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Diskusjon og avslutning

Entende-se por SIG um conjunto de Hardware e Software utilizados no tratamento da informação georreferenciada. São sistemas capazes de tratar informações complexas ligadas a várias áreas do saber, permitindo assim responder rapidamente e com elevada precisão aos problemas do dia-a-dia das sociedades. Os SIG abarcam

40 Neste contexto, a heterogeneidade pode ser entendida como a complexidade e as dinâmicas resultantes

algumas componentes que possibilitam a sua compreensão, nomeadamente: a informação geográfica georreferenciada e o espaço geográfico.

Não obstante, é de salientar que a tecnologia é uma forte componente a ter em consideração, dado que, “o suporte tecnológico relacionado com a informação geográfica tem registado significativas alterações desde finais dos anos 50. Nestes últimos anos tem-se registado a afirmação das tecnologias de Informação Geográfica” (Julião; 2001:82). Na verdade, essa afirmação tecnológica tem possibilitado uma grande expansão dos SIG às diversas áreas do conhecimento.

De acordo com Raper, J, 1991 apud Machado (2000:240), “os SIG são, conjuntos integrados de Hardware e Software capazes de desempenhar funções diversas, nomeadamente, a captura, organização, manipulação, análise, modelação e apresentação de dados espacialmente referenciados e destinando-se a resolver problemas complexos de planeamento e de gestão”.

Neste sentido, podem ser definidos como “sistemas computacionais, usados para o entendimento dos factos e fenómenos que ocorrem no espaço geográfico. A sua capacidade em reunir uma grande quantidade de dados convencionais de expressão espacial, estruturando-os e integrando-os adequadamente, torna-os ferramentas essenciais para a manipulação das informações geográficas” (Carvalho et. al 2000:14).

Por sua vez, Sena, M. 1986:2 apud Machado 2000:240, descreve-os como, “um conjunto organizado de procedimentos para gerir dados geográficos e para analisar, de modo a obter informações que sirvam de apoio a uma tomada de decisões, ou seja, a um processo orientado para a acção”.

A afirmação destes sistemas é cada vez mais visível, tornando-os importantes ferramentas para quase todas as circunstâncias do dia-a-dia, funcionando como ferramentas imprescindíveis para o Ordenamento territorial e gestão dos recursos naturais e económicos escassos, dado que, permitem analisar e avaliar grandes quantidades de dados em qualquer circunstâncias e de diferentes origens e áreas do saber.

Assim sendo, um SIG pode ser visto como, “um sistema que integra a aquisição, o armazenamento, a análise (estatística e de modelos espaciais) e a apresentação em gráficos e mapas de dados geográficos relativos a referências espaciais associadas aos fenómenos que estão a ser avaliados” (Santana 2005:40). “Sendo que, a principal

finalidade é a eficiente captação, armazenamento, análise e recuperação de dados referentes às suas localizações geográficas” (Neto, 1998:7).

Segundo Cosme (2012:18), Pode-se definir um SIG como um “suporte e um conjunto de procedimentos para a recolha, o armazenamento, a pesquisa, a análise, a representação, a visualização e a disponibilização e publicação de dados geográficos. Estes dados podem ser representados por pontos, linhas, polígonos ou volumes”.

Ao longo dos anos, estes sistemas têm-se posicionado cada vez mais como instrumentos de grande importância nos processos não só de Ordenamento do Território, como também da saúde pública em particular. Neste contexto, “a informação geográfica surge, assim, como um elemento necessário e sem o qual era difícil ao homem compreender, modificar ou ordenar o espaço” (Neto; 1998:2).

Não obstante, para conhecer melhor e ordenar a informação41 epidemiológica, é imprescindível um tratamento adequado dos dados. Assim, a manipulação da informação através dos SIG, recorrendo as ferramentas de AE, tem permitido uma maior diversificação e dinâmica sobretudo, no que respeita ao tratamento dos dados de saúde.

Como refere Chissingui (2012:64), “nota-se uma diversificação de trabalhos no campo da saúde, pois outras áreas de aplicação continuam a surgir, como análise da distribuição espacial dos serviços de saúde (equipamentos); planeamento e optimização de recursos de saúde, estudo de acessibilidade (física, económica, social, étnica, psicológica) e a utilização dos serviços de saúde”.

A diversificação das áreas de aplicação dos SIG no campo da saúde é uma tendência que tem vindo a ser potencializada com a aplicação das ferramentas de AE nos processos de tratamento e análise dos dados. Na verdade, esta aplicação resultou indubitavelmente da incorporação de novas ferramentas que vieram permitir alargar o campo de análise dos fenómenos, possibilitando a formulação de questões pertinentes, tais como: quais são as potencialidades dos SIG como ferramentas para gestão de dados? Qual é o alcance dos instrumentos de AE no domínio da saúde?

41 Sobre a importância da informação geográfica e o papel que os SIG têm vindo a desempenhar, ver

Julião (2001:84).

Neste sentido, Machado (2000:225), defende que, o “desenvolvimento e implementação dos sistemas de informação geográfica exigem uma grande atenção e abertura às tendências de evolução do pensamento contemporâneo e das tecnologias, exigem a participação de pessoas dispondo de formação multidisciplinar, implicam experiência teórica e prática, exigem a necessidade de recorrer num contexto de humildade recíproca, à contribuição de diversos especialistas”.

Como foi anteriormente dito, os SIG, são instrumentos dotados de ferramentas, capazes de solucionar questões complexas, em diferentes áreas do saber, sendo a saúde uma das áreas que ultimamente tem desempenhado um papel importantíssimo na utilização desses sistemas, com o objectivo de solucionar problemas e auxiliar a tomada de decisão.

Neste sentido, os SIG podem ser vistos como um conjunto de instrumentos capazes de um tratamento eficiente da informação geográfica, sendo que os seus princípios fundamentais centram-se particularmente na aquisição, integração, análise e visualização de dados georreferenciados42. Ora, isto é particularmente verdadeiro, dado que, o estudo da dispersão dos objectos/fenómenos no espaço pressupõe desde cedo, a existência da localização dos mesmos e as respectivas coordenadas43, de forma a estabelecer as relações espaciais e topológicas44 entre os diferentes objectos.

Tais instrumentos têm sido utilizados cada vez mais no sector da saúde pública, facto que se justifica não só com a necessidade de obter informação geográfica, mas também, com a capacidade destes em tratar de forma rápida e precisa a informação do domínio da saúde pública. São ferramentas fundamentais, dado que, permitem pôr em evidência os problemas e factos epidemiológicos, de forma a puder desenvolver projectos concretos e aumentar a equidade, sobretudo, no domínio da distribuição de recursos financeiros destinados ao sector da saúde.

Assim sendo, estes instrumentos, podem ser vistos como ferramentas essenciais à optimização das estratégias estabelecidas, surgindo como dinamizadores do sector da saúde e um aliado imprescindível no desenvolvimento de novas abordagens de pesquisa e investigação no domínio epidemiológico, permitindo simplificar muitos processos relacionados sobretudo com a gestão dos dados e com a localização dos casos epidemiológicos, respondendo assim às necessidades dos cidadãos em tempo apropriado.

42 Por dados georreferenciados, entenda-se todos os objectos/fenómenos presentes no território, com

coordenada x e y.

43 De acordo com Neto (1998:105), um SIG obriga a utilização de um sistema de coordenadas comum

para o tratamento do mesmo conjunto de dados geográficos e, portanto, o sistema de coordenadas deve ser escolhido tendo em conta esta característica.

44 Refere-se aos tipos de relacionamento que um objecto tem em relação aos outros, podendo ser de três