Relativamente aos resultados relativos aos itens do questionário destacamos o item “Gastar mais tempo a exercitar os melhores alunos” e o “Deve tratar-me de forma diferente porque sou rapaz ou rapariga”, em que se verificaram que em apenas alguns elementos do género masculino optaram por responder entre o “Algumas Vezes”, “Muitas Vezes” e o “Sempre”, isto poderá ter acontecido devido ao facto de em geral os rapazes serem mais competitivos do que as raparigas e em determinadas modalidades, essencialmente nos JDC considerarem-se superiores às raparigas, leva-os a pensar que o professor deve atribuir mais atenção a estes alunos do que aos outros. Neste caso é importante que o professor de EF promova nos alunos uma igualdade de oportunidades a todos os alunos, para que
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independentemente do género todos compreendam a importância de exercitar os alunos mais e menos dificuldades e de ambos os géneros.
Os resultados obtidos relativamente à perceção dos alunos nas diferentes dimensões são corroborados no estudo de Correia (2016), realizado apenas em alunos do género feminino do ensino secundário e também no estudo de Afonso (2016) com alunos do género masculino do ensino secundário. Na dimensão Comportamentos Inadequados cuja média de respostas se situa 1,3 e 1,9 respetivamente ou seja, entre as categorias “Nunca” e “Raramente” e na dimensão Organização e gestão da Aula com média de respostas de 4,4 e 4,3 respetivamente ou seja, na categoria “Muitas vezes”.
Assim, verificamos que em todos os estudos, na dimensão Comportamentos inadequados a questão que maior desvalorização teve por parte dos alunos foi “Fazer comentários pessoais desagradáveis” e na dimensão Organização e gestão da Aula, foi a questão “Ser positivo perante a turma” aquela que maior valorização teve por parte dos alunos.
Assim, parece-nos evidente que os alunos valorizam a empatia criada entre aluno e professor, assim como um bom controlo de aula, evitando comportamentos inapropriados, fazendo assim com que se sintam mais motivados para a realização das aulas. Tal como defendem os autores Meireles, Moreira e Santos (2013) um dos comportamentos mais relevantes na identificação de um bom professor de EF é o entusiasmo e empatia que revela durante as aulas.
Já na dimensão Conhecimento e Competência didática os resultados do presente estudo foram relativamente superiores aos do estudo de Correia (2016) e Afonso (2016) que apresentaram uma média de resposta 3,6 em ambos. Podemos assim concluir que os alunos da nossa amostra valorizam mais os comportamentos relacionados a esta dimensão tais como “Ser empenhado”, “Explicar e incentivar o espírito desportivo (Fair-Play)”, “Promover uma boa ocupação de espaço da aula” e “Ter conhecimento sobre a avaliação e desenvolvimento da condição física”.
Este resultado pode ser justificado pelo facto de os alunos do nosso estudo terem uma média de idades inferior, fazendo com que o nível das matérias não seja tão elevado e, faça com que o professor tenha que demonstrar um conhecimento mais aprofundado sobre as ações específicas da EF. Para além disso os alunos mais novos face a uma menor experiência revelam uma maior curiosidade levando assim a uma valorização dos conhecimentos didáticos do
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professor de EF. Tal como refere Jenkins (2014) é essencial que o docente tenha um conhecimento aprofundado dos conteúdos que vai abordar em prol do sucesso dos alunos. Estes resultados vão ainda de encontro ao estudo de Vidal (2001) e Leal e Carreiro da Costa (1997) que referem que a atitude dos alunos para com a EF vai diminuindo com o aumento do ano de escolaridade. Por essa razão os alunos mais novos ao terem uma melhor atitude face à EF, reconhecem mais, a importância do conhecimento didático do professor.
Os resultados obtidos relativamente à perceção dos professores nas diferentes dimensões são corroborados no estudo Resende, Santana, Santos e Castro (2014), visto que verificaram que um dos itens mais valorizados pelos professores de EF está relacionado com as competências específicas do professor, ou seja, num contexto de prática pedagógica o professor deve aplicar todas as suas capacidades. Ainda no mesmo estudo ficou evidente que o domínio pelos conteúdos e metodologias específicas da EF devem ser dominadas. Também no estudo de Albuquerque (2010) se verificou que 80% dos inquiridos (professores) apresentaram o “conhecimento específico” como caraterística essencial num professor.
Relativamente às dimensões dos “Comportamentos Inapropriados”, os professores demonstram uma desvalorização deste tipo de comportamentos entre os quais, “Fazer comentários pessoais desagradáveis”, “Demonstrar favoritismo em relação aos melhores alunos” e, “Usar o poder do professor para intimidar o aluno”. O que revela este tipo de comportamentos não devem ocorrer na aula de EF assim como nas ações quotidianas.
Na dimensão “Organização e Gestão da Aula” verificamos que os professores valorizam também estas situações, demonstrando que os aspetos como o controlo da aula, uma atitude positiva perante a turma, bem como o iniciar e terminar as atividades à hora prevista são determinantes para um PEA eficaz, tal como Bento (2003) que refere a gestão, disciplina, clima e instrução como componentes essenciais para a prática pedagógica.
Quando comparados os resultados entre a perceção dos alunos e professores, constatamos que foram nas dimensões “Conhecimento e Competência Didática” e “Organização e Gestão de Aula” que existiram diferenças estatisticamente significativas “(p=0,02 e p=0,00 respetivamente) visto que os professores apresentam resultados superiores ao dos alunos que evidenciam uma maior valorização dos comportamentos relativos a estas competências. No que diz respeito à dimensão “Comportamentos Inapropriados”, não se verificaram diferenças
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estatisticamente significativas (p>0,05), demonstrando que ambos desvalorizam de forma similar este tipo de comportamentos.
Tendo em conta os resultados anteriormente verificados podemos concluir que independentemente do ano de escolaridade e género do aluno e de ser aluno e professor, todos valorizaram os comportamentos que caraterizam o comportamento de um bom professor e da mesma forma desvalorizam os comportamentos inapropriados de para um bom professor de EF. Com efeito, perspetivando sempre um ensino saudável e eficaz, o professor deve refletir sobre os assuntos e/ou matérias a lecionar, avaliar a turma em diversas situações, momentos e circunstâncias, deve também “construir” uma planificação (planeamento) e alterá-la caso seja necessário, e usar as melhores estratégias e habilidades para instruir, orientar, acompanhar e conduzir os discentes ao sucesso educativo. Todo este procedimento deve ser fruto de muita reflexão e ponderação.
O professor deve por em prática uma comunicação assertiva, transmitir ensinamentos, conhecimentos e conteúdos que os alunos possam “levar” e aplicar em toda a sua vida. O professor deve interrogar-se a si mesmo sobre a sua prática de ensino, só assim, se torna reflexivo, e poderá melhorar a sua ação no futuro e assim estar constantemente num processo de evolução da sua atividade.
Há diversos indicadores, características e elementos que devem estar sempre presentes na prática pedagógica, e que já foram mencionados anteriormente cujo objetivo deve passar por uma transformação social e humanística em busca de uma sociedade mais democrática, “aberta”, justa, sustentável, holística, equilibrada, solidária, dialogante, de igualdade de oportunidades para todos, com cidadãos mais autónomos, livres, capazes e felizes. Uma conduta pedagógica orientada para o bem, para um compromisso ético. Tal compromisso envolve direcionar a ação pedagógica por princípios da ética, da justiça, do respeito, da justiça, e da solidariedade, que são impulsionadores/promotores da cidadania, do diálogo, da liberdade, da igualdade, da fraternidade e por consequência da democracia.
Deste modo, o professor não é apenas um intermediário inovador mas igualmente um agente capaz de inovar eficientemente. Para isso, a importância da formação ao longo da vida é essencial. A atualização profissional é importantíssima, ajudando o professor a responder às necessidades reias do presente e do futuro, com uma certeza de que as necessidades de “ontem” já não são as mesmas de “hoje” nem as de ”amanhã”. Posto isto, o professor para o
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século XXI deve estar sempre muito bem informado, ciente das necessidades presentes, responsável, com capacidade de lidar com a maioria dos problemas atuais, bem como o domínio das novas tecnologias. Sendo assim, tendo em conta a transformação e massificação crescente no mundo do trabalho atual, torna-se fundamental que os professores sejam capazes de inovar, de serem criativos, terem uma visão diferente e futurista, de forma a atingirem o sucesso.
São diversos os indicadores descritos ao longo deste documento para o “Bom Professor”, desde a capacidade de motivar e cativar os alunos, de dominar os conteúdos, de desenvolver uma boa relação com os alunos, ser compreensivo, tolerante disponível, acessível, assíduo, pontual, “exigente” e saber relacionar a teoria com a prática.
Pela “investigação”, conhecimento e experiências adquiridas, não se obtém uma resposta certa, pronta e acabada para definir o “Bom” Professor, visto que todas as situações são únicas. Não há “receitas”, porém com esta riqueza de estudo e aprendizagens, podemos cruzar os diferentes conhecimentos/experiências, criando a partir daí a melhor resposta para cada uma das novas situações que surgem, que enfrentamos enquanto Professores de EF.
Este estudo vem preencher, enriquecer e dar mais um contributo para o conhecimento científico e sistemático sobre a temática complexa e inacabada do “Bom Professor” e bem contribuir para o desenvolvimento do panorama nesta área pedagógica tão relevante, rica, diversificada e fundamental para o sucesso do PEA.
Vivemos um período marcado por imensos avanços e/ou progressos vertiginosos, impulsivos e alucinantes que nos fazem integrantes da internacionalização política, cultural e económica, bem como de um sistema global de progresso tecnológico e científico que atinge toda a sociedade, logo que influencia também o meio educativo. Para tal, as escolas devem ser o centro de gestão da ação curricular, mais autónomas, mais flexíveis, e envolvidas com o meio envolvente das mesmas. Focadas no tempo e no espaço na forma de agir, tendo em conta o respeito pela multiculturalidade, pelo ensino diferenciado e pela igualdade! Pois bem, a definição de “Bom Professor” não “foge” a esta regra. Tal como em tudo, também está sempre na moda, falar-se, estudar-se, investigar-se, questionar-se, como melhor definir o “Bom Professor” ou por outras palavras o “Professor Eficaz” numa perspetiva de melhoria constante e de desenvolvimento da qualidade e relevância do ensino nomeadamente num “agente” fundamental do processo de ensino aprendizagem que é o professor.
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É fundamental que os futuros professores de EF conheçam o que é necessário para atuarem com qualidade, eficácia e eficiência. Além da utilidade do conhecimento/experiências adquiridas no percurso académico, é pertinente obter a opinião dos professores/alunos, acerca do que consideram ser um Bom Professor de EF (ambos intervenientes no PEA). O bom professor é decisivo para a qualidade dos sistemas educativos, podendo ser investigado e/ou analisado sob diversas (subjetivo) opiniões e interpretações.
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Capítulo V