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Drøfting

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Como já foi referido anteriormente, os impasses a que a FES nos conduziu na investigação de 1997, envolveu-nos nesta tarefa de desenvolvimento da escala, seguindo os procedimentos descritos anteriormente. Apresentam-se, de seguida, os principais resultados do estudo piloto de reformulação da FES para validação da sua estrutura factorial.

A amostra foi constituída por 302 alunos do 9º ano de escolaridades, a totalidade das turmas do 9º ano de duas escolas EB 2,3 da mesma cidade, do Norte do País, uma que recebe, na generalidade, a população mais privilegiada da cidade (oito turmas) e outra que recebe, sobretudo, alunos da zona rural e piscatória da periferia da cidade (sete turmas). Os dois questionários: FES, EEIV (os dois para estudo piloto), e o questionário sociodemográfico foram administrados na primeira semana do 2º trimestre do ano lectivo 2002/2003, pelo mesmo investigador, mestre em Psicologia, durante um bloco de 90 minutos de uma das disciplinas do horário normal dos alunos, demorando cerca de 60 minutos, sendo o resto do tempo ocupado com questões e dúvidas que os adolescentes colocavam sobre o seu projecto actual de escolha de um agrupamento, após a conclusão do 9º ano.

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Quadro 3

Caracterização da amostra (N=302)

Idade Média de Idade: 14,22

NSEC Média Alta Média Média Baixa/Baixa 26,9% 27,6% 45,5%

Tipo Família Intacta Monoparental Divórcio União de Facto Viúvo 81,9% 4,3% 8,6% 1,00% 4,00% Escolaridade 1º ciclo 2º ciclo 3º ciclo E. Secundário E. Superior dos Pais 21,9% 17,7% 15,3% 23,3% 21,8% Género Masculino Feminino

(50,7%) (49,3%)

Após realização de várias análises factoriais exploratórias com rotação ortogonal varimax, segundo o método de principal axis factoring (vide AnexoVI a), constatou-se mais uma vez, e na continuação dos estudos realizados em vários contextos socioculturais já mencionados, que não se confirmou a estrutura factorial original de dez factores (Moos & Moos, 1986) mas de seis factores, tal como no estudo de 1997.

No Quadro 4, apresenta-se uma síntese dos resultados comparativos, salientando as principais diferenças entre o estudo piloto de 2003 e o estudo de 1997, realizados pelo mesmo investigador.

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Quadro 4

Análise comparativa da estrutura factorial e do coeficiente de consistência interna das sub-escalas da FES, Moos & Moos (1986): do estudo 1997 e Estudo Piloto 2003

Sub-escalas Nº Itens Estudo 97 Nº Itens Estudo 03 Estudo 97 Alfa Cronbach Estudo piloto 03 Alfa Cronbach Apoio/comunicação 18 17 .870 .875 Organização e autorregulação 11 14 .720 .807 Orientação intelectual e cultural 11 11 .800 .831 Orientação religiosa 7 9 .810 .828

Orientação para sucesso 7 7 .640 .700

Orientação recreativa 0 6 - .655

Conflito 9 0 .750 -

Totais 63 64 .805 .894

Total da variância 30% 43,7%

Numa leitura global comparada dos resultados dos dois estudos poderemos extrair as seguintes conclusões:

(a) embora exista uma estrutura factorial com o mesmo número de factores (seis factores) no estudo piloto e no estudo realizado no ano 1997, não se equivalem, uma vez que emerge uma nova subescala –– orientação para actividades recreativas/lazer ––, que, no estudo de 1997, se integrava na escala de orientação

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intelectual e cultural; simultaneamente, desaparece, no estudo piloto, a escala do conflito, cujos nove itens se dispersaram entre as escalas do apoio e comunicação e na organização e auto-regulação da família e outros; ao não terem uma saturação igual ou superior a 300, não foram considerados na análise (vide Anexo VI a). Este facto confirma a opinião de vários autores, nomeadamente de Olivier e colaboradores (1988) que registavam a instabilidade da estrutura factorial da versão original do FES até mesmo no seio da mesma cultura, porque os resultados variavam em função do estatuto desenvolvimental dos sujeitos, nível socioeconómico e da posição da família; ou seja, esta variabilidade é consentânea com a conceptualização sistémica da escala. Neste caso, para além das razões aludidas, esta instabilidade pode estar relacionada com a reformulação que se fez dos itens para se adequarem melhor ao contexto sociocultural português;

(b) registe-se, no estudo piloto, a perda de 26 itens em relação à escala original, em virtude de não terem o nível de saturação desejável ou por não serem discriminativos da dimensão que pretendiam avaliar em relação às demais dimensões; aliás, esta perda é semelhante à do primeiro estudo, no qual não foram considerados na análise 27 itens. Tal como no estudo de 1997, o estudo piloto não confirma a subescala da independência32 e as duas sub-escalas originais de organização e controle33 surgirem aglutinadas, bem como a da coesão e da expressividade;34

(c) apesar de não termos confirmado a estrutura factorial dos autores originais (Moos & Moss, 1986), a nova escala que surge deste estudo, Escala do Ambiente Familiar (EAF), parece-nos garantir uma boa consistência estrutural na continuidade do estudo de 1997. Refira-se que o estudo piloto aumentou os valores de consistência interna dos itens na globalidade da escala (.894) e de cada subescala, – evidenciando alfas de Cronbach que se podem considerar muito aceitáveis,

32

A equipa de investigação, tendo em conta a ausência desta dimensão no estudo de 1997, durante o processo de construção desta subescala teve cuidados acrescentados na elaboração dos itens para que pudesse emergir esta dimensão como por exemplo: “na minha família cada um é livre de tomar as decisões que quiser”– item 14.

33

Na EAF, esta dimensão passa a denominar-se por subescala de organização e autorregulação familiar, porque o conceito de controle pode remeter-nos para um sistema familiar predominantemente heterorregulado por um dos elementos do sistema que detém mais poder.

34

Esta dimensão na EAF denomina-se por apoio e comunicação familiar, porque o conceito coesão pode remeter-nos para sistemas familiares pouco diferenciados, não permitindo o limite flexível de fronteiras entre os vários elementos do sistema.

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oscilando entre .875 e .655, bem como a percentagem do total da variância explicada (vide Quadro 4);

(d) Face à estrutura factorial específica do actual instrumento, e aos procedimentos que estiveram subjacentes à construção da EAF até seu produto final, a equipa de investigação concluiu estarmos face a um instrumento novo que denominou de EAF, embora assumindo os contributos de Moos e Moos, e, sobretudo, os seus pressupostos conceptuais.

5.2. Validação da Escala do Ambiente Familiar (EAF, Gonçalves & Coimbra, 2003) à

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