2. T HEORETICAL BACKGROUND
2.5. Dose-related Risk and Exposure Assessment Model
Para os modelos do preço e do seaborne, os coeficientes das variáveis endógenas com um ano de defasagem apresentaram valores positivos indicando uma relação direta entre preço e quantidade. De fato, os maiores volumes comercializados no mercado transoceânico foram acompanhados por aumentos sucessivos nos preços nos últimos anos, dois fatores que sugerem o desequilíbrio no mercado do minério de ferro.
Na equação de previsão do seaborne, o coeficiente associado ao preço apresentou um valor pequeno, próximo de zero. Isso indica que o volume negociado no transoceânico sofre pouca influência do preço do produto. Como visto anteriormente, do ponto de vista da indústria siderúrgica, a demanda de minério de ferro deve permanecer em patamar mínimo para que os fornos siderúrgicos continuem operando, tornando a demanda insensível a preço. Do lado da oferta, a baixa sensibilidade a preço pode ser interpretada com base no baixo custo fixo das minas a céu aberto de minério de ferro, que permite que o custo marginal para as mineradoras seja mais do que compensado mesmo a preços reduzidos.
O coeficiente associado ao índice da produção industrial apresentou sinal negativo para o preço, ao contrário do que era previsto. Esperava-se que a relação entre esta variável explicativa e o preço do minério de ferro fosse positivo, como ocorreu no modelo do seaborne, uma vez que a industrialização é um processo que estimula a demanda por minério de ferro, influenciando elevações nos preços. No entanto, como o índice utilizado era composto por países integrantes da OECD – países com grau de desenvolvimento já avançado após 1980, ano de início da análise – com adição do índice da produção industrial da China, pode-se ter excluído o efeito do crescimento industrial de outros países em desenvolvimento, também importantes na análise.
O preço do petróleo revelou-se diretamente proporcional tanto ao preço quanto ao volume do minério de ferro. Esta variável tinha o objetivo de representar uma parcela dos custos com o transporte do minério de ferro no mercado transoceânico. Apesar dos custos de transporte serem incorridos pelo comprador (geralmente as
vendas são realizadas FOB), ainda que se elevem, o preço e a quantidade também se elevarão. Este pode ser mais um sinal do aquecimento da demanda pelo produto.
3 . PROJEÇÕES
Neste capítulo serão realizadas projeções das variáveis exógenas do modelo – produção industrial e Brent – para concluir-se sobre o preço e quantidade do minério de ferro no mercado transoceânico, de 2008 a 2012.
O índice de produção industrial será projetado conforme a regressão desta variável contra a taxa de crescimento do PIB mundial, segundo o método de mínimos quadrados ordinários5, dada por:
dlog(PIt) = c + * dlog(PIBt)+ t (a)
Onde,
c = -0,047299 2,366868
Acredita-se que o ritmo de crescimento dos países em desenvolvimento permanecerá elevado até 2012, acima da média dos últimos dez anos, contribuindo de forma positiva para o crescimento do PIB mundial. São apresentados na Figura 13 os valores assumidos para as futuras taxas de crescimento do PIB mundial e os valores correspondentes do índice de produção industrial, segundo a equação (a):
Figura 13: Taxa de produção industrial projetada
Crescimento do PIB
Mundial (%) Índice PIB Mundial Índice Produção Industrial (PI) 2008 3,6% 396,69205 297,0181 2009 4,2% 413,353116 312,2709 2010 3,9% 429,473887 326,0742 2011 3,8% 445,793895 339,7125 2012 3,7% 462,288269 353,1148
Para a segunda variável exógena, o Brent, foram assumidos valores crescentes até 2012, quando, em termos reais, atinge em média US$ 89,60 o barril. Para o PPI, índice de inflação em dólares americanos, assumiram-se aumentos de 2,5% em 2008 e 2,0% anuais de 2009 a 2012, conforme demonstrado na Figura 14.
Figura 14: Projeção dos preços do Brent nominal e real
Brent nominal
(US$/barril) (US$/barril) Brent real (%) PPI
2008 87,14 85,01 2,5%
2009 88,91 85,04 2,0%
2010 91,70 85,98 2,0%
2011 95,09 87,41 2,0%
2012 99,41 89,59 2,0%
Dadas as premissas de projeção de produção industrial e preços do petróleo, a Figura 15 apresenta os valores projetados para o preço e o volume de minério de ferro no mercado transoceânico de 2008 a 2012.
Figura 15: Projeção do preço e do seaborne do minério de ferro
Preço nominal do minério de
ferro Seaborne
US$/Fe % Milhões toneladas %
2008 97,34 19,5% 825,7 5,2%
2009 109,24 12,2% 875,0 6,0%
2010 120,69 10,5% 924,0 11,9%
2011 132,04 9,4% 973,0 5,3%
2012 143,74 8,9% 1022,1 10,6%
A Figura 16 apresenta os gráficos das séries observadas, comparando-as com as séries previstas pelo modelo sugerido.
Figura 16: Preço e seaborne: Realizado x Previsto 0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 1980 1982 1984 1986 1988 1990 1992 1994 1996 1998 2000 2002 2004 2006 U S $/ F e un it LMFREAL_realizado LMFREAL_previsto 0 100 200 300 400 500 600 700 800 900 1980 1982 1984 1986 1988 1990 1992 1994 1996 1998 2000 2002 2004 2006 M ilh õe s de to ne la da s LSEABORNE_realizado LSEABORNE_previsto
É importante mencionar que o modelo antecipou um movimento de forte alta nos preços a partir do ano 2000, antes que eles ocorressem, fazendo com que os dados previstos descolassem do realizado. Em 2007 dos dados previstos voltaram a se aproximar do preço realizado.
Figura 17: Gráfico de resíduos -0.2 -0.1 0.0 0.1 0.2 0.3 80 85 90 95 00 05 LPRECOMF Residuals -0.12 -0.08 -0.04 0.00 0.04 0.08 80 85 90 95 00 05 LSEABORNE Residuals
CONCLUSÕES
Este trabalho procurou apresentar um modelo que fosse capaz de prever os movimentos do preço e do volume negociado de minério de ferro no mercado transoceânico, contribuindo para o entendimento de como essas variáveis se relacionam mutuamente, além de fornecer uma interpretação para influência das taxas de crescimento econômico mundial sobre ambas.
O modelo VAR apresentou bom poder explicativo, mostrando grande aderência entre os dados previstos e os observados, apesar do modelo de previsão do seaborne não ter apresentado variáveis estatisticamente significativas.
O modelo apresentou alguma deficiência no poder de previsão do preço do minério de ferro a partir do ano 2000, quando parece ter havido um “atraso” que causou uma defasagem no ajuste dos preços. Os preços do mercado se recuperaram bruscamente em 2005, quando foi estabelecido um aumento no preço de referência de 71,5%, não sendo acompanhados pelos valores previstos pelo modelo.
A negociação de preços que vigorarão em 2008 já foi concluída, determinando um aumento de 65% frente ao preço de referência de 2007, enquanto o preço previsto pelo modelo teria apenas 19,5% de aumento. Desta forma, constata-se que o poder de previsão do modelo no curto prazo é limitado.
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