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4.4 Presentasjon av empiri knyttet til forebygging

4.4.1 Drøfting av empiri knyttet til forebygging

Esta categoria reúne os aspectos convergentes referentes ao trabalho remunerado, explicitados nas falas dos voluntários da Pastoral da Criança.

A principal característica positiva referente ao trabalho remunerado, manifestada pelos sujeitos, foi o fato do mesmo ser considerado uma forma de prover a própria sobrevivência através do salário, conforme atestam os relatos a seguir:

O trabalho remunerado claro que a gente pensa mais no salário né. [...] Porque aqui (na escola) a gente sabe que é mais pelo salário, porque a gente tem a necessidade de ter o dinheiro pra fazer os pagamentos né. [...] é muito importante, apesar de pouquinho mas é importante né, se não a gente não vinha trabalhar. (Sujeito 2)

No meu trabalho remunerado é claro que a gente tem o nosso salário que vai cumprir com as nossas necessidades físicas né também e pagar nossas contas, e é a sobrevivência também, e é gratificante também por isso, e eu gosto muito do meu trabalho também. (Sujeito 4)

[...] no trabalho da escola é uma coisa, é uma valorização diferente, eu faço mais pelo financeiro e tudo mais. (Sujeito 5)

Ah com certeza eu não posso negar que a remuneração é importante porque com ela a gente tem a subsistência né, mas também essa troca com o público é muito importante. (Sujeito 8)

A necessidade do salário como forma de prover a subsistência é uma característica marcante do sistema econômico vigente. Este sistema, o capitalismo, tem como objetivo a aquisição ilimitada de lucro por parte do detentor do capital e dos meios de produção, e a força de trabalho do trabalhador é quem gera os lucros para o capitalista. O trabalhador recebe, em troca do trabalho, um salário. Em síntese, o capital compra a força de trabalho e paga, em troca, o salário (MARX, BORCHARDT, 1967). Neste sentido, o trabalho garante a segurança e a autonomia, ou seja, o salário que ele propicia permite prover as necessidades de subsistência, dá um sentimento de segurança e possibilita ser autônomo e independente e satisfaz as suas necessidades de sobrevivência.

Outra característica positiva ressaltada pelos sujeitos é o relacionamento interpessoal que o trabalho proporciona:

Eu gosto de trabalhar, porque é muito bom a gente trabalhar. O que tem de bom é tá no convívio de outras pessoas, eu gosto de tá junto com outras pessoas, porque o salário não me satisfaz muito não, mas eu gosto de tá junto com outras pessoas, de partilhar, de ajudar (Sujeito 2).

O meu trabalho como agente comunitária é gratificante também, como eu já falei no início, porque trabalha com famílias e a cada vez que a gente consegue visitá-las também, porque eles aceitam muito bem a gente em casa, tem muitas crianças que falam: ah lá vem minha médica, porque a gente chega lá e conversa com a mãe, a mãe desabafa e diz o que a criança tá sentindo e a gente tá aconselhando ali o que se pode fazer na alimentação também. [...] então essas coisinhas assim, aí as crianças escutam isso e já acham que a gente é a médica. (Sujeito 4)

O meu trabalho remunerado, representa assim, representa um canal pra tá com o povo, representa o elo que eu sempre quis com a minha comunidade, representa o laço que eu sempre quis ter, eu já tinha né, eu já gostava e tudo, mas com esse trabalho também eu tive a oportunidade de tá mais na casa da pessoa, de conhecer mais os problemas, eu começo a fazer parte da vida dessas pessoas. [...] tô tendo a oportunidade de tá próxima das pessoas que eu cresci e poder ajudar as pessoas com que eu cresci (Sujeito 7)

Como o trabalho é um aspecto inerente à condição humana, o mesmo se torna uma ação essencial para estabelecer a relação entre sujeitos, e destes com a natureza e a sociedade. De modo que o trabalho é uma atividade de fundamental importância para a vida do homem, pois, representa a ação do homem para

sobreviver e realizar-se, uma vez que está na base de toda a sociedade. Além disso, estabelece formas de relação e interação entre os indivíduos, entre as classes sociais, criando relações de poder e propriedade e determinando o ritmo do cotidiano das pessoas.

Antunes (2004) afirma que o trabalho é fundamental na vida humana porque é condição para sua existência social, pois, através das relações interpessoais estabelecidas através do trabalho, o homem se torna um ser social, e neste sentido, o trabalho se transforma num elemento central do desenvolvimento da sociabilidade humana.

Neste sentido, estudos recentes apontam que a maioria dos homens trabalharia mesmo sem precisar e as principais razões seriam: se relacionar com outras pessoas, para ter sentimento de vinculação, para ter algo a fazer, para evitar o tédio e para ter um objetivo na vida (MORIN, 2001). Portanto, o trabalho, hoje em dia, é visto de forma positiva pelo homem, além de ter um aspecto libertador.

Atualmente o trabalho deve ser visto de forma positiva pelo homem: é o que dá razão de viver, é o que dá sentido à vida. Dessa maneira, outra característica favorável do trabalho remunerado levantada pelos sujeitos foi que este dignifica o homem, no sentido de dar um objetivo para a vida, de produzir coisas úteis e de se sentir útil:

[...] todo ser humano se bem soubesse, trabalharia de alguma coisa, pois é como se diz o trabalho que dignifica o homem e a mulher também né. (Sujeito 1)

O trabalho que dignifica o homem né. É igual aquela música de Gonzaguinha “sem o seu trabalho o homem não tem honra”, não tem mesmo não. É muito bom você trabalhar. Como eu sempre trabalhei, sempre desde muito tempo, é tanto que só faltam 3 anos pra eu me aposentar, desde os meus 18 anos tenho minha carteirinha assinada, e sempre gostei de trabalhar. (Sujeito 3)

Eu acho que o trabalho é importante na vida de qualquer pessoa né, porque com o trabalho a gente se sente útil sabe. Com esse corre corre aqui do dia- a-dia na escola, essa agitação que a gente tem aqui com essas crianças é muito bom, porque o trabalho ajuda a gente viver melhor, com uma missão. (Sujeito 9).

O trabalho está atrelado a todas as dimensões da vida do homem, uma vez que representa o meio de produção, provendo a subsistência, criando sentidos existenciais ou contribuindo na estruturação da personalidade e da identidade, pois, é fator que torna o homem ser social, possibilitando relações com os outros, com o

tempo, recriando o mundo, tornando-o reconhecido e deixando impresso no mundo em que vive a marca de sua passagem (ALBORNOZ, 2004).

Para Morin (2001), um trabalho que tem sentido é um trabalho que mantém ocupado, ou seja, o trabalho também é uma atividade programada, com um começo e um fim, com horários e uma rotina diária. Ele estrutura o tempo: os dias, as semanas, os meses, os anos, a vida profissional. Ele dá sentido aos períodos de férias. É, dessa maneira, uma atividade que estrutura e permite organizar a vida diária e, por extensão, a história pessoal.

4.1.2 Categoria: Aspectos Divergentes

Esta categoria expressa os aspectos divergentes do trabalho remunerado, identificados nas seguintes falas dos entrevistados.

Uma das primeiras características negativas que surgiu em relação ao trabalho remunerado foi a obrigatoriedade de ter que fazê-lo, associado à competitividade existente entre os colegas, reforçando negativamente o clima do ambiente laboral:

É difícil, mas é uma obrigação, é sobrevivência, é um compromisso também, é compromisso, é um dever fazer porque eu escolhi essa profissão. Mas é compromisso, porque se não tiver esse compromisso a gente não consegue fazer nada. (Sujeito 5)

No meu trabalho remunerado tem muita competição, e obrigações. Porque tem muita gente que tá lá porque tem que tá, muita gente vai por obrigação, [...] a gente vê que tem pessoas que vão por obrigação, aí fica aquela competição. [...] No trabalho (remunerado) é mais assim: cada um que se vire e um querendo pisar o outro. (Sujeito 4)

A gente faz o trabalho remunerado porque é preciso né, infelizmente a gente precisa de dinheiro para viver, é uma obrigação, um dever. (Sujeito 6) [...] tem muita gente que tá exercendo um trabalho não por amor, mas porque precisa ganhar aquele dinheiro, e quando a pessoa tá ali por obrigação faz um trabalho de qualquer jeito e isso angustia muito a gente. (Sujeito 9)

[...] A disputa como um todo, tanto por querer ser melhor como pessoa, quanto desenvolver qualquer outro trabalho melhor do que o outro. Sempre querendo ser o melhor do que o outro. (Sujeito 8)

A competitividade e o individualismo são duas características evidentes no contexto laboral da atualidade, pois, com as transformações do mundo do trabalho a instabilidade diante da perspectiva de perda do emprego é um drama que

afeta a todos. Neste sentido, o homem se tornou mais egoísta, mais individualista, mais competitivo (MATTOSO, 1994).

Com relação à obrigatoriedade do trabalho remunerado, Carmo (1992), explica que o indivíduo ao nascer encontra o mundo social moldado, com seus valores estabelecidos, e passados de geração a geração, de modo que é comum para o ser humano ignorar por quê age, pensa ou sente de determinada forma; não se dá conta da maneira como uma tarefa foi determinada para ele. Muitas vezes, aceita, sem questionar, um ato ou conduta. O indivíduo não percebe que a maneira de ver, sentir e agir é resposta a um hábito cuja origem é desconhecida. Neste sentido, é uma característica natural do homem evitar mudanças que interrompam a continuidade rotineira e segura da vida.

Desse modo, o mesmo autor, levanta o seguinte questionamento: “Por que o ser humano trabalha?” E lança as seguintes respostas: a primeira resposta, a mais “natural” é para se manter vivo, ganhar dinheiro, deixar algo para os filhos ou para garantir uma boa aposentadoria. Aos poucos, porém, percebe-se que o trabalho deixa de ser um meio para se tornar um fim em si mesmo, ocupando todo o tempo do homem. Independentemente da necessidade de subsistência, para muitos é necessário trabalhar “porque todos trabalham”, “porque é normal”, “porque tem de ser assim”.

Aznar (1995), conclui esta questão da obrigação do trabalho quando afirma que a sociedade ideal é aquela onde todas as profissões se tornam, por assim dizer, passatempo.

Outro aspecto evidenciado negativamente é o valor da remuneração e/ou dos honorários recebidos, de modo que o indivíduo sofre um paradoxo, pois, ao mesmo tempo em que necessita do salário para prover a subsistência sofre com o valor recebido que é considerado baixo, conforme está explicitado nas falas a seguir:

O ponto negativo do meu trabalho aqui na escola é o salário mesmo, porque o resto eu tiro de letra. [...] Eu não ganho o que mereço, eu ganho muito pouco, pouquíssimo. (Sujeito 2)

[...] eu acho que a gente deveria ser mais né, bem remunerada. Porque é muita responsabilidade pra pouco salário. (Sujeito 4)

Eu acho que o salário poderia ser melhor um pouquinho, eu acredito que pelo que a gente faz, pela preocupação, pela dedicação que a gente tem poderia, deveria ser um pouquinho melhor. (Sujeito 5)

[...] mas em relação a questão financeira mesmo eu acho que ainda tem o que melhorar. (Sujeito 6)

[...] eu acho que a gente já foi muito mais mal pago, e hoje em dia tá melhor, nosso salário aumentou né. Claro que se eu for dizer que eu ganho o suficiente, eu acho que não. (Sujeito 7)

Com relação a dimensão trabalho remunerado, observa-se que, para os sujeitos pesquisados, este tipo de trabalho se torna importante na medida em que permite prover a subsistência, através do salário; proporciona relações interpessoais e propicia ao indivíduo o sentimento de dignidade, no sentido de dar um objetivo para a vida, de produzir coisas úteis e de se sentir útil. Já com relação aos aspectos negativos identificados pelos sujeitos são características menos impactantes quando comparados aos aspectos positivos deste tipo de trabalho.

4.2 Percepções do Trabalho Voluntário