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Inicialmente, é de suma importância evidenciar a complexidade do presente estudo, que se expressa de diferentes formas e de maneira inter-relacionada. A aplicação dos conceitos, métodos e técnicas vinculadas às Competências Organizacionais ao objeto TECNOPUC é recente e a singularidade do próprio arranjo em estudo, no mundo, também possui desdobramentos em termos metodológicos que requerem tratamento específico. Tais tratamentos foram identificados ao longo do processo de pesquisa e implicaram em uma revisão do trabalho que procurou qualificar os resultados da pesquisa em curso. Além disto, o levantamento na literatura sobre formas de expressar a contribuição das empresas também apresentou volume de trabalho acima do esperado. O tratamento do volume de informações e, principalmente, a síntese para as contribuições percebidas, exigiu uma considerável leitura, discussão e reflexão sobre o tema.

Foram identificadas através da pesquisa, cinco competências organizacionais para o TECNOPUC, são elas:

1. Sistema de instalações e serviços necessários;

2. Estimular e promover a pesquisa e o desenvolvimento tecnológico; 3. Credibilidade da marca;

4. Modelo de gestão; e 5. Capacidade de inovação.

Apenas a competência de modelo de gestão não foi confirmada pela totalidade das empresas entrevistadas, as demais tiveram esta confirmação, podendo, assim, afirmar que, sistema de instalações e serviços necessários, estimular e promover a pesquisa e o desenvolvimento tecnológico, credibilidade da marca e capacidade de inovação, são competências organizacionais percebidas pelas empresas entrevistadas inseridas no parque.

Também foram identificadas as seguintes contribuições das empresas entrevistadas para as competências organizacionais do TECNOPUC:

1. Infraestrutura da empresa;

2. Capacidade técnica e profissional da mão-de-obra; 3. Atração e absorção de profissionais qualificados;

4. Estímulo e apoio na capacitação acadêmica das áreas correlatas; 5. Pesquisa e desenvolvimento;

6. Projetos de pesquisa em parceria com a PUCRS e o TECNOPUC; 7. Divulgação do TECNOPUC a nível nacional e internacional; 8. Crescimento/sucesso da empresa;

9. Utilização de processos inovadores; 10. Produção de bens e serviços inovadores; 11. Diversificação das áreas de conhecimento

É possível considerar, com base nas entrevistas realizadas, fundamentadas na teoria levantada e alicerçadas na metodologia de pesquisa, que todas as empresas entrevistadas consideram contribuir para as competências organizacionais do TECNOPUC, algumas de forma mais forte e outras de forma mais fraca, porém, sejam empresas da área de TIC, da área de Biotecnologia, da área de Design Industrial, da área Eletrônica ou da área de Engenharia Industrial, todas elas acreditam contribuem através dos mais variados aspectos levantados por esta pesquisa.

Também pode-se afirmar que um maior número de empresas afirma contribuir para a competência de credibilidade da marca e que a forma de contribuição menos evidenciada pelas empresas para as competências organizacionais do parque é a contribuição através de projetos de pesquisa em parceria com a PUCRS e o TECNOPUC, isso porque a grande maioria das empresas entrevistadas não está realizando nenhum projeto atualmente em parceria com a PUCRS e o TECNOPUC.

Para a competência organizacional modelo de gestão foram identificadas apenas duas empresas que consideram contribuir para tal. Isso se deve ao fato de que um número significativo de empresas não concordou com esta competência identificada pelo próprio parque, sob o argumento de que o modelo de gestão do parque ainda é muito centralizado e burocrático para atender de forma ágil e prática as empresas nele instaladas.

As empresas que mais relataram contribuições para as diferentes competências organizacionais do TECNOPUC, identificadas nesta pesquisa, foram empresas não pertencentes à área de Tecnologia da Informação e Comunicação, apesar de serem as mais

frequentes no ambiente dos parques tecnológicos. Frequentemente em parques tecnológicos ou no TECNOPUC, tal fato pode estar vinculado ao tipo de demanda que cada área de empresas faz ao parque. Por exemplo, no caso daquelas não pertencentes a área de TIC, por serem mais recentes a estes ambiente, demandam um maior número de necessidades para que possam desenvolver seus trabalhos, já que o parque não se encontra completamente preparado ao novo nicho, acarretando em um desenvolvimento por parte do mesmo para atender as demandas solicitadas pelas empresas, tornando aquilo que não era evidenciado como um diferencial, para um fator positivo e de atração de novas empresas destas área para o parque.

Além disso, o porte das empresas, o número de projetos realizados em parceria e o tempo de permanência dentro do TECNOPUC, parecem não ser muito significativos para aumentar ou diminuir as contribuições das empresas para as competências organizacionais do parque.

É importante relatar que nenhuma empresa manifestou novas competências organizacionais para o TECNOPUC, a não ser aquelas que já haviam sido identificadas pelo próprio parque, bem como não julgaram necessário acrescentar nenhuma outra possível contribuição para com as competências organizacionais do TECNOPUC.

Entende-se que a presente pesquisa acrescenta um novo patamar de debates sobre parques tecnológicos, a medida que investiga, através das contribuições da empresa para as competências do parque, aspectos que explicitam o que motiva um parque a abrir as portas para uma nova empresa. Espera-se, assim, ao identificar as idiossincrasias recíprocas sobre a relação entre o parque e as empresas que o compõem, trazer ao debate o papel destas últimas para a consolidação e o desenvolvimento de parques tecnológicos.

O TECNOPUC e outros parques tecnológicos poderão contar com os resultados desta pesquisa para determinar suas estratégias de atração ou manutenção das empresas que interagem ou irão interagir com o mesmo, além de tomar a decisão de aprimorar as competências organizacionais identificadas, desenvolver novas competências e fazer perceber suas competências para seus internos. Também imagina-se que esta pesquisa abra portas para pesquisas em novas áreas de conhecimento, quiçá, para a entrada de empresas pertencentes a seguimentos inéditos aos parques tecnológicos.