Para Rodrigues (1988) Rodrigues, Morato, Martins & Clara (1991), Bálbas (1991) e López y López (1994), Sancho et al. (2001) são várias as áreas de intervenção que as Novas Tecnologias podem assumir junto da criança/jovem com necessidades especiais:
- Desenvolvimento de capacidades – As Novas Tecnologias podem ter um papel relevante no desenvolvimento de capacidades perceptivas, psicomotoras, verbais, cognitivas, atenção e concentração, pensamento convergente, linguagem compreensiva e expressiva, criatividade e socialização.
- Controle do meio envolvente e desenvolvimento da autonomia – As Novas Tecnologias são utilizadas como suportes ou como elementos de substituição de funções que o corpo não pode ou tem dificuldade de executar. A utilização das Novas Tecnologias, nesta área,
constitui uma resposta sem precedentes com um enorme impacto ao nível do desenvolvimento afectivo e cognitivo das populações com necessidades educativas especiais (...). São exemplos concretos os resultados de trabalhos de crianças com graves deficiências ao nível motor e privadas da linguagem falada que, utilizando as NT, permitem- nos hoje encarar o acesso de tais crianças à aprendizagem da leitura e da escrita.”
(Rodrigues, Morato, Martins & Clara, 1991, p.111)
As Novas Tecnologias constituem, também, um meio de desenvolvimento da sua independência pessoal e da sua integração social.
- Comunicação – O acesso à comunicação e à informação permitida pelas Novas Tecnologias abre “perspectivas até há pouco inimagináveis” (Graça, 1995, p.51) dado que:
neste âmbito elas podem representar a única possibilidade para que um pensamento, uma vontade, uma mensagem se possam desprender de um corpo incapaz de uma comunicação intencional elaborada ou mesmo eficaz.
(Rodrigues,1988, p.13) - Pré-profissionalização e formação profissional – Utilizando todas as ajudas técnicas e tecnológicas existentes, procura-se que o jovem com necessidades especiais tenha a possibilidade de aceder ao mundo do trabalho, de possuir uma profissão remunerada e de participar, por isso, de uma forma activa na sociedade.
2–V
ANTAGENSGabriela took one look and was riveted to the screen (…) Her muscle tone increased. She was so motivated to play with it that she sat up straight all by herself for about a half-hour. She quickly understood the cause-and-effect principle of hitting the switch and activating games (…) It’s delightful to watch.
(Relato de Harriet, mãe de Gabriela com 2 anos e meio e com Paralisia Cerebral - quando a levou pela primeira vez ao Computer Acess Center in Santa Mónica (Levine, 1992, p.415)
As vantagens que os vários recursos tecnológicos podem oferecer, na Educação Especial, são muitas vezes comuns à educação em geral. Esses recursos, em casos específicos, permitem ao aluno um meio de acesso ao currículo, servindo de complemento ou de compensação, para minimizar as suas limitações e, sobretudo, para potencializar as suas capacidades.
Assim, as Novas Tecnologias na Educação Especial para Balbás (1991), Mesa (1991); López y López, (1994); Pastor, (1994),entre outros, poderão constituir:
- meios versáteis e flexíveis, pelas múltiplas aplicações que se podem adaptar a cada caso particular. O mesmo aparelho ou programa pode ser utilizado por várias crianças ao mesmo tempo;
- meios facilitadores de ensino diferenciado, adequado ao ritmo, capacidades e potencialidades do aluno;
- meios que possibilitam a auto-correcção e a repetição, se necessária, pela capacidade de “feed-back” imediato;
- meios que aumentam o grau de autonomia e de independência pessoal e, consequentemente, a auto-estima, por possibilitarem que a criança/jovem possa trabalhar sozinha ou que solicite menos a ajuda dos outros;
- meios que possibilitam uma maior rapidez e uma qualidade nos resultados dos trabalhos, permitindo minimizar o sentido de fracasso ou a insegurança pessoal;
- meios de incremento à comunicação e à colaboração, por permitir a realização de projectos em pares ou em grupos;
- meios que permitem a avaliação, o diagnóstico e a detecção do progresso do aluno/jovem e a própria avaliação da eficácia dos meios utilizados.
3–L
IMITAÇÕESJackie and Steve Brand (...) found little help in 1983, when they realized their 6-years-old daughter. Shoshana has multiple disabilities, including cerebral plasy and poor vision. “The standard teaching tools just weren’t working” Jackie Brand says. Her husband took a one- year sabbatical from his teaching job, went to computer school and eventually put together a system Shoshana could use. It has a touch-sensitive keyboard with large keys and a synthesizer that gave voice to whatever she typed, so she could hear what she was doing rather than having to see it on the monitor. “My daughter played for the first time in her life (…) but that time she was 9” says Jackie.” (Levine, 1992, p. 415)
Uma das grandes limitações da aplicação das Novas Tecnologias realçada por vários autores, como Sanches (1991) e López y López (1994), são os custos económicos que implicam as soluções encontradas para cada criança/jovem comportam. Muitas dessas soluções passam por uma política educacional de implemento e de incentivo a projectos de desenvolvimento de Novas Tecnologias aplicadas à Educação Especial. Graça (1995) realça a importância de se considerar quer a vertente “design for all”, quer a vertente “assistive technology”. Através da primeira vertente, as populações com necessidades especiais são “tidas em consideração, tão extensivamente quanto possível, durante a fase de concepção de novos projectos” (Graça, 1995, p.56). Na segunda vertente, procuram-se novos interfaces, produtos e serviços, em substituição de certas capacidades funcionais, de forma a permitir o acesso e a utilização dos produtos tecnológicos normalizados, já existentes ou em desenvolvimento.
Outra das limitações, focada por diversos autores3, é a necessidade de formação específica por parte dos profissionais que trabalham com estas crianças e jovens, sobretudo por parte dos professores. Não é demais realçar o facto que a introdução de meios tecnológicos deverá ser precedida de uma correcta avaliação da situação particular de cada criança ou jovem e do contexto onde está inserido para se chegar à solução mais correcta e apropriada. Se é certo que, na Educação Especial, este processo terá que surgir da colaboração entre vários agentes implicados no processo, que não só os de educação, pelas problemáticas que encerra, vão ser os professores que terão que integrar os meios tecnológicos em contexto educativo e potencializar as vantagens que esses meios comportam para a criança ou jovem. As
3 Entre os quais: Balbás (1991), López y López (1994), Sánchez (1997), Arnáiz & Ortiz, (1998), Rodrigues (1999) e López (2001).
atitudes de receio ou de “tecnofobia” (López y López, 1994), assim como de ignorância, constituem um grande entrave à correcta utilização dos meios tecnológicos de crianças/jovens com NEE.
Actualmente, o uso de Novas Tecnologias possibilita que uma criança com deficiência motora severa possa interagir com o mundo e realizar aprendizagens essenciais para o seu desenvolvimento cognitivo que, há poucos anos, seriam impensáveis. No entanto, tal como adverte Sancho (2001), o uso de uma tecnologia não dá “respuesta a los problemas de relación, integración social y afectividad que suelen enfrentar los indivíduos escepcionales” (p. 30).