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In document Objective inference for correlation (sider 26-31)

Assim como no Brasil, no Maranhão, quando se retrata do papel da mu- lher no período colonial, sua sensibilidade e vivência remetem-nos a uma visão in- trinsecamente vinculada ao aspecto familiar e doméstico. Neste período onde pre- domina a escravatura, o papel das mulheres não chega ser diferente do regime ado- tado aos escravos.

A mulher, por sua vez, vivia á sombra da figura masculina. A submissão da mulher ao homem era uma realidade, oriunda dos colonizadores europeus. O patriarcado determinou que as mulheres fossem inferiores e, portanto submissas aos homens. Essa ideologia colocou em oposição homens e mulheres, no que se refere à divisão sexual das tarefas influenciando o controle da sexualidade feminina. Nota-se na história que desde a antiguidade, a mulher já era submissa ao homem.

O patriarcado colocou a mulher submissa ao homem. O corpo feminino não pertencia mais a mulher, e sim, ao homem.... ele a possuía quando decidis- se.Cabia a mulher preservar-se virgem, fazer-se bela, sedutora e esperar para servir-lhe. Saía de casa da família para o casamento, momento em que a posse sobre a mulher era transferida do pai para o marido. (LINS1948-2008, p.50)

O controle estava presente em tudo, na sexualidade e no próprio ato de amamentar que era repugnado pela classe dominante, sendo absorvido pelas famí- lias como uma forma de ordem moral a ética vigente. As mulheres não amamenta- vam seus filhos, além da cultura existente nas famílias, as jovens alegavam a perda da beleza, a estética. Era comum a família contratar os serviços das amas-de-leite, uma vez que o leite era o único alimento existente na época e indispensável para sobrevivência da criança. Essa decisão era apoiada na ordem moral e ética vigente. As famílias que se acreditavam superiores ao povo não consideravam digno amamentar elas mesmas seus filhos. Se assim o fizessem estariam confes- sando não pertencer à melhor sociedade. A amamentação foi considerada ridícula e repugnante. Mães, sogras e parteiras desaconselhavam a jovem mãe de amamentar o seu filho (LINS, 1948-2008, P. 115).

A submissão predominante era observada até nos casamentos, onde o pai decidia com quem a filha iria casar, não havia uma prévia consulta à filha. As famílias visando aumentar seus poderes ou evitar o esfalecimento de suas riquezas

proporcionavam casamentos entre seus membros, uma prática comum no Brasil e no Maranhão desde a colonização perpassando a década de 80, século XX.

O perfil da mulher maranhenses dos fins do século XVIII e início do XIX estão retratados como:

Laboriosas, e industriosas: trajo com gosto, e com nobreza, e tem a louvá- vel vaidade de merecerem a preferência pela sua viveza, actividade, e pon- dunor, sobre todas as senhoras das outras províncias do Brasil. (LA- CROIX:2008, p. 57 apud GAIOSO (1818, p. 117 e 118),

Nas camadas inferiores da população, muitas mulheres livres trabalha- vam para garantir a sobrevivência e o sustento de suas famílias. A prostituição era meio de vida comum entre as mulheres pobres. O casamento não era comum entre a população livre, as pessoas viviam juntas, mas não casavam. Saia muito caro a sacramentação do matrimônio na Igreja e a colônia não oferecia outras possibilida- des de suprir as necessidades fisiológicas dessa camada da população (LOPEZ, 2008).

Em relação à vida sexual colonial, Luis Carlos Soares nos revela:

A vida sexual colonial se caracteriza por uma dupla moral, havendo, de um lado, as recatadas e enclausuradas mulheres livres e brancas e de outro, as negras entregues à volúpia e ao prazer de senhores precocemente viris. Da escolha do cônjuge ao nascimento e criação dos filhos transitaríamos de um modo austero e castro para um universo marcado pelo sexo frágil e ligações fortuitas. (SOARES, 1986, p. )

O autor, em seu artigo “Da necessidade do bordel higienizado tentativa de controle da prostituição carioca no século XIX.” onde relata o crescimento da prosti- tuição no Rio de Janeiro onde o responsável direto não foi o desequilíbrio sexual, mas a grande quantidade de homens possibilitou que muitas mulheres de camadas mais pobres da população (brasileiras sem posses, liberas e imigrantes) querendo fugir da situação de desemprego, baixos salários e miséria a que estavam confina- das, passassem a ver a prostituição como um modo de vida, de sobrevivência ou de melhor remuneração.

Muitos senhores de escravos, até as vésperas da abolição da escravatu- ra (1888) também procuraram tirar vantagem desse desequilíbrio sexual, social, o- brigando as cativas a se prostituírem durante o dia ou à noite, sobre o que lhe exigi-

am o pagamento de certa soma diária ou semanal, contribuindo assim para o cres- cimento do que chamou de exército de meretrizes da cidade.

Magali G Engel, em seu artigo “o médico, a prostituta e os significados do corpo” a sexualidade é definida como função orgânica vinculada à necessidade de reprodução da espécie. A prostituição é caracterizada pelo espaço da sexualidade pervertida. As anomalias sexuais somente foram descritas no final do século XIX, até então os médicos da prostituição, concedida como espaço da sexualidade doen- te, como lugar de perversões e a do casamento, concedido como instituição higiêni- ca e único espaço reconhecido da sexualidade sadia, defendida pela ”idéia de pra- zer comedido – nem excessivo, nem ausente -, que garante a reprodução da espé- cie e não ameaça a integridade do corpo” (ENGEL, 1986 p.169-171).

Renato Pinto Venâncio em seu artigo Nos limites da sagrada família – ile- gitimidade e casamento no Brasil Colonial (1986), Os filhos ilegítimos podem ser a- tribuídos a dois tipos de uniões: nascidos de concubinato e de ligações fortuitas ou até mesmo os filhos naturais de uma mesma mãe, dada a ausência sistemática da paternidade e as variações de sobrenomes nas atas de batismo.

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