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Antes de conhecermos a metodologia e o corpus da análise e após uma breve

apresentação dos jornais visados neste estudo, importa conhecê-los agora

pormenorizadamente. Como já referimos, os dois jornais inquiridos são o Correio da Manhã e o Público, ambos de referência nacional, embora possuam estilos e linhas de trabalhos bastante diversificadas. Comecemos por apresentar o jornal Correio da Manhã.

O Correio da Manhã282930 é um diário matutino nacional. Conheceu a sua primeira publicação no dia 19 de Março de 1979, e foi fundado por Vítor Direito, para ―responder às preocupações do homem da rua‖. Este jornal31 é, actualmente, o que mais tiragens vende em

Portugal, segundo os resultados da APCT32.

Sendo um jornal que afirma ter nascido para contrariar a linha editorial de todos os restantes jornais da altura, o Correio da Manhã nunca se teve como um jornal político. Aliás, foi esse o primeiro factor que ditou o seu sucesso nos primeiros anos de vida, sendo que era o único jornal a editar aos domingos,33 naquela época. Pioneiro, desde os seus inícios, a

28 Correio da Manhã também designado pelas iniciais CM; 29 Jornal Correio da Manhã pertence ao grupo Cofina;

30 Estatuto Editorial do jornal Correio da Manhã, disponível em anexos;

31 Segundo os resultados da Associação Portuguesa para o Controlo de Tiragem e Circulação (APCT), o

Correio da Manhã é, segundo os resultados do último trimestre de 2010, o jornal de mais tiragem em Portugal. Toda a informação disponível em anexos:

http://www.apct.pt/analisesimples_00.aspx?publicacaosegmentoid=2&segselecionado=13 (consultado a 16-4-2011);

32 Pela sigla APCT compreende-se Associação Portuguesa para o Controlo de Tiragem e Circulação; 33 Acontecimento que era tradição na imprensa portuguesa mas que foi interrompida pelo 25 de Abril,

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promover e patrocinar todo o tipo de espectáculos e eventos, como por exemplo ―as misses‖, o Correio da Manhã era considerado ―popular sem ser popularuxo‖(Teixeira in Público: 2004). Carlos Barbosa34, antigo gestor do jornal, afirma mesmo que o CM era dos poucos jornais

completamente independente de dependências partidárias.

Actualmente, é um jornal sujeito a alguns constrangimentos na ordem do tipo de exposição que realiza sobre os vários assuntos, sendo considerado para alguns um jornal popular sensacionalista devido ao forte apelo emocional que exerce sobre o leitor ao enfatizar pormenorizadamente acontecimentos trágicos e que apenas diriam respeito à esfera privada dos envolvidos no assunto. Contudo, e sendo aquilo que unicamente nos interessa, a sua análise refere alguns aspectos importantes e dignos de revelar neste estudo, sendo que, aquilo que nos importa retirar desta investigação é apenas a orientação editorial do jornal na representação de uma crise política e económica.

Este diário foi sem margem de dúvida um dos nossos eleitos devido à elevada cobertura que fez sobre o assunto da crise, tal como o jornal Público35. Abordagem, contudo, bastante diferente como mais à frente perceberemos. Com uma linha editorial já característica, considerada fora do comum e pouco convencional, o Correio da Manhã apresenta-se hoje como um jornal que oferece aquilo que os leitores procuram, como refere Sérgio Azevedo36, editor de política do CM.

Por outro lado, apresentamos o jornal Público3738. O Público, o nosso segundo jornal eleito, conta já com 11 anos de existência, sendo que a sua primeira publicação remonta ao dia 5 de Março de 1990. Actualmente, o jornal Público é dirigido por Bárbara Reis, contando com a colaboração enquanto cronistas, de inúmeras figuras conhecidas da nossa praça pública, nomes como Vasco Pulido Valente, Constança Cunha e Sá, José Miguel Júdice, entre outros.

Considerado um jornal político, o Público desde cedo se destacou pelo seu rigor informativo e por abranger um vasto leque de informação acerca de política, economia e sociedade. Dito, segundo o seu estatuto editorial39, como um jornal completamente isento de

qualquer tipo de ideologia ou posição política, para a maioria é categorizado como um jornal de referência, atraindo para si um tipo de público fiel e atento que o adopta como uma preferência na área da imprensa. Sendo que, cedo conquistou este estatuto.

34 Carlos Barbosa é actualmente gestor na Portugal Telecom e através da Lusomundo controla o jornal

Diário de Notícias, entre outros. Toda a informação retirada, disponível em:

http://www.publico.pt/Media/correio-da-manha-o-jornal-que-nasceu-para-responder-as-preocupacoes- do-homem-da-rua_1188980 (consultado a 16-4-2011).

35 Também designado pelas iniciais PUB;

36 Sérgio Azevedo, editor de política no CM; informação retirada de entrevista concedida pelo mesmo ao

Fora da Linha:

http://www2.fcsh.unl.pt/cadeiras/plataforma/foralinha/atelier/a/www/view.asp?edicao=10&artigo=39 3 (consultado a 6-4-2011).

37 Jornal Público pertence ao grupo Sonaecom. Por sua vez, a Sonaecom consiste numa junção do grupo

Sonae com a área das telecomunicações, dos media e sistemas de informação. Consiste hoje numa empresa que investe cada vez mais na área da prestação de serviços no âmbito da informação e das telecomunicações.

38 Estatuto editorial do jornal Público, disponível em anexos. 39 Idem

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Actualmente, vê um pouco abalada esta sua imagem de grande rigor informativo, devido ao facto de ser apontado como tendencioso em relação a algumas situações de natureza política e social. De qualquer das formas, não sendo nossa função apontar defeitos e virtudes, apenas nos vamos centrar no estudo deste jornal no que diz respeito à representação que fez dos acontecimentos que demarcaram o passado dia 23 de Março.

Com esta sucinta apresentação dos dois jornais, apenas quisemos mostrar os dois lados da medalha, sendo que aprofundaremos mais essa questão quando elaborarmos a nossa própria noção do desempenho dos dois jornais, pelo menos, no que diz respeito à abordagem de uma crise política e de uma crise económica.

O facto de o Público assumir uma linha editorial bastante diferente da do jornal

Correia da Manhã, serviu para nós de pretexto, para termo de comparação com o CM, sendo

que, o que mais destaca a diferença entre os dois jornais é, sem dúvida, o tipo de prioridades informativas que cada um tem estabelecidas para si. Não menosprezando um em detrimento do desempenho do outro, pretendemos apenas analisar as diferenças entre um jornal e outro na abordagem e representação da crise política e da crise económica, nomeadamente, os dois episódios já referidos anteriormente.

Na nossa perspectiva, esta escolha é justificada a partir do momento em que ambos os jornais são diários e de circulação nacional e, principalmente, porque aos dois se reconhecem diferenças inegáveis no modo e tipo de abordagem que fazem sobre os vários acontecimentos.