Antes de chegarmos ao objeto de nossa pesquisa, o PID para os alunos do Ensino Fundamental, apresentaremos de forma breve o PID São Carlos (SP), porque ele representa um projeto amplo, por meio do qual diversas atividades que têm por objetivo a inclusão digital acontecem, incluindo entre essas o nosso objeto de pesquisa.
Segundo O Projeto Político Pedagógico da FESC para o PID (Programa de Inclusão Digital) desenvolvido nas escolas municipais de Ensino Fundamental anos inicias de São Carlos – SP, o PID está inserido e tem como referência o SOcInfo (Programa Brasileiro Sociedade da Informação), o qual é coordenado pelo Ministério da Ciência e Tecnologia.
Para compreendermos o trabalho que é desenvolvido com os estudantes do 5º ano do ensino fundamental nas escolas municipais de São Carlos – SP, é necessário que conhecermos o Programa no qual ele está inserido, porque a inclusão digital desenvolvida nessas escolas não é uma iniciativa isolada no município.
O PID no espaço municipal foi concretizado pela Prefeitura de São Carlos – SP em parceria com FESC (Fundação Educacional de São Carlos) em 2002 e lançado oficialmente em 2003.
É pertinente informar que, de acordo com o Projeto Pedagógico do Programa, o PID foi oficializado pela Resolução nº. 04/2006 do Conselho Diretor de 27 de março de 2006. Seu regimento interno foi aprovado pelo
mesmo órgão pela Resolução nº. 05/2006, de 06 de junho de 2006. Também está registrado no CMDCA (Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente) de São Carlos sob o nº. IP 004/06.
O objetivo do Programa, desde o início, é o de oferecer à população formação básica em informática, possibilitando a aquisição de conhecimentos e habilidades específicas para a utilização do computador e da Internet, aliando conteúdos e habilidades básicas para o exercício da cidadania. O Programa também disponibiliza acesso livre a computadores e a softwares instalados para a realização de atividades pessoais, escolares e profissionais nos Telecentros24 onde o Programa é desenvolvido25.
Inicialmente as ações do PID foram desenvolvidas no âmbito de capacitação profissional de trabalhadores. Para tanto, em 2003, foi realizado concurso público para o preenchimento de vagas para Educador de Informática. Devido ao considerável crescimento do Programa, em março de 2005, ocorreu a nomeação de um Coordenador de Ensino para suas atividades. (MARTUCCI; MORAIS, 2007).
Desde sua implantação, até os dias de hoje, o PID faz parte das políticas públicas do Governo Participativo de São Carlos - SP, e vislumbra contribuir com o processo de inclusão digital da população.
O Programa é coordenado pela Fundação Educacional São Carlos e tem por objetivo maior a construção da Sociedade da Informação em nosso país. De acordo com o que consta no site da FESC26 e no Projeto Pedagógico do Programa (MARTUCCI; MORAIS, 2007)27, o PID possui as seguintes diretrizes de ação:
Adoção do modelo de acesso comunitário compartilhado, através da instalação de telecentros, denominados Postos de Inclusão Digital – PID, nas diferentes regiões e bairros do município, com priorização para localidades com baixos
24 Os Telecentros de Informação e Negócios são espaços com vários computadores interligados em rede local e conectados à Internet e tem a orientação de monitores capacitados para atender as demandas de seus usuários. É um ambiente voltado para a oferta de cursos, treinamentos, informações, serviços, mas sobretudo, para a oferta de negócios, visando ao fortalecimento da microempresa e empresa de pequeno porte. Também tem prioridade na inclusão digital da população de baixa renda e da terceira idade.
25 Informações obtidas no endereço: http://www.saocarlos.sp.gov.br/index.php/inclusao-digital- pid.html Acessado em: 11 nov. 2010.
26 Informações obtidas no endereço:
http://www.fesc.saocarlos.sp.gov.br/arquivos/paginas.aspx?id=57 Acessado em: 23 jan. 2011. 27 Autores do Projeto Político do Programa de Inclusão Digital da FESC.
indicadores sociais, utilizando os espaços públicos existentes e projetados (escolas, bibliotecas, centros comunitários, loteamentos sociais, etc), aliados a outros possíveis espaços cedidos pela comunidade. [...]; Implementação ações articuladas entre as unidades da administração municipal direta e indireta (secretarias, fundações, autarquias e empresas), com compartilhamento variável das responsabilidades na implantação e manutenção do Posto de Inclusão Digital instalado de forma conjunta, face à variedade de condições situacionais, cabendo sempre à Coordenadoria de Ensino do Programa de Inclusão Digital a gestão pedagógica das atividades desenvolvidas; Implementação de iniciativas e projetos para a participação do município nos programas governamentais de inclusão digital, nas esferas federal e estadual. (p.15).
De acordo com o mesmo Projeto, para alcançar o que é proposto, no plano de ação, foram traçados os seguintes objetivos gerais para o PlD:
[...] Contribuir para a universalização dos serviços de informação e comunicação e para a igualdade de oportunidades de acesso à sociedade da informação e do conhecimento, que resultam da colaboração entre diferentes parceiros, nos níveis local, nacional e internacional; Coordenar, integrar e fomentar ações para a utilização das tecnologias de informação e comunicação, como forma de contribuir para a inclusão social da população local; Promover a inclusão digital de trabalhadores, empreendedores, microempresas, empresas de pequeno porte e da sociedade em geral, por meio da implantação de telecentros comunitários, denominados Postos de Inclusão Digital. (p.17).
O PPP do PID possui também os seguintes objetivos específicos: [...] Oferecer formação básica em informática para crianças, jovens, adultos e pessoas idosas, que permita a aquisição de conhecimentos e habilidades específicas para o uso de computadores e da Internet, aliando conteúdos e habilidades básicas para o exercício da cidadania; Propiciar o uso dos computadores, acessórios, softwares instalados e demais serviços oferecidos, para a realização de atividades pessoais, escolares e profissionais, com monitoria para orientação e supervisão; Propiciar acesso e uso da internet, para fins de informação, comunicação, realização de serviços oferecidos pela rede e criação de conteúdos locais ou comunitários; Oferecer projetos de iniciação profissional e de enriquecimento educacional, baseados no uso da informática e da Internet. Desenvolver ações educativas na área de empreendedorismo e gestão de negócios, baseadas no uso da informática e da Internet, para fortalecimento de microempresas e empresas de pequeno porte, que induzam ao crescimento da produção e da geração de emprego e renda; Desenvolver metodologia educacional diferenciada, que se paute no resgate das experiências, das práticas e dos saberes acumulados dos
educandos para a construção de novas competências. (p. 17 – 18).
Os objetivos que constam no Projeto Pedagógico do PID estão de acordo com o que propõem Rabêlo (2005) e Valente (2011) para a Inclusão Digital nos dias de hoje, visto que ultrapassam o que Xavier (2011) caracteriza como letramento digital e tem como desígnio a melhoria de vida dos alunos. No entanto, pergunta que fica sem resposta é como se dá a prática pedagógica do Programa para atingir os objetivos propostos?
Na tentativa de responder a tais indagações, encontramos no Projeto Pedagógico do PID elaborado pela FESC (PAULO, 2010), o plano de ação para melhor alcançar os objetivos propostos. Segundo o documento, inicialmente, são organizados cursos de informática básica, com objetivo de alfabetização digital inicial, sem exigência de pré-requisitos, oferecidos no ambiente Windows e Linux. Esses cursos têm duração de seis meses, destinados a diferentes públicos. Acreditamos que a alfabetização digital é o que chamamos aqui, em consonância com o pensamento de Xavier (2011), de letramento digital.
Existem também os Cursos de Aplicativos Específicos, que objetivam a conclusão da alfabetização digital inicial, sendo pré-requisito para cursá-lo o conhecimento de informática básica. Os Cursos de Informática Avançada, que vislumbram o aprofundamento do conhecimento para uso de recursos avançados de programas específicos, exigindo como pré-requisito o conhecimento de informática básica dos programas em questão.
Também é oferecido à população o Curso de Internet, que tem por objetivo a ampliação do conhecimento dos principais conceitos e recursos necessários para o uso da Internet. Para cursá-lo, é necessário ter o curso de Informática Básica I. Os Cursos Empresariais são treinamentos, que se pautam no uso da informática e da Internet, são dirigidos a empreendedores, microempresas e empresas de pequeno porte.
São oferecidas ainda as Oficinas, que podemos caracterizar como treinamentos de curta duração para capacitação dos participantes em programas, recursos ou tarefas específicos de informática, tendo como exigência prévia o conhecimento de informática básica. Também os Cursos Especiais, treinamentos dirigidos para determinado público, como, por exemplo,
para outros programas educacionais da própria Fundação Educacional, ou para projetos especiais próprios, ou mesmo para atividades integradas com órgãos da administração pública municipal e ainda projetos desenvolvidos em parceria com outras instituições públicas e particulares.
Além desses cursos, o Programa de Inclusão Digital de São Carlos – SP- oferece também à população, o que no Projeto Pedagógico do PID é denominado de Atividades Complementares. Essas atividades podem ser pagas ou gratuitas, dependendo de sua natureza.
As Atividades Complementares oferecidas são: Aulas VIP’s (aulas individuais, com horário agendado previamente e pagas individualmente); Serviço de impressão e digitalização (uso de impressora ou scanner, serviço pago mediante valor da tabela de preços); Uso livre (utilização dos recursos de informática dos telecentros comunitários, para isso deve ser feito agendamento e obedecidas as normas de uso, se for o caso pagamento de serviços utilizados.).
Hoje, de acordo com informações do site da FESC28, as atividades do PID São Carlos – SP são desenvolvidas em 28 postos de Inclusão Digital, espalhados por toda a cidade, de forma especial nas regiões mais carentes da cidade, onde a possibilidade de acesso da população é menor.
É fundamental destacar que, apesar da data do Projeto Pedagógico do PID de São Carlos – SP ser o ano de 2007, nesse documento não consta nada que trate especificamente do trabalho que é desenvolvido nas Escolas Municipais de Ensino Fundamental, objeto de estudo desta pesquisa.
No entanto, em entrevista com a atual coordenadora do Programa, nos foi informado que o trabalho nas EMEBs (Escolas Municipais de Educação Básica) acontece desde o ano de 2004, sendo oferecido aos alunos do 5º ano do ensino fundamental29. O curso oferecido é o de Informática Básica I, no primeiro semestre e Informática Básica II, no segundo semestre do ano letivo.
28Informações obtidas no endereço:
http://www.fesc.com.br/userfiles/file/Arquivos/RelacaoPID.pdf Acessado em 25 Jan. 2011. 29 Anteriormente, aos alunos da 4ª série do ensino fundamental.
2.3 O PROGRAMA DE INCLUSÃO DIGITAL DE SÃO CARLOS – SP, PARA