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Disputaser ved Klinmed 2020

In document Årsrapport 2020 (sider 42-48)

Quando falamos em crescimento económico e desenvolvimento financeiro devemos referir que estes são conceitos distintos que são, por vezes, confundidos. De acordo com Rao (1984), desenvolvimento económico é um conceito amplo, um termo inclusivo, que não se expressa unicamente através de taxas como o PIB ou a taxa de crescimento do PIB per capita, este conceito junta também outros fatores económicos tais como formação de capital, crescimento da produtividade, progresso técnico e distribuição do rendimento, englobando ainda mudanças na educação, saúde, relações interpessoais e na composição etária da população. Todos estes fatores estão associados à transformação de uma sociedade para uma melhor situação social.

Por outro lado, crescimento económico é um conceito menos abrangente, que se relaciona apenas com alterações nos valores de variáveis económicas, partindo do pressuposto de que fatores sociais e políticos se encontram numa situação estável. No entanto, Rao (1984) considera que os dois conceitos apresentam uma relação, referindo que o desenvolvimento económico é um processo deliberado que tem por pressuposto a criação de relações estruturais necessárias ao tipo de crescimento económico desejado. Ou seja, apesar de distintos, crescimento e desenvolvimento económico encontram-se relacionados, sendo que o desenvolvimento económico é considerado como um aspeto essencial para o crescimento económico. Por sua vez, também se crê que, o crescimento económico induza a uma expansão do sistema financeiro.

No que toca à relação causal entre sistema financeiro e crescimento económico Caldéron e Liu (2003) afirmam que a mesma é fundamental uma vez que apresenta implicações significativas no que toca ao desenvolvimento de políticas, no entanto a relação causal entre estes dois elementos é ainda pouco clara. Patrick (1966) apresenta duas hipóteses possíveis de relação de causalidade entre o sistema financeiro e o crescimento económico, a supply-leading e a demand-leading.

A hipótese supply-leading refere uma relação causal em que o desenvolvimento do sistema financeiro origina o crescimento económico, isto é, significa que a criação de instituições financeiras e mercados faz com que, consequentemente a oferta de serviços financeiros aumente também, originando crescimento económico. A hipótese em questão tem como defensores Mckinnon (1973); King e Levine (1993), Neusser e Kugler (1998) e Levine, Loyaza e Beck (2000).

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Por sua vez, a hipótese demand-leading refere a relação causal entre crescimento económico e desenvolvimento do sistema financeiro, sendo que nesta situação, a procura crescente por serviços financeiros poderá originar a expansão do setor financeiro à medida que cresce a economia real, isto é, o sistema financeiro responde aos estímulos do crescimento económico. Esta hipótese tem como apoiantes Gurley e Show (1967), Goldsmith (1959) e Jung (1986).

A importância que o sistema financeiro detém sobre o crescimento económico ocorre por vários motivos e, tanto através do sistema bancário como através dos mercados de capitais.

O sistema bancário influencia, de variadas maneiras, o crescimento económico, nomeadamente, como refere Schumpeter (1934), este apresenta um papel determinante para o crescimento económico de longo prazo, dado que afeta de forma eficiente o capital, isto é as poupanças, aos diversos projetos de investimento, que a longo prazo se traduzem na aquisição de valor para a economia. Também os serviços disponibilizados pelas instituições bancárias têm especial importância, isto porque, sendo os bancos capazes de identificar os investimentos mais produtivos, através da recolha de informação, avaliação de projetos, partilha de risco e promoção da liquidez, fazem posteriormente a afetação de poupanças para as diversas oportunidades de investimento, criando inovação e consequente crescimento económico, devido ao aumento da produtividade do capital, resultante da melhor afetação de recursos, como menciona Levine (2002).

Além disto, Levine (2002) refere ainda que os intermediários financeiros, recorrendo a economias de escala6, conseguem diminuir os custos associados à obtenção de informação, essencialmente informação relacionada com o sistema produtivo, conseguindo levar a cabo algum governo sobre as empresas e sociedades. O desempenho de tal papel adquire especial importância em estados iniciais de desenvolvimento económico, bem como em ambientes institucionais fracos.

Contudo os sistemas bancários apresentam também uma limitação ao crescimento económico quando, em alguns países, os empréstimos bancários são limitados a determinado grupo de investidores individuais e empresas, isto porque o sistema bancário tende a conceder

6 Economias de escala- são vantagens de custo obtidas pelas empresas quando a produção se torna eficiente, nomeadamente caso a produção

aumente reduzindo os custos associados. As economias de escala podem ser internas ou externas, isto é, derivando de decisões de gestão ou de fatores externos, respetivamente.

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empréstimos especificamente a agentes que sejam capazes de liquidar todo o empréstimo no final do período de concessão. Contrariamente aos mercados de capitais que permitem o financiamento de projetos inovadores, que podem ser arriscados, como defendem Caporale, Howells e Soliman (2004).

No que concerne ao contributo dos mercados de capitais sobre o crescimento económico, este verifica-se de diversas formas. Primeiramente, caso não existissem mercados financeiros, os investidores que enfrentassem choques de liquidez seriam obrigados a abandonar os seus investimentos de longo prazo, pelo que, consequentemente, em períodos marcados pela ausência de liquidez no mercado, o investimento diminuiria e ocorreria um abrandamento ou regressão no que respeita ao crescimento económico (Nieuwerburgh et al., 2007). Da mesma forma, o desenvolvimento dos mercados de capitais, concretamente através da mobilização e alocação de poupanças em investimentos de longo prazo, da existência de liquidez e da possibilidade de diversificação e gestão do risco, serve de estímulo ao crescimento económico, permitindo também assegurar um governo de empresas e sociedades de qualidade, bem como melhorar a aquisição e difusão de informação (Carp, 2012; Ross e Levine, 2005; Arestis e Demetriades, 2001). A possibilidade de criar carteiras de ativos diversificadas, contendo projetos que apresentam retornos esperados elevados, é outra das formas dos mercados de capitais contribuírem para o crescimento económico.

Importa ainda referir que a mobilização de poupanças efetuada através dos mercados de capitais tem também influência sobre o crescimento económico, uma vez que se se verificar uma eficiente afetação destes recursos, permitirá que novas tecnologias sejam introduzidas. Além de que, a mobilização de poupanças permite ainda que a taxa de poupança aumente, colocando à disposição dos indivíduos um instrumento financeiro complementar que vai ao encontro das necessidades individuais de liquidez e da posição que detém perante o risco (Levine e Zervos, 1998). Por último, outro contributo dos mercados de capitais sobre o crescimento económico está relacionado com a redução do custo associado à aquisição de informação, tendo tal aspeto uma maior dimensão caso o mercado atue de forma eficiente, isto é, caso os preços das ações sejam reflexo da informação disponibilizada, tornado assim mais fácil o acesso dos investidores à informação necessária para analisarem as várias oportunidades de investimento e, por conseguinte, efetuarem uma melhor afetação dos fundos disponíveis sobre as diversas empresas.

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Goldsmith (1959) afirmou que períodos que apresentavam taxas de crescimento económico superiores ao nível médio são usualmente acompanhados por um célere desenvolvimento financeiro. De acordo com Levine e Zervos (1998), um estudo empírico dos autores revelou a existência de uma relação positiva e forte entre o desenvolvimento financeiro e o crescimento económico, revelando ainda que fatores financeiros também fazem parte do processo de crescimento económico.

Segundo Abu-Bader e Abu-Qarn (2008), o desenvolvimento do sistema financeiro consagra-se através de um processo de melhoria tanto na qualidade quanto na eficiência dos serviços disponibilizados pelos intermediários financeiros, englobando a existência de diversas instituições e atividades. Um estudo empírico levado a cabo por Brownbridge e Kirkpatrick (2000) revelou que os sistemas financeiros são importantes tanto para o crescimento como para o desenvolvimento da economia.

O desenvolvimento do sistema financeiro pode ser considerado como um indicador de previsão do crescimento económico, considerando que os mercados de capitais revelam o valor presente de oportunidades futuras de crescimento, como referem Zingales e Rajan (1996).

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7. Fatores que influenciam o crescimento económico

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