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Vida no Grupo de controlo.

O grupo de controlo é formado por sujeitos maioritariamente do sexo feminino (70%), casados (65%), sem antecedentes psicopatológicos (78%) e que nunca tomaram medicação psicofarmacológica (77%). Trata-se de uma população adulta, entre os 30 e os 60 anos e letrada (mediana de anos de escolaridade =6).

Ao analisar os resultados do grupo controlo, verifica-se que o género do controlo (feminino ou masculino) parece influenciar a percepção de queixas dolorosas relativas ao soma (queixas gastrointestinais, cardiovasculares, respiratórias), sendo o género feminino a relatar mais queixas deste foro. O estudo de Aragona, Monteduro, Colosimo, Maisano e Geraci (2008) numa população sem patologia clínica diagnosticada (n=301), cuja característica agregadora era ser imigrante, obteve dados semelhantes aos do presente estudo, através do Brief Symptom Inventory (versão reduzida do SCL-90-R utilizado no presente estudo). Os autores verificaram que o género e estado civil influenciam a percepção de queixas somáticas. Wijk e Kolk (1997) referem que a maioria dos estudos com indivíduos saudáveis apontam para diferenças de género na percepção de queixas dolorosas, de acordo com os autores estes resultados prendem-se com questões relativas ao processamento da informação. Nakao, Fricchione, Zuttermeister, Myers, Barsky e Benson (2001) apresentam um estudo onde o objectivo era verificar o efeito do género e estado civil na percepção de sintomas somáticos. Através do SCL-90-R, verificou-se que numa amostra de cerca de 1000 pacientes, é o género feminino a relatar mais

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frequentemente sintomas somáticos como fadiga, insónia, cefaleias, dor nas costas, palpitações, constipações, náuseas e tonturas. Assim, de acordo com os autores citados e com os resultados do presente estudo, ser do género feminino parece ser um indicador no relato de sintomas somáticos.

O género do controlo parece determinar a percepção de qualidade de vida, pois no nosso estudo os homens obtêm valores médios superiores em todas as escalas do MOS SF-36, com significância estatística nas Escalas Dor Corporal, Vitalidade e Saúde Mental. Um estudo desenvolvido em contexto português com o MOS SF-36 chegou a conclusões semelhantes às nossas. A autora do estudo, Karini (2009), pretendia verificar a percepção de qualidade de vida entre homens e mulheres, através da administração do MOS SF-36 a 201 sujeitos concluiu que o género masculino apresenta valores médios superiores aos do género feminino, exceptuando-se os domínios Função Social e Desempenho Emocional. No seu estudo os valores atingiram a significância estatística na Escala Função Física.

Um estudo (n= 867) realizado nos Estados Unidos da América (EUA) por Kaplan, Anderson e Ake (2001) revelou que as mulheres têm maior esperança média de vida quando comparadas com os homens contudo, quando avaliam a sua qualidade de vida (atrvés do Quality of Well-being Scale) observa-se que são também as mulheres a possuir índices de qualidade de vida mais pobres. Também o estudo de Bertakis, Azari, Helms, Callahan e Robbins (2000) corrobora os dados encontrados na presente investigação, a percepção de qualidade de vida em pessoas que frequentam o serviço nacional de saúde parece ser distinta segundo o género, sendo que as mulheres apresentam valores médios mais baixos no MOS SF-36. O estudo de Ferreira e Santana (2003) em contexto português com população saudável revelou dados semelhantes, no seu estudo, as mulheres apresentam valores médios mais baixos em todas as escalas do MOS SF-36, dados que vão de encontro ao estudo de Cohen, Forbes, Garraway (1995) desenvolvido em Inglaterra.

Quando consideramos os resultados dos sujeitos controlo, no SCL-90-R em função da idade, constatamos que os sujeitos mais velhos (> 45 anos) apresentam indicadores mais elevados de distress psicológico. Estes dados são corroborados por Pereira, Aparício, Felício e Bassitt (2007) cujos referem que os indicadores de depressão e ansiedade vão aumentando com o decorrer da idade. Segundo Forlenza e Almeira (1997), referidos por Santos, Andrade e Bueno (2009), estes indicadores comprometem a qualidade de vida dos sujeitos.

No presente estudo o grupo de controlo com idade igual ou inferior a 45 anos apresenta valores médios mais elevados nas escalas Função Física, Dor Corporal, Saúde Geral, Vitalidade e Saúde Mental do MOS SF-36 (avalia a qualidade de vida), quando comparado com o grupo de controlos com idade superior a 45 anos. O estudo de Hemingway, Stafford, Stansfeld, Shipley e Marmot, (1997) corrobora os nossos resultados,

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os autores citados através do MOS SF-36 verificaram que a população manifesta um declínio a nível da qualidade de vida com a progressão da idade pois, o estado de saúde percebido e as limitações físicas modificam-se com a idade. Os resultados do presente estudo vão de encontro aos encontrados por Ferreira e Santana (2003) pois, no estudo de validação do MOS SF-36, a escala Saúde Mental (do MOS SF-36) demonstrou-se sensível à idade ao contrário da escala Desempenho Emocional (do MOS SF-36). Castro, Caiuby, Draibe e Canziani (2003), chegaram a conclusões semelhantes. No seu estudo as escalas Função Física, Desempenho Físico, Dor e Vitalidade apresentam uma correlação negativa com a idade da amostra (n=184), sendo que pessoas mais velhas apresentam níveis médios de qualidade de vida inferiores.

Quando comparamos os resultados no SCL-90-R dos pacientes com mais de 6 anos de escolaridade e menos de 6 anos de escolaridade, verificamos que é o grupo de controlos com mais anos de escolaridade que apresenta menores indicadores de distress psicológico. Considerando a escolaridade como determinante socioeconómico, encontramos diversos estudos que corroboram os nossos resultados. Um estudo desenvolvido em contexto português (Frade & Ribeiro, 2004) constatou que são os indivíduos com menos habilitações literárias a apresentar valores médios mais elevados no General Health Questionnaire

(GHQ-28).

Choe e Kwon (2008) num estudo cujo objectivo era avaliar a qualidade de vida em contexto rural, verificaram que os factores socioeconómicos determinam a percepção de qualidade de vida pois, os indivíduos das zonas rurais, com status socioeconómico inferior apresentam valores médios inferiores de qualidade de vida comparativamente com indivíduos com um estatuto socioeconómico mais elevado. Estes dados corroboram os resultados encontrados no nosso estudo se considerarmos o nível de escolaridade um indicador socioeconómico. No presente estudo são os controlos com mais anos de escolaridade a possuir valores médios superiores no MOS SF-36, esta diferença é estatisticamente significativa para as dimensões Função Física, Dor Corporal, Saúde Geral, Vitalidade e Saúde Mental. Os dados de Castro e colaboradores (2003) vão encontro ao nosso estudo, os autores através do MOS SF-36, concluíram que quanto maior o nível de escolaridade, maior o nível de qualidade de vida. Karini (2009), ao analisar a influência da escolaridade na percepção de qualidade de vida (avaliada pelo MOS SF-36), verificou que sujeitos com o ensino superior apresentam valores médios superiores aos indivíduos sem o ensino superior, esta diferença é estatisticamente significativa para as escalas Função Física, Desempenho Físico e Vitalidade. Segundo a autora esta diferença justifica-se pelo facto de indivíduos com mais escolaridade possuírem mais facilidade no acesso a informação a nível da saúde.

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5.2. Análise e discussão dos resultados relativos às características sócio