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4.2 Fagfolks kunnskaper

4.2.2 Drøfting av funn - Fagfolks kunnskaper

2.2.1.1 Texto de jornal

O fragmento sobre o qual refletimos neste momento inicia-se com a imagem de um texto do jornal Folha de São Paulo do dia 18 de setembro de 2002 no qual se noticia a estratégia utilizada pela coordenação da campanha do candidato José Serra, do PSDB, para evitar que Lula vença no primeiro turno: reavivar, entre as pessoas, o sentimento de temor com relação ao PT e ao seu candidato. Estratégia que esteve sempre presente nas campanhas eleitorais desde a de 1989 até a de 2002.

O tom da locução é sério: as principais partes do texto são lidas em tom grave, de denúncia. Imagem e voz destacam a palavra “terror”, presente no texto jornalístico. A imagem desce em espiral, aproximando-se do texto e fazendo com que ele não fique estático no enquadramento.

Este primeiro momento do programa é a retomada de um texto jornalístico, que, por sua vez, é escrito com base tanto na estratégia assumida quanto em discursos agonísticos (de enfrentamento a Lula) veiculados em alguns programas de José Serra, que também retomam antigos medos provocados na população tanto por discursos do próprio PT quanto por pronunciamentos de seus adversários, sentimentos que tinham por base discursos, repetidos à exaustão há alguns anos, de presidentes e outras lideranças que se diziam preocupados com a “praga” comunista que poderia se alastrar pelo mundo, espalhando o ateísmo, quebrando direitos de propriedade, semeando discórdia e mortes violentas, textos que também retomavam outros anteriores... Se continuássemos a puxar esse longo fio,

provavelmente, desceríamos a tempos tão distantes que nos surpreenderíamos com uma complexa teia, longamente tecida com fios que a ela foram acrescidos em épocas distintas.

Característica marcante da cultura, que pode ser vista como um grande emaranhado textual que se movimenta incessantemente (Bakhtin, 1997b; Geertz, 1989), a intertextualidade permeia não só este momento do programa, no qual aparece o texto da Folha de São Paulo, mas, também a performance seguinte, a dos mascarados.

O conceito de intertextualidade, talhado na mente fecunda do russo Mikhail Bakhtin, se volta para a produção social dos discursos. Para o semioticista,

A linguagem só vive na comunicação dialógica daqueles que a usam. É precisamente essa comunicação dialógica que constitui o verdadeiro campo da vida da linguagem. Toda a vida da linguagem, seja qual for o seu campo de emprego (a linguagem cotidiana, a prática, a científica, a artística, etc.), está impregnada de relações dialógicas. (Bakhtin, 1997b, p. 183 – grifo do autor)

O termo dialógico se refere a diálogo. Portanto, para Bakhtin, se a linguagem é utilizada por pessoas que vivem com outras em um determinado contexto e, neste sentido, cada fala, cada texto e cada pronunciamento são datados, abordam um determinado tema, dirigem-se a alguém, cada discurso é social e produzido com base em discursos anteriores. Assim,

Um membro de um grupo falante nunca encontra precisamente a palavra como uma palavra neutra da língua isenta das aspirações e avaliações de outros ou despovoada das vozes dos outros. Absolutamente. A palavra ele a recebe da voz de outro e repleta de voz de outro. No contexto dele, a palavra deriva de outro contexto, é impregnada de elucidações de outros. (Bakhtin, 1997b, p. 203)

Neste sentido, o discurso do medo aparece fortemente marcado pela voz de Serra e de seus correligionários, assim como de empresários e, até mesmo, do “mercado”, que, durante a campanha de 2002, surge em certos momentos como uma divindade que paira sobre os indivíduos, pronta para os castigar caso eles tomem a decisão errada, ou seja, se

escolherem o candidato do PT pode haver fuga de investidores, agravamento da crise econômica, desemprego e ruína.

2.2.1.2 A performance dos mascarados

Na cena seguinte, três pessoas, que utilizam máscaras de monstros, comumente usadas por crianças, realizam performances orais exageradas, visivelmente teatrais (em seu sentido pejorativo). Eles pronunciam frases de efeito contra o Partido dos Trabalhadores e, imperativamente, ordenam que o espectador não vote no PT. Em seguida, os dois mascarados que estavam nas extremidades se retiram, restando o que estava no meio. Este retira a máscara: é uma mulher. Ela fala em tom sério, demonstrando, por meio do raciocínio lógico22, que os adversários de Lula, personificados na candidatura de Serra, tentam fazer com que a população tema Lula e o PT. Ela reverte a situação de medo: se Serra e seus partidários e aliados tentam amedrontar a população para que Lula não vença, é porque, de acordo com sua argumentação, na verdade, são eles que temem a vitória do PT. Eles temeriam perder o poder (já que “só brigam por eles” mesmos, “só brigam por poder e dinheiro”). Nesse sentido, os partidários de Serra viveriam enganando a população para que continuassem no comando, desfrutando possibilidades sempre abertas de corrupção e tentando mostrar que Lula e o PT só estariam interessados na desordem, quando, na verdade, estes só lutariam para melhorar a vida das pessoas.

O percurso da performance é decrescente: a intensidade da tensão diminui com o passar do tempo. Da tensão dada pela ironia inicial (a demonstração patética), passa-se à argumentação lógica, pautada ainda pelo enfrentamento e pela comparação. O fragmento

22 Neste texto, sempre que utilizarmos os termos raciocínio ou argumento lógico, estamos nos referindo ao

inicia-se tenso, tendo, inclusive, uma música de fundo com melodia grave, “pesada”, retraída, e vai se tornando mais relaxado, mais calmo, com uma melodia desta vez mais aguda, expansiva, tendo em vista neutralizar a estratégia do medo utilizada pelo principal adversário, mostrando para o espectador o motivo dos ataques a Lula e ao seu partido.