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Drøfting av teori og funn opp mot problemstilling og case

Luis Donisete Grupioni (1999) afirma que a nacionalidade surge da diversidade e

da união que deveria ser pacífica entre os grupos humanos que vivem num mesmo território. O índio é visto, na história do Brasil atual, como algo do passado, um fóssil vivo. Falar de índio é remeter a história do Brasil pós-contato, ao passado horrendo, aparecendo como meros espectadores, ou na condição de coadjuvante na formação do Brasil moderno (ALMEIDA, 1987). O índio passa a ser algo estático, que não se transforma nem transforma a sociedade a qual está inserido, é algo estanque, visto assim pela historiografia eurocêntrica.

A ideia de um “descobrimento do Brasil” ainda existe e persiste. Se houve uma

descoberta pelo branco, houve também uma descoberta indígena. Por que, então, os livros não tratam de uma troca cultural? Essa visão e versão de descobrir é puramente eurocêntrica, para justificar uma superioridade (bélica) do europeu sobre o outro, e assim, impor sua cultura (TELLES, 1987).

Segundo Demarquet (1988: 7), o que somos hoje é o somatório de quinhentos

anos de contato. A história de hoje é factual e política, conta os fatos pela ótica dos vencedores; os vencidos foram submetidos “a ordem colonial imposta pela cruz e pela espada”.

A história do índio foi omitida, reduzida e simplificada ao mais elementar. Foi

uma forma, também, de conquista do outro.

Quais os testemunhos literários que temos sobre o passado dos Tapuias? Só os

relatos europeus, mesmo assim com recortes, fragmentos pejorativos e inaceitáveis no mundo atual. Toda essa documentação racista e discriminatória foi gerada dentro de um contexto alienante, que visava à dominação da terra.

Desde o contato que os índios foram vistos como uma espécie de gênese do

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Brasil, os aborígines da Austrália, etc., era o testemunho desse desenvolvimento, encontravam-se, digamos, na primeira etapa de crescimento linear.

Rocha (1984: 27) interpele a visão que se tem dos índios hoje, especialmente

nos livros didáticos. Os índios, sem especificar o grupo étnico ou o lugar que habitavam, vestem (ou não vestem) as mesmas coisas, todos vivem a tomar banho de rios, comem basicamente de mandioca, vivem da caça, pesca e coleta... Mas não mostram sua diversidade multicultural, suas lutas de resistência, do “descobrimento” aos nossos dias. O índio é visto como um ser genérico. Mas é óbvio que os índios apresentam características comuns, justamente estas que os diferenciam das sociedades brancas.

Carl von Koseritz (1941: 92-93) afirma que sempre se pintou um índio genérico,

coberto de penas e com feições feroz, canibal, hostil. Foi essa imagem esteriotipada que ficou dos índios do Brasil, do contato ao século XX.

Cada grupo indígena é único, específico, detentor de traços étnicos que os

identificam como grupo étnico cultural, com um perfil e uma identidade própria. Isso tem sido negado nos manuais e compêndios de história contemporânea.

Os grupos humanos heterogêneos que habitaram ou ainda habitam o planeta, sempre se organizaram de diferentes formas para prover suas necessidades básicas. Existe, de fato, uma grande diversidade sócio/cultural entre os grupos humanos e se funda na flexibilidade do comportamento.

O homem pode viver em grupo, mesmo que obedeça a princípios diferentes. Tais princípios podem decorrer do ambiente e da própria forma estrutural do grupo. Desde tempos imemoriais que os grupos humanos se organizam de formas diversas: reinado, cacicado, chefia e outros grupos sem nenhum tipo de chefia que exerça o poder e controle sobre os membros do grupo. Da mesma forma os grupos familiares, suas organizações, formas de domínios, sempre variaram no tempo e espaço.

Apesar dessa pseudo-liberdade de comportamento, o ser humano segue regras, ontem e hoje obedecemos a códigos que são criados como forma de frear atos de membros do grupo que não se enquadram aos demais: “Cada ser humano nasce e cresce em uma determinada sociedade, que já possui uma determinada organização e

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um conjunto de ideias e princípios que conferem sentido à vida nessa sociedade” (GRUPIONI, 1999: 38).

É o meio que nos leva a pensar de acordo com ideias e valores desse meio, sem que sejamos produto do meio. As normas sociais de um grupo criadas mediante a justificativa da maioria levam-nos a agir de forma comum. Quando somos obrigados a aceitar o outro de forma pacífica ou imposta, como ocorreu com os índios Tapuias da Paraíba (Cariri e Tarairiú), torna-se penoso, quando não doloroso, reacionário, principalmente para o grupo considerado mais fraco.

Essa dificuldade de compreensão e aceitação do outro acompanha as relações entre índios e não-índios no Brasil, o que favorece para que a população atual (mestiça), não reconheça seu passado indígena (GRUPIONI, 1999). Por outro lado, Lorandi e Wilde (2000) reconhecem que a própria etnografia é mero objeto de ficção, em outras palavras, não merecendo credibilidade para o resgate das ações sociais cotidianas de grupos humanos do passado, o que torna difícil a aceitação de interlocução para a aceitação do outro.

O choque étnico entre índio e colonizador foi gigantesco. Eram costumes, aspectos físicos, modos de vida diferentes, daí terem sido vistos como seres bestiais, vivendo desordenadamente. A visão europeia sobre os índios, comparativamente falando, foi definida “por aquilo que não têm” (GRUPIONI, 1999: 39), partindo do modelo europeu de desenvolvimento da época. Gândavo (1995) os via (os índios do pós-contato), sem fé, sem lei e sem rei. Sem organização, mas baseado num modelo esteriotipado do conquistador.

Não existe sociedade humana sem organização social. Por mais simples e elementar que esta seja, ela existe. Nesse sentido, como aceitar que as sociedades indígenas da época do contato viviam, segundo muitos cronistas, numa total selvageria? Como explicar, então, suas inúmeras formas de reações, especialmente as guerras? Pedro Pontuni (2002) mostra que as guerras de reação Tapuia dos séculos XVII e XVIII eram de uma extrema organização, ao ponto de seus líderes serem chamados de reis.

O que aconteceu e ainda acontece são as dificuldades que se têm em aceitar os índios enquanto formadores de grupos sociais organizados, a seu modo, porém

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organizados. Isso tem levado a indagações recorrentes nos quinhentos anos de conquista: por que grupos humanos de um mesmo continente apresentavam-se tão díspares?

O que se sabe é que, no Brasil, no período do contato, a chefia exercida por um Cacique, não tinha, como nos Andes ou na Europa, poder sobre a vida e a morte de seus súditos. A autoridade, nesse caso, era mais moral do que a coerção física (FAUSTO, 1999).

A união desses grupos se dava apenas em ocasiões especiais: casamento, morte, guerra, reação ante o colonizador. Nessas comunidades, de forma meio genérica, prevalecia os casamentos consanguíneos, pois ninguém queria ir morar distante de seus parentes próximos, entre estranhos. Vários grupos humanos do Brasil pós-contato podem muito bem ser enquadrados nesse sistema, ao ponto de serem vistos, graças às recorrências, como a forma típica de união em quase toda a América do Sul, especialmente na área de domínio da Floresta Tropical.

Por que, então, os grupos humanos do Brasil, ao menos em sua maioria, não se desenvolveram baseados num modelo andino ou europeu, com sociedades tipicamente especializadas? As respostas para tal questionamento são muitas, mas sem uma definição aceitável. Por exemplo, a ideia de pouco alimento (caça, coleta e peixe), numa visão meramente ecológica, pois em algumas regiões havia, sim, fartura de alimentos e matérias-primas de que necessitavam para a subsistência, já há muito caiu por terra. O grupo conseguia sobreviver até nos ambientes mais hostis, como nas caatingas dos Sertões da Paraíba.

Está clara, pelos estudos Etnohistóricos contemporâneos em grupos indígenas remanescentes, como os Kayapós, os Xavantes, etc., a complexibilidade em que estão inseridos os membros de um grupo, desde tempos imemoriais. Houve grupos extremamente complexos, socialmente falando, como alguns grupos humanos Jês, mas, por outro lado, apresentavam uma enorme simplicidade tecnológica.

Confundiram-se, durante muito tempo, uma pseudo-relação econômica e a complexidade social do grupo Jê. Necessariamente, as duas questões não têm que estar associadas, mas interdependentes.

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Não seria correto afirmar que todas as sociedades indígenas do Brasil pré e pós- contato eram igualitárias. Não podemos descartar a existência de certa hierarquia em muitos grupos indígenas, ontem e hoje. Talvez mais no passado do que atualmente, graças ao grande número de índios que existiam, no Brasil, no início da colonização, daí questionamos até que ponto os princípios de organização das sociedades indígenas atuais são iguais aos do passado, já que, além do próprio desenvolvimento social do grupo (pois não existem culturas estáticas), esse tive contato com novas formas organizacionais dos vários povos europeus que mantiveram contatos, amistosos ou não com esse grupo.

Por outro lado, torna-se complicado o entendimento do complexo social indígena do passado, via relatos dos cronistas (pelos motivos explicitados no início deste artigo), já que muitos destes não vieram com o único objetivo de estudá-los, mas sim explorá- los, daí relatarem apenas aquilo que fosse do interesse do conquistador.

Como o contato foi maior e talvez menos violento com os índios do Litoral, isso favoreceu uma quantidade de dados maiores e melhores do que sobre a organização sócio/política dos Tapuias dos Sertões. Como os relatos dos cronistas, de antropólogos, historiadores, etc., quase sempre são efêmeros e truncados, graças à escassez de pesquisas, não dá para afirmar, portanto, como viviam e ainda vivem os índios contemporâneos. De forma geral, as lacunas sobre as questões aqui abordadas merecem atenção de cientistas de vários campos científicos, para que possamos aferir melhores informações sobre o passado e presente desses povos que construíram a história do Brasil. Pensar num Brasil indígena uniforme no passado ou hoje em sociedades complexas hierarquizadas ou simples, entre aquelas que apresentavam ou não um sistema de governo mais ou menos complexo, já está ultrapassado. É preciso ver os índios de ontem e de hoje como grupos culturais extremamente heterogêneos, com uma diversidade cultural e linguística gigantesca. Entender este ponto é valorizar as culturas indígenas do Brasil, é dar-lhes o direito de terem um perfil cultural próprio, enfim identidades.

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CAPÍTULO IV