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A década de noventa revelou-se bastante importante no âmbito do programa espacial chinês: a experiência ganha no lançamento de satélites, que até ai tinham sido experimentais, começou a dar frutos e formou uma base sólida para que se desenvolvessem satélites cuja utilidade mais abrangente serviria de forma eficaz as comunicações, a meteorologia assim como a capacidade de detecção remota ou seja, a capacidade de adquirir informação em pequena ou grande escala sobre um dado objecto ou fenómeno através por exemplo do uso desses satélites [EASR, 2008:21].

A China começou também a providenciar serviços de lançamento de satélites a Países terceiros, entre os quais se encontravam satélites civis para comunicações da Austrália e dos Estados Unidos (aquando o levantamento do embargo sobre a tecnologia militar dos EUA à China) [idem].

Em 1992 a China dá início ao Projecto “921”, destinado a demonstrar a vontade da China em levar um astronauta nacional ao espaço [CRS Report, 2008,3]. O Programa

Shenzou (Veículo Divino) lançaria a 21 de Novembro de 1999, quarenta e nove dias

depois da data prevista, a primeira nave experimental não tripulada a Shenzou I, semelhante em parte à Russa Soyuz, embora os Chineses envolvidos na sua construção insistam no facto de o seu fabrico ser totalmente chinês [Annual Report to Congress, 2007:28]. O veículo reentrou na atmosfera com sucesso após fazer a órbita da Terra catorze vezes, aterrando a 415km do lugar original de lançamento [nasa.gov.com, 2009].

II.5 – De 2000 à actualidade

Outras três Shenzou foram lançadas com o propósito de servirem de teste, até ao primeiro veículo verdadeiramente tripulado.

A 10 de Janeiro de 2001, a Shenzou 2 efectuou 108 órbitas em seis dias, até que a separação das suas componentes deixou para trás o módulo orbital – que como o nome indica se trata da única parte que ficará em órbita – durante mais nove meses enquanto os quais se levaram a cabo uma série de testes de sistemas de suporte à vida com várias espécies de animais a bordo [Murray & Antonellis, 2003:647].

A 25 de Março de 2002 é a vez da Shenzou 3 ser lançada, transportando consigo um simulador das funções básicas humanas, a Shenzou 3 seria recuperada uma semana apenas mais tarde sendo rapidamente seguida pela Shenzou 4 em Dezembro de 2002 [idem]. A análise destes lançamentos forneceu à China a experiência necessária para os desafios técnicos de uma eventual viagem tripulada.

O sucesso do quarto veículo no que respeita aos sistemas de manobra e de suporte de vida, fizeram antecipar o anúncio do fabrico da Shenzou 5 na abertura da semana da Ciência de Tecnologia Nacional [Ibid.]. Finalmente a 15 de Outubro de 2003 é lançada também do Deserto do Gobi a primeira nave tripulada pelas mãos do “Taikonauta” ou “Yuhangyuan” (viajante do Universo), o Tenente-coronel Yang Liwei [Dellios, 2005] A nave seria recuperada após a separação do módulo orbital e da efectivação de catorze órbitas e vinte e uma horas no espaço [cnsa.com, 2009]. A China ganhou com esta chegada tripulada ao espaço, outro lugar no pódio ao ser a terceira Nação a fazê-lo após a Rússia que começou em 1961 com Yuri Gagarin, e após os Estados Unidos que haviam começado em 1962 com Alan Shepard [nasa.com, 2009].

Em Outubro de 2000, a China já havia lançado ao longo do seu programa espacial cerca de setenta e cinco satélites, considera-se também que desde dessa data até meados de 2004 tenha lançado cerca de outros quarenta satélites com uma taxa de sucesso de cerca de noventa por cento [Livro Branco de Defesa, 2004:32]. A variedade de satélites é extensa. Em primeiro destacam-se os satélites de órbita sincrónica com o Sol (SSO’s). Ao poder viajar através do pólo sul e norte enquanto a terra gira, o satélite em órbita sincrónica com o Sol combina a altitude e a inclinação do Planeta de forma a ascender ou descender em qualquer ponto do mesmo à mesma hora solar, desta forma a iluminação desse determinado ponto na Terra será aproximadamente a mesma [Wright

et al., 2005:44]. Este tipo de satélite pode ajudar às comunicações e a recolher dados da superfície terrestre de uma forma mais precisa por se encontrar a uma altitude normalmente média ou baixa [idem].

Em segundo lugar, a aquisição de satélites GEO’s (de órbita Geostacionária) por parte da China tem permitido um percurso orbital que acompanha a velocidade da Terra enquanto a mesma gira sobre si, parecendo desta forma que o satélite permanece estático no mesmo ponto [Wright et al., 2005:43]. A órbita geostacionária é feita a altas altitudes, cobrindo por isso grandes áreas de superfície terrestre, podendo ser utilizada também no sector das telecomunicações mas a uma maior escala [idem].

Por sua vez, o desenvolvimento dos satélites oceanográficos Haiyang colocou um termo à falta de meios da China para a monitorização dos Oceanos [nsoas.gov.cn, 2009]. O primeiro HY – 1 foi lançado a quinze de Maio de 2002, e serviu numa fase inicial para que se detectassem as cores e as temperaturas dos oceanos [Idem]. A aplicação destes satélites pode vir eventualmente servir uma faceta da estratégia militar chinesa caracterizada como “próxima da água”, que pode ser considerada natural devido ao tamanho da sua costa e dadas as disputas territoriais na região [Scobell & Wortzel, 2002:7].

Por último, os satélites CBERS, desenvolvidos em conjunto com o Brasil (uma cooperação que veremos aprofundada adiante) e o sucesso quer do lançamento como do seu funcionamento, demonstram a flexibilidade da China no que respeita à aquisição de diversos tipos de tecnologia associada a satélites, mas também de exportação da mesma. A colocação quer dos satélites quer das Shenzou em órbita só se tornou possível devido à existência de três sítios de lançamento no País, nomeadamente: do Centro de Satélites de Jinquan na Província de Gansu (normalmente utilizado para o lançamento de satélites recuperáveis e das naves tripuladas), o de Xichang na Província de Sichuan (utilizado para lançar os satélites de órbita geostacionária) e o de Taiyuan na província de Shanxi (de onde se lançam os satélites que têm como destino as órbitas polares) [Johnson-Freese, 2007: 9].

No que respeita à exploração lunar, a China tem desenvolvido o que os cientistas consideram ser a “cereja no topo do bolo” do programa espacial científico, o Chang’e. Seguindo mais uma vez a tendência dos responsáveis pelo programa em atribuírem nomes míticos aos componentes espaciais desenvolvidos, o Chang’e é um programa de exploração robótica e humana da Lua [idem:15]. O Chang’e 1 lançado em Outubro de

2007, serviu para orbitar a Lua em reconhecimento, sendo que uma aterragem na Lua se encontra prevista para 2012. [ibidem].