O desenvolvimento das atividades em b-learning foi fundamentado na dinâmica de ensino e aprendizagem dos conteúdos teóricos obrigatórios do programa de residência, voltados à atualização em temas prevalentes em Clínica Médica e Saúde Pública, a partir de estudo de casos problemas reais relacionados ao tema principal de cada reunião. A inserção do médico residente nessas atividades veio contemplar parte da determinação da resolução CNRM Nº 02 /2006, que define três cursos obrigatórios ao Programa de Residência de Clínica Médica; Epidemiologia Clínica, Biologia Molecular Aplicada e Organização de Serviços de Saúde.
Semanalmente eram apresentados e discutidos casos clínicos ou outro conteúdo teórico/prático relacionado ao tema proposto para aquela reunião presencial. Posteriormente à apresentação, as discussões entre os participantes, ocorriam sob a orientação de um preceptor convidado, em conjunto com os preceptores regulares. A preparação e apresentação eram feitas por um médico- aluno, os quais, para suas apresentações, necessitavam realizar ampla pesquisa nos arquivos das instituições hospitalares, incluindo o estudo das autópsias realizadas no Serviço de Patologia da Faculdade ou de casos clínicos de ambulatórios, enfermarias, unidades de emergência e terapia intensiva.
Para a elaboração das apresentações, os estudantes discutiam previamente com os docentes envolvidos no diagnóstico clínico e no atendimento ao paciente e com os patologistas, para obtenção de imagens do estudo anatomopatológico, bibliografia de atualização, manuais de conduta e estudo de diretrizes de diagnóstico e tratamento. Para formatação das apresentações presenciais os estudantes e docentes tiveram acesso ao Setor de Pesquisa da Biblioteca da FCMS, para aprendizado na utilização de técnicas de multimídia, inserção de imagens de microscopia, fotos, figuras e filmes.
Como ambiente virtual, optamos pela utilização da plataforma Moodle também nessa fase da pesquisa. Baseado nos pressupostos construtivistas, os
cursos desenvolvidos no Moodle naquela versão de 2009 já sustentavam a premissa de que as pessoas constroem o conhecimento mais ativamente quando interagem com o ambiente, e estimulam o estudante a passar de uma atitude passiva de receptor de conhecimento para uma atitude ativa na construção conjunta de saberes (DOUGIAMAS; TAYLOR, 2003).
A introdução de um espaço específico para a Comissão de Residência Médica na plataforma Moodle configurou o primeiro resultado promissor nesta nossa pesquisa, permitindo o registro das atividades teórico-práticas em desenvolvimento sequencial, disponibilizando conteúdos e ações de avaliação formativa.
Em reuniões com os coordenadores das subáreas, por consenso foi definida a introdução de uma avaliação formativa periódica, para possibilitar uma autoavaliação do aprendizado a esse grupo de médicos residentes de clínica médica, de maneira formal e obrigatória.
A adesão docente foi consolidada nas reuniões do comitê; as atividades teóricas e práticas, com revisões de temas mais prevalentes na prática médica, desenvolvidas a partir de discussões de casos clínicos reais, contaram com a atuação dos docentes da Patologia e de dois ou três docentes de outras áreas, presenças fundamentais para o sucesso desta proposta de ação. Essa participação dos docentes de várias áreas do conhecimento foi fundamental tanto no desenvolvimento das atividades presenciais como na elaboração das avaliações formativas. Sempre houve contribuição e adesão às solicitações para suporte técnico aos conteúdos, para a participação pontual em reuniões presenciais e formatação de questões para avaliação on-line. Entretanto, apenas quatro docentes participaram de maneira regular da maioria das atividades presenciais.
A adesão discente foi constante e motivada, cumprindo as atividades obrigatórias semanais, com estudo e preparação das reuniões presenciais. A distribuição dos médicos residentes durante os dois anos do programa era feita em rodízios em 10 módulos sequenciais no 1º ano e 8 módulos no segundo ano. As atividades presenciais eram feitas às 5as feiras em dois horários, às 13h30 e às 16h00, para permitir a presença dos residentes em ao menos uma reunião semanal. Foi necessário estabelecer esta dinâmica para contemplar as outras atividades que
também eram desenvolvidas nestes dias nos módulos em que estavam rodiziando, como ambulatórios, reuniões teórico/práticas, plantões nas enfermarias e unidades de emergência. Habitualmente compareciam a cada uma destas reuniões cerca de 1/3 dos médicos residentes. O envolvimento dos médicos residentes se dava da seguinte forma:
1. Médico residente R2:
a. Em conjunto com o preceptor do serviço de patologia definia previamente os casos que seriam apresentados durante seu estágio regulamentar do programa de residência que contemplava um rodízio no Serviço de Patologia. Em média cada residente estudava e separava cerca de oito casos durante o seu estágio;
b. Procedia ao estudo inicial dos casos na sala de autópsia ou na revisão de autopsias anteriores e orientava o grupo de internos responsável pela preparação da apresentação do caso na busca dos dados clínicos em prontuários, exames e imagens nos arquivos dos hospitais;
c. Participava do estudo do material obtido nas autópsias, com orientação e supervisão do patologista, procedendo ao registro das imagens macro e microscópicas;
d. Participava da sustentação teórica pertinente a cada discussão, em conjunto com o médico R1;
e. Participava de elaboração de protocolos de atualização de condutas, quando pertinente, com base nas evidências científicas e em diretrizes consolidadas, com supervisão dos preceptores das áreas de conhecimento referentes a cada discussão. Neste contexto, foram atualizados protocolos de atendimento de urgências de situações clínicas diversas nas áreas de hematologia, nefrologia, endocrinologia, infectologia, neurologia, pneumologia e cardiologia.
2. Médico residente R1:
a. Em cada reunião, um médico residente R1 participava da preparação de cada caso junto com os internos designados para a apresentação. Esta distribuição era
aleatória, pois estava condicionada à área de conhecimento ao qual a alteração clínica do paciente em estudo estava vinculada.
b. O residente R1 em estágio no módulo referente àquela área de conhecimento ficava responsável por orientar os internos na preparação da apresentação.
c. Era responsável pelo convite ao preceptor da área de conhecimento para a participação na reunião presencial;
d. Era responsável por apresentar uma revisão com base nas evidências científicas atualizadas, com ferramentas de multimídia.
e. Era responsável por encaminhar um resumo do caso com 3 dias de antecedência para postagem no Moodle, a fim de permitir estudo prévio;
f. Era responsável por encaminhar a documentação das atividades desenvolvidas após a reunião presencial: apresentação final do caso, discussão teórica e quando pertinente, dos protocolos elaborados a partir das situações clínicas, para postagem no Moodle.
O material de estudo produzido para essas apresentações era inserido por nós no Moodle. Conseguimos registrar cerca de 90% das atividades desenvolvidas ao longo de todo o ano. Nas figuras 10 e 32 (apêndice XII) pode-se ver a programação desenvolvida ao longo de 2009 com esses estudantes médicos residentes. Apesar do registro da maioria das atividades no Moodle, observamos que o acesso ao Moodle, também com este grupo de estudantes não foi regular.
Para o acesso, naquela versão da Plataforma Moodle, o participante docente, tutor, estudante ou colaborador necessitava uma senha individual fornecida pela administração da Plataforma Moodle. Este procedimento obrigatoriamente deveria que ser solicitado pelo interessado, o que se configurou um fator limitador. Como podemos ver nas figuras 11, 12 e 13, o acesso dos médicos residentes e dos docentes não foi regular ao longo de todo o ano. Apesar de 14 docentes inscritos, apenas 4 acessaram a programação da COREME ao longo de 2009.
Figura 10 - Atividades inseridas no Espaço COREME, desenvolvidas com o grupo IIA.
Fonte: http://Moodle.pucsp.br/
Figura 11 - Gráfico gerado pelo Moodle 2009: acesso dos médicos residentes (GEIIA) e preceptores (GDII) às atividades no espaço COREME,
Moodle.
Figura 12 - Número de acesso dos médicos residentes (GEIIA) e preceptores (GDII) às atividades no espaço COREME, Moodle 2009.
Fonte: http://Moodle.pucsp.br/
Figura 13 - Gráficos gerados pelo Moodle 2009: acesso dos docentes (GDII) ao espaço COREME.