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The Double Gyre Field

Numerical Results and Discussion

4.2 The Interpolated Velocity Field

4.2.1 The Double Gyre Field

O cooperativismo é uma forma de organização dos trabalhadores que surgiu inicialmente na Europa como forma de ajuda mútua no contexto da Revolução Industrial. Com o advento dessa revolução, a exploração do trabalho se deu de forma muito intensa com cargas horárias exaustivas e sem distinção de trabalhadores por sexo ou idade, sendo exploradas até mesmo crianças. À época, a associação de trabalhadores era proibida sob o argumento da afronta a “liberdade do trabalho”. As associações operárias surgem então de forma clandestina, como alternativa de ajuda a outros operários na sua sobrevivência e de sua família de quando pudesse acometê-los algum mal que os inviabilizasse do trabalho, tal como doença, morte, indigência ou outro infortúnio (RIOS, 2007).

De maneira geral, esse primeiro objetivo da prevenção trabalhista não se limitou, transformando-se também em questionamento a todo o sistema econômico capitalista a partir dessas maneiras de organização. Dessa forma, a formação inicial das associações, confunde- se com a própria luta dos trabalhadores (RIOS, 2007).

Dentro da perspectiva cooperativista europeia houve algumas expressões como “o socialismo utópico ou associacionista”, que contou com a representação de Charles Fourier e os falanstérios, grupo esse de pensamento que defendia a construção de comunas agrícolas onde o trabalho seria dividido conforme as aptidões de cada um e de maneira igualitária (RIOS, 2007).

Oliveira (2010), ao discutir as cooperativas populares, destaca que o cooperativismo popular nasceu e expandiu-se numa conjuntura de enfrentamento a modelos econômicos e afirma estarem essas organizações ligadas a algumas práticas comuns ao campo econômico, social e político. Ainda segundo Oliveira (2010), as cooperativas populares possuem relações estreitas com os movimentos sociais, afirmando o autor que é “fruto do amadurecimento dos movimentos social e sindical em relação à prática do cooperativismo” (OLIVEIRA, 2010, p. 255), pois a partir dos anos noventa do século passado, os movimentos passaram a enxergar de maneira mais clara esse novo cooperativismo, sobretudo enquanto forma de organização social e política.

Isso significa que nesses empreendimentos ocorre uma inversão de valores com relação aos princípios das organizações capitalistas onde ocorre a apropriação do trabalho dos que produzem pelos detentores do capital (OLIVEIRA, 2010).

No Brasil, o modelo cooperativo foi inicialmente importado e implementado pela elite e Estado, ao invés de caracterizar-se enquanto movimento de conquista operária, apresentou-se com o caráter de controle social e intervenção estatal (RIOS, 2007), o que foi denominado de “transplante cultural” (OLIVEIRA, 2010). Dessa forma, não ocorre uma mudança com relação à concentração de poder e renda do país.

O modelo cooperativo apresenta pluralidade tanto do plano sociológico como também do ponto de vista operacional. Os tipos mais recorrentes são as cooperativas de produção industrial, de produção agrícola, de serviços agrícolas, de consumo, de pesca, de crédito.

De maneira geral, podemos descrever a experiência cooperativa conforme cita Faria (2009, p. 245): “uma associação autônoma de pessoas que se unem voluntariamente para satisfazer aspirações e necessidades econômicas, sociais e culturais, por meio de um empreendimento de propriedade coletiva e democraticamente gerida”.

Desde a formação da cooperativa Rochdale Society of Equitable Pioneers na Inglaterra– a primeira e mais importante organização da história do cooperativismo – os cooperativistas fundaram uma série de princípios que são reafirmados até hoje e conforme discutidos no Congresso do Centenário da Aliança Cooperativa Internacional (ACI) realizado em 1995, em Manchester, são considerados os princípios básicos do cooperativismo (FARIA, 2009). São eles: 1) livre adesão e abertura para sócios: qualquer pessoa poderá fazer parte da cooperativa conquanto que atenda aos princípios e critérios previamente estabelecidos pelos cooperados, sem preconceitos; 2) gestão democrática: estas organizações são geridas e controladas por seus associados, todos decidindo de maneira geral e elaborando políticas; 3) participação econômica dos associados: os associados são responsáveis por contribuir com a cooperativa e controlam democraticamente o seu capital; 4) autonomia e independência: as cooperativas são controladas por seus próprios membros, por mais que mantenham relações externas com outras entidades, os princípios de independência e autonomia devem ser preservados; 5) formação e educação: as cooperativas prezam pela educação e formação de seus associados de

maneira que possam levá-los a contribuir cada vez mais com a organização; 6) intercooperação das cooperativas: as cooperativas prezam pela integração e fortalecimento de uma as outras através de trabalhos conjuntos, parceiras, etc; 7) alinhamento ao interesse da comunidade: as cooperativas prezam pelo desenvolvimento sustentável das comunidades (FARIA, 2009).

Faria (2009) aponta segundo Pontes (2005) que conforme sua finalidade, as cooperativas podem ser classificadas em três tipos: 1) cooperativas de produção de bens e serviços; 2) cooperativas de consumo e 3) cooperativas de crédito. As cooperativas de produção e ou serviços podem ser classificadas ainda em cooperativas simples – onde a finalidade refere-se à venda da produção dos próprios associados –, cooperativas mistas – vendem a produção de seus associados ou de trabalhadores externos numa relação de assalariamento, o que podemos questionar a sua classificação enquanto cooperativa, tendo em vista que, conforme nos aponta Singer (2002), a ausência de separação entre capital e trabalho é critério para a caracterização enquanto empresa solidária – e cooperativas integrais, em que a sociedade se organiza em prol de produzir o seu próprio consumo e comercializam o excedente.

As empresas solidárias por serem baseadas na igualdade de seus membros, propõem uma forma de gestão do trabalho em que inexista a separação entre os detentores do capital e os que possuem apenas a sua força de trabalho. Esse pressuposto da igualdade das pessoas é o que fundamenta uma forma distinta de gestão dos empreendimentos solidários, a autogestão (GUILLERM; BOURDET, 1976).