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Com relação à análise do perfil dos entrevistados, a partir dos relatos destes e de algumas observações feitas pela pesquisadora, podemos descrevê-los da seguinte maneira: os três pertencem à mesma classe social, são do mesmo sexo e geração, e participam do mesmo movimento surdo na região do Distrito Federal, desempenhando funções diferenciadas e possuem uma formação acadêmica semelhante, apresentando um excelente nível de escolarização. Além de desempenharem várias funções, os entrevistados são professores de Libras.

De acordo com a legislação, esse profissional precisa ter um dos requisitos: graduação em Libras ou Prolibras (Exame Nacional para Certificação de Proficiência no Ensino da Língua Brasileira de Sinais – Libras, que certifica pessoas surdas ou ouvintes fluentes em Língua Brasileira de Sinais (Libras) que já concluíram o ensino superior ou ensino médio). Desse modo, para ser professor de Libras, é necessário ter concluído o ensino superior; enquanto o instrutor de Libras precisa ter apenas o ensino médio. O Decreto no 5.626/2005 indica que o professor de Libras pode exercer a função de instrutor; porém, o instrutor não está apto a atuar em espaços profissionais que exigem formação pedagógica. O instrutor pode apoiar a escola, mas não é um professor.

Realizado em duas etapas, sendo a primeira uma prova objetiva composta por questões de múltipla escolha sobre a compreensão da Libras e a segunda etapa uma prova prática, o Prolibras tornou o Brasil pioneiro na realização de um exame totalmente em língua de sinais com certificação aceita por Instituições Superiores ou de Educação Básica como títulos que comprovam a competência no uso e no ensino de Libras e na tradução e interpretação da Língua Brasileira de Sinais.

As diferentes secretarias, o Ministério da Educação (MEC) e o Instituto Nacional de Pesquisas em Educação (Inep), por meio de ações conjuntas, promoveram o primeiro, o segundo, o terceiro e o quarto Prolibras, realizados em parceria com a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) mediante o credenciamento desta pelo MEC. A partir de 2011, a realização do Prolibras passou a ser de responsabilidade do Instituto Nacional de Educação de Surdos (INES).

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4.3 RESULTADOS

A análise dos dados foi realizada considerando os relatos e as percepções individuais dos entrevistados; assim, as categorias foram investigadas e comparadas nas diferentes entrevistas. Essa análise buscou também explorar o sentido oculto dos depoimentos, considerando o lugar da fala, ou seja, quem fala de quem, o contexto, e as relações de poder envolvidas (FOCAULT, 1996).

A abordagem teórica adotada nessa análise permite a valorização dos aspectos descritivos, que são complementados pelas percepções e explicações pessoais, representando um recorte social, considerando a atividade psíquica como parte do materialismo que influencia no sentido subjetivo para uma população determinada dentro dos limites de uma cultura e de uma subjetividade social dominante.

Apresentamos como resultados uma análise comparativa das entrevistas de acordo com as categorias estabelecidas para direcionar a entrevista em profundidade, buscando responder ao objetivo da pesquisa, como: analisar a concepção da surdez nas perspectivas das lideranças do movimento surdo do Distrito Federal, em favor do seu reconhecimento como uma diversidade cultural, na subjetividade de seus líderes.

O resultado da análise das entrevistas confirmou o que a literatura vem apontando sobre a constituição identitária cultural da comunidade surda, através do paradigma socioantropológico. De acordo com Vygostsky (1989) as características tipicamente humanas não nascem com o indivíduo e também não resultam das pressões do meio externo, são resultantes da interação dialética do homem com seu meio sociocultural. O indivíduo transforma e é transformado pelo meio; é construída uma relação dinâmica e interpretativa entre o indivíduo e ambiente de natureza bidirecional e não linear. As funções psicológicas especificamente humanas se originam nas relações do indivíduo e seu contexto sociocultural.

O desenvolvimento mental humano depende do desenvolvimento histórico e das formas sociais da vida humana; como propõe Vygostsky (1989), isso ocorre baseado nas interações sociais, particularmente na linguagem. A língua de sinais é uma língua independente, com estruturas gramaticais, símbolos e ritmos próprios, propiciando o desenvolvimento da linguagem em pessoas surdas. Segundo Quadros (2006, p. 56):

As línguas de sinais são naturais, internamente e externamente, pois refletem a capacidade psicobiológica humana para a linguagem e porque surgiram da mesma forma que as línguas orais, ou seja, da necessidade específica e natural dos seres

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emoções. As línguas de sinais são sistemas linguísticos que passaram de geração em geração de pessoas surdas. São línguas que não derivam das línguas orais, mas fluíram de uma necessidade natural de comunicação entre pessoas que não utilizam o canal auditivo oral, mas o canal espaço visual como modalidade linguística.

Bourdieu (2003) ressalta que a linguagem é um fenômeno sócio-histórico e que as trocas linguísticas compõem as atividades práticas, e possuem, portanto, uma dimensão sócio- histórica. Para o autor, as classes superiores na sociedade estão dotadas de um habitus linguístico, que lhes permitem enfrentar com mais tranquilidade as circunstâncias adversas, enquanto as classes inferiores, cujas condições de existência estão menos propícias à aquisição de um habitus que coincida com os mercados oficiais, além de valorizar pouco esses produtos linguísticos, se mostram despreparadas para enfrentar as adversidades.

Para o autor, à medida que os sistemas de classificação são engendrados pelas condições sociais e que a estrutura objetiva de distribuição de bens materiais e simbólicos ocorre de forma desigual, toda a escolha tende a reproduzir as relações de dominação, certos estereótipos e as posições ocupadas num determinado campo. O autor observa que a tomada de consciência em relação à reprodução uniformizante do sistema educacional é ainda recente e corresponde à possibilidade de transformação da realidade excludente, visando à promoção da igualdade social.

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