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DISKUSJON: EVALUERING AV MODELLER FOR ORGANISERING AV FYSIOTERAPIFORSKNING I

Feitas as considerações sobre o conceito de reflexão, de ensino reflexivo e de prática reflexiva com base em renomados estudiosos do tema, podemos enfim apresentar a concepção de professor reflexivo. Vimos até aqui que a conceituação de professor reflexivo está assentada na noção de reflexão sobre a prática e também sobre a crítica.

Para Alarcão (2008: 42), são vários os motivos que ocasionaram a conceituação do professor reflexivo, tais como a crise de confiança na competência de alguns profissionais, a reação perante a tecnocracia instalada, a relatividade inerente ao espírito pós-moderno, o valor hoje atribuído à epistemologia da prática, a fragilidade do papel que os professores normalmente assumem no desenvolvimento das reformas curriculares, a consciência de como é difícil formar bons profissionais.

Na tentativa de elucidar esse conceito, a autora afirma que a noção de professor reflexivo baseia-se

na consciência da capacidade de pensamento e reflexão que caracteriza o ser humano como criativo e não como mero reprodutor de ideias e práticas que lhes são exteriores. É central, nessa conceptualização, a noção do profissional como uma pessoa que, nas situações profissionais, tantas vezes incertas e imprevistas, actua de forma inteligente e flexível, situada e reactiva (p. 41).

Nessa concepção, Pimenta & Ghedin (2005) apontam que muitos docentes tendem a restringir seu mundo de ação e reflexão à aula, porém é necessário conseguir enxergar os pormenores que estruturam seu trabalho e sua cultura. Tais atitudes permitiriam a eles, com auxílio de uma teoria crítica, a possibilidade de analisar o sentido político, cultural e econômico inerentes à escola e como isso condiciona os acontecimentos ligados ao ensino, permitindo-lhes compreender os padrões ideológicos que sustentam a estrutura educativa.

Em sua perspectiva de professor reflexivo, Zeichner (1995) considera que esses profissionais devem ser capazes de examinar problemas, esboçar hipóteses e tentar solucionar os dilemas do cotidiano da prática. Um profissional reflexivo deve tomar parte no desenvolvimento curricular e se envolver buscando mudanças, quando necessário. Deve ainda, por si mesmo, buscar um contínuo desenvolvimento profissional, estar compromissado com trabalhos em grupo, pois essa atividade fortalece o trabalho docente.

As escolas de hoje têm limitado a reflexão nas aulas, pois as instituições estão ainda atadas aos moldes do ensino técnico e ocupadas em cumprir as metas pré-fixadas. Dessa forma, é preciso superar esse modelo arcaico. Conforme o autor, ³esta tarefa requer a habilidade de problematizar as visões sobre a prática docente e suas circunstâncias, tanto sobre o papel dos professores como sobre a função que cumpre a educação escolar´ (p. 137). No embate frente ao modelo tecnicista, ele propõe que cada professor analise o sentido político, cultural e econômico que cumpre à escola e que, também, observe como esse sentido condiciona a forma como ocorrem as coisas no ensino, o modo como se assimila a própria função e como se têm interiorizado os padrões ideológicos sobre os quais se sustenta a estrutura educativa.

Nesse sentido, Alarcão (2008) mostra a relevância quanto à participação da escola no processo de desenvolvimento e aplicação do conceito de professor reflexivo. A autora aponta que a ideia de professor reflexivo, que constrói conhecimento a partir do pensamento sobre sua prática, pode ser transferida para a comunidade educativa que é a escola. Desse modo, ela apresenta o conceito de escola reflexiva como uma instituição autônoma, que valoriza seus profissionais, alicerçada no seu próprio projeto

com a capacidade de administrar-se e que, também, envolve o aprendiz e a comunidade na sua construção:

A escola reflexiva não é telecomandada do exterior. É auto- gerida. Tem o seu projecto próprio, construído com a colaboração de seus membros. Sabe para onde quer ir e avalia- se permanentemente em sua caminhada. Contextualiza-se na comunidade que serve e com esta interage. Acredita nos seus professores, cuja capacidade de acção sempre fomenta. Envolve os alunos na construção de uma escola cada vez melhor. Não esquece o contributo dos pais e de toda comunidade. Considera- se uma instituição em desenvolvimento e em aprendizagem. Pensa-se e avalia-se. Constrói conhecimento sobre si própria. (p. 38)

Na relação entre professor reflexivo e escola reflexiva, a escola tem de ser organizada de modo a criar condições de reflexividade individuais e coletivas. Já o professor não pode agir isoladamente mas, sim, juntamente com seus colegas, deve construir a profissionalidade docente. A autora preocupa-se em enfatizar que, nessa conceptualização, a tomada dos princípios teóricos sobre professor reflexivo não vai resolver todos os problemas de formação, de desenvolvimento e de formação de professores, especialmente quando há distorções na compreensão do conceito de reflexão (p. 43-44).

Na concepção da autora, para se promover uma formação reflexiva é importante ter por base uma formação do tipo colaborativo, de questionamento sistemático da ação entre o supervisor e os professores estagiários. Além disso, a participação e o envolvimento dos estagiários nesse processo são de suma importância para se promover esse tipo de formação, especialmente para o êxito de todo o trabalho.

Dessa forma, essa concepção de professor, tido como profissional reflexivo e da reflexão na ação como estratégia que fundamenta a epistemologia da prática, como já dissemos anteriormente, têm repercutido tanto do ponto de vista da pesquisa didática, quanto da formação de professores.

Assim, espera-se que o professor reflexivo seja capaz de atuar de uma forma mais autônoma, inteligente, flexível, buscando construir e reconstruir conhecimentos. O professor reflexivo, conforme os autores até agora mencionados, é aquele que se questiona constantemente sobre as próprias metas a atingir e que é capaz de desenvolver e mobilizar ações para atingi-las. Além disso, ele observa as suas práticas e os resultados e pondera a curto e longo prazo os efeitos das suas ações. Esse tipo de professor, num primeiro momento ocupa-se em reconhecer os dilemas para, num segundo momento, buscar respostas, reformular, experimentar e avaliar qual (s) ação (s) seria ou não mais adequada.

Em Figueiredo (2004), o professor reflexivo é em princípio um pesquisador. Ele deve trabalhar sob o método de investigação-em-ação, no qual o professor, em particular o de formação inicial, deve procurar empreender, ou seja, deve procurar realizar tarefas tendo em vista sempre aprender a desenhar modelos de prática de aula. Para a autora, esse método instiga o futuro professor diante do trabalho que está sendo problematizado, de forma a motivá-lo a procurar e a adquirir saberes, por em práticas ações, observá-las, como também refletir sobre elas, revê-las e avaliá-las. Depois, esse método junta-se às preocupações praxeológicas do método de investigação-sobre-a- ação. Nessa outra acepção, a concepção de professor reflexivo contribui para a procura de respostas e soluções para os problemas que surgem na prática, colabora na construção de novos conhecimentos e permite criar novas didáticas que serão experimentadas em sala de aula.

Assim sendo, o profissional reflexivo é um profissional competente, conforme Gómez (1995: 110), na medida em que atua refletindo na ação, criando uma nova realidade, experimentando, corrigindo e inventando através do diálogo que estabelece com essa mesma realidade. Por isso, o conhecimento que o novo professor deve adquirir vai mais longe do que as regras, os fatos, os procedimentos e as teorias estabelecidas pela investigação científica. No processo de reflexão na ação, o aluno-mestre não pode limitar-se a aplicar as técnicas aprendidas ou os métodos de investigação consagrados. Ele deve também aprender a construir e a comparar novas estratégias de ação, novas fórmulas de pesquisa, novas teorias e categorias de compreensão, novos modos de enfrentar e definir os problemas. Em conclusão, o profissional reflexivo constrói de uma

forma idiossincrática o seu próprio conhecimento profissional, o qual incorpora e transcende o conhecimento emergente da racionalidade técnica.

Finalizando, no decorrer desse capítulo tratamos da relevância do ensino reflexivo no contexto de um curso de formação de professores. Consideramos que o ensino de língua materna deve estar amparado na reflexividade. Esse modelo valorizará a prática do professor como espaço de reflexão e de construção de conhecimento. Ademais, defendemos, também, a necessidade de formação de professores na condição de profissionais reflexivos, uma vez que, é esse, o perfil, que a EL incentiva e apoia.

Expostas as teorias que compõem a estrutura da concepção de ensino reflexivo e do conceito do perfil profissional a ser formado nos parâmetros da EL, passamos à análise de dados.