Por meio dos resultados obtidos e expostos no capítulo anterior, conclui-se que: A análise morfológica do substrato atual com dados coletados em 2003 na região de estudo, permitiu a observação das alterações sofridas na área evidenciadas pelas características do relevo submerso por meio da batimetria. A grande alteração observada foi o nível das profundidades, que em 2003 variavam no intervalo de 0 a 6 metros e atualmente encontra-se em 0 a 4 metros.
As maiores profundidades são encontradas principalmente na parte central da lagoa, logo devido ao talvegue lagunar. Nas margens da lagoa há forte incidência das profundidades menores em detrimento ao encontrado em 2003. Tal fato, pode ser explicado pela constante movimentação de massas proveniente das mais diversas atividades (construções, aterros, plantações, desmatamentos e outros.) ao longo de 10 (dez) anos, resultando no assoreamento gradual de diversos pontos, isso agregado a ausência de uma regularidade chuvosa na região que contribuiu para o estado encontrado atualmente.
Foram identificadas 10 (dez) classes de uso e ocupação de maior relevância e realizada a análise das mudanças substanciais ao longo dos anos. As principais alterações observadas foram para área urbana, atividades agrícolas e solo exposto, com aumento de 18.42%, 2.97%, 5.72%, respectivamente. Tais acréscimos incidiram negativamente em áreas com características naturais, como áreas verdes, dunas e planície praial, que decresceram em 22.17%, 4.88% e 0.35%, respectivamente.
Notou-se o crescimento intenso da especulação imobiliária e que o crescimento urbano não se restringiu apenas no entorno da lagoa, mas em toda a sua bacia de contribuição, abrangendo desde o núcleo central urbano (sede de Aquiraz) à orla da praia.
As estimativas de produção de sedimentos mostraram a distinção dos valores em relação aos acréscimos e decréscimos de área do período de 2007 a 2012. Assim como, a influência da incidência pluviométrica nos anos limitantes, pois no primeiro ano obteve-se uma quadra chuvosa bem superior (1243.2 mm) que do último (574.5 mm) e isto influenciou no resultado final. De modo que em 2007 obteve-se uma estimativa total superior de 682.81 ton/ano, enquanto que no ano de 2012 obteve-se o total de 441.80 ton/ano. Mas, para ambos os anos as principais atividades contribuintes com a produção de sedimentos foram área descampada, Dunas-paleodunas-Planicie de deflação, faixa de praia e área urbana.
Para as características sedimentológicas do corpo lacustre há uma predominância da classe arenosa, principalmente de sedimentos finos e em seguida pela fração lamosa (silte- argila). À montante ocorre a supremacia da areia fina, acompanhada de material silte-argiloso às margens da lagoa, resultante da interferência expressiva da velocidade do fluxo hídrico oriundo do rio Catú. As margens lamosas podem estar diretamente relacionadas com as atividades antrópicas ali desenvolvidas. À jusante da lagoa, encontra-se a ocorrência homogênea de material fino e pontos isolados com sedimentos arenosos. Isto é possível pelo acúmulo de sedimentos na área oriundo das contribuições dunares, atividades de lazer, somado ao baixo fluxo do rio e contenção dos sedimentos pela barragem existente próximo ao campo de dunas, caracterizando-se como uma zona em processo de assoreamento. Corrobora- se que o sistema possui baixa energia a jusante e a montante ao meio da lagoa há uma considerável alta energia. No geral existe uma tendência majoritária para as frações finas.
A geoquímica para o ambiente lacustre estudado indicou valores baixos de carbonato de cálcio no geral, abstendo-se em dois pontos e obtendo-se picos em áreas com atividades urbanas intensas, assim como para os índices de matéria orgânica que foram encontrados em maiores quantidades na porção sul da lagoa, região esta, caracterizada pela forte ação antrópica. Logo, tais valores podem estar diretamente ligado as práticas dos agentes que estão envolvidos na ocupação do entono da lagoa.
É notável a supressão de grande parte da área de proteção permanente da lagoa, demonstrando a evolução da ocupação sem controle às margens lacustres. A zona assegurada para a proteção dos corpos hídricos vem sendo invadida e utilizada para os mais diversos usos, que por fim acabam por denegrir as condições estáveis da lagoa. Foi possível analisar que os pontos com mais contribuições de sedimentos e cargas geoquímicas estão nas áreas desprovidas de vegetação peculiar, a mata ciliar.
As ocupações e contribuições sedimentares de forma exacerbada contribuem para a vulnerabilidade alta do sistema, pois em situações de cheias, que porventura possa sofrer a lagoa em estações chuvosas, podem promover malefícios para a população local, assim como estar sujeita a ameaça de assoreamento em diversas porções, principalmente na região norte, a jusante, onde há uma baixa influência fluvial. Além da interferência das atividades antrópicas que modificam a dinâmica normal das dunas; na porção média, com uma acentuada aproximação das margens oeste e leste, preconizando uma situação futura de junção das margens como consequência dos processos erosivos das áreas circundantes e; as diversas construções e aterramentos que ocorrem na porção mais ocupada, a região sul.
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