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Drøfting kvalitativt datamateriale, Kronsteingruppen AS

4.7 Kronsteingruppen AS

4.7.2 Drøfting kvalitativt datamateriale, Kronsteingruppen AS

Quanto à técnica, optou-se por utilizar a Semiologia, sob a ótica de Roland Barthes. A Semiologia é a ciência geral dos signos, sendo mais abrangente do que a linguística, que estuda apenas a linguagem, porque o termo signos pode se referir, também, a imagens, gestos, vestuários – qualquer coisa que possa significar algo. Além disso, avalia partes do discurso, e não fonemas e monemas.

O objetivo da pesquisa semiológica é reconstituir o funcionamento dos sistemas de significação diversos da língua, segundo o próprio projeto de qualquer atividade estruturalista, que é constituir um simulacro dos objetos observados (BARTHES, 1964, p. 103).

Apesar de haver, de fato, sistemas que significam mas não são linguagem, para Barthes (1964), objetos, imagens e comportamentos não são autônomos: dependem sempre da linguagem, se relacionam sempre, ao menos parcialmente, com o sistema da língua. “Sentido só existe quando denominado, e o mundo dos significados não é outro senão o da linguagem” (p. 12).

A Literatura e a Semiologia conjugam-se e corrigem-se uma a outra, de acordo com Barthes (1978). Por um lado, esmiuçar o texto obriga a perceber as diferenças e impede de

generalizar o que não é geral. No entanto, ao mesmo tempo o olhar semiótico força a recusar o mito da criatividade pura. “O Mito deve ser pensado – ou repensado – para que melhor se decepcione” (BARTHES, 1978, p. 36).

A força semiótica da literatura consiste em jogar com os signos, ao invés de destruí- los. Em colocá-los em uma “maquinaria de linguagem cujos breques e travas de segurança arrebentaram, em suma, em instituir no próprio seio da linguagem servil uma verdadeira heteronímia das coisas” (BARTHES, 2007, p. 27-28).

O objeto da linguística, que é a raiz da Semiologia, é sem limites, uma vez que a língua é o próprio social, e, por isso, se desconstrói. Essa desconstrução é o que Barthes chama de Semiologia. Esta recolhe o que é impuro na língua o refugo da linguística – o discurso, que é indiviso da língua, pois um aflui sobre o outro.

Dentro da Semiologia, há três termos: o significante, que é o relato nu e cru do objeto; o significado, que é a interpretação desse objeto; e o signo ou significação, que é a junção do significante com o significado. São essas três instâncias que compõem a análise semiológica.

A Semiologia não é, na perspectiva do autor, uma causa, ciência, disciplina, uma escola ou um movimento com que ele se identifica. “É uma aventura, quer dizer, aquilo que me acontece (o que me vem do Significante)”, expressa (BARTHES, 1992, p. 12). Pode ser uma reflexão sistemática das leituras, ou experiências que um sujeito adquire na vida e que implicam valores sociais, morais e ideológicos.

Não se trata de uma ciência simples, visto que põe em questão sua própria linguagem e o próprio lugar de onde fala como parte da análise, sendo, assim, uma metalinguagem. “(...) a ciência não conhece nenhum lugar de segurança e por isso deveria reconhecer-se como escrita” (BARTHES, 1992, p. 15).

Barthes conta, em seu livro A Aventura Semiológica (BARTHES, 1992), que se interessou pela Semiologia, primeiramente, ao ler a obra do linguista Saussure e criar esperança de que seria possível, finalmente, denunciar os mitos pequeno-burgueses, desenvolvendo cientificamente uma análise dos processos de sentido que converteram a cultura histórica dessa classe em natureza universal. A Semiologia poderia ser, então, o método fundamental da crítica ideológica, possuindo alcance político. Posteriormente, o semiólogo afirma que a Semiologia deve se ocupar do sistema simbólico e semântico da civilização como um todo, não somente da pequeno-burguesa.

Na obra Aula (BARTHES, 2007), onde a aula inaugural da cadeira de Semiologia Literária do Colégio de França é transcrita, o autor define que a sua Semiologia “nasceu de

uma intolerância de má-fé e de boa consciência que caracteriza a moralidade geral” (2007, p. 32). A língua trabalhada pelo poder foi o objeto desse primeiro estudo da Semiologia.

No final da década de 1960 e início da de 1970, o autor volta-se ao estudo do Texto, ou significante. Este distingue-se da obra literária, para Barthes (1992), por não ser um produto estético, e sim uma prática significante. Além disso, ele não é uma estrutura, mas um processo de estruturação. O texto não é um objeto, e sim um trabalho e um jogo, e também não é um conjunto de signos fechados dotado de um sentido a ser descoberto, mas “um volume de marcas em desenvolvimento” (p.14).

Se aprofundar na escritura, que, para o semiólogo, é a mais complexa das práticas significantes, faz a Semiologia trabalhar a partir das diferenças e a obriga a não dogmatizar. O olhar semiótico recusa o mito da criatividade pura, que cerca a literatura e que a comprime (BARTHES, 2007).

Barthes considera sua Semiologia como negativa e ativa. Negativa, ou apofática, porque nega que seja possível atribuir ao signo caracteres positivos, fixos, que não se alterem de acordo com a história, a localização, que sejam puramente científicos. Não é possível escolher entre ficar dentro ou fora da linguagem, tampouco negar à Semiologia ativa, aquela que escreve, sua relação com a ciência. A metalinguagem é o signo histórico da ciência, portanto refutável (BARTHES, 2007).

A Semiologia não é uma disciplina, segundo o autor. Ela ajuda certas ciências, propõe-lhes um protocolo de operação, mas não é uma chave, visto que não permite apreender diretamente o real. Essa ciência busca soerguer o real em certos pontos e momentos. O signo captado pelos semiólogos é sempre imediato, lhe salta aos olhos, como que decorrente do Imaginário deles.

Será feita uma Pesquisa Qualitativa. Conforme Godoy (1995, p. 62), para ser considerado um trabalho qualitativo, é necessário haver nele as seguintes características: o ambiente natural como fonte direta de dados e o pesquisador como fonte fundamental; o caráter descritivo; o significado que as pessoas dão às coisas e à sua vida como preocupação do investigador; e o enfoque descritivo.

Além da Pesquisa Qualitativa, será feita, ainda, uma Pesquisa Semiológica, que busca reconstituir o funcionamento dos sistemas de significação da língua, construindo um simulacro para os objetos observados (BARTHES, 1964). Nesse processo, é respeitado o princípio de pertinência: escolhe-se um ponto de vista sobre determinado assunto e este é abordado, todos os outros sendo excluídos.

Como o tema do estudo é escolhido justamente por ser uma curiosidade do pesquisador, este deve selecionar um conjunto de fatos para examinar e conhecer a estrutura. Esse conjunto chama-se corpus e é determinado antes da análise começar. Segundo Barthes (1964), o corpus deve ser amplo, “para que se possa razoavelmente esperar que seus elementos saturem um sistema completo de semelhanças e diferenças” (p. 105), mas, ao mesmo tempo, o mais homogêneo possível.

A Pesquisa Semiológica envolve um estudo sobre a distribuição dos tipos de oposições através dos sistemas semiológicos e sobre suas relações paradigmáticas seriais, considerando que “não é certo que diante de objetos complexos, muito envolvidos numa matéria e em usos, possamos conduzir o jogo do sentido à alternativa de dois elementos polares ou à oposição entre uma marca e um grau zero” (BARTHES, 1964, p. 84). Poeticamente, Barthes afirma que o objetivo essencial da Pesquisa Semiológica é “descobrir o tempo próprio dos sistemas, a história das formas” (1964, p. 106).