U m a a n á l i s e d et al ha d a d os re s ul ta do s d e s t e t ra ba l ho p e r mi t e deduzir que, em relação à precisão de leitura, o aparelho Root ZX® f o i mais preciso que o NovApex®. De ac ordo com os estudo s de GROVE4 8, a cons trição apical é a regi ão onde o tecido pulpar te rmina e o te cido periodo ntal começa, po rtanto , o tecido conj untivo da porção cementária não é pu lpar. Nesse propósito, o ponto ideal, acordado entre a unanimidade do s autores, para a instrumentaç ão e obtura ção do s canais, situa-se no limite CDC, o qual, é o ponto de maior constrição do canal. Verificando a Tabela 5 e o Gráfico 1 podemos visualizar que, apesar de existir uma menor va riação na s leituras com o NovApex® , es te a pa r el h o proporcionou al gumas leituras al ém do forame apical, o mesmo não acon te cendo com o Root ZX® que manteve as leituras semp re no inte rior
do cana l radi cular. Desde os estudos de KUTTLER7 5 (1955) ficou demonstrado que o forame apical não é coincidente com o ápice radi ográfico em cerca de 80% do s casos. Seguindo os princípi os b i ol óg i c os d a p re s erv a ç ão d os tec i dos p e ri ap i c ai s d ur a nt e o t r at a me n to endodôntico segundo LEONARDO; LEAL7 9 (1998), deve-se preparar um batente ap ical em um local que não cause da no s aos tecidos pe riapicais favorecendo, as sim, a regeneraç ão desta área após o tratamento. SELTZER; BENDER; TURKENKOPF1 1 0 (1963) demonstrara m que a obturaç ão do cana l deve limitar-se à região da constrição apical aumentando, assim, os ín di ces de sucesso do trat amento endodôntico. Diante disso, deve-se considerar como melhor opção de um apa relho, a q ue l e qu e m a nt en h a s u as l ei tu r as a t é o l i m i te do c an al ra d i c ul ar dentinário, ou seja, o limite CDC, ou no mínimo, não ofereç a leituras al ém do fora me apical.
Em relação ao Root ZX®, os r es ul t ad o s o bs e rva d o s n es t e trabalho es tão acordantes com os de NGUYEN et al8 9 (1996), STEFFEN; SPLIETH; BEHR1 1 4 (1999), que não obtiveram leituras além do fo rame apical. Todavia, não es tã o em conc ordância com os resultado s de SHABAHANG; GOON; GLUSKIN1 1 1 (1996), OUNSI; NAAMAN9 4 (1999), WEIGER1 3 5 (1999), ELAYOUTI; WEIGER; LÖST3 1 (2002), MEARES; STEIMAN8 6 (2 00 2 ), WELK; BAUNGARTNER; MARSHAL133 ( 2 0 03 ) q ue encontraram leituras al ém desse fora me.
Deve ser ressal ta do que GOLDBERG et al4 3 (2002), em um estu do , simulando dentes com reabsorç ão apical, onde as leituras fo ram real izad as por três examinadores di stintos, obtivera m apenas duas leituras a l é m do f o ra me ap ic al , c om o Root ZX®. Iss o , s eg und o os p ró p ri os a u to res , ta l vez s eja de vi do à va ri aç ão na ha bil id a de e e xp e ri ê ncia do s operadores em utilizar o aparel ho
Na litera tu ra, não existe uma uniformidade de conc ordâ nc ia q u an t o ao d i â m e tr o d o i ns tr um e n t o endodôntico que deva ser utilizado nas medições elet rônicas. Au to res como STEFFEN; SPLIETH, BEHR1 1 4 (1 9 99 ) suge ri ram a utilização de limas endodônticas, no máximo, até a de nº 20.
O fabricante do Root ZX®. acon selha em seu manual, a utilização de limas n º 10 . J á o f ab ri c a nt e do NovApex® pede para que se utilize limas que se a j us te m ao ca na l.
Considerando-se as 40 leituras re al izada s, neste estu do , com o Root ZX®, em nenhum caso as limas endodônticas pa ssaram para além do fo rame apical. Es tes re sultados, como já menciona do s, não coincidem com os encontrados por SHABAHANG; GOON, GLUSKIN1 1 1 (1996) os quais, num estudo “in vivo”, mesmo utilizando a marcação de 0,5mm existent e no aparelho Root ZX®, obtiveram resultados além do forame apical, numa média de 0,269mm, em 30,77% do s casos. McDONALD8 4 (1992) re comendou a utilizaç ão de limas com calibres que se aj us ta ssem ao di âmetro apical do canal radicular, re latando que, caso contrári o, poderia oc orrer leituras incorretas na determinaç ão do comprimento do cana l. Relatou o au tor que, pequenos movimentos vert icai s nas limas podem alte rar a leitura dos localizadores apicais, numa grande magn itude. Para se evitar esse tipo de problema, sugeriu a ut ilizaç ão de limas que se aj us tem ao di âmetro do s forames , ass i m c o mo não utiliz ar li mas com diâmet ros dois números meno res que os diâmetros dos fo rames ap icai s. Os resultados encontrado s, neste trabalho, não são concordantes com as afirmações de McDONALD8 4, p o i s e m t o do s os c as os , a l i m a nº 10 e m comparação com as coincidentes com o di âmetro do fora me, sempre proporcionou leituras mais próximas do compriment o real do canal i n de p en den t e d o di âme t r o d o s e u fo r a me .
Um fato importante a se levar em consideraç ão é como sabe rmos se a lima está se ajusta ndo realmente no fo rame apical ou numa porção bem mais aquém do me smo. Pode-se te r a lima ajus tada durante o t r aj e to d o c a na l rad i c ul a r, nu m a c ur v a t u ra , ou n a c ons tri ç ã o p r o vo c ad a pela presença de um cálculo dentinári o, e não uma lima ajus tada ao forame ap ical . Esta sens ação de lima ajustada ao canal poderi a ser inte rpretada de uma forma completa mente equivocada .
O manual do fabrican te* do Root ZX® indica que se ut ilize, na m a i o ri a do s c as os , a l i m a nº 1 0 e d i z qu e “q u an do a l ei t ura a ti n gi r 0 ,5 d o
medido r, significa que a ponta da lima está próxima ao fora me apical (i sto é, uma média de 0, 2 – 0,3 mm após a cons trição ap ical , em direção ao ápice)”. Neste trabal ho, op tou-se por considerar a leitura fina l com o Root
ZX® a 0,5mm do forame, isto é, considerar-se-ia a leitura oferecida pelo
aparelho, ao marcar 0,5mm (Barra da constrição ap ical no aparel ho ), como se a extremidade do instrumento es ti ve sse a esta distância do forame ou muito próximo dela, inclusive, esta medi da deveria ser, po rt anto meno r do que aquela obtida visualment e. Observando os dados da Tabela 1, e
Gráficos 1 e 2 com relação às leituras obtidas com a lima nº 10 acoplada
a o Root ZX®, pode-se veri ficar que, em 90% da s leituras , as medições esti vera m entre 0,5mm a 1,0mm aquém do fo rame apical. Cons iderando-se os estudos de KUTL ER7 5, ond e a dis t ân ci a méd ia e nt re o c e ntro do fo ra me apical e a constrição apical ou limite CDC é, em média 0,5 a 0,6 mm, pode-se concluir que os resultados deste trabalho não foram conc ordantes com a afirmação do manual do fabricante, pois as medi da s estiveram, em geral , no nível ou aquém do que seri a a constrição ap ical (gráficos 1 e 2).
Apesar do s resultados deste trab alho não esta rem em conc ordâ nc ia com as af irmações do manual do fabricante, pode-se dizer q u e o Root ZX® fo i bastante prec iso em manter a lima no inte ri or do cana l e bastante próximo à “c onstri ção apical” que é considerado o ponto idea l para a realizaç ão do tratamento endodôntico, além de não ag redi r estrut uras do periápice.
A i n fl uê nci a do di âme t r o do f o r a m e a pi c a l s ob r e a l ei tu r a d o s localizadores apicais fo i es tudada por autore s como HUANG5 3 (1 9 87 ) , HÜLSMAN; PIEPER5 4 (1989), SAITO; YAMASHITA1 0 8 (1990), ST EIN; CORCOR AN; ZILLICH1 1 5 (1 990), WU; SHI; HUANG1 3 4 (1992), FOUAD; RIVERA; KRELL3 7 (1993), KAUFMAN; KATZ6 5 (1993), FELI PE; SOARES3 3 (1994), RAMOS; BERNARDINELI1 0 3 (1998). Os resultados de seus trabalhos demonstraram que, quanto mais amplo o diâmetro do fora me, mais coronalmente ocorri a a localização das leituras com os localizadores apicais. Es ses re sultados ta mbém foram encontrados, ne ste estudo, onde as leituras re al izadas em cana is com fora mes de diâmetro 400µm esti vera m localizada s mais distan te s do fo rame apical , numa di ferenç a
esta tisticamente sign ificante (p <0,05), com relação aos de mais fora mes. Entret an to, o es tudo de SAITO; YAMASHITA1 0 8 (1 990) não considerou que o di â metro de 40 0 µm i n fl ue nci e n a le it ura do l oc al iz ad o r a pic al .
STEIN; CORCORA N; ZILLICH1 1 5 (1990) também estuda ra m a infl uê nc ia do diâmetro do forame apical s o bre as le i tu ras d os l oc al iz ad o res apicais. Es ses autores consideraram o forame menor, o limite CDC, e a cons trição apical como send o a mesma regi ão. Ut ilizaram para a medição e l et r ôn i c a l i m as n º 1 5 o u nº 20 e o bs e rva r a m q u e, q u an t o m a i s a m plo f o i o forame, mais di stante do mesmo ficara m as medidas, o que ta mbém c o nc orda o s a ch ad os de st e t ra b al h o.
Também, os resultados ob ti do s por BERMAN; FLEISCHMAN1 0 (1984) em dentes com ápices tota lmente formados e em dentes com ápices incompleto s, mostra ra m que fo ram encontra da s medida s mais curt as para os casos de ápice incomp leto, inclusive, com uma enorme discrepâ nc ia entre dentes com ápices completamente formados e os incompleto s, com média de 0,41 mm e 3,2mm, respectivamente, aquém do forame api cal.
Ainda, quanto à infl uência do diâmet ro do forame apical na l ei t ura d os ap arel ho s SAI T O; YAMASHIT A1 0 8 (1990) não ob servaram infl uê nc ia nos valore s das leituras em dentes com forames at é 0, 420µm. As leituras tiveram alterações estatisticamente significantes à partir de forames com valore s ac ima de 0,620 µm. Neste es tudo, o fora me de diâmet ro 400µm já apres en tou dife rença esta ti sticamente significante em relação ao s fora mes de menor diâmetro. Deve ser observado que no estudo de SAITO; YAMASHITA1 0 8 (1990) foi utilizado ágar a 2%, dife rentemente deste, onde se utilizou ágar a 1%. Segundo es tudos de FOUAD; KRELL3 5 (1989) leituras obtidas em ágar na concentraç ão de 2% foram além do comp rimento real do de nt e.
C o m r e l aç ã o a o c al i b r e do i ns tr u me n to e ndo d ôn ti c o , o s resultados deste trabalho es tão concordes com os de FELI PE; SOARES3 3 (1994), trabalhan do com o Apit®. E s s es au to re s , e m bora nã o t en h a m
espe cificado os diâmetros dos fo rames e, conseqüentemen te, os calibres das limas, encontra ram leituras até 0,5mm mais curtas quando us aram instru mentos de calibres compatíveis com os di âmetros dos fora mes, do q u e as l ei tu ras propo rci on a das po r li mas nº 1 5 .
Co n t ud o, NGUYEN et al8 9 (1996) trabalhando com o Root ZX® não encontraram dife renças quando as medida s eram feitas com instru mentos de pequeno ou grande calibre, considerando -se os canais a l arg ad os . E s s es res ul t ad os p o de r i a m s e r di s c ord a nt es dos ob s e r v ad o s neste trabalho. Todavia, há que ser levado em consideraç ão que a cons trição apical foi mantida nos casos aval iados por NGUYEN8 9 et al (1996) e as medi ções foram real izad as com o canal seco. Isso reforç a o racioc ín io de que o importan te é o diâmet ro do forame ou mesmo da cons trição apical e não do cana l em seu todo . Ta l raciocínio leva à dedução de que o contato en tre o el etrodo (lima) e o tecido periapical se dá via fora me e que a es pessura da dentina da pared e do canal não de ve ter infl uência na leitura elet rônica como salientaram RAMOS; BERNARDINELI1 0 3(1998).
Ou t ro as pe c to q u e a pó ia es sa d e duç ã o é a c o ncl us ão d o trabalho de FOUAD; RIVERA; KRELL3 7 (1993) que , ao avaliar as leituras real izad as pelos aparelhos , em cana is secos, observaram que o calibre do f o r a m e não p r o v oc ou q u al qu er i n te r fe r ên c i a n os re s ul ta do s . J á , qu a nd o a s leituras foram realizadas com a pres ença de Xilocaína ou hipoclorito de sódi o no interi or dos cana is a variação das medi ções fo i enorme. Este fato demonstra clarament e que o contato en tre o interior do cana l radicular e o periápice ocorre via ápice e pode ser potencializado pe la substância que preenche o cana l
HUANG5 3 (1987) já afirmava que o principi o da medição elet rônica é pu ramente fí sico e que quanto mais ampl o o fo rame, mais curt as serão as leituras , quando comparadas com o compriment o real do dente. Salientou, inclusive, que quando o fo rame for amplo a medição deve ser realizada com o canal seco.
Não há duvidas de que o calibre da lima utilizada na medição também tem a sua pa rticipação na determinaç ão de medições mais curt as, ou mais próximas do fora me.
O s r es ul ta d os e nc o n t ra do s c o m o Root ZX®, ne s te tra bal h o, corroboram essa afirmação. Assim, as medições realizadas com a lima nº 10 estivera m sempre mais próximas do forame ap ical ou do comprimento real , obtido com a medição visual, com o uso do micros cópi o. Sem dú vida, o diâmetro do fo rame infl uen ciou diretament e na extens ão das medida s, independen temente do calibre do instrumento usado para a medi ção. A
Tabela 15 mostra que houve diferenças estatísticas significantes entre as
medições feitas com a lima nº 10 e as limas correspon dentes aos calibres dos forames (200, 300 e 400µm). O gráfico 2 também ilustra esses resultados, onde se verificou que as limas de calibres correspon dentes aos di âmet ros do s fo rames, mantiveram leituras nu ma posição mais aquém do fora me do que as proporcionadas pela lima nº 10.
A presença da substânc ia irrigadora, o hipoclorito de sódio, neste caso, é de primordial importâ nc ia para que aquela relação calibre do instru mento/di âmet ro do forame ocorra , visto que medições realizadas com o canal seco não ac us aram alte rações, como af irmaram FOUAD RIVERA; KRELL3 7 (1993), HUANG5 3 (1987), NGUYEN et al8 9 (1996), embora es tes autores tenham afirmado, baseados no s trab al hos de KAUFMAN; KATZ6 5 (1993), que a falta de Na OCl não afetaria as leituras . Todavia, os mode los ut ilizados nesses trabalhos (para a imersão dos dentes), eram de gelati na sem açúcar e as medições fora m fe itas com os cana is secos ou preenchidos com água de stilada que, na sua forma n a tu r al , nã o é el et ro l ít i c a.
Assim, talvez, resultados obtidos com canais secos não sejam os melhores pa râme tros de comparação para com aqueles ob ti dos neste trabalho.
O ra ci oc ín i o le va a d ed uzi r q u e a sol uç ã o de h i po cl orito d e sódi o, preenchendo o cana l radicular, promoveria a transmissão do
impulso el étrico mais fa cilmen te, possibilitand o um contato mais direto com a região pe riapical. As sim, as três oc orrências se completariam: solução eletrolítica cond utora, di âmetro do forame e calibre do instru mento. Portanto, quanto maior o diâmet ro do fora me, maior a quantidade de solução, maior área de contat o com o periáp ice; quanto maior o calibre do instru mento, maior área de contato com a solução, cert amente , maior área de alcanc e do impu lso elétrico em direção ao forame, logo, medi ção mais curta em relação ao comprimento real ; quanto menor o calibre da lima (nº 10 por exemplo) menor área de cont at o com a solução irrigadora, menor impulso elé t ri c o , m a i or n ec es s i da d e de s e a p r o xi m a r d o f o ra m e a p i c al pa r a fe c h a r o c i rc ui to; p o r c o nse g ui nt e ; te m - s e me d iç õ es ma i s a proxi ma d as do fo ra me; c o nc orda nd o c o m HUANG5 3 (1 9 87) que o principio é fí sico.
Os resultados obtidos com o NovApex® não pe rmitem uma conclusão tão clara, nesse diapasão, como os proporcionados pelo Root
ZX®, contudo, isto já pode ser ob servado a pa rt ir do instrumento nº 40
(diâmetro do fora me, 400µm).
O NovApex® sempre proporcionou medidas mais próximas do f o r a me a pi ca l, in cl us i ve, co m c as os de medida s al ém da extensão re al . Se c o nsi d erad o cl i nic ame n t e, i st o n ã o se ria be néfic o p ara o t ratame n t o endodôntico, tanto para casos de biopulpe ctomia onde a pres ervação do coto periodontal é considerada de suma impo rtân cia para manutenção da saúde da região, como de necropu lpectomia, pois, a passagem de instru mentos contaminad os para o periápi ce, pode provoc ar a exacerba ção de um quadro, seja pelos microo rganismos ou po r tecido cont aminado, introduzidos nessa região.
A litera tura é pobre em relação a trabalhos com es te aparelho, talvez, pelo fato de ter sido lançado recent emen te no mercado. Contudo, GARCIA4 2 (2004) também observou leitura al ém do forame apical em cerc a de 6%. Nossos resultados conc ordam c om o s o bs er v a d os , n es s e t r ab alh o .