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Antes de se apresentar o modelo final proposto, optou-se por apresentar dois modelos parcelares: o modelo de procura de informação e o modelo de intenção de compra online de seguro automóvel. Isto deve-se não só a uma questão de boa prática metodológica e para apreender as relações de uma forma aprofundada, mas também para contrapor o modelo de procura com o modelo de intenção de compra, tema relevante de acordo com a revisão bibliográfica.

6.3.1 Os modelos estruturais em análise

São então analisados três modelos estruturais:

1. Modelo com a Procura de Informação Online de seguro automóvel como variável dependente

2. Modelo com a Intenção de Compra Online de seguro automóvel como variável dependente

3. Modelo com a Procura de Informação Online como antecedente da Intenção de Compra Online e as 8 variáveis latentes com efeito direto na Procura de Informação (e por essa via, indireto na Intenção de Compra) e direto na Intenção de Compra – correspondente ao modelo proposto.

A figura 6.1 apresenta o diagrama da componente estrutural destes 3 modelos. Os modelos globais encontram-se no anexo 6, quer com as estimativas para os coeficientes de regressão numa solução completamente estandardizada, quer com os valores-t.

167 Figura 6-1: representação dos 3 modelos em teste

Modelo 1

Modelo 2

168 6.3.2 Resultados obtidos para as relações estruturais

Para uma melhor apreensão, analisam-se em conjunto os três modelos.

Analisando os valores-t associados aos coeficientes de regressão, verificam-se quais as relações entre as variáveis latentes que são estatisticamente significativas:

No modelo 1 (impacto na procura de informação):

 Perceção de utilidade, atratividade de preço, envolvimento e perceção de

facilidade de uso (com a ordenação a corresponder à ordenação da magnitude

do impacto). Todos têm impacto positivo, ou seja, quanto mais ocorrerem, maior o impacto positivo na procura de informação online.

No modelo 2 (impacto na intenção de compra):

 Perceção de utilidade, atratividade de preço, confiança e lealdade (com a ordenação a corresponder à ordenação da magnitude do impacto). São todos positivos, no sentido de quanto mais ocorrerem, maior o impacto positivo na intenção de compra online de seguro automóvel, exceto na lealdade, que é o efeito (esperado) negativo, ou seja, quanto maior a lealdade, menor a intenção de compra

Modelo 3 (procura de informação como antecedente da intenção de compra e todas as variáveis latentes com impacto direto na intenção de compra e indireto via “procura de informação”):

 As relações entre as oito variáveis latentes e a procura e a intenção de compra, mantiveram-se estatisticamente significativas quando se juntaram os modelos, confirmando a estabilidade dos resultados.

 Com a “junção” dos modelos, a relação entre a procura de informação e a intenção de compra deixou de ser estatisticamente significativa.

169 Note-se que foi elaborado um modelo intermédio (anexo 6) em que se o antecedente da intenção de compra for apenas a procura de informação (e sem o efeito direto das 8 variáveis latentes), o impacto da procura de informação na intenção de compra é estatisticamente significativo. Este modelo, juntamente com a base teórica, fundamenta a opção de deixar a relação no modelo final proposto. Este resultado é muito interessante pois evidencia o seguinte: se se postulassem os constructos com impacto na intenção de compra somente por efeito indireto por via da procura de informação, não se destrinçariam os efeitos face às variáveis a explicar. Essa é justamente um dos valores acrescentados da presente investigação, de testar “tudo com tudo” por forma a triar convenientemente o que tem efeito por via da procura de informação vs efeito direto na intenção de compra.

O R2 (Squared Multiple Correlations for Structural Equations) representa a proporção da variância de uma variável latente que é explicada pelo sistema de equações. Nos modelos parcelares, o valor de R2 do SEM da procura, é de 0,52, e o da intenção de compra é de 0,73. Quando os dois modelos “se juntam” no modelo 3, os valores de R2 mantêm-se os mesmos, mostrando a estabilidade dos resultados. Tendo em consideração o fenómeno em causa, de comportamento de consumidor, consideram-se os valores bastante bons.

É relevante analisar as medidas de qualidade de ajustamento dos 3 modelos globais considerados; apresentam-se numa tabela de forma comparativa entre os 3 modelos.

170 Tabela 6-11: Medidas de Qualidade de Ajustamento

Medidas Modelo 1 - "Procura" Modelo 2 - "Compra" Modelo 3 - "Procura e Compra" Degrees of Freedom 314 314 369

Chi-Square Corrected for Non- Normality (P = 0.0)

1128.98 1380.13 1696,08 Root Mean Square Error of

Approximation (RMSEA)

0.044 0.048 0.048

Expected Cross-Validation Index (ECVI)

1.55 1.65 1.89

Model AIC 1312.43 1365.55 1512.04

Normed Fit Index (NFI) 0.98 0.98 0.98

Comparative Fit Index (CFI) 0.99 0.99 0.99

Incremental Fit Index (IFI) 0.99 0.99 0.99

Standardized RMR 0.045 0.048 0.049

Goodness of Fit Index (GFI) 0.86 0.85 0.84

Adjusted Goodness of Fit Index (AGFI) 0.81 0.80 0.79 Parsimony Goodness of Fit Index

(PGFI)

0.66 0.65 0.66

O RMSEA representa um bom ajustamento, tendo em consideração o limiar de 0.05, de acordo com a literatura referenciada. Os valores obtidos são de 0.044 (modelo 1) e 0.048 (modelo 2 e 3). Considera-se que a análise deste indicador revela uma boa qualidade de ajustamento, mas sem ser exaustivo, é relevante aprofundar a análise de outras medidas de qualidade de ajustamento.

Veja-se por exemplo os valores do NFI, CFI ou IFI, todos acima dos recomendados 0.95 (0.98 no primeiro e 0.99 nos restantes), ou do SRMR, que pela literatura deve ter abaixo de 0.08, e que é entre 0.044 e 0.049.

Nas medidas da qualidade de ajustamento, consideram-se que os valores encontrados verificam um bom ajustamento do modelo aos dados.

Apresenta-se na figura 6.2 as estimativas dos coeficientes do terceiro modelo (o global), numa solução estandardizada, sendo que os outputs do Lisrel dos três modelos (global e

171 dois parcelares) constam no anexo 7 (quer com as soluções estandardizadas, quer respetivos valores-t).

Figura 6-2: Diagrama Conceptual do Modelo Estrutural Final Proposto