Foram reconhecidas três estruturas planares de maior importância nestas áreas: o acamamento (S0) e as foliações S1 e S2.
Acamamento ou bandamento composicional (S0)
Algumas evidências sugerem a presença de acamamento preservado em vários locais das minas estudadas. Tal estrutura, embora não possa ser atribuída com segurança a uma trama petrográfica primária, caracteriza-se por mudanças composicionais, determinada pelas intercalações de bandas silicosas e bandas ricas em óxido de ferro com espessura média de 2 cm, com certa continuidade lateral (Figura 33 pág. 76; Figura 42 pág. 84 e Figura 45). Tais bandas envolvem proporções diversas de quartzo, martita, especularita, goethita, anfibólio e mais raramente magnetita.
Figura 45: Foto de detalhe do bandamento no itabirito. Notar também algumas lentes boudinadas no canto superior direito da foto.
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Foliação Principal (S1)
A feição estrutural mais persistente observada nas áreas, consiste numa feição tectono-metamórfica definida por diferentes estruturas planares paralelizadas (bandamento composicional, xistosidade e foliação milonítica). Esta estrutura foi genericamente referida como S1, e representa a estrutura planar guia presente em todas as regiões (Anexos 2, 3 e 4).
Tal foliação caracteriza-se pela orientação planar de hematitas, quartzos recristalizados e pela transposição de estruturas planares dobradas (S0). Os fenômenos de transposição entre as
estruturas planares podem ser observados em áreas de alta e baixa intensidade de deformação (Figura 46). A Figura 47, adaptada de Davis (1984), esquematiza a transposição do acamamento através do dobramento progressivo por mecanismo de cisalhamento simples.
A distribuição das direções e mergulhos da foliação principal S1 nas minas estudadas
são apresentadas na Figura 48.
Em geral S1 é paralela a S0 e somente em região de charneira S1 cortada por S2 plano-
axialmente. Essa característica da foliação confere aos itabiritos feições estruturais de tectonitos “S”, configurando domínios de flanco de dobras. Tais feições possibilitam a classificação genérica dos itabiritos em “tipo chapinha” (Figura 49).
Estas estruturas se associam à primeira fase, de caráter dúctil, do evento compressivo.
Figura 46: Início da transposição de S2 sobre S1 por mecanismo de cisalhamento simples entre
Figura 47: Desenho esquemático mostrando a transposição progressiva do acamamento S0 por
dobramentos segundo mecanismo de cisalhamento simples. Observar que os leitos alinhados não correspondem mais ao empilhamento sedimentar original, elementos competentes da camada 1 passam
lateralmente para elementos da camada 2 (segundo Davis, 1984).
A
B
C
1 1 1 1 2 Dobra F1 Dobra F1 2D
1 1 1 2 2 2E
1 1 1 2 2S //S
1 0 2 2 2S
0 Nucleação e dobramento de seqüências de camadas competentes (escuras) e incompetentes Progressão do dobramento com adelgaçamento dosflancos
Rompimento das camadas dobradas segundo planos de
cisalhamento dúctil
Separação das camadas e formação de um pseudo bandamento (bandamento
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Figura 48: Estereograma Schmidt-Lambert do pólo das foliações S1 (abaixo-lado esquerdo), S2 (acima
e meio-lado esquerdo) e lineação principal L1 da Mina de Casa de Pedra e Alegria.
1 % 3 % 5 % 7 % 9 % 11 % 13 % 15 % 17 % 19 % 1 % 3 % 5 % 7 % 9 % 11 %
FOLIAÇÃO S, CORPO PRINCIPAL N MEDIDAS = 41 MÁXIMO SUP. N 120/77 MÁXIMO INF. N 53/73 2 o LINEAÇÃO PRINCIPA, CORPO PRINCIPAL N MEDIDAS = 41 MÁXIMO N 70/72 o 1 % 5 % 10 % 15 % 20 % 25 % 30 % 35 % 40 % 1 % 3 % 5 % 7 % 9 % 11 % 13 %
FOLIAÇÃO S, CORPO OESTE N MEDIDAS = 45 MÁXIMO N 82/60 2 o LINEAÇÃO PRINCIPA, CORPO OESTE N MEDIDAS = 44 MÁXIMO N 116/48 o 1 % 2 % 3 % 4 % 5 % 6 % 7 % 8 % 9 % 10 % 11 % 12 %
FOLIAÇÃO S, NA MINA DE ALEGRIA N MEDIDAS = 662 MÁXIMO N 176/63 1 o 4 % 8 % 12 % 16 % 20 % 24 % LINEAÇÃO PRINCIPA (L), MINA DE ALEGRIA N MEDIDAS = 464 MÁXIMO N 123/52 1 o
FOLIAÇÃO S1, CORPO PRINCIPAL.
NO DE MEDIDAS = 41
MÁX SUP N120/77 MAX INF. N53/ 73
Figura 49: Foto de itabirito “Tipo Chapinha” próximo ao ponto AL-44. Observar as feições em forma de placas.
Foliação (S2)
A foliação S2 é reconhecida em vários locais das áreas estudadas (Anexos 2, 3 e 4;
Figuras 48 e 50). Em zonas de baixa deformação (região oeste), encontra-se intimamente
relacionada às zonas de charneira de dobras, configurando uma foliação plano-axial dessas charneiras. Em zonas de alta deformação (região leste), em especial, nas minas de Itabira, tal foliação evolui para zonas transcorrentes, geradas para acomodar as massas por escape lateral, durante os estágios finais do evento compressivo, em estado dúctil-rúptil.
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Figura 50: Foto de detalhe da foliação S2 plano axial de S1, em região de intensa deformação. Notar o
padrão de dobramentos e o paralelismo dessas estruturas nas regiões de flanco. Lineação Principal (L1)
Associada à superfície de foliação principal (S1), observa-se uma lineação
mineral/estiramento mineral, penetrativas, presentes em todos os litotipos mapeados. A lineação mineral é definida pela orientação preferencial de cristais de especularita e/ou cristais de anfibólio (Figura 41, pág. 82). A lineação de estiramento mineral é encontrada em zonas de maior concentração de deformação, elas marcam os eixos de maior alongamento de minerais como: especularita, anfibólio, quartzo, martita e magnetita ineqüidimensionais. Esta lineação também é caracterizada pela predominância de tectonitos “L” em domínios de charneira de dobras (Figura 51). Nestes locais, devido a essas estruturas, os itabiritos são genericamente denominados itabirito “tipo lápis”. Entretanto, o que verdadeiramente se observa é a existência de variações entre esses litotipos, ora podendo ser classificados como tectonitos “LS” ora como “SL”, a depender das feições morfológicas predominante.
Essas duas lineações apresentam disposições paralelas a subparalelas entre si, e foram aqui referidas como lineação principal (L1). Tal lineação não apresenta variações expressivas
na direção e mergulho, com exceção da Mina de Conceição (Itabira), onde mergulha para NE, provavelmente devido à sua rotação em função da transpressão (cof. Oliveira Jr., 2000).
Na mina Casa de Pedra, os máximos de L1 configuram direção de mergulho em torno
de N70/72 no Corpo Principal, enquanto que no Corpo Oeste, mergulham para N116/48 (Figura 48, pág. 92). Em Alegria, está lineação cai para N123/52 (Figura 48, pág. 92), e em Itabira mergulha para E no Cauê e, girando em sentido anti-horário, muda gradativamente para NE em Conceição (Anexo 4).
Figura 51: Foto de itabirito “Tipo Lápis” próximo ao ponto AL-128. Observar as formas onduladas do itabirito que caracterizam esta denominação.
Lineação de Intersecção (Li)
Nas áreas também se observa lineações de intersecção, resultantes da superposição dos planos de foliação S1 e S2, que por sua vez, ocorrem paralelas à lineação de estiramento
mineral (L1), (Figura 52).
3.5.2 - Z
ONAS DEC
ISALHAMENTOD
ÚCTEISVárias feições características de cisalhamento dúctil foram reconhecidas em micro e mesoescala: dobra em bainha (Figura 53), zona de sombra de pressão, lineação de estiramento e indicadores cinemáticos, todas associadas à foliação S1 (Anexos 2, 3, 4 e
Figura 32 - Fotomicrografias 3, 5 e 6, pág. 75). Essas zonas caracterizam-se: (1) pela
foliação milonítica e lineação de estiramento mineral e (2) pela presença de minérios ricos, acompanhados do aumento de proporção de especularita como mineral de minério nos itabiritos e estão associadas aos processos de cavalgamento, referentes à inversão da bacia Minas (Brasiliano).
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Figura 52: Foto de itabirito duro a levemente brando, exibindo a lineação de intersecção paralela ao eixo de dobras e lineação mineral de estiramento (Corpo Principal, CSN-3).
Figura 53: Foto do perfil de uma dobra em bainha no itabirito brando, indicando a direção do fluxo plástico. (CO-5).