Para a fase de coleta dos dados teve-se em mente as considerações de
Goldenberg (2000) e Rubin e Rubin (1995). Em atenção às prescrições de Goldenberg
(2000), optou-se por um roteiro compatível com a entrevista semi-estruturada. Por
conta das considerações de Rubin e Rubin buscou-se identificar, para os propósitos
desta pesquisa, quais eram as funções-chave na organização em foco a fim de se
obter conteúdo relevante. Segundo esses autores, os sujeitos selecionados devem: (a)
conhecer a arena cultural, situação ou experiência a ser estudada; (b) ter vontade de
falar e (c) ter diferentes perspectivas. Observou-se, ainda, a necessidade apontada por
Eisenhardt (1989) de que a pergunta da pesquisa deve ser orientadora dos critérios de
seleção. Desta forma, visando apreender a percepção dos empregados, além de se
valer das percepções do pesquisador que trabalha na CONSULT, foram realizadas
entrevistas previamente agendadas, ocorridas entre o período de dezembro de 2011 a
agosto de 2012 e tiveram duração média de 35 a 45 minutos cada. Como alguns dos
selecionados a participar da pesquisa não tinham conhecimento suficiente das ações
dos programas de responsabilidade social promovidas pela companhia, suas respostas
foram invalidadas, e, portanto, desconsideradas nas análises feitas pelo pesquisador.
Para uma melhor acomodação do pesquisador e do entrevistado, foram
solicitadas salas de reuniões privativas, proporcionando um ambiente onde os
participantes da pesquisa pudessem emitir suas opiniões sem o receio de que os
demais empregados pudessem ouvir suas respostas, ao mesmo tempo em que
prevenia a formação de possíveis tendências nos discursos de acordo com as
entrevistado ocorresse de forma informal, e, consequentemente, mais ativa aos olhos
das reais percepções quanto à pergunta do estudo.
O roteiro da entrevista foi dividido em três blocos. O primeiro se ocupou com os
dados categóricos do respondente (sexo, idade, cargo, formação acadêmica e tempo
de empresa). Esta etapa tinha um objetivo posterior à coleta, comparando as respostas
obtidas entre os gêneros, posição hierárquica e conhecimento acadêmico prévio. O
segundo bloco tratou do conhecimento do entrevistado a respeito das políticas e
práticas de RSC da organização em questão. O objetivo principal desta etapa foi
avaliar a consistência da entrevista, validando-a, ou não, de acordo com o
conhecimento prévio demonstrado e, caso este não fosse comprovado, sua entrevista
seria computada, mas suas respostas descartadas. Finalmente, o terceiro e último
bloco se ocupou do engajamento e percepção do empregado nas ações sociais
desenvolvidas pela organização, ou seja, mesmo tendo opiniões contraditórias sobre
os supostos interesses de quem formula e pratica as políticas de RSC, esta parte da
entrevista visou aferir de que forma estas pressões institucionais eram observadas
pelos empregados da CONSULT. Mais ainda, como ele qualificava suas próprias
opiniões sobre a sua participação nos programas de trabalho voluntário, caso assim o
fizesse.
A pesquisa de campo com os empregados revelou que suas percepções sobre
as políticas e práticas de RSC, existentes na CONSULT, não variam em função de
sexo, formação, idade ou cargo. O Gráfico 1 mostra a relação da quantidade de
no gráfico o número absoluto de entrevistas realizadas, incluindo aquelas que não
foram validadas, conforme descrito no capítulo referente à metodologia de pesquisa.
Gráfico 1 – Categorização dos Respondentes quanto ao cargo ocupado.
Fonte: Elaborado pelo autor.
No total foram entrevistados 4 gerentes, 12 consultores e 9 analistas e, apesar
das diversas opiniões aferidas, não houve qualquer tendência correlacionada a um
fator específico, o que demonstra que o tempo de carreira, ou a responsabilidade que o
entrevistado possui, não causa interferência em suas convicções, e mais ainda sobre
as percepções dos propósitos da empresa ou de seus pares de trabalho. Da mesma
maneira, as respostas não sofreram nenhum viés prévio devido à formação do
entrevistado, o que demonstra que a informação acadêmica construída ao logo de sua
trajetória profissional, não fez com que preceitos capitalistas ou filantrópicos fossem
enraizados em seus discursos. Por fim, foi possível constatar que o gênero em nada 31 25 12 9 4 0 5 10 15 20 25 30 35 40 Total de Entrevistas Entrevistas Aproveitadas
orientou uma conformidade na pesquisa. Foram entrevistadas 11 pessoas do sexo
masculino e 14 do feminino, conforme demonstrado no Gráfico 2. Desta forma, o
preconceito de que mulheres tendem a ter uma visão voltada para o social, ou então,
que homens pensam de forma mais racional e econômica, foi, no caso da RSC,
desmistificado.
Gráfico 2 – Distribuição dos respondentes quanto ao gênero.
Fonte: Elaborado pelo autor.
Em relação ao material documental, para a coleta de dados valeu-se da
oportunidade do pesquisador em trabalhar na empresa em questão. Assim, foram
incorporadas ao material de análise as informações provenientes das redes de
comunicação interna, como e-mails, folders, totens, panfletos e informativos fixados no
quadro de mural da companhia. É importante salientar que tais materiais não
corresponderam à informações de natureza confidencial, cuja divulgação representaria
uma ameaça aos planos estratégicos da companhia, mas à propagandas que
incentivavam os funcionários a participarem das ações sociais propostas pela empresa. 14 11 0 2 4 6 8 10 12 14 16 18 20 Feminino Masculino
Quanto às diretrizes das políticas estratégicas dos programas de RSC, estas foram
obtidas por meio de documentos públicos, divulgados no site da CONSULT.