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Esta é a característica principal dos sujeitos da R.C.C. que dá o nome ao Movimento. Os carismas não são uma inovação da R.C.C.. Já aparecem nas origens do cristianismo. São Paulo, na 1Carta aos Coríntios, capítulos 12 a 14, faz uma ampla exposição das manifestações do Espírito, cuja força é tão grande que “ninguém é capaz de dizer ‘Jesus é o Senhor’ a não ser sob influência do Espírito Santo” (1Co 12, 3). E enumera nove carismas: da palavra de sabedoria, do conhecimento da fé, da cura, do fazer milagres, da profecia, do discernimento dos espíritos, da diversidade de línguas, de interpretá-las. Paulo também explica detalhadamente como usar esses dons de modo organizado. A R.C.C., no seu “Portal Carismático” acrescenta o dom da santificação, da fortaleza, da piedade, do conselho e do temor de Deus.

O mesmo Portal não aceita a distinção entre carismáticos e não carismáticos, pois toda Igreja é carismática, desde a sua origem, a começar pelo fundador, Jesus Cristo.

E divide os dons em “ordinários e extraordinários”. Ordinários são os de natureza comum, por exemplo, o dom musical. Interessante lembrar que, no seu testemunho Jairo afirma ter esse dom.

Num primeiro momento, o que me levou foi o Louvor Carismático. Gosto muito de música e de poder louvar ao Senhor da forma que se louva no Grupo de Oração, o que me fez sentir algo novo no coração. ( Apêndice, Resposta nº1)

Extraordinários são os nove indicados por Paulo. Reportando-se aos Atos dos Apóstolos e aos escritos dos Padres da Igreja dos séculos I a VII, o texto do Portal verifica que os carismas eram comuns no início da Igreja, em cujos inícios foram necessários para a sua difusão, e que no século IV já não eram mais julgados necessários e assim teria sido vontade de Deus que se apagassem por um período da história. Mas o texto expressa a certeza de que a partir da Encíclica Divinum Illud Munus de Leão XIII, na virada do século XIX para o século XX, o Senhor começa a preparar novamente o coração da humanidade para “uma nova brisa” e que uma “renovação” começa a surgir que não seria uma “inovação”. Assim, a R.C.C. seria apenas uma renovação de uma realidade “adormecida”.

O texto conclui afirmando que os sujeitos da R.C.C. têm responsabilidade de evangelizar “carismaticamente”, ou seja, “com o uso dos dons sobrenaturais de serviço para a edificação da Igreja de Cristo, uma vez que os carismas devem nos conduzir sempre a Jesus, centro e senhor de nossas vidas. Eles não giram em torno daqueles que os usam, mas estão sempre a favor dos outros para auxiliá-los no encontro pessoal com Jesus” 110

Jairo, no seu testemunho, afirma que optou pela R.C.C. para “viver de forma intensa a união do Espírito Santo, receber e renovar este Batismo no Espírito Santo, receber dons e vivenciar os carismas, vivenciar mais a evangelização através da palavra de Deus, entre outros, é o que nos motiva e nos faz viver a Renovação Carismática Católica”. (Apêndice, Resposta nº 1)

À pergunta sobre o que entende por carismas, a resposta é precisa:

São dons e graças dados pelo Espírito Santo. São manifestações do Espírito Santo, dadas a quem se abre ao Espírito, recebendo o seu batismo. São diversos os dons, o mesmo Espírito que o distribui, porém Ele o distribui conforme quer. Necessário, porém, que eu tenha o desejo, a aspiração aos dons espirituais. (Apêndice. ,Resposta nº 3)

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Já na resposta seguinte, sobre o papel dos carismas na vida dele, ele é muito explícito:

O dom das línguas permite abertura aos demais dons e me permite falar na língua dos anjos e ter uma comunicação mais direta com Deus. Interpretá-los faz com que a palavra de Deus seja proferida e anunciada entre seu povo, assim como a Profecia. Mas o principal dom é o do Amor. Conhecer o Amor de Deus e poder praticá-lo na verdade é que faz toda a diferença na nossa vida. Eu tenho que praticar os dons recebidos e esta prática tem me feito um homem muito melhor perante a vida e perante Deus. Mudei muito e ainda tenho muito a mudar. (Apêndice, Resposta nº 4)

Ao enfatizar o amor como o principal dom ou carisma, Jairo parece ecoar – não nos é dado saber se as conhece – as Orientações Pastorais sobre a

Renovação Carismática Católica, emanadas pela CNBB (Conferência Nacional

dos Bispos do Brasil) em 27 de novembro de 1994, que, no número 55, logo no nicio das instruções sobre Dons e Carismas na R.C.C. assim diz: “O grande dom, que deve ser por todos desejado, é o da caridade”. E é citada a Lumem Gentium, nº 12 “A caridade é o primeiro dom e o mais necessário, pelo qual amamos a Deus acima de tudo e ao próximo por causa dele”.

O testemunho de Jairo não especifica como, na prática, são vivenciados e praticados os carismas, especialmente o dom das línguas. Mas, as Orientações

Pastorais, da CNBB manifestam preocupação quando dizem: “Haja muito discernimento na identificação de carismas e dons extraordinários. Diante das pessoas que teriam carismas especiais, o juízo sobre sua autenticidade e seu ordenado exercício compete aos pastores da Igreja”. E continua: “No que se refere aos carismas, a R.C.C. se atenha rigorosamente às orientações do Bispo diocesano (Orientações Pastorais nº 57).

O Documento passa a falar de cada um dos dons explicitando preocupações: “o dom de cura não pode resvalar para um espírito milagreiro e mágico” (Orientações Pastorais nº 58).

Quanto ao dom das línguas, nota que é difícil discernir, na prática, entre “inspiração do Espírito Santo e os apelos do animador do grupo reunido”. Por isso “não se incentive a chamada oração em línguas e nunca se fale em línguas sem que haja intérprete” (Orientações Pastorais, nº 62).

Requer também muito discernimento quanto ao dom de profecia “eliminando qualquer dependência mágica e até supersticiosa” (Orientações

Pastorais, nº 66 e 67).