A Secretaria de Logística e Tecnologia da Informação, Brasil (2009b), na elaboração do documento sobre os padrões Web, contextualiza acerca do que constitui sítio e portal, numa abordagem de forma simplificada:
a) sítio - um conjunto de páginas contendo informações e serviços de uma unidade, órgão ou instituição. Os sítios podem ser divididos em institucionais ou temáticos, e ainda, sítios promocionais;
- sítio Institucional - aquele que contém informações relativas a um órgão ou entidade. Ex: Sítio da Universidade Federal do Ceará (www.ufc.br); - sítio temático - contém informações ou serviços relativos a um assunto
específico, independentemente da estrutura institucional da Administração Pública. Exemplo: Portal da Transparência (portaltransparencia.gov.br);
- sítio promocional (hot-site) - caracterizado pela efemeridade, têm um tempo de vida determinado, a partir de um objetivo específico, como a divulgação de um evento ou de um novo produto; e
b) portais - um conjunto de informações dispostas em páginas na Web, de órgãos e unidades diferentes, muitos serviços e outros sítios eletrônicos agregados. Contém estrutura complexa, com acesso randômico a diversas aplicações, informações e serviços, além de componentes especializados - notícias, buscas, agenda, contatos, entre outros. Os canais, ou seções, são unificados pelo desenho e pelo fluxo de interação.
Conforme Brasil (2011), um bom sítio proporciona ao cidadão uma visita agradável e ajuda a cumprir seu objetivo de maneira transparente. Um sítio bem estruturado possui as seguintes características:
a) objetivo - encontrar o que procura de maneira fácil e direta, sem a necessidade de navegar ou decodificar informações;
b) carregamento rápido - evitar que o usuário se impaciente e desista do sítio, principalmente se o motivo da espera for um recurso/tecnologia não diretamente ligado ao seu objetivo, como vídeos promocionais, elementos animados ou em excesso;
c) acessibilidade - pensar em todos, tornando acessível às pessoas com deficiência, usuários de qualquer meio, conexão ou plataforma: computadores de mesa, notebooks, palms, celulares etc;
d) navegação - evidenciar o conteúdo principal, permitindo que o usuário navegue livremente, mas mesmo assim, estar sempre perto do conteúdo principal. Áreas que contém o objetivo maior do sítio devem ser privilegiadas na página inicial e seu caminho seja claramente demarcado; e
e) contato - ouvir, entender, atender e viabilizar, de forma fácil e transparente, o contato do usuário com os responsáveis pelo desenvolvimento do sítio ou portal.
Segundo Melo, Baranauskas e Bonilha (2004), a acessibilidade da rede mundial de computadores se caracteriza pela flexibilidade da informação e interação relativa ao respectivo dispositivo de apresentação. Essa flexibilidade deve favorecer a sua utilização por pessoas com deficiências, bem como a utilização em variados ambientes e situações e por meio de vários equipamentos ou navegadores.
Consoante Sonza (2008), essas características são consideradas essenciais para que a maioria dos usuários seja bem-vinda em todas as interfaces, inclusive aqueles que possuem alguma limitação sensorial, físico-motora ou cognitiva. Além de permitir o passaporte ao mundo virtual a todos os cidadãos, independentemente de tecnologia, situação ou limitação, constitui um requisito que serve de base para uma sociedade inclusiva, onde todos possam ter vez e voz.
Sonza, Espeiorin e Tristacci (2007) relataram que o W3C publicou as Diretrizes para Acessibilidade do Conteúdo Web (Web Content Accessibility Guidelines – WCAG 1.0), sendo, até hoje, a principal referência em termos de acessibilidade no mundo da Internet. Tem como pretensão tornar o conteúdo WWW acessível a pessoas com deficiências.
As diretrizes para o desenvolvimento de páginas acessíveis são: a) fornecer alternativas equivalentes ao conteúdo sonoro e visual; b) não recorrer apenas à cor;
c) utilizar corretamente anotações e folhas de estilo; d) indicar claramente qual o idioma utilizado;
e) criar tabelas passíveis de transformação harmoniosa;
f) assegurar que as páginas dotadas de novas tecnologias sejam transformadas harmoniosamente;
g) assegurar o controle do usuário sobre as alterações temporais do conteúdo; h) assegurar a acessibilidade direta de interfaces de usuário integradas; i) pautar a concepção pela independência em face de dispositivos; j) utilizar soluções de transição;
k) utilizar as tecnologias e as diretrizes do W3C; l) fornecer contexto e orientações;
m) fornecer mecanismos de navegação claros; e
n) assegurar a clareza e a simplicidade dos documentos.
Soares (2005 apud SONZA; ESPEIORIN; TRISTACCI, 2007) exprime que não basta ter uma página web acessível, sendo preponderante que ela também seja fácil de usar e entender. A diferença entre teoria e prática é grande quando o assunto é desenvolvimento de sítios acessíveis. De um lado, encontra-se uma página web com todas as regras de acessibilidade aplicadas, registradas e recomendados nas cartilhas e guias, e, do outro lado, uma página verdadeiramente acessível.
Uma funcionalidade imprescindível para que se respeitem os padrões de acessibilidade, conforme defendem Sonza, Santarosa e Conforto (2008), refere-se à
comunicabilidade aplicada, ou seja, à utilização de equivalentes textuais para todo o conteúdo não textual. Por conseguinte, tanto as imagens, sejam figuras, fotografias, botões, animações, linhas horizontais separadoras, mapas, quanto os filmes e sons, devem ser acompanhados de uma descrição textual; só que essa descrição deve ser coerente, ou seja, transmitir o que de fato aquela imagem corresponde, pois será por meio dela que o cego terá o entendimento de seu conteúdo.
O equivalente textual tem a função de traduzir em texto, em linguagem clara e simples, a imagem ou som, especialmente se eles possuírem uma funcionalidade, comunicando, dessa forma, ao usuário cego o conteúdo daquela imagem ou ao usuário com surdez, o conteúdo daquele som.
Quando o conteúdo não textual é disponibilizado também em forma textual, para usuários cegos ou com baixa visão, é necessária a utilização de um leitor de telas e sintetizador de voz para transmitir as informações, uma vez que não consegue ler nada além de textos.