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5. Empirisk resultat og diskusjon

5.2 Empirisk resultat – Hypotese I

5.2.1 Diskusjon

Fiz minha primeira eucarística com nove anos, por iniciativa própria. Insisti com minha mãe para que ela conseguisse fazer minha inscrição no catecismo com oito anos, pois só era permitido com nove anos completo-.

As aulas do catecismo e a realização da primeira eucaristia deram inicio a minha trajetória em busca de Deus.

Até completar 15 anos, eu participava das missas celebradas por padre Zanella. Antes de começar a missa ( sempre aos domingos), eu rezava o terço completo, porque minha mãe me obrigava, mas eu não gostava.

Neste período uns jovens que moravam na minha rua, me convidaram para coordenar um grupo de jovens da igreja. A única noção de igreja que eu tinha, era das aulas de catecismo e das missas que eu assistia, celebradas pó padre Zanella que era uma pároco muito querido e especial pra mim.

Considerei os jovens um tanto ingênuos porque me fizeram o convite de coordená-los baseados na minha liderança na quadrilha e festinhas. Eu apreciava quadrilhas, danças folclóricas, discoteca e rock´n rol.

Aceitei o convite de imediato. Hoje reconheço que este convite realmente era do supremo Deus, que utiliza inúmeras situações para nos despertar e evoluirmos no seu imenso amor. Como coordenadora do grupo, logo percebi a necessidade de ter algum conhecimento. Comecei lendo o livro alicerce para a juventude, de autoria de Padre Zezinho. Lendo livros de padre Zezinho e ouvindo suas músicas iniciei meu processo de conhecimento espiritual. Pude contar ainda com a ajuda de um casal do E.C.C ( Encontro de casais com Cristo), que apoiava o grupo com muita atenção e amor. Em seguida me engajei na catequese e me encantei profundamente, me apaixonei pela catequese. Aqui começaram as minhas dúvidas e questionamentos, onde eu buscava respostas e encontrava incompreensão, acarretando conflitos. Na realidade eu ansiava por respostas sobre Deus de acordo com os reveses da vida e das normas da Igreja Católica. A coordenadora da catequese era uma freira, muito rigorosa, tradicional, porém muito criativa, dinâmica, organizada e tudo o que fazia era bonito. Ela era muito importante para mim.

Nesse período algumas mães já se aproximavam de mim pedindo informações. Levei comigo uma mãe solteira para conversar com esta freira, sobre o batismo de seu filho, que foi recusado.

Outra mãe morava com um homem e não era casada, e também queria batizar o filho, mas não foi possível.

Eu não conseguia entender a negação da igreja para batizar as crianças das mães solteiras ou que viviam com algum companheiro sem casar.

A irmã ficava zangada e achava que eu tinha idéias avançadas e não queria aceitar as regras da igreja. Quanto mais eu questionava (porque era proibido o uso de anticoncepcional, preservativo e etc.) mais conflito gerava.

Havia muitas dúvidas em minha cabeça a respeito de Deus e as respostas não me satisfaziam. Quando uma criança morria assassinada, eu perguntava onde estava Deus.

Continuei com minha turma de catequese, mas quando as crianças estavam perto de fazer a primeira eucaristia, a freira proibiu, porque eu era uma catequista com idéias distorcidas.

Imediatamente procurei o Padre Antônio que era responsável por uma escola e uma capelinha. Fui prontamente atendida e acolhida.

Padre Antônio era um anjo (já é falecido) entendia as minhas dúvidas e quando eu questionava, muitas vezes, ele apenas sorria e falava: deixe isto pra lá, basta que você acredite em Deus.

Alguns de meus questionamentos tinham haver com a explicação que a igreja dava a respeito de Adão e Eva, o dilúvio, os sofrimentos das pessoas e as proibições que eram muitas. E pra complicar mais ainda eu tinha forte desejo de ler sobre assuntos como: poder da mente, yoga, regressão, hipnotismo etc.

Após a eucaristia da minha primeira turma, procurei novamente a freira porque eu tinha necessidade de aprender mais com as suas aulas de planejamento e os retiros.

Ela me acolheu e aceitou a minha participação nas aulas, mas não como catequista. Continuei com Padre Antônio e aos poucos foram aparecendo novas catequistas.

Depois conheci mais de perto o Padre Zanella que tinha uma cabeça bem a frente da sua época. Com seu apoio os jovens estudaram o livro de Leonardo Baff sobre a Teologia da Libertação. Esse momento foi importantíssimo para todos os jovens.

Aos poucos fui deixando de lado meus questionamentos e muitas vezes intensifiquei nas orações. Sempre tive o hábito de conversar com Deus e com o meu anjo da guarda. Eu gostava de conversar com Deus tudo o que eu sentia ou pensava e gostava de louvar.

Com meu anjo da guarda, ora eu agradecia, ora eu cobrava ou reclamava. Fui percebendo que eu recebia respostas através da paz e da certeza que invadia meu coração diante de muitas situações, mas minha fé ainda era muito ingênua.

Com o grupo de jovens, participamos de muitos cursos, palestras, retiros, noitadas de orações etc. Também cuidamos de um idoso, viajamos para cidades do interior para distribuir alimentos etc.

Sempre tive oportunidade de encontrar pessoas que me orientavam e passavam conhecimentos e experiências. Com vinte anos , casei- me, mudei de endereço e me engajei em algumas comunidades.( nos primeiros anos de casada morava em casa alugada) em bairros diferentes.

Conheci o movimento carismático na época em que não era aceito totalmente pelo Papa. Não me identifiquei com a Renovação Carismática, porque eles só oravam, cantavam e louvavam, mas não tinham ação. Fui presidente de um grupo infantil da Legião de Maria e também participei do ECC (Encontro de Casais com Cristo).

Em algumas comunidades fui coordenadora da catequese. Tive oportunidade de conhecer o Pe. Chico (Igreja Progressista) que trabalhava com o movimento das CEBS( Comunidades Eclesiais de Base).

Pe. Chico trabalhava com muitas pastorais: operária, menor, indígena etc. Ele era muito dedicado a sua comunidade, amava o seu povo e se envolvia com a sua problemática, um homem sereno, firme, com muita atitude e senso de justiça.

Agradeço profundamente, tudo que aprendi na igreja Católica, mas sempre sentia uma necessidade que não poderia compreender. (Eu desejava que Deus atuasse na minha vida, como acontecia com muitos personagens bíblicos( mas realmente eu não conseguia entender meus próprios sentimentos e anseios, porém desde os meus 15 anos, jamais fiquei afastada dos trabalhos de comunidade.

CASAMENTO

Casei-me após 3 anos de namoro e fiquei casada por dez anos. Durante o nosso namoro, em alguns finais de semana eu optava pelas reuniões da catequese e isto o deixava chateado.

Eu o levei a um dos encontros da catequese, o mesmo gostou muito vindo a tornar-se também um catequista empenhado, responsável e comprometido.

Ele era um homem muito apaixonado, mas eu não o correspondia com a mesma intensidade. Aconteceu assim, mais uma mudança dentro de mim e optei pela separação.

Tomei a decisão após um encontro da catequese, quando uma catequista aproximou-se de mim e comentou: - “Eu gostaria de casar e viver um casamento como o seu, porque acho que vocês formam um casal muito bonito.” Tal comentário mexeu muito comigo, me senti hipócrita, pois há algum tempo alimentava o desejo de terminar o casamento. Em seguida decidi pela separação. Ele ficou informado, procurou o pároco e este tentou nos ajudar. Casais

do ECC nos procuraram e conversaram conosco. Assim, fiquei mais um ano casada e participando também do ECC.

Eu nunca o culpei em nada pela separação. Ele era muito ciumento e extremamente caseiro. Quando dei a noticia para a comunidade e minha mãe foi um choque. Ela não queria contar para as amigas (Legião de Maria). Brinquei com ela dizendo: - Minha mãe, conte ou eu digo para todos que cometi adultério e será pior.

Minha mãe aceitou a ideia e a igreja procurou nos ajudar buscando impedir a separação, conversando e orando por nós durante um ano. Já separada, continuei na catequese sem me envolver com outra pessoa, mas a pregação da igreja sobre separação, começou a me incomodar.

A igreja lhe proíbe de comungar, caso venha conviver com outra pessoa. Você pode participar de tudo, menos da comunhão, e isto era totalmente contraditório. Como é isto? A pessoa participa da igreja, mas não poderá comungar? Então quem se separa e vai conviver com outra pessoa estará condenado para a igreja? Afinal de contas o ponto central e mais importante da Igreja Católica é a Eucaristia.

Mais uma vez, sigo em frente com a catequese, porém agora sob muita pressão do ex-marido. Este tornou-se amargo, revoltado, cheio de mágoas e ressentimentos, sempre buscando uma forma de vingança. Só agora eu o conheci melhor e passei a temer um pouco a sua fúria. Homem apaixonado acaba se tornando perigoso. Ele brigava muito pelas crianças, mas hoje eu consigo compreendê-lo melhor.

Até aqui eu já tinha alguns problemas de saúde, como labirintite, decorrente de uma queda quase no final da minha gravidez, mas ele cuidava muito bem de mim. Com a separação nossa vida tornou-se infernal e minha saúde piorava gradativamente. Em seguida veio à queda financeira, e o barco afundou. Eu tinha além de labirintite, micropolicistos, anemia profunda e uma doença respiratória que muitas vezes me impedia de dormir, porque dificultava a minha respiração. Às vezes eu era acometida de uma febre, que parecia caminhar pelo meu corpo. Eu tomava muitos remédios, antibióticos e vitaminas. Fiz mais um exame e a médica me receitou um remédio no valor de R$ 100,00. Voltei ao consultório e falei que não tinha condições para comprar o tal remédio, que me indicasse outro.

A médica falou que poderia passar outro, mas não adiantaria muito, pois a doença não tinha mais cura. Fiquei calada e sai da sala com muita revolta, então disse para mim mesma: -

Agora vou morrer, pois não farei mais nenhum tratamento. Comprei um antibiótico por conta própria e nunca mais procurei um médico.

Começa aqui as perdas materiais (roubos, perdas judiciais) e a minha cabeça não mais funcionava direito. Minha vida estava virada de ponta-cabeça, mas sempre conversando com Deus e Jesus Cristo pedindo respostas e com meu Anjo da Guarda, eu brigava. Muitas vezes eu pensava que estava perdendo a fé, mas uma força interior me fazia prosseguir, clamando por respostas. Hoje percebo que eu buscava mais por respostas do que por soluções. Eu perguntava para Deus, Jesus e todos os Santos: - Porque eu passo por tantos sofrimentos? O que eu fiz para merecê-los? Em meio a tantas interrogações e confusão de sentimentos negativos eu me sentia como uma vítima. Ás vezes eu me via como a única culpada e incapaz. Outras vezes buscava culpados, enfim, Eu queria entender a qualquer custo.

NOVO CICLO DE MINHA VIDA- JOHREI E A EXTINÇÃO DOS SOFRIMENTOS