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Donald W. Winnicott

Kapittel 2: Egopsykologi og objektrelasjonsteori

2.5. Donald W. Winnicott

O ambiente familiar em que o indivíduo cresce desempenha um papel fundamental

para o seu adequado desenvolvimento físico e psicológico, servindo de modelo de

referência futuro. As crianças que vivem num ambiente familiar regido por sentimentos

de afectividade, segurança e estabilidade, tendencialmente tornam-se mais seguras,

confiantes e com uma maior capacidade de adaptação às diversas situações (Brás,

2008). Contrariamente, quando o ambiente familiar não reúne as características

indispensáveis para o crescimento adaptativo da criança, não recebendo esta o carinho,

apoio e protecção de que necessita, existe uma acrescida probabilidade de que quando

adulta seja incapaz de sentir e transmitir segurança (Bowlby, 1973/1984b).

Apesar de a família ter um papel decisivo na construção histórica da realidade e da

representação moderna do conceito de infância, sabe-se que, na realidade, actualmente é

dentro de casa, num cenário familiar, que os maus-tratos são mais frequentes e

perigosos (Almeida, André, & Almeida, 1999).

Neste sentido, Penfold (2005; citado por Martins, 2009) refere que a criança pode ser

exposta à violência de forma directa, quando o abuso recai directamente sobre si, ou

indirecta quando esta é testemunha e observadora de actos violentos.

Assim sendo, a exposição a actos de violência no seio do agregado familiar, pode

constituir um factor de risco para a vitimização indirecta da criança (Machado,

Gonçalves, & Vila-Lobos, 2003), uma vez que, como aponta Sani (2003; 2006) crianças

que experienciam situações de abuso físico ou sexual por parte dos pais referem, muitas

O facto de a criança testemunhar frequentemente conflitos familiares, sejam eles de

natureza física ou verbal, especialmente entre os progenitores, representa um factor de

risco no seu desenvolvimento, no sentido em que prejudica gravemente o seu bem-estar

emocional (Sani, 2003).

Tal como refere Sani (2003), a violência interparental “é frequentemente recorrente e

crónica e tende a ocorrer sobretudo em casa, um espaço normalmente reconhecido pela criança como um local de segurança e protecção”, não obstante tanto a vítima directa

como o ofensor “são pessoas com as quais a criança tende a identificar-se e a querer

como figuras de suporte” (p.100), o que, consequentemente irá impor um maior impacto

na testemunha.

O impacto deste testemunho, articulado a factores como a proximidade,

familiaridade e relacionamento com o perpetrador do maltrato e a vítima, tem a si

associados problemas comportamentais e emocionais idênticos aos apresentados por

crianças vítimas de abuso directo pelos progenitores (Martins, 2009). A este nível Sani

(2003), salienta que “a violência a que as crianças assistem pode alterar as suas trajectórias desenvolvimentais ao longo do tempo” (p.99).

Não obstante a criança que testemunha este tipo de violência acaba, muitas vezes,

por ser ela própria alvo de violência, experienciando situações como por exemplo, ver a

própria mãe ser ameaçada quando está consigo ao colo, ser tida como refém para forçar

a mãe a voltar para casa, ser abusada fisicamente para atingir a vítima, ou ser usada

como espia e interrogada acerca das actividades da mãe (Sani, 2006).

Estas experiências, apesar de não deixarem marcas físicas visíveis, acarretam sérios

problemas nas crianças e adolescentes, aos níveis emocional, cognitivo e

saúde mental em geral e especificamente a adopção de condutas suicidas (Alberto,

2010; Saraiva, 1999; Yang & Clum, 1996).

Neste sentido, num estudo realizado por Martins (1990), com sujeitos que haviam

tentado suicidar-se, verificou-se que 51,9% apontaram a família como a causa da

tentativa de suicídio.

Garber e colaboradores (1998), ao realizarem um estudo longitudinal de um ano,

com uma amostra de 240 pré-adolescentes e respectivas mães, verificaram que um bom

ambiente familiar pode constituir um factor de protecção face à ideação suicida que

merece especial atenção. Por outro lado, os mesmos autores evidenciaram que

ambientes familiares hostis e disfuncionais incrementam a probabilidade do

desenvolvimento de ideação suicida entre os jovens.

Por seu turno, Ursoniu e colaboradores (2009), num estudo com 2908 adolescentes,

apontam o presenciar de abusos físicos e/ou verbais no seio familiar como um dos

factores mais fortemente associados à realização de tentativas de suicídio.

Outro dos factores apontado na literatura como acontecimento de vida negativo

relacionado com o ambiente familiar e que reflecte um risco acrescido de morbilidade

mental na criança e no adolescente é o divórcio ou separação dos

progenitores/cuidadores (Marcelli, 2005).

A separação parental leva a que a criança/adolescente viva mudanças constantes nas

experiências de vida diárias, no funcionamento familiar e nas relações interpessoais

entre os seus membros (Moura & Matos, 2008), o que implica que haja um contínuo

processo de adaptação que, caso não seja adequadamente realizado, pode originar

A separação ou divórcio parental não deve ser tido como um acontecimento único e

isolado, com determinada duração, mas sim como uma sucessão de experiências que

levam a constantes mudanças em todo o sistema familiar (Moura & Matos, 2008).

Assim sendo, Marcelli (2005) refere que o desentendimento ou conflito parental

representa um factor de morbilidade acentuadamente superior ao divórcio, sendo que

mais do que o divórcio em si, a natureza do desentendimento/conflito e a posição da

criança em relação ao mesmo, constituem um importante factor de risco no que

concerne à eventual evolução de psicopatologias.

Outro dos factores de risco para a saúde mental e para a adopção de condutas

suicidas descrito na literatura prende-se ao alcoolismo parental, que constitui um agente

de instabilidade e deterioração familiar (Marcelli, 1998/2005; Saraiva, 1999).

Yang & Clum (1996), no seu modelo explicativo do suicídio, referem que tanto os

conflitos e separações no seio familiar como o alcoolismo parental representam um

sério factor de risco para a eclosão de condutas suicidas tanto em crianças como em

adultos.

A investigação ao nível do papel fulcral que desempenham os acontecimentos de

vida negativos, experienciados precocemente, no desenvolvimento de condutas suicidas

refere ainda, que estes desempenham pois um papel moderador, sendo que é de

acrescida importância perceber quais os factores mediadores de ordem cognitiva entre

estas duas variáveis. Assim sendo, o presente estudo focar-se-á no papel específico da

Capítulo III – Desesperança