Segundo a Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP), o cimento Portland é um pó fino com propriedades aglomerantes, aglutinantes ou ligantes, que endurece sob ação da água. Misturado com água e outros materiais de construção (areia, pedra britada, pó-de-pedra, cal, etc.) resulta nos concretos e nas argamassas usadas na construção civil, cujas características e propriedades vão depender da
qualidade e proporções dos materiais com que são compostos. Dentre eles, entretanto, o cimento é o mais ativo, do ponto de vista químico (ABCP, 2002).
O cimento, por sua vez, é composto de clínquer e de adições minerais:
a) clínquer: é o principal componente e está presente em todos os tipos de cimento Portland. Tem como matérias-primas o calcário e a argila, cuja mistura, em proporções adequadas, após moagem, atravessa um forno giratório de grande diâmetro e comprimento a 1450ºC. O intenso calor produz um novo material, denominado clínquer, que se apresenta sob a forma de pelotas. Na saída do forno, este é resfriado para, posteriormente, ser finamente moído, transformando-se em pó. O clínquer em pó reage quimicamente na presença de água, tornando-se pastoso e, em seguida, endurecendo, adquirindo elevada resistência e durabilidade;
b) adições minerais: são outras matérias-primas que, misturadas ao clínquer na fase de moagem, permitem a fabricação dos diversos tipos de cimento. São elas:
- gesso: tem como função básica controlar o tempo de pega, isto é, o início do endurecimento do clínquer moído quando este é misturado com água e, por isso, ele é uma adição presente em todos os tipos de cimento. Geralmente, a quantidade adicionada é de 3% de gesso para 97% de clínquer, em massa;
- escórias de alto-forno: são obtidas durante a produção de ferro-gusa nas indústrias siderúrgicas. São ligantes hidráulicos muito resistentes, ou seja, reagem em presença de água, desenvolvendo características aglomerantes de forma muito semelhante às do clínquer. Essa adição, guardadas certas proporções, permite que se obtenha um tipo de cimento que apresenta melhoria de algumas propriedades, como durabilidade e resistência final;
- materiais pozolânicos: são rochas vulcânicas ou matérias orgânicas fossilizadas encontradas na natureza, certos tipos de argilas queimadas em elevadas temperaturas (550ºC a 900ºC) e derivados da queima de
carvão mineral nas usinas termelétricas, entre outros. Os materiais pozolânicos também apresentam a propriedade de ligantes hidráulicos quando pulverizados em partículas muito finas e colocados, em quantidades adequadas, em presença de água e, ainda, em presença de mais um outro material. O clínquer é um desses materiais, pois no processo de hidratação libera hidróxido de cálcio (cal) que reage com a pozolana. O cimento assim obtido oferece, como uma de suas vantagens, maior impermeabilidade a concretos e argamassas;
- materiais carbonáticos: são rochas moídas, que apresentam carbonato de cálcio em sua constituição, tais como o próprio calcário. Essa adição serve também para tornar os concretos e as argamassas mais trabalháveis, porque os grãos ou partículas desses materiais moídos têm dimensões adequadas para se alojar entre os grãos ou partículas dos demais componentes do cimento, funcionando como um verdadeiro lubrificante. Quando presentes no cimento são conhecidos como fíler calcário.
A maioria dos tipos de cimento existentes no mercado serve para o uso geral. Alguns deles, entretanto, em função de sua composição, possuem certas características e propriedades que os tornam mais adequados para determinados usos, permitindo que se obtenham concretos ou argamassas com a resistência e durabilidade desejadas, de forma mais econômica. Os principais tipos de cimento Portland são: comum, composto, de alto-forno, pozolânico, de alta resistência inicial, resistente a sulfatos, branco, de baixo calor de hidratação, para poços petrolíferos (ABCP, 2002).
O cimento Portland branco se diferencia dos demais pela coloração branca, obtida a partir de matérias-primas com baixos teores de óxidos de ferro e manganês e por condições especiais durante a fabricação, tais como resfriamento e moagem do produto e, principalmente, utilizando o caulim no lugar da argila. O índice de brancura deve ser maior que 78%. Adequado aos projetos arquitetônicos mais ousados, o cimento branco oferece a possibilidade de escolha de cores, uma vez que pode ser associado a pigmentos coloridos.
Esse cimento é regulamentado pela norma NBR 12989 (ABNT, 1993b), que o classifica em dois subtipos: cimento Portland branco estrutural e não-estrutural, cujas composições são apresentadas na Tabela 3.
Tabela 3 – Composição dos cimentos Portland brancos.
Composição (% em massa) Tipo de cimento
Portland
Código de identificação (sigla +
classe) Clínquer branco + gesso Material carbonático
Branco estrutural CPB-25 CPB-32 CPB-40 100 a 75 0 a 25 Branco não-estrutural CPB 74 a 50 26 a 50 Fonte: ABNT, 1993.
O cimento Portland branco estrutural é aplicado em concretos brancos para fins arquitetônicos, possuindo as classes de resistência 25, 32 e 40, similares às dos outros tipos de cimento. Estas classes apontam os valores mínimos de resistência à compressão, garantidos pelo fabricante, aos 28 dias de idade (25 MPa, 32 MPa e 40 MPa, respectivamente).
Esse tipo de cimento pode ser utilizado em: concreto armado com função estrutural; concreto protendido com protensão das barras antes do lançamento do concreto; concreto protendido com protensão das barras após o endurecimento do concreto; concreto armado para desforma rápida, curado por aspersão de água ou produto químico; concreto armado para desforma rápida, curado a vapor ou com outro tipo de cura térmica; elementos pré-moldados de concreto e artefatos de cimento curados por aspersão de água; elementos pré-moldados de concreto e artefatos de cimento para desforma rápida, curados por aspersão de água; elementos pré- moldados de concreto e artefatos de cimento para desforma rápida, curados a vapor ou com outro tipo de cura térmica; concreto arquitetônico; argamassa armada (ABCP, 2002).
Já o cimento Portland branco não-estrutural não tem indicação de classe e é aplicado, por exemplo, no rejuntamento de azulejos e na fabricação de ladrilhos hidráulicos, isto é, em aplicações não estruturais.
Os cimentos Portland brancos devem atender às exigências químicas indicadas na Tabela 4 a seguir.
Tabela 4 – Exigências químicas.
Limites (% da massa) Determinações químicas
CPB-25 CPB-32 CPB-40 CPB
Resíduo insolúvel (RI) 3,5 3,5 3,5 7,0 Perda ao fogo (PF) 12,0 12,0 12,0 27,0 Óxido de magnésio (MgO) 6,5 6,5 6,5 10,0 Trióxido de enxofre (SO3) 4,0 4,0 4,0 4,0
Anidrido carbônico (CO2) 11,0 11,0 11,0 25,0
Fonte: ABNT, 1993.
A Tabela 5 mostra de que forma os diversos tipos de cimento agem sobre as argamassas e concretos de função estrutural com eles constituídos.
Tabela 5 – Influência dos tipos de cimento nas argamassas e concretos.
Tipo de cimento Portland * Propriedade CP I
CP II CP III CP IV CP V-ARI RS CPB-E BCH
Resistência à compressão Padrão Menor nos primeiros dias e maior no final da cura Menor nos primeiros dias e maior no final da cura Muito maior nos primeiros dias Padrão Padrão Menor nos primeiros dias e padrão no final da cura Calor gerado na reação do cimento
com a água Padrão Menor Menor Maior Padrão Maior Menor Impermeabilidade Padrão Maior Maior Padrão Padrão Padrão Padrão
Resistência aos agentes agressivos (água
do mar e de esgotos)
Padrão Maior Maior Menor Maior Menor Maior
Durabilidade Padrão Maior Maior Padrão Maior Padrão Maior * CP I: comum; CP II: composto; CP III: alto-forno; CP IV: pozolânico; CP V-ARI: alta resistência inicial; RS: resistente a sulfatos; CPB-E: branco estrutural; BCH: baixo calor de hidratação.
As influências das propriedades podem ser ampliadas ou reduzidas dependendo da modificação na quantidade dos componentes das argamassas e concretos, especialmente a água e o cimento. As características dos demais materiais constituintes, que são principalmente os agregados (areia, pedra britada, pó-de- pedra, etc.), assim como o uso de aditivos químicos, também poderão alterar o grau de influência nas propriedades finais.
Para se obter uma composição com melhor custo-benefício, é necessário, portanto, estudar a dosagem ideal dos componentes das argamassas e concretos a partir do tipo de cimento escolhido. Além disso, é indispensável fazer corretamente o adensamento e a cura, pois, caso contrário, podem ocorrer problemas como baixa resistência, trincas e fissuras, corrosão da armadura, etc. (ABCP, 2002).