• No results found

Este capítulo é reservado à análise e discussão das informações obtidas por meio de questionários e entrevistas junto aos professores de uma instituição de ensino superior privada na cidade de São Paulo. Para tanto, foi adotada uma pesquisa qualitativa com subsídios da pesquisa quantitativa, num estudo analítico, descritivo e interpretativo de investigação.

No que se refere à natureza das fontes, além da pesquisa de campo empreendida, este trabalho pode ser caracterizado como uma pesquisa bibliográfica, prática que permeou toda sua extensão. Para Severino,

Pesquisa bibliográfica é aquela que se realiza a partir do registro disponível, decorrente de pesquisas anteriores, em documentos impressos como livros, artigos, teses etc. Utiliza-se de dados ou de categorias teóricas já trabalhados por outros pesquisadores e devidamente registrados. Os textos tornam-se fontes dos temas a serem pesquisados. O pesquisador trabalha a partir das contribuições dos autores dos estudos analíticos constantes dos textos (SEVERINO, 2012, p. 122).

Quanto aos objetivos, esta pesquisa pode ser classificada como interpretativa, posicionada dentro de uma metodologia qualitativa, pretendendo que os sujeitos apontem os conflitos e contradições existentes na Universidade, apoiando a demarcação teórica apresentada nos primeiros capítulos da dissertação.

Quanto à estratégia de pesquisa, foi estabelecido o uso da metodologia de análise de conteúdo manifesto ou latente, as significações explícitas ou ocultas, visando compreender criticamente o sentido das comunicações. (CHIZZOTTI, 2006). Essa metodologia se caracteriza pelo

[...] tratamento e análise de informações constantes de um documento, sob forma de discursos pronunciados em diferentes linguagens: escritos, orais, imagens, gestos. Um conjunto de técnicas de análise das comunicações. Trata-se de se compreender criticamente o sentido manifesto ou oculto das comunicações (SEVERINO, 2012, p. 122).

“Lavar as mãos em face da opressão é reforçar o poder do opressor, é optar por ele” (FREIRE, 2003, p. 112).

Para Chizzotti, a análise de conteúdo pressupõe

que um texto contém sentidos e significados, patentes ou ocultos, que podem ser apreendidos por um leitor que interpreta a mensagem contida nele por meio de técnicas sistemáticas apropriadas. A mensagem pode ser apreendida, decompondo- se o conteúdo do documento em fragmentos mais simples, que revelem sutilezas contidas em um texto. Os fragmentos podem ser palavras, termos ou frases significativas de uma mensagem (CHIZZOTTI, 2010, p. 115).

Quanto às técnicas, esta pesquisa fez uso de questionários e entrevistas, aplicados em momentos distintos. O objetivo do uso de questionários na primeira fase da pesquisa de campo era obter respostas que permitissem apresentar um panorama do pensamento dos professores participantes, de modo que todos pudessem responder itens padronizados, não havendo espaço para negociação ou esclarecimento do significado de determinado item que compunha os questionamentos.

Conforme Severino, os questionários são um conjunto de questões

sistematicamente articuladas, que se destinam a levantar informações escritas por parte dos sujeitos pesquisados, com vistas a conhecer a opinião dos mesmos sobre os assunto em estudo. As questões devem ser pertinentes ao objeto e claramente formuladas, de modo a serem bem compreendidas pelos sujeitos. As questões devem ser objetivas, de modo a suscitar respostas igualmente objetivas, evitando provocar dúvidas, ambiguidades e respostas lacônicas (SEVERINO, 2012, p. 125).

Outro objetivo importante nesta etapa inicial era que, com os resultados obtidos nos questionários, fossem selecionados sujeitos para uma pesquisa mais detalhada, na qual pudessem expor de forma mais clara suas ideias e sentimentos, se expressando de maneira livre e descontraída. Desse modo, na segunda fase da pesquisa de campo, decidimos entrevistar alguns professores participantes do questionário inicial.

No que se refere à entrevista, Severino afirma que

[...] é a técnica de coleta de informações sobre um determinado assunto, diretamente solicitadas aos sujeitos pesquisados. Trata-se, portanto, de uma interação entre pesquisador e pesquisado, muito utilizada nas pesquisas das áreas das Ciências Humanas. O pesquisador visa apreender o que os sujeitos pensam, sabem, representam, fazem e argumentam (SEVERINO, 2012, p. 124).

Para Szymanski,

[...] a entrevista face a face é fundamentalmente uma situação de interação humana, em que estão em jogo as percepções do outro e de si, expectativas, sentimentos, preconceitos e interpretações para os protagonistas: entrevistador e entrevistado. Quem entrevista tem informações e procura outras, assim como aquele que é

entrevistado também processa um conjunto de conhecimentos e pré-conceitos sobre o entrevistador, organizando suas respostas para aquela situação. A intencionalidade do pesquisador vai além da mera busca de informações; pretende-se criar uma situação de confiabilidade para que o entrevistado se abra. Deseja instaurar credibilidade e quer que o interlocutor colabore, trazendo dados relevantes para seu trabalho. A concordância do entrevistado em colaborar na pesquisa já denota sua intencionalidade – pelo menos de ser ouvido e considerado verdadeiro no que diz – o que caracteriza o caráter ativo de sua participação, levando-se em conta que também ele desenvolve atitudes de modo a influenciar o entrevistador (SZYMANSKI, 2011, p. 12).

A fase de entrevistas ocorreu por meio de uma apresentação formal do trabalho de pesquisa e seus objetivos, organizada de maneira semi-estruturada, isto é, com a utilização de um roteiro pré-elaborado.

Para Moreira e Caleffe,

A entrevista semi-estruturada representa, como o próprio nome augere, o meio- termo entre a entrevista estruturada e a entrevista não-estruturada. Geralmente se parte de um protocolo que inclui os temas a serem sugeridos na entrevista, mas eles não são introduzidos da mesma maneira, na mesma ordem, nem se espera que os entrevistados sejam limitados nas suas respostas e nem que respondam a tudo da mesma maneira [...] (MOREIRA e CALEFFE, 2008, p. 169)

Ao usar a entrevista semi-estruturada, é possível exercer um certo tipo de controle sobre a conversação, embora se permita ao entrevistado alguma liberdade. Ela também oferece uma oportunidade para esclarecer qualquer tipo de resposta quando for necessário, é mais fácil de ser analisada do que a entrevista não-estruturada, mas não é tão fácil quanto a entrevista estruturada (MOREIRA e CALEFFE, 2008, p. 169).

A pesquisa de campo desta dissertação foi realizada na instituição de ensino superior em que atuo desde 2005. Trata-se de uma faculdade particular de grande porte localizada na cidade de São Paulo. Com 44 anos de existência e oferecendo 47 cursos de graduação, 41 cursos de tecnologia, 150 de especialização e MBA e 2 de mestrado, atualmente conta com aproximadamente 90 mil alunos matriculados, distribuídos em 8 campi. O fato de ser professor desta instituição há 8 anos favoreceu o acesso aos sujeitos e proporcionou um clima de entrevistas descontraído, em que os professores puderam expor suas considerações sobre suas práticas e relações que construíam com seus alunos, colegas e administração escolar.

As duas fases foram realizadas com os docentes dos cursos de Arquitetura e Urbanismo, Desenho Industrial e Desenho de Moda, cursos oferecidos no campus em que leciono. Antes de ser realizada, a pesquisa de campo foi submetida ao Comitê de Ética da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, sendo aprovada em outubro de 2012

(Protocolo de Processo CAAE 07392212.7.0000.5482).A primeira fase foi realizada no mês de outubro de 2012, por meio de um questionário distribuído a 20 professores. O questionário preparado previamente encontra-se no apêndice 1, página 141, e foi respondido por 20 pessoas. Era composto por 7 questões que visavam obter informações sobre o perfil do professor e posteriormente sobre suas práticas e percepções sobre a educação. A segunda fase da pesquisa de campo ocorreu no mês de novembro de 2012 e foi composta por entrevistas a 7 professores, também preparada antecipadamente e encontra-se no apêndice 2, página 143 desta dissertação.