fazer. Mas eu acho que em 2012 o Quem dera ser um peixe peitava, botava no blog e ia atrás. Também tem uma coisa muito forte no Quem dera ser um peixe, porque ele

44 Entrevista realizada no dia 20 de agosto de 2015. 45 Entrevista realizada no dia 26 de junho de 2015. 46 Entrevista realizada no dia 15 de junho de 2015.

tem o eixo comunicacional, mas o eixo judiciário era muito forte. Acho que ele retroalimentava. A investigação que o pessoal fazia nos órgãos, indo atrás das ilegalidades e das irregularidades e conseguindo atuar em cima delas, fazia com que todo mundo se sentisse muito pautado para atuar sobre, sabe? Cada ida à justiça, cada informação conseguida dava um fortalecimento interno muito grande e dava força para divulgar. Aí quando essa parte judicial acabou porque os processos se extinguiram, a comunicação se enfraqueceu também. Nessa época que tinham muitos processos, muitos trâmites ocorrendo, o Quem dera ser um peixe tinha mais fôlego para se sustentar como um próprio formador. Ele mesmo divulgava suas notícias... A reunião no Bem Viver foi muito complicada: ver o Quem dera ser um peixe tentando se reestruturar e vendo ele não confiar mais na força que ele tinha. E a gente dizia: ―A gente tem o Nigéria, tem o Na rua, e a gente fica esperando a mídia para poder pautar‖. Acho que, pensando em hoje, a gente não tem mais esse estímulo, essa crença no que pode divulgar. E isso é muito ruim.

Se as aproximações que o Quem dera ser um peixe possui com os coletivos, ao se colocar como um espaço aberto a diferentes investimentos de tempo e compromisso, por um lado trazem uma potência muito grande e uma dinâmica de constante renovação e criatividade ao grupo, por outro fragilizam a atuação do QDSP, especialmente quando o embate ao qual se procura engajar, como é o caso da luta contra o oceanário, prolonga-se no tempo. Talvez esse seja uma dos motivos para o diagnóstico sobre a atual falta de mobilização e de por que ele não consegue mais se impor com a mesma força de antes.

Esse enfraquecimento, análise feita por seus membros e constatado por nós ao longo do período que viemos acompanhando o grupo, reflete-se no alcance da pauta e na circulação das informações veiculadas. O ano de 2012 representou o que podemos chamar de

auge do Quem dera ser um peixe no que se refere às mobilizações presenciais – haja vista o

bloco de carnaval, as ―Inundações‖ e a utilização das redes sociais. Só em 2012 foram feitas

84 postagens na fan page do QDSP e 438 no perfil ―Peixuxa Acquario‖, ambas no site

Facebook. Para efeito de comparação, no ano de 2013, foram feitas um total de 30 postagens na fan page e nenhuma no perfil. Em 2014, foram apenas duas na fan page e três no perfil. Em 2015, por causa da volta da temática do Acquario e da polêmica envolvendo o arquivamento sumário do processo na Procuradoria Geral de Justiça, houve uma reaquecimento das postagens, tendo sido feitas até agora 36 delas na fan page, mas apenas três no perfil.

Esses dados são reveladores pela seguinte razão: diferentemente da fan page, o perfil permite que as pessoas postem conteúdos em timeline própria ou alheia. Desse modo, a queda drástica na quantidade de postagens, de 438 em 2012 para apenas três em 2015, sugere que a participações de pessoas próximas ao Quem dera ser um peixe ou envolvidas de um modo mais direto com ele encolheu consideravelmente.

Em 2012, ano em que se concentra essa pesquisa, houve uma movimentação muito grande de conteúdo e a constituição de uma rede orgânica de participantes que contribuiu não só para colocar o assunto em pauta, mas também como motor de ações presenciais que coloriram a cidade, proporcionando a muitas pessoas primeiras experiências com mobilização política e uma vivencia diferente de Fortaleza, já que muitos dos participantes que chegaram depois ao Quem dera ser um peixe sequer tinham ouvido falar do Poço da Draga, local onde ocorriam muitos dos encontros do grupo, e de sua história.

Essa prática, em que pese as idas e vindas que têm caracterizado a atuação do QDSP, pode ser contextualizada dentro do cenário de mudança trazido pelas ―novas mídias‖, as quais engendraram uma ressignificação na relação emissor-receptor, tornando possível que

qualquer pessoa produza e veicule informações. B.L.47 ressalta também a importância,

principalmente para os movimentos sociais e outros modelos de ação política, de realizar sua autodocumentação, contrapondo-se ao discurso dos veículos da mídia corporativa, quase sempre tão ávidos em deslegitimar reivindicações sociais.

É preciso, no entanto, ter a consciência clara do alcance de tais informações, as quais muitas vezes correm o risco de ficarem localizadas em círculos muito restritos de pessoas. Essa consciência estava presente na maioria dos integrantes com quem tive oportunidade de conversar, e isso se refletia na estratégia utilizada pelo QDSP para tentar pautar a mídia tradicional, como forma de fazer chegar a mais pessoas as informações

relacionadas ao Acquario Ceará. Como diz R.V.48:

A gente alcançava informações que a imprensa não tinha ido atrás, e pautar a imprensa era uma forma de a gente alcançar um maior número de pessoas, mas a gente se deparava com o interesse das empresas de comunicação, que não necessariamente era o interesse público. A gente sabe disso. E aí a gente sempre teve muita dificuldade. No O Povo, por causa das relações construídas entre as pessoas do Quem dera ser um peixe e as pessoas de lá, com muita pressão se consegue publicar alguma coisa. Mas era um jornal que, do ponto de vista de criticidade sobre a obra, vai e volta. E então sempre tinha isso: ―Mando para o fulano do O Povo‖, já sabendo que o Diário do Nordeste não vai pautar, já sabendo que as televisões não vão querer pautar.

Podemos ver, pelas suas palavras, que, muito embora o Quem dera ser um peixe reconhecesse a importância de pautar a mídia corporativa na tentativa de denunciar as ilegalidades sobre o oceanário, essa era uma relação muito difícil, porque a imprensa

tradicional, em seu modelo de funcionamento, atende a interesses comerciais – isso é

inegável. Não se trata aqui de assumir uma postura maniqueísta de dizer que a mídia

47 Entrevista realizada no dia 15 de junho de 2015. 48 Entrevista realizada no dia 26 de junho de 2015.

alternativa representaria o ―bem‖ e a mídia corporativa o ―mal‖, mas é preciso reconhecer que há sim diversas limitações na veiculação de conteúdos nas TVs, nos jornais e revistas de grande circulação. Por diversas vezes, integrantes do Quem dera ser um peixe ouviram de jornalistas que não seria pautada uma denúncia contra o Acquario Ceará por diretrizes vindas de ―cima‖.

A.S.49 faz uma reflexão muito madura sobre a imprensa corporativa e sua relação

com o QDSP:

Tem um desafeto nosso que ironiza nosso movimento desde sempre, mas é uma pessoa identificada da chapa branca governista. Então essa relação nunca foi muito boa, apesar de que quem deu a primeira notoriedade ao movimento foi a TV O Povo, no programa do Ruy Lima, que chamou o então secretário de Turismo, o arquiteto da obra, o Renato Roseno, que é uma pessoa identificada como sendo contra a obra, e uma pessoa do Labomar. E é preciso que se diga também que a mídia anteriormente a nós veio relatando o fato de que não havia informação. Desde 2009, quando começou a se ventilar a história desse aquário, a mídia já vem pontuando e acompanhando, mas é óbvio que há instrumentos e veículos atuando em prol do governo. É só pegar o próprio portal da transparência: o governo pagando milhões para os portais de informações, para os meios de comunicação. E fazem negócio. É uma mídia corporativa.

Aqui, A.S. não deixa de reconhecer os interesses comerciais que estão por trás do discurso de imparcialidade e de isenção jornalística manejados pela mídia como uma espada, mas sublinha a importância do papel que ela desempenhou no início das atividades do Quem dera ser um peixe e também ao longo do tempo, com a veiculação, ainda que episódica, de denúncias contra o Acquario Ceará.

A utilização da mídia tradicional como mais um canal de divulgação das pautas, portanto, teve um papel importante para os desdobramentos da atuação do Quem dera ser um peixe, mas é preciso admitir que a grande inovação trazida pelo grupo para o cenário de mobilizações sociais e, de fato, o que tornou possível a problematização e a discussão de uma obra desse porte foi a atuação do QDSP nas redes sociais, em especial no Facebook. A interação com as pessoas e a disposição de sempre se colocar nos debates trazidos à tona pelas investigações promovidas abriram vários canais de interação, possibilitando que muitas pessoas se sentissem à vontade de se aproximar ou mesmo dialogar com os membros, muitas vezes expondo pontos de vistas divergentes sobre a obra.

Sobre isso, A.B.50 afirma:

Então a gente sempre enfrentou o debate. Nós perdíamos muito tempo na internet debatendo. Todos nós. Não só nas nossas páginas, mas a gente ia catando espaços. Tinha até um chat de arquitetos que era terrível. E a gente se revezava. Tinha hora que o E.R. ia, a A. ia. Era uma coisa que a gente tinha muita disposição, coisa que a gente não tem mais hoje, porque cansa. Mas nós debatíamos muito, porque era tudo

49 Entrevista realizada no dia 20 de agosto de 2015. 50 Entrevista realizada no dia 28 de setembro de 2015.

o que a gente tinha. Então a gente não hesitava de tirar horas debatendo, escrevendo. E tinha muita interatividade, realmente tinha.

O debate sobre o tema do Acquario Ceará não só nos canais ocupados pelo QDSP,