— A gente não tem muito opção, falta material didático e termina voltando para as aulas tradicionais e essas, os alunos já não têm interesse.
5.2.1 DESCRIÇÃO
Este núcleo representa as condições de trabalho dos sujeitos investigados. Os professores esclarecem que é preciso melhorar a infraestrutura da escola, que não é uma das piores, mas falta espaço físico para realização das atividades pedagógicas que a escola se propõe a fazer. A estrutura do prédio oferece riscos para as crianças do 4º e 5º anos, com faixa etária de 9 a 10 anos de idade, uma vez que as janelas não tem proteção.
— Na verdade a SEDF só pensa em estatísticas, mas investir na infraestrutura da escola é muito difícil, ensino de qualidade ela (Secretaria) não tá nem aí.
— Tem uma rachadura enorme na parede, mas a secretaria não faz nada.
— Não tenho nada a reclamar, a escola é bem arejada, as salas de aulas são grandes, porém é preciso ver a proteção para as janelas, pois é uma escola de andar e tem criança pequena.
Uma das dificuldades que os professores encontram é não saber lidar adequadamente com os estudantes portadores de deficiências, principalmente a física, porque o prédio não apresenta acessibilidade. Destaca-se que, por conta disto, precisam fazer mudanças de turmas do segundo andar para o térreo, uma vez que não têm elevadores e rampas. Para eles, se perde muito tempo entre uma aula e outra, eles têm que descer escadas ou subir com o material didático para ministrar as aulas.
— A escola não tema acessibilidade para alunos com deficiência física, é de escada, não oferece segurança nenhuma para essa clientela, já estamos no século XXI e nada foi feito para receber esses alunos e ainda falam de inclusão.
— Uma vez recebemos um aluno cadeirante e tivemos que mudar um 8º ano para uma sala apertada aqui embaixo, ficou horrível, até a gente chegar, os meninos ficavam agitados e até colocar em ordem, já gastava uns 20 minutos de aula, pensa bem... só ficava 25 minutos de aula, olha o prejuízo de hora/aula, soma isso quase todos os dias e sem falar que a gente tem que carregar livros, pois não se tem livros suficientes para todos os alunos.
— Não tem muito espaço físico para os alunos brincarem, eles ficam correndo que nem uns loucos na hora do intervalo, porque não tem onde brincar.
Os professores relatam que a ventilação é boa, pois não têm prédios ao redor, assim não há impedimento para circulação do ar. No entanto, a iluminação deixa muito a desejar, portanto é preciso investimento nessa área, principalmente na quadra.
— A ventilação é boa, a escola é de andar e as janelas são grandes, mesmo assim, tem ventilador nas salas.
— A iluminação não é boa, a direção passada buscou ajuda dos amigos para iluminar o estacionamento que era muito escuro e perigoso.
De acordo com os entrevistados, a gestão da escola tem passado por dificuldades de ordem financeira, pois a verba destinada não tem chegado, impossibilitando a reposição de materiais para a preparação de aulas, mesmo assim são realizados eventos para consertos de equipamentos que subsidiam as aulas, como máquina de xerox, computadores e outros.
— Se a SEDF desse com mais frequência um suporte pedagógico, com certeza, os professores trabalhavam melhor, mas como já sei que isso não acontece ,fico esperando para desenvolver o que proponho.
— A verba que o governo manda nunca chega em tempo hábil, a direção assume dívidas para dar conta do mínimo dentro da escola (...), assim, a direção se esforça e consegue me dar suporte quando peço.
— Aqui se faz muitos eventos para conseguir dinheiro e a diretora tem que ter muito jogo de cintura com o corpo docente e com a colaboração dos alunos e comunidade.
Os entrevistados relataram que têm muita vontade de inovar as aulas, mas não têm material pedagógico. Informaram que os estudantes dispõem, em suas casas, de internet e outras ferramentas tecnológicas e que a escola não oferece nenhum atrativo tecnológico para as aulas. Assim, observa-se a falta de condições mínimas para desenvolver o trabalho pedagógico, deparando-se ainda com muitas exigências das famílias e da comunidade.
— Temos a televisão onde passamos filmes e o laboratório de informática, mas os horários são poucos para explorarmos essa ferramenta. São muitas turmas e meus alunos só vão uma vez por semana durante 50 minutos.
— A gente não tem muito opção e termina voltando para as aulas tradicionais e essas, os alunos já não tem interesse.
Os professores consideram de extrema importância ter a sala ambiente. Segundo os relatos, o sonho deles era ter uma sala ambiente para cada disciplina, onde pudessem organizar, de maneira adequada, materiais pedagógicos para que as aulas se tornassem mais interessantes e atrativas.
— Sempre sonhei em ter uma sala ambiente onde eu pudesse organizar e planejar minhas aulas, deixar expostos os trabalhos dos meus alunos. Nunca trabalhei em escola que pudesse realizar esse meu sonho. Até já me conformei.
— Penso que a SEDF, poderia dar condições para que todas as escolas de Anos Finais e Médio trabalhassem com salas ambientes.
Os pesquisados também reclamaram da falta de um plano de saúde para a categoria e do desrespeito para com o professor. Enfatizaram que o salário atual é insuficiente para pagar um plano de saúde e que o governo local e Secretaria não tem essa preocupação, mesmo com tantas lutas do Sindicato dos professores e promessas, nada tem sido realizado. Reiteram que o auxílio saúde do governo no valor de R$200,00 é irrisório para arcar com despesas médicas. Notam a necessidade clara desse benefício, principalmente para o tratamento de doenças adquiridas no trabalho, tanto de ordem física como psíquica.
— A gente precisa de um apoio com relação à saúde e bem-estar, um acompanhamento em relação a esses aspectos seria bom, mas não temos. — São tantos professores se afastando de sala de aula por problemas de depressão, stress, pânico e não têm um suporte, têm que pagar por fora, toda instituição que conheço tanto na privada como na esfera federal seus servidores têm plano de saúde, a secretaria de educação nunca teve esse olhar para com os seus funcionários. Será que não está na hora de rever essa situação?
— Depois de muita luta, temos um auxilio saúde de R$200,00, isso não dá nem para pagar uma consulta. O preço de uma consulta no meu cardiologista é de R$400,00.
5.2.2 DISCUSSÃO
Diversas pesquisas (NEVES, 1999; BRITO; ATHAYDE; NEVES, 2003; VASCONCELOS, 2005; NORONHA; ASSUNÇÃO; OLIVEIRA, 2008) têm demonstrado que a realização das atividades dos professores vem sendo profundamente afetada e limitada pelo contexto educacional atual, bem como por dificuldades encontradas em seus locais de trabalho. Este quadro tem contribuído para uma baixa qualidade do trabalho e adoecimento do professor.
As condições de trabalho não têm favorecido os docentes para que se mobilizem em suas capacidades físicas, cognitivas e afetivas para atingir os objetivos da produção escolar. Com relação às condições físicas da escola pesquisada, percebe-se que a instituição permanece com a mesma estrutura do prédio construído, sem nenhuma reforma. Observou-se que a iluminação não é boa, principalmente da quadra, e a falta de um auditório para realização de reuniões de pais e outras atividades pedagógicas dificultam a realização das atividades docentes.
De acordo com Vasconcelos (2005), muitos docentes sentem-se limitados pela falta de material e pela carência de recursos para adquiri-los, e, em razão disso, eles se submetem à rotina escolar, pois não acreditam mais nas mudanças, revelam-se insatisfeitos e percebem-se induzidos a trabalhar precariamente e quase exclusivamente com o livro didático, o quadro e o pincel. De acordo com os professores, mesmo com outros materiais didáticos, o uso deles é mínimo por falta de informação da coordenação pedagógica e/ou da dificuldade de acesso.
Nota-se, portanto, que as condições de trabalho são desfavoráveis ao exercício da atividade docente. Por exemplo, o número excessivo de estudantes em sala, que contribui para elevar a temperatura interna das salas, o barulho produzido por sons, falas e ruídos no interior da escola, o espaço físico limitado para desenvolver atividade extraclasse e aulas práticas com os estudantes, são fatores que promovem consequências negativas para a qualidade da aula e para a saúde do profissional.
Segundo os professores, o Estado precisa entender que, no trabalho, a saúde está relacionada tanto ao bem-estar físico quanto ao mental, que os problemas associados diminuem a produtividade e o desempenho laboral, aumentando a ocorrência de atestados médicos por insatisfação no ambiente de trabalho. Olhando por este prisma, ambas as
variáveis, trabalho e saúde, são fundamentais para o bem-estar fisiológico e mental dos professores.
Um dos elementos ressaltados pelos pesquisados são as dificuldades de atendimento aos estudantes portadores de necessidades especiais, principalmente a deficiência física, em virtude da inacessibilidade da escola para esses discentes que chegam para a inclusão. A estrutura da escola não permite receber esses estudantes, vez que não tem elevador, nem rampa, impossibilitando a permanência dos mesmos na escola. Segundo os professores, a falta de acessibilidade já causou a mudança de turmas do segundo andar para o térreo, pois era impossível receber o aluno com deficiência física. Para eles, perde-se muito tempo entre uma aula e outra, pois é necessário ficar subindo e descendo escadas e carregando material didático para ministrar as aulas.
Quanto aos requisitos das pessoas com deficiência física nas escolas, verificou-se as determinações do Ministério da Educação através da Portaria nº 1679, de 2 de dezembro de 1999, que estabelece as condições básicas de acesso nas instituição de ensino:
Art. 2º A Secretaria de Educação deste Mistério, com apoio técnico da Secretaria de Educação Especial estabelecera os requisitos, tendo como referência a Norma Brasil 9050, da Associação brasileira de Normas e Técnicas, que trata da Acessibilidade de pessoas com deficiências, edificações, espaço, mobiliário, equipamentos urbanos. Parágrafo Único. Os requisitos estabelecidos na forma do caput deverão contemplar no mínimo:
- para alunos com deficiência física: eliminação de barreiras arquitetônicas para circulação do estudante, permitindo acesso nos espaços de uso coletivos, reserva de vagas nas em estacionamentos nas proximidades das unidades de serviço construção de rampas com corrimãos ou colocação de elevadores, facilitando a circulação de cadeiras de rodas, adaptação de portas e banheiros para permitir o acesso de cadeira de rodas; colocação de barras de apoio nas paredes dos banheiros; instalação de lavabos, bebedouros e telefones públicos em altura acessível aos usuários de cadeira de rodas. (BRASIL, 1999, p.25).
No caso da escola pesquisada, não existe adaptação para favorecer os estudantes com deficiência física. Com relação à acessibilidade, a realidade é que muitas escolas, infelizmente, apresentam obstáculos à inclusão, dificultando o acesso e permanência desses estudantes no ambiente escolar.
Segundo os professores, o poder público deve investir mais na infraestrutura física das escolas para atender a demanda, assim como também precisa investir na formação continuada do professor em busca de conhecimento bem construído para atender essa nova clientela.
Quanto ao elemento suporte organizacional, os dados mostraram que a escola tem passado por dificuldades de ordem financeira, devido à falta de repasse das verbas pelo governo/SEDF, utilizadas para a aquisição de recursos materiais e de suporte técnico pedagógico, reposição de materiais para a preparação de aulas e eventos e para consertos de equipamentos que subsidiam as aulas.
Enfatizaram que no ano de 2013 a escola não recebeu a parcela do PDAF, assim, não houve condição de realizar as atividades pedagógicas devido à falta de material. Além disso, a Instituição de Ensino ainda comprava dos fornecedores para pagar quando o dinheiro fosse repassado, mas o governo não pagou e os fornecedores cortaram o crédito. As críticas dos professores, em relação às verbas que não chegavam até a escola, geraram irritabilidade e descrédito na educação.
Todos os professores apontam que a ausência de recursos dificulta o trabalho. Porém, a solicitação desses materiais se diferencia entre os professores, conforme a demanda da disciplina que lecionam. Há recursos e materiais comuns a todas as disciplinas e outros específicos. Dentre os materiais, os professores apontam para a falta de laboratório de ciência, livro didático adequado e culpam a SEDF por não repassar a verba para que eles possam desempenhar suas funções com excelência.
Em relação ao suporte organizacional, o grupo retrata que há esforço e empenho por parte da gestão da escola em colaborar para a aquisição e consertos de equipamentos, como também na viabilização de ações que possam minimizar a falta de recursos materiais, financeiros e humanos, buscando-os junto à Secretaria de Educação, demais órgãos do governo, parcerias com entidades públicas e ou privadas, com os professores, servidores e comunidade escolar.
Descrevem, ainda, que várias vezes a direção utilizou verba pessoal para aquisição de materiais básicos a fim de dar continuidade aos trabalhos planejados na coordenação pedagógica. Assim, também para investir em manutenção da estrutura da escola. Nota-se que a gestão da escola apoia e auxilia os professores em suas dificuldades diárias em sala de aula e demais contextos escolares. Portanto, a falta de material didático e pedagógico, materiais e equipamentos inadequados, evidenciam a necessidade de uma intervenção imediata no provimento e adequação dos instrumentos na escola. Neste contexto Esteves (1999) acrescenta:
[...] a falta de recursos generalizada aparece como um dos fatores referidos em diversos trabalhos de investigação. [...] professores que enfrentam com ilusão uma renovação pedagógica de sua atuação nas aulas encontram-se frequentemente, limitados pela falta de material didático necessário e pela carência de recursos para adquiri-los. [...] Quando esta situação se prolonga a médio e longo prazo, costuma-se
produzir uma reação de inibição no professor, que acaba aceitando a velha rotina escolar, depois de perder a ilusão de uma mudança em sua prática docente que, além de utilização de novos recursos dos quais ele não dispõe. (Esteves, 1999, p. 48)
Percebe-se que há necessidade de maior investimento público nas escolas para que haja uma efetividade no processo educativo, pois, o que se verifica são muitos arranjos e improvisos, principalmente por parte dos professores que, diante das exigências da sociedade, tem que dar conta do exercício da sua função. Para os professores, a indignação é grande porque sabem que existe a verba para suprir as necessidades da escola, mas não é repassada, obrigando-os a improvisar.
Conforme afirmam Mascarenhas, Vasconcelos e Protil (2004), quando o indivíduo percebe tais contradições, pode se tornar insatisfeito com a vigência das regras e ser um agente de mudança em potencial, questionando o sistema e as regras, agindo politicamente para modificá-las. As contradições perceptivas e os paradoxos que incomodam esses agentes podem gerar, portanto, a energia para a transformação do sistema social. No caso do grupo analisado, sinaliza uma contradição. Ao mesmo tempo em que fazem críticas ao governo, pela verba não repassada, que dificulta à prática pedagógica, eles fazem eventos para arrecadar fundos para aquisição de materiais e desenvolver as atividades pedagógicas planejadas, deixando de lutar por reivindicações políticas, mesmo que insatisfeitos com a situação.
A respeito desse tema, o estudo de Mendes et al. (2008) explicita tais dificuldades pontuadas pelo grupo de professores entrevistados, em que os resultados mostram que em relação ao fator “condições de trabalho”, ele foi avaliado como grave, oferecendo riscos à segurança das pessoas, necessitando de intervenção imediata.
Os professores pesquisados também pontuaram que, em relação às dificuldades encontradas, tentam contornar a limitação financeira, organizando festas e campanhas, por vezes usando o próprio salário para suprir as necessidades emergenciais da escola, aumentando mais ainda a carga de trabalho por ter que trabalhar aos sábados nos eventos. As exigências que recaem sobre a escola e sobre os professores os levam a um grande esgotamento.
Relata ainda, a falta de estrutura para a realização dos eventos, o curto espaço de tempo, correndo o risco de acidente. Segundo os pesquisados, toda escola deveria ter espaços já previstos nas construções, como: auditórios, ginásio de esportes, quadras poliesportivas e outros necessários para o desenvolvimento das práticas pedagógicas. Porém, quanto mais
idealizam, maior a distância de concretização entre prática e teoria, gerando uma indiferença em relação à educação.
Saliente-se que os fatores mais polemizados, nas entrevistas do grupo dos professores pesquisados, estão voltados para a falta de reais condições de trabalho, que são considerados entraves para o bom desempenho laboral do docente. Os professores, de maneira geral, se deparam tanto com as limitações dos recursos utilizados em suas atividades em sala de aula, como também com a carência para adquirir os recursos e materiais didáticos necessários para o desenvolvimento do seu trabalho, tentam inovar, mas devido às condições oferecidas, terminam voltando para as aulas tradicionais.
Assim, as atividades desempenhadas pelos professores, em condições precárias de trabalho e o achatamento salarial, em relação às outras profissões no GDF, vêm afetando igualmente a qualidade dos serviços prestados por esses trabalhadores, assim como a saúde física, mental e social, constituindo alerta que deve ser considerado para a melhoria das condições de trabalho. Nesse sentido, os professores percebem a ausência da SEDF em promover práticas transformadoras, que viabilizem a realização de um trabalho em ambientes adequados e satisfatórios, que seriam prioritárias para que, de fato, os professores possam trabalhar com mais qualidade e satisfação.
Outro ponto relevante foi à questão das salas ambiente mencionadas pelos professores como um “sonho de consumo” para as disciplinas de áreas específicas. Os que já viveram essa experiência relataram que facilitaria o trabalho, assim como a aprendizagem dos estudantes, tendo em vista, que todos os materiais estariam ao alcance da visão dos discentes e não teriam necessidade de transitar com o material de uma sala para outra. Porém, o espaço físico impossibilita a escola em realizar esse sonho.
Todos os profissionais precisam ter ao alcance os materiais necessários ao desempenho das atividades e um local apropriado para desenvolvimento de sua função. Para eles não seria diferente. O principal objetivo das salas ambientes é fazer com que o foco se desloque do professor para o estudante. Assim, o centro de atenção não seria mais o quadro- negro, mas o que acontece no campo dos discentes. As salas ambientes propiciam o ensino dos conteúdos procedimentais, pois este ensino implica na organização de agrupamentos e disposição de espaço, possibilitando o trabalho de cada um dos diferentes grupos. Para isso, é preciso salas com espaços fixos onde se encontrem os elementos e materiais que permitam realizar o trabalho correspondente.
Além dos conteúdos procedimentais, a sala ambiente pode propiciar o trabalho com os conteúdos atitudinais, pois a ampliação da variedade de espaços que os estudantes passarão a frequentar, de uma sala para outra, além dos outros ambientes na escola, contribuiria de modo decisivo para a formação de valores e outros fatores determinantes para a aprendizagem.
Representam ainda, para o estudante, um espaço mais prazeroso, acolhedor e estimulador para o convívio com os colegas e com o saber. Isso faria com que o processo de ensino e aprendizagem fosse estruturado com base em uma metodologia diferenciada, específica e direcionada pedagogicamente para o aluno, com propostas de trabalho adequadas às variadas situações e de acordo com as possibilidades e necessidades.
Tendo o professor uma sala específica seria possível propor uma variedade de atividades que oferecessem oportunidades diversificadas e liberdade na escolha e no manuseio de materiais, além de proporcionar a ampliação dos espaços de trabalho, a circulação dos estudantes e desencadeamento de uma relação significativa com o professor.
Contudo, como a escola tem mais turmas do que sala de aulas inviabiliza a adoção das salas ambientes. Assim, os professores trabalham com uma infraestrutura inadequada e com poucos recursos. A situação real então é marcada pela exigência ainda maior da SEDF, fazendo com que os professores empreguem maior esforço para ministrar as aulas por não possuírem instrumentos adequados, além de caracterizar uma escola pouco atraente e desmotivadora para os estudantes.
Dejours (1994) corrobora com essa ideia e analisa que, para o trabalhador, há um conflito de desejos frente à realidade do trabalho. Assim, há uma “carga psíquica” negativa despendida na organização do trabalho quando o sujeito abre mão do seu “livre arbítrio” em detrimento da demanda do outro. A carga psíquica do trabalho é resultante do confronto entre