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Displacement patterns and refugee experiences

A tecnologia é um bem muito valioso e que não está livre no mercado, normalmente as empresas arcam com grandes custos de pesquisa e desenvolvimento para criá-las, sendo essa a essência da criação de vantagem competitiva pela empresa. Partindo deste princípio pode-se apresentar duas hipóteses tradicionais de se explicar as determinantes das inovações: demand pull (indução pela demanda) e technology push (impulso pela técnica).

A primeira hipótese indica as forças de mercado como principal propulsora da inovação, onde as empresas reconhecem as necessidades de mercado através de sinais oferecidos pela demanda, e procuram direcionar as mudanças técnicas de modo a satisfazer essas necessidades.

Dosi (2006) aponta em cinco etapas, como essa indução pelo mercado funcionaria: (1) inicia-se com um mercado abastecido com um conjunto de bens intermediários e de consumo que satisfazem diferentemente os compradores; (2) os consumidores, através de mudança no comportamento da demanda, sinalizam as suas preferências; (3) um aumento na renda, deverá deslocar a curva de restrição orçamentária, de maneira que o consumidor irá demandar o produto com as características que melhor satisfazer as suas necessidades; (4) através do movimento da demanda pelas características dos produtos, os produtores constatam as necessidades expressas pelos consumidores; (5) por último as firmas bem-sucedidas colocam no mercado os novos produtos, esses aperfeiçoados e com características que melhor satisfaça as necessidades dos consumidores.

Apesar de ser uma descrição bastante rudimentar, é o suficiente para apontar o principal argumento, de que os produtores podem saber antes mesmo da invenção a direção no qual o mercado está induzindo o processo inovativo, através de sinais derivados do deslocamento da demanda.

Segundo Dosi (2006) existem três aspectos que podem ser criticados nessa hipótese: (1) quanto a teoria geral dos preços ser determinada por oferta e demanda; (2) a dificuldade de definir funções de demanda, determinadas por funções utilidades, e o

próprio conceito de utilidade; (3) refere-se a dificuldade lógica e prática de se interpretar o processo inovativo através dessa abordagem.

O terceiro aspecto ganha maior importância dentro de um conceito neo- schumpeteriano, havendo três fragilidades básicas: (a) o conceito passivo de reatividade às mudanças tecnológica, colocando como determinante as necessidades dos consumidores que sinalizam as suas necessidades potenciais. No caso de uma inovação radical as necessidades potenciais são infinitas, ou seja, não há como o consumidor sinalizar a necessidade de um bem que ainda não existe, tornando impossível explicar porque ocorre uma grande inovação, somente se aplica as inovações incrementais. Cabe ressaltar que a satisfação da demanda é uma condição necessária, é fato que a maioria das empresas e dos inovadores individuais que empreendem projetos de inovação percebe a existência de uma demanda potencial, mesmo porque se o resultado da inovação não tiver utilidade alguma ela pode ser desconsiderada; (b) a incapacidade de explicar a descontinuidade e o timing das inovações. A questão é explicar a defasagem de tempo e o que acontece entre a identificação da demanda e o resultado final; (c) além disso, a abordagem de demand-pull coloca a tecnologia e o conhecimento como um mecanismo versátil, podendo ser direcionado para qualquer lado, e fornece uma descrição muito insatisfatória da interação entre progresso técnico e as evoluções das variáveis econômicas.

A segunda hipótese, a de impulso pela técnica, é de certa maneira oposta à de impulso pela demanda, ela atribui como determinantes principais das inovações a ciência pura, e mais genericamente ao conhecimento, sendo que a sua barreira teórica esta no fato evidente de que os fatores econômicos certamente são importantes no direcionamento do processo de inovação. Existe uma dificuldade em considerar o processo de crescimento e mudança econômica, as variações nas participações distributivas e nos preços relativos que afetam a direção da atividade de inovação. Dessa maneira o avanço técnico viria de maneira exógena à economia, através de um processo de “ciência-tecnologia-produção”.

Constata-se que há uma complexa estrutura de retro alinhamento entre o ambiente econômico e a direção do progresso técnico, uma teoria da mudança técnica deve definir a natureza e o funcionamento desses mecanismos. Nesse ponto, tanto a abordagem por demand pull quanto a por technology push falham.

Segundo Dosi apud Melo (2008) uma solução possível seria a definição de tecnologia como um complexo de conhecimentos, que deve englobar uma percepção de

mercado para definir um conjunto limitado de alternativas tecnológicas, podendo assim definir estratégias de desenvolvimentos futuros, combinando a demanda de mercado com as atividades de pesquisa e desenvolvimento.

Entretanto Dosi (2006) aponta sete aspectos do processo de inovação que podem ser considerados bem estabelecidos:

1. O crescente papel dos insumos científicos no processo de inovação.

2. A crescente complexidade das atividades de P&D, e o planejamento de longo prazo das empresas, negando a hipótese de resposta ágil e rápida dos sinais mandados pela demanda de mercado.

3. Uma correlação entre os esforços em P&D e o produto da inovação, e a ausência de significativas correlações entre os padrões de demanda e o produto da inovação.

4. Significativa quantidade de inovações e aperfeiçoamentos derivados da experiência dos indivíduos através do learning by doing.

5. A rejeição da hipótese de escolhas tecnológicas conhecidas ex-ante, devido a natureza de incerteza das inovações.

6. A mudança técnica não ocorre ao acaso por dois motivos: primeiramente depende do estado tecnológico vigente, e em segundo lugar dos níveis tecnológicos já alcançados pela empresa inovadora.

7. É possível traçar trajetórias de certas características das mudanças tecnológicas e econômicas ao longo do tempo.